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Aşama 6 (Keyfi Olmayan Toplumsal

7. Adım: Fakültenin desteğinin sağlanması.

Dentro do propósito nacional de implantar e modernizar a infra-estrutura das cidades com vistas à industrialização, observa-se nesse momento uma intenção de expandir a infra-estrutura existente na cidade para toda a área urbana – fato que, certamente, contribuiu e impulsionou para a disseminação dos loteamentos que se intensificou ao longo da década de 1950 –, a partir da abertura de novas ruas e calçamento do sistema viário existente; da construção, reforma, melhoria e arborização dos equipamentos de lazer, como praças, parques infantis, quadras de esportes; da introdução de iluminação pública em todos os bairros da cidade – inclusive nas áreas mais afastadas; da construção de equipamentos coletivos básicos como mercados públicos e cemitérios. Além disso, registra-se uma notória intenção em urbanizar os novos bairros que se consolidavam na periferia da cidade, como a Praia do Forte, Mãe Luiza e Rocas, e das vilas de Parnamirim, Ponta Negra, Redinha e Igapó, onde seria privilegiada a construção de praças ajardinadas, postos médicos, postos de enfermagem, chafarizes, dentre outras propostas.

O programa de pavimentação viária elaborado e sustentado pela administração de Djalma Maranhão, de grande ressonância na imprensa local, foi apontado à época como uma revolução nos métodos de trabalho da edilidade, promovendo o calçamento de grande parte das ruas da cidade, contando com a participação da população, já que “[...] o

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PARTE II Urbanismo e Planejamento Urbano em três momentos da urbanização de Natal proprietário dá a pedra e a Prefeitura dá a mão-de-obra” (PLANO..., 1956, p. 01). A revisão da nomenclatura das ruas e a introdução de uma moderna sinalização de trânsito viriam complementar as obras de calçamento.

Por fim, como coroamento do “Plano Djalma Maranhão” – como ficaram conhecidas as iniciativas de pavimentação da cidade –, foi encomendado ao historiador Câmara Cascudo um livro sobre a história das ruas, avenidas e praças de Natal (ONOMÁSTICA..., 1956, p. 08). Cabe ressaltar que não só o sistema viário intra-urbano era privilegiado nessa iniciativa, mas também a abertura e melhoria nas estradas intermunicipais e interestaduais.79

Previu-se ainda a construção, reforma e regularização dos passeios públicos (também contando com a participação da população),80 a construção de abrigos, de parques infantis, a ampliação e reforma das galerias de águas pluviais na Ribeira, a criação de uma biblioteca pública do Estado, de uma discoteca, de um museu de arte popular para Natal, do Teatro Sandoval Wanderley, o asfaltamento do centro da cidade, um plano urbanístico para Santos Reis81 – dotando-o de uma proposta de desenho urbano e de infra-estrutura. Outra obra de vulto foi a construção de um estádio municipal em Nova Descoberta (atual Machadão), em terreno pertencente à viúva Manoel Machado,82 tendo-se formado, inclusive, uma Comissão Construtora, que teria assessorias técnicas, administrativas, financeira e de propaganda (DJALMA..., 1957, p. 06).

Esse momento é marcado ainda pela consolidação de inovações tecnológicas de suma importância para o desenvolvimento da cidade em todos os aspectos, quais fossem o

79 Em 1957, já eram 55 (cinqüenta e cinco) ruas pavimentadas e 34 (trinta e quatro) estradas de barro abertas,

além de um superávit nas condições orçamentárias municipais.

80 Intenção que seria concretizada na década de 1960.

81 A urbanização da área que hoje compreende o bairro de Santos Reis e a comunidades de Brasília Teimosa

e do Vietnã é um anseio reincidente desde o início do século. O reconhecimento dos atributos físicos e paisagísticos do lugar, além da sua proximidade ao centro da cidade, corroboraram, por parte do poder público, inúmeras tentativas de ocupação ordenada e planejada. Desde a proposta de um “Bairro Operário” de Henrique de Novaes (1924), do “Bairro Jardim” de Giacomo Palumbo (1929), do “Bairro Residencial” do Escritório Saturnino de Brito (1935), passando pelas iniciativas de Djalma Maranhão e pela tentativa de reurbanização no Plano Serette (1968 – como se verá adiante). No entanto, em virtude da não efetivação das propostas, o crescimento do bairro se deu desprovido de uma diretriz norteadora, à revelia das preocupações do poder público.

82 Cabe ressaltar que o procurador da proprietária, desportista João Cláudio Machado – a quem foi prestada

homenagem com a atribuição do seu nome ao estádio, prometeu uma doação do terreno, caso as obras fossem iniciadas imediatamente.

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ônibus, a ampliação do sistema de telefonia e a extensão da rede elétrica – aspectos vislumbrados pelas iniciativas do então Prefeito.83 Tais inovações possibilitavam também um impulso à disseminação de diversas outras atividades no cenário urbano da cidade.

Favoreciam, dentre outros fatores, a criação e a consolidação de novos bairros (Figura 38), a valorização do solo urbano e a intensificação do mercado imobiliário; subsidiavam a atividade turística; além de consistirem em atrativos para a instalação de indústrias na cidade. Cabe ressaltar aqui que, assim como o saneamento o era nas primeiras décadas do século XX, a indústria se firma como a principal justificativa para as intervenções no espaço urbano.84

Figura 38: Vista aérea do bairro do Tirol em 1951. Fonte: CD Natal, 400 anos. Como resultado das ações urbanas de Djalma Maranhão, tem-se o exemplo de Lagoa Seca, com seu “casario moderno”, abastecimento d’água, energia elétrica e transporte coletivo, conforme descrito na imprensa local:

Cresce a galope, o bairro de Lagoa Seca, moderno Grupo Escolar, escolas outras particulares e públicas, estabelecimento do Orfanato Padre João Maria, panificadoras em bonito estilo e asseio íntimo, feira permanente de animais, vida noturna com ‘footing’, além de outras novidades que o desenvolvimento social propicia (LOPES, 1958, p. 02).

83 A ampliação da rede elétrica de Natal foi intensificada em fins da década de 1950 e início dos anos 1960,

quando se conseguiu, através da Operação Nordeste – efetivada pelo Governador do Estado Dinarte Mariz e concluída por Aluízio Alves – trazer para a cidade energia proveniente da hidrelétrica de Paulo Afonso. Antes disso, somente a iluminação era elétrica, e os demais equipamentos funcionavam à base do gás.

84 Essa tendência de industrialização, no entanto, contrariando as pretensões políticas, só veio ter início na

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PARTE II Urbanismo e Planejamento Urbano em três momentos da urbanização de Natal

Programa habitacional

O déficit habitacional foi uma temática bastante recorrente nas décadas de 1940, 1950 e 1960, principalmente pelo alto crescimento demográfico por que passaram as cidades brasileiras, ocasionado em grande parte pelo processo de desruralização da economia e pela consolidação do urbano – que atraía uma grande demanda de população operária para as cidades. Para alguns autores, como Cavalcanti (1978), a ênfase dada a esse problema consistia muito mais em uma estratégia governamental que tinha objetivos alheios à carência de moradias em si, atuando, sim, no sentido de promover e impulsionar o mercado da construção civil, a partir do investimento e da absorção de mão-de-obra nesse setor.

Em Natal, esse problema fora exacerbado pelo intenso crescimento demográfico ocorrido durante a II Guerra Mundial, e pelo movimento migratório de escoamento rural provocado pelos períodos de estiagem ocorridos no Nordeste ao longo da década de 1950, agravando mais ainda a situação da capital potiguar. No entanto, o processo de urbanização não acompanhou esse contingente de novos habitantes, de modo que se tornaram ainda mais evidentes as carências de infra-estrutura e, sobretudo, de habitações.

De início, as ações no sentido de dotar a cidade de moradia restringiam-se ainda a alguns órgãos isolados, como a Fundação da Casa Popular e as Caixas de Aposentadoria e Pensão, e Institutos de Previdência.85

A Fundação da Casa Popular faz saber aos interessados, que continuam abertas, na Prefeitura Municipal de Natal, [...] as inscrições para venda de casas populares do conjunto residencial construído no Bairro das Quintas [...]. As casas são em número de 74, todas dotadas de sala, dois quartos, cozinha, banheiro, lavanderia e varanda, e possuindo ainda água encanada e instalação elétrica [...]. As casas serão entregues aos candidatos classificados, sem necessidade de qualquer pagamento a título de sinal ou entrada inicial, sendo as módicas prestações mensais calculadas de acordo com a idade do interessado [...] (FUNDAÇÃO..., 1948, p. 08).

[...] o I.A.P.T.E.C. concedeu uma verba de dois milhões de cruzeiros destinada à aquisição de casas já construídas ou de terrenos para construções para os associados, tendo aquela entidade, por seu alvitre, concedido nova verba para pequenos empréstimos aos segurados [...] (NOVAS..., 1948, p. 01).

85 Somente a partir da década de 1960, com a criação do BNH em 1964, a habitação passou a ocupar o cerne

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Foi possível registrar uma vasta produção de moradia, dentre as quais se destacam: um conjunto residencial para os servidores aéreos e de telecomunicações, no Tirol (CASA..., 1953, p. 04); um complexo residencial no bairro do Tirol, com oito blocos com doze e/ou dezesseis apartamentos, e de quarenta unidades residenciais, além de equipamentos públicos como uma escola e um prédio para o serviço social (VAI CONSTRUIR..., 1953, p. 08); uma vila ferroviária no bairro das Rocas (CONSTRUÇÃO..., 1953, p. 01 – Figura 39); uma vila militar em Parnamirim, com trinta residências em estilo moderno (NOVAS..., 1956, p. 08); uma vila naval com quatrocentas unidades habitacionais em Igapó (VILA..., 1957, p. 12) etc. Registre-se a construção de inúmeras vilas militares, dentro da premissa da ocupação militar na cidade.

Figura 39: Vila Ferroviária – planta utilizada pelo Escritório Saturnino de Brito. Fonte: FERREIRA et.al. (2003a)

Uma iniciativa de vulto à época consistiu na construção da “Cidade Satélite”, ou Cidade do Funcionário”, que, acompanhando uma tendência nacional de consolidação da ocupação periférica dos núcleos urbanos, situava-se distante do centro de Natal, funcionando como uma cidade autônoma, de autoria do arquiteto Moacir Gomes da Costa, cujo projeto foi bem caracterizado em artigo publicado no jornal A República:

[...] Sendo uma cidade autônoma, há a necessidade da localização não apenas das casas residenciais, mas de Escolas, Mercado, comércio local, jardins, “playgrounds”, campos de esportes, igrejas, pronto socorro, creches. Tudo isso

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PARTE II Urbanismo e Planejamento Urbano em três momentos da urbanização de Natal

terá a sua localização adequada, a fim de que a cidade possa crescer amanhã com um plano de urbanização.

[...]

A capacidade da cidade satélite está prevista para uns trinta mil habitantes. Serão construídas cerca de mil e quinhentas casas, inicialmente. Para isso o Governador assinará acordo com a Fundação da Casa Popular (PRIMEIROS..., 1957, p. 06).

Deve-se considerar que, apesar de proporcionar e impulsionar um crescimento físico e econômico da cidade – acelerando, inclusive o início do processo de verticalização,86 e possibilitando o rápido crescimento do setor da construção civil e o contingente de mão-de-obra absorvido –, a vasta produção habitacional, desprovida de uma fiscalização adequada por parte do poder público, gerou, por outro lado, a disseminação de padrões arquitetônicos caracterizados por uma baixa qualidade construtiva e por precárias condições de conforto, conforme mencionado anteriormente. Essa “negligência” por parte da administração municipal consistira justamente na estratégia governamental de que fala Cavalcanti (1978) em seu estudo sobre o caso brasileiro, que tratava de proporcionar uma maior abrangência e uma maior liberdade de ação da construção civil, e, com isso, desfrutar do crescimento econômico advindo desse setor.

Observa-se que a precariedade higiênica, formal e construtiva das edificações construídas não passou despercebida pela população local, apontando para a situação do bairro das Quintas, em particular, onde

[...] um grupo de ‘casas populares’ que foram construídas perto do matadouro [...]. Algumas dessas casas estão desocupadas [...]. Ficam muito longe do centro da cidade e não satisfazem as exigências mínimas de uma família operária (WANDERLEY, 1953, p. 06).

Cabe ressaltar que o problema da habitação não se restringia às capitais e aos centros urbanos mais populosos, mas também ao interior dos Estados brasileiros. Reconhecendo tal situação, o Governo Federal dirigiu esforços para a elaboração de uma política nacional de incentivo à interiorarização da produção de moradias – principalmente na região Nordeste, alegando:

86 O incentivo à verticalização por parte da produção habitacional verifica-se, em Natal, a partir da

construção de inúmeros edifícios residenciais que, de início, apresentavam-se com apenas três ou quatro pavimentos, e, gradativamente foram atingindo padrões mais altos, como o edifício de doze andares construído pela empresa Santa Lúcia, na r. Princesa Isabel, dotado de garagem subterrânea e com setenta apartamentos de três tipos e tamanhos diversos.

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Um dos problemas que mais afligem os agricultores nordestinos, é inegavelmente, o da crise de habitação [...]

Construídas [...] para proteger os seus moradores da chuva e do sol, não atendem essas casas às mais elementares necessidades que se exige de uma moderna habitação, [...]

A moderna política social procura conceder ajuda em todos os setores vitais a sobrevivência do homem do campo, e alguma coisa já foi iniciada nesse sentido, esperando-se o maior proveito em benefício dessa população. [...]

[...] Nas grandes cidades e capitais esse aspecto em questão já foi abordado e executado com relativo sucesso, sendo grande o número de casas populares construídas e entregues [...]

Hoje, os benefícios dessa orientação estão sendo estendidos ao campo [...] Cabe ao Instituto Nacional de Imigração e Colonização esse novo planejamento [...]. Autorizou o Presidente da República, a elaboração de um plano conjunto entre o INIC e a Fundação da Casa Popular, [...] afim de serem construídas com a maior brevidade [...] 3.000 casas destinadas a abrigar os que laboram nas atividades agrícolas (CONSTRUÇÕES..., 1956, s/p).

Dentro dessa política, que também vislumbrava do Estado do Rio Grande do Norte, foram construídas quinhentas casas populares nos vales do Assu e do Apodi. Em cooperação com a Fundação da Casa Popular, e no intento de fixar o agricultor no interior do Estado, o Serviço de Assistência Rural possibilitou a compra das residências com baixas prestações mensais – comprometendo-se a estender esse benefício a outras zonas rurais (SERÃO..., 1957, p. 01).