Aşama 6 (Keyfi Olmayan Toplumsal
3.4. Etiğe Aykırı Davranışlar ve Bu Davranışların Ortaya Çıkma Nedenler
3.4.1.4. Etik ikilemler
Antes de entrar na caracterização do contexto local na década de 1930, fez-se necessária uma breve abordagem acerca das intervenções elaboradas e realizadas em Natal entre fins do século XIX e início do século XX que traziam em suas concepções, de forma direta ou indireta, a preocupação com a higiene e com a salubridade urbana. A partir dessa abordagem, pretende-se melhor fundamentar não apenas a análise das condições históricas que condicionaram a contratação do Escritório Saturnino de Brito, como também embasar o estudo acerca do Plano Geral de Obras, na medida em que esse Plano retomou e incorporou inúmeros aspectos contidos nas propostas que o antecederam.
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Antecedentes históricos: tentativas de higienização da cidade nas primeiras décadas do século XX
Observa-se que, em Natal, o projeto modernizador das elites políticas e econômicas culminou, desde a Proclamação da República, em inúmeras intervenções urbanísticas e iniciativas governamentais, como é o caso das propostas de “reforma urbana” realizadas durante a gestão da oligarquia Albuquerque Maranhão (1892-1913); do Plano Geral de Obras de Saneamento de Henrique de Novaes (1924); e do Plano Geral de Sistematização de Giacomo Palumbo (1929-1930) que se apresenta como a concretização das transformações urbanas promovidas pelo prefeito Omar O’Grady (1924-1930).
Em meio às inúmeras ações concretizadas pela oligarquia Albuquerque Maranhão durante os vinte e um anos em que permaneceu no poder, destaca-se a primeira intervenção urbanística sistematizada – considerada pela historiografia local – que previa, já de acordo com os ditames da ordem higienista, um novo bairro para Natal, a Cidade Nova (1901- 1904 – Figura 05).
Figura 05: Bairro Cidade Nova, 1904. Fonte: FERREIRA et.al (2003).
Formalizada pelo técnico agrimensor Antônio Polidrelli, a proposta de desenho urbano incorporava, também, preocupações relativas à questão sanitária, através da
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PARTE II Urbanismo e Planejamento Urbano em três momentos da urbanização de Natal introdução de melhoramentos na área central, além da expansão da cidade. O novo traçado ortogonal contrastava com a irregularidade da cidade colonial, estabelecendo os elementos principais do sistema viário que viriam orientar, a partir do seu prolongamento, o futuro crescimento de uma parte da cidade atual.
Posteriormente, em 1924, coube ao engenheiro Henrique de Novaes – como chefe da Comissão de Saneamento de Natal (CSN) criada naquele mesmo ano –, elaborar os projetos das redes de abastecimento d’água e de esgotos, além de estudar e projetar a ampliação da cidade, resultando no Plano Geral de Obras de Saneamento de Natal (Figura 06). Revelando a sua filiação ao “urbanismo sanitarista” e praticando o discurso das elites administrativas, Novaes propunha a reforma e expansão da cidade existente, buscando elevar Natal a um patamar de destaque no cenário regional (FERREIRA et. al. 2003a).
Figura 06: Plano Geral de Obras de Saneamento de Natal - Blueprint, 1924. Fonte: Acervo HIDROESB.
Durante a gestão de Omar O’Grady, na segunda metade da década de 1920, tomou-se partido de uma série de normatizações específicas, buscando adequar Natal à sua posição de destaque no contexto de origem da aviação comercial. Utilizou-se, para tanto, do urbanismo como forma de administração da cidade, retomando os princípios norte- americanos de gestão do espaço urbano e revelando a prioridade aos atributos físicos.
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Tendo como norteador o automóvel, promoveu-se a introdução de infra-estrutura básica, principalmente no que se refere à eficiência do traçado viário, além da drenagem das águas pluviais, da limpeza pública e do embelezamento urbano.
Dentre as inúmeras obras de modernização do espaço físico de Natal realizadas por Omar O’Grady destaca-se a elaboração e efetivação parcial do Plano Geral de Sistematização de Natal (Figura 07), elaborado por Giacomo Palumbo. Aliando o monumentalismo barroco da Ècole de Beaux Arts ao ideário norte-americano, o plano visava expandir o traçado poligonal do bairro Cidade Nova e implementar o zoning, subdividindo e hierarquizando as áreas da cidade de acordo com funções específicas. Nesse sentido, confirmou a tendência de bairro comercial na Ribeira, a de zona residencial nos bairros de Petrópolis e Tirol, a de bairro operário no Alecrim e a de zona administrativa em um trecho que limitava a Cidade Alta e a Ribeira, e ainda indicou a localização de um bairro jardim na área entre o Potengi e Oceano Atlântico (FERREIRA et. al., 2003a). Além disso, os mecanismos legais propostos durante a administração de O’Grady (Lei nº 04, de 1929), que regulamentavam a ocupação e extensão da cidade e normatizavam as edificações, atuaram como única baliza legal referente à produção do espaço urbano de Natal até a década de 1960, quando foram substituídos pelo Código de Obras do Município de Natal.
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PARTE II Urbanismo e Planejamento Urbano em três momentos da urbanização de Natal No entanto, contrariando as expectativas contidas nas propostas urbanísticas dirigidas à modernização do espaço físico de Natal, a cidade chega à década de 1930 apresentando um quadro de precariedade higiênica e de saúde pública amplamente divulgado e reclamado na imprensa local. Sofria, pois, com altos índices de mortalidade, agravados pela ausência de sistemas eficazes de abastecimento d’água e de esgotos, de programas de educação sanitária, e com a inadequação das habitações aos preceitos higienistas de ventilação e iluminação.
Instabilidade política e crescimento econômico (1930 – 1935)
Essa precária situação em que se encontrava Natal motivou a idealização de inúmeras ações sobre o espaço urbano, contradizendo o contexto político, então marcado por constantes “turbulências” no cenário político evidenciadas por uma alta rotatividade de interventorias e de gestões bastante atribuladas e de pouca duração, que evidenciavam as dificuldades de consolidação das novas forças políticas em âmbito local naquele momento (COSTA, 1995).32
Não era risonha a situação com que se defrontava o novo Governo. Encontrávamo-nos em um passado período em o qual as paixões políticas conseguiam dividir fundamente os homens, gerando quadros difíceis e tormentosos, mais propícias às satisfações de outra ordem que ao esforço construtor e à continuidade administrativa (GURJÃO e BRITO FILHO, 1991, p.18).
Apesar da descontinuidade política e das mudanças por elas provocadas, não foi interrompida a concretização de inúmeras obras públicas – especialmente ligadas à infra- estrutura em geral e ao saneamento em particular – que foram iniciadas na década de 1920 e consolidadas nos anos 1930 (FERREIRA et al., 2000). Além de atender os anseios das elites dominantes, essa continuidade de ações destinadas ao urbano pode revelar, por outro lado, uma preocupação e o reconhecimento, por parte do poder público, da importância de gerenciar e ordenar o crescimento da cidade, promovendo operações de “modernização” e
32 Por toda a década, a administração do Rio Grande do Norte passou por seis interventorias, sendo quatro
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estruturação urbana que se demonstravam em sintonia com o que se realizava em âmbito nacional.
As iniciativas, tanto governamentais quanto privadas, continuavam a seguir as propostas ditadas pelo Plano Geral de Sistematização de Natal. Deram-se também inúmeras ações que visavam ampliar a infra-estrutura e os equipamentos urbanos, como a construção da primeira vila operária, localizada no bairro do Alecrim; a construção do hospital operário, também no bairro do Alecrim; a realização de obras de continuidade da estrada de ferro central; a ampliação do mercado público; a construção da primeira maternidade de Natal; a conclusão dos trabalhos nas docas do porto de Natal; e inúmeras obras de calçamento, alargamento e prolongamento de ruas, dentre outros.
A efetivação de tais propostas foi viabilizada, principalmente, pelo crescimento econômico que o Rio Grande do Norte apresentou no início dos anos 1930, a partir do estabelecimento de políticas econômicas de incentivo à produção do setor algodoeiro, desenvolvidas pelo Interventor Mário Câmara, atingindo a maior produção já registrada na história do estado, e cujos saldos orçamentários dirigiram-se, em parte, às operações urbanas. Essa situação financeira que dispunha o estado foi determinante na contratação do Escritório Saturnino de Brito em 1935 para chefiar a então recriada Comissão de Saneamento de Natal e executar os projetos das redes de água e de esgotamento sanitário da cidade.
Embora o Escritório tenha sido contratado ainda no governo de Mário Câmara, o início das obras só se deu em Janeiro de 1936, quando já havia assumido como Governador eleito, o médico Raphael Fernandes Gurjão, juntamente com o Prefeito, engenheiro Gentil Ferreira de Souza. A parceria médico-engenheiro, que implicava na consciência das causas dos problemas urbanos e no conhecimento de suas soluções, aliada ao movimento comercial de Natal que se apresentava em situação privilegiada frente às exportações – tendo em vista que muitos capitais novos procuravam este centro de atividade “na prevista certeza do seu florescimento e futuro” – (RIO GRANDE DO NORTE, 1936, p.57), determinaram uma fase marcada pela construção de inúmeras edificações e remodelação de outras, assim como pela introdução de importantes melhoramentos.
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PARTE II Urbanismo e Planejamento Urbano em três momentos da urbanização de Natal
Grande porto de exportação de algodão, peles, couros, caroço de algodão, torta, óleo, açúcar, etc., Natal é, inquestionavelmente, uma cidade que ressurge, se expande e aformoseia.
Sua invejável posição topográfica, sua vegetação, suas dunas recobertas de verdura, seus arrabaldes e praias pitorescos dão-lhe, mui merecidamente, a fama de formosa cidade.
O seu porto satisfaz, ao mesmo tempo, as exigências das navegações marítima e aérea.
Com os requisitos que já possui, a cidade progride com rapidez apreciável e faltam ainda dois empreendimentos valiosos para completar-lhe a aparelhagem imprescindível para um desenvolvimento mais veloz e assentado em bases fortes: o serviço de água e esgotos e um bom hotel (RIO GRANDE DO NORTE, 1936, p.57).