• Sonuç bulunamadı

Irak Bölgesel Kürt Yönetimi’nin Eylül 2017’de Gerçekleştirdiği Bağımsızlık

A protecção ambiental deixou de ser apenas um algo que em algumas situações “fica bem” lembrar, para ser um factor de planeamento permanente, cada vez mais prepon- derante e decisivo. As questões ambientais têm implicações políticas e, por força da escas- sez de recursos naturais e da sua distribuição desequilibrada tenderão cada vez mais a ser fonte de conflitos. Estão por isso nas agendas políticas de Estados e Organizações Interna- cionais.

Reconhecendo que a actividade das FFAA tem um forte impacto no meio ambiente que pode e deve ser minimizado – sem prejuízo da missão –, os países têm procurado orientar as suas preocupações para aspectos ligados às infra-estruturas, já que os impactos ambientais mais significativos resultam da sua utilização (são os órgãos com responsabili- dades pelas infra-estruturas que também têm a tutela das questões ambientais). Mas é tam- bém prestada atenção à introdução de requisitos ambientais nos processos de aquisições para a Defesa. De uma forma geral as preocupações ambientais dos países centram-se nas seguintes áreas: natureza e biodiversidade, introdução de sistemas de gestão ambiental, redução e separação de resíduos, água, eficiência energética, ruído, contaminação de solos, aquisições e ordenamento. Também a OTAN está ciente da importância da interacção entre a actividade militar e o ambiente, tanto mais que a natureza das novas missões em que as suas forças estão envolvidas apresentam contornos que determinam uma importância rele- vante das questões ambientais que devem constituir factor de planeamento para todos os escalões. Assim deverão ser áreas de preocupação ambiental do MDN e das FFAA, a natu- reza e biodiversidade, introdução de sistemas de gestão ambiental, redução e separação de resíduos, água, eficiência energética, ruído, contaminação de solos, aquisições e ordena- mento (QD1/H1).

A transversalidade das questões ambientais e o muito que há a fazer tornam neces- sário definir prioridades e estabelecer metas. Actualmente, as prioridades ambientais cen- tram-se no combate às alterações climáticas, vindo a seguir a natureza e biodiversidade, e a gestão dos recursos naturais e dos resíduos. Alinhado com a UE, que integra, Portugal tem preocupações ambientais mistas: tem que acompanhar a política ambiental da União, onde as preocupações são “niveladas por cima”, promovidas pelos países mais desenvolvidos mas tem as preocupações de um país em desenvolvimento, em que na maioria dos domí- nios importa atingir os patamares típicos dos países desenvolvidos. A política ambiental nacional tem por isso essa dupla vertente, sendo abrangente a ambiciosa. Para tal conta com o financiamento de fundos comunitários. As prioridades nacionais orientam-se para as seguintes áreas: (i) águas e resíduos; (ii) conservação da natureza e (iii) alterações climáti- cas. Estas três áreas abarcam: (i) a água, (ii) os resíduos, (iii) a natureza e a biodiversidade, (iv) o ordenamento do território, (v) as alterações climáticas, (vi) as emissões de GEE e (vii) a eficiência energética. Assim, uma estratégia de desenvolvimento ambiental para as Forças Armadas não poderá dissociar-se daquelas que são as prioridades nacionais na matéria, tanto mais que correspondem também a áreas onde a actividade militar tem

impacto e onde existe margem para melhorias significativas. (QD2/H2).

Em face do actual desempenho ambiental das Forças Armadas, ainda que não exis- tam indicadores numéricos para o mesmo, julga-se que muito há a fazer, nomeadamente no ordenamento, nas águas e saneamento, resíduos, eficiência energética e emissões de GEE. Apesar de a natureza e biodiversidade ser a área que as pessoas normalmente associam a impacto negativo da actividade militar, a verdade é neste âmbito as FFAA podem conside- rar-se um modelo: os principais campos de treino operacional estão certificados ambien- talmente nos termos da Norma ISO 14001. As áreas em que as FFAA podem melhorar sig- nificativamente prendem-se com a gestão infra-estruturas e com os transportes e parque de viaturas. (QD3/H1)

Para contribuir para o desígnio universal do desenvolvimento sustentável, do qual a protecção ambiental é um dos pilares, o MDN deverá adoptar uma política assente numa visão: Cumprir a missão respeitando o Ambiente. Esta visão é o mote para a implementa- ção de uma estratégia que passa pela definição de objectivos estratégicos, sendo um apos- tado no cumprimento dos normativos legais em vigor e outro no desenvolvimento de áreas de excelência em que as FFAA se devem procurar assumir como exemplo. Estes objectivos estratégicos materializam-se em domínios de intervenção prioritária que devem coincidir com as prioridades políticas nacionais e da União Europeia dando assim coerência ao todo o conjunto. Para estes domínios são definidos objectivos sectoriais que por sua vez terão concretização através de programas. Para dar corpo a esta estratégia há que afectar-lhe recursos humanos, materiais e financeiros, sendo importante preparar os primeiros e garan- tir os últimos numa lógica de médio e longo prazo, pelo muito que há a fazer e pelos valo- res financeiros em causa. Assume particular relevância a possibilidade de constituírem par- cerias com entidades públicas e privadas e a necessidade de se procurarem fontes finan- ciamento credíveis e seguras, numa lógica de que esta política serve acima de tudo o País e não as FFAA. (QD4/H3)

Para concretizar a política ambiental há que implementar uma estrutura no MDN, EMGFA e nos Ramos que deverá ter visibilidade institucional interna e externa como for- ma de contribuir também para outros objectivos como a melhoria da imagem das FFAA junto da opinião pública, ou o recrutamento. Com a reorganização da estrutura superior do MDN, que prevê a fusão de duas direcções-gerais, importa evitar que a estrutura responsá- vel pelos assuntos ambientais se ‘afunde’, perdendo ainda mais relevância. (QD5/H3)

gências ambientais com a actividade das FFAA deve ser preocupação permanente e de todos, cada um ao seu nível de responsabilidade. Materializa-se numa política ambiental para a Defesa, que deve estar integrada e coordenada com a política ambiental do Governo. A actividade operacional das FFAA, defendendo, em último caso, a nossa sobrevivência enquanto Estado, pode ditar que as questões ambientais a ela se subordinem. Mas tal será uma excepção. No actual cenário de emprego do poder militar as considerações ambientais constituem cada vez mais um factor de decisão, por vezes preponderante.

Consideram-se particularmente relevantes os seguintes aspectos:

- a necessidade de dar mais visibilidade e peso político aos programas ambientais. Os Ramos e as suas UUEEOO já fazem muito e, com os recursos que possuem, pouco mais podem fazer. Impõe-se um envolvimento ao mais alto nível, que (só) o MDN poderá conseguir;

- a necessidade de existir um levantamento quantitativo do ‘desempenho ambiental’ das FFAA, (o diagnóstico como base fundamental para se passar o tratamento); - um programa de substituição de viaturas (tácticas e administrativas), que são

extremamente poluidoras. Aqui coloca-se a questão da vantagem (ou não) de se alterar a forma de gestão da frota de viaturas administrativas existentes nos Ramos (melhor manutenção/menor poluição).

- a urgência de um ordenamento profundo do ‘dispositivo militar’ materializado em programas de curto, médio e longo prazos, para modernização, concentração e alienação de instalações militares. Os “efeitos colaterais” deste ordenamento (no qual, para além dos custos de exploração, os aspectos ambientais serão um factor importante de ponderação) serão certamente muito significativos;

Concluo com a mesma ideia que iniciei este trabalho: um comportamento ambien- talmente correcto é uma responsabilidade (que se poderá tornar-se uma obrigação) de todos, mas muito em especial do Estado e dos seus organismos e instituições. As Forças Armadas têm características e uma cultura muito próprias que lhes permitem assumir-se como exemplo. É preciso que o façam, para o bem de todos.

“Sem nós, a Terra sobreviveria; sem ela, no entanto, nós não poderíamos sequer existir”

BIBLIOGRAFIA