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3.5. Genel Anlamda Meslek Etiği Kavramı
Nesse sentido, o então Governador do Estado Raphael Fernandes Gurjão, em 1936, muniu-se dos decretos 823, de 26 de Abril de 1935, e 844, de 20 de Maio de 1935, criados ainda pelo Interventor Mário Câmara, para reafirmar a criação da Comissão de Saneamento de Natal e regulamentar a contratação do Escritório Saturnino de Brito para a elaboração das propostas e futura direção dos serviços de abastecimento d’água e de esgotamento sanitário da cidade. A criação da CSN foi justificada pelo Governador:
A aglomeração urbana progredia, entretanto, a falta de solução para os problemas de seu abastecimento e esgotamento tornava-se cada vez mais grave. Em 1935, esse retardamento era de ordem tal que exigia a elaboração de novos projetos. Estes e a respectiva execução foram contratados ao final do Governo do ilustre Interventor Dr. Mário Câmara (GURJÃO e BRITO FILHO, 1991, p. 17).
Retomando os objetivos de sua criação em 1924, a Comissão de Saneamento de Natal foi novamente instituída pelo Decreto n. 823, de 26 de abril de 1935, visando:
a) Estudar, projetar e organizar todos os serviços de abastecimento de águas e esgotos sanitários da Capital do Estado.
b) Administrar tecnicamente e dirigir a construção das novas obras de saneamento, constantes dos projetos que forem aprovados pelo Governo.
c) Adquirir pelo custo real, por compra, concorrência administrativa e contratos, os materiais necessários à execução dessas obras (RIO GRANDE DO NORTE, 1935, p. 50-51).
PRIMEIRO MOMENTO 84 As idéias urbanísticas orientando o crescimento da cidade (1935 – 1939)
A direção da CSN, como previsto no decreto de sua criação, ficaria a cargo de um escritório de engenharia especializado em serviços de saneamento, cuja escolha coube ao Governo do Estado. Assim, pelo Decreto nº 844, de maio de 1935, foi firmado o contrato – sob a forma de “administração contratada” com o Escritório Saturnino de Brito, ficando este responsável pela administração da referida Comissão e pela elaboração dos projetos e construção das obras de abastecimento d’água, das redes de esgotos e dos demais serviços complementares ao saneamento da cidade. Algumas cláusulas do decreto descreviam, de forma criteriosa, como os projetos deveriam ser elaborados, os prazos de entrega, a abrangência da proposta e os princípios sanitários sobre os quais se deveria pautar.
A princípio, a interpretação do decreto de criação permite inferir que as ações sanitárias a cargo da Comissão de Saneamento de Natal apresentavam-se desvinculadas das questões urbanísticas. Entretanto, ao considerar o ideário sanitarista que norteou a atuação do Escritório Saturnino de Brito,33 observa-se que a preocupação com a configuração e a articulação do espaço urbano esteve presente em seus projetos, afirmando-se "[...] sempre precários o saneamento parcial e a higiene fragmentária”, e colocando-se “[...] os problemas em função do conjunto, nos complexos urbano e regional, o que conduz logo a formular a higiotécnica e todos os sectores, integralmente” (BRITO FILHO, 1941, p.1). Essa preocupação fundamentaria o Plano Geral de Obras, introduzindo, dessa forma, propostas de melhoramentos e de expansão para a cidade como parte integrante do seu saneamento, como será confirmado adiante.
Em 1937, porém, o Governo do Estado deu passos mais decisivos no sentido de institucionalizar e consolidar os serviços de saneamento na esfera pública estadual, criando a Repartição de Saneamento de Natal (RSN), por meio do Decreto n. 338, de 26 de novembro de 1937. Estabeleceu-se, aí, uma nova base institucional de domínio público, mais sólida e permanente. Essa repartição assumiu, gradativamente ao longo das décadas seguintes, o planejamento, a execução e a administração dos serviços de saneamento do
33 Como visto no capítulo 02, o engenheiro Saturnino de Brito, falecido em 1929, é considerado expoente
máximo da vertente do urbanismo sanitarista pela sua atuação em inúmeras cidades do Brasil, realizando obras de saneamento e abastecimento d’água. O seu legado sanitarista foi continuado pelo Escritório de Engenharia Civil e Sanitária, fundado em 1920, o qual, após o seu falecimento, sob a direção de Saturnino de Brito Filho, passou a se denominar Escritório Saturnino de Brito, conservando, além do ideário, os princípios contratuais e administrativos e o quadro de funcionários.
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PARTE II Urbanismo e Planejamento Urbano em três momentos da urbanização de Natal município, apresentando a composição técnica e desempenhando as funções determinadas na legislação que regeu a sua criação:
Art.1º - É criada a Repartição de Saneamento de Natal, que terá a seu cargo a manutenção dos serviços de abastecimento d’água e de esgotos sanitários da capital, e arrecadação da respectiva renda.
Art.2º - A Repartição de Saneamento de Natal, será dirigida por um engenheiro- diretor, e terá o pessoal administrativo e técnico que for necessário, admitido livremente pelo Governo do Estado dentre o pessoal da atual Comissão de Saneamento, e cujas atribuições e remunerações serão determinadas nos regulamentos que se fizerem precisos para completa instalação e funcionamento dos serviços (RIO GRANDE DO NORTE, 1938, p.132).
O Regulamento da RSN, estabelecido pelo decreto n. 449, de 9 de março de 1938, regimentava desde a implantação, passando pela manutenção, arrecadação e gestão dos serviços sanitários e, ao contrário da Comissão de Saneamento de Natal, trouxe algumas preocupações com relação à normalização das edificações e a tentativa de regular a expansão do espaço urbano de Natal a partir das redes de água e de esgotos existentes e/ou projetadas. Tais aspectos podem ser confirmados pela transcrição dos seguintes artigos:
Art. 58 – A Repartição, por intermédio da secção de esgotos, fará levantar as plantas dos prédios existentes, para sobre elas projetar o serviço sanitário, ficando o proprietário obrigado a executar à sua custa as modificações indicadas pela Repartição para a situação dos gabinetes respectivos em planta e altitude. [...].
§2º - [...] a planta compreenderá o grupo de habitações existentes ou projetados, [...], de modo que se possa julgar da vantagem da abertura de uma ‘viela sanitária’ para facilidade e economia dos serviços dos esgotos.
[...]
Art. 88 – Os projetos organizados pela Prefeitura para novas ruas e arrabaldes terão a colaboração da Repartição de Saneamento, sendo observadas, de um modo geral, as prescrições da arte de traçar as cidades, no ponto de vista sanitário, e, de um modo particular, os que devem ser atendidos para harmonia entre o plano dos esgotos executados ou aprovados e o seu desenvolvimento projetado (RIO GRANDE DO NORTE, 1939, p. 51 – 59).
Essas prescrições caracterizaram o embrião das que apareceriam detalhadas posteriormente no Regulamento do Departamento de Saneamento do Estado (DSE), em 1953. Observa-se, nesse momento, que o saneamento corroborou a emergência de preocupações relativas à normalização e fiscalização sobre o espaço urbano. O Plano Geral de Obras – fruto da atuação do Escritório Saturnino de Brito à frente da Comissão e da Repartição de Saneamento de Natal – poderia simbolizar o início do processo de ascensão de uma ação planejada no trato das questões urbanas; ao mesmo tempo em que concretizou
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todo o ideal de modernização e higienização da cidade, promulgado desde a metade do século XIX (FERREIRA et. al., 2003a).