A caracterização dos sujeitos que revelou o perfil dos entrevistados foi construída a partir dos indicadores: sexo, tempo de atuação na área da Enfermagem, jornada de trabalho, capacitação na área da saúde do homem e nível de formação educacional.
Desse modo, compuseram a amostra do estudo vinte e oito enfermeiros, sendo 26 (vinte e seis) do sexo feminino, reafirmando assim a feminilização que caracteriza ainda nos dias atuais, a profissão da Enfermagem e, ao mesmo tempo, a absorção desse corpo feminino na atenção primária à saúde. Estes aspectos merecem destaque quando nos referimos à assistência à saúde do homem, haja vista que isto tem representado um fator que contribui para a baixa procura dos usuários do gênero masculino pelas ações das UBS. Os homens não se reconhecem como alvo do atendimento de programas de saúde, devido as ações preventivas serem, quase que exclusivamente, para as mulheres e criança. Esse sentimento, segundo Gomes, Nascimento e Araújo (2007), provocaria nos homens a sensação de não pertencimento aquele espaço.
Associado a isso, soma-se as dificuldades dos homens em demonstrar as próprias necessidades de saúde, uma vez que ao exporem seus problemas de saúde revela uma demonstração de fragilidade, associado à feminilização, pondo em risco sua virilidade e a condição de provedor, aspectos por demais valorizados na construção da masculinidade hegemônica ainda nos dias atuais.
No tocante à inserção na área da Enfermagem, constatou-se que os enfermeiros participantes da pesquisa tem tempo de atuação entre 8 e 14 anos, com uma média de 11 anos (65,4%).Isto revela que tais profissionais vivenciam o processo de cuidar-cuidado na Enfermagem por um expressivo tempo, o que possibilita, entre outros aspectos, maior vivência com as temáticas, construção de uma efetiva relação de confiança entre o profissional da Enfermagem e a comunidade assistida, contribuindo assim para um a criação de vínculos, favorecendo a ampliação das ações de saúde e, consequentemente, a participação dos usuários na assistência prestada.
No que diz respeito à jornada de trabalho, todos os enfermeiros participantes da pesquisa exercem a sua atividade laboral perfazendo um total de 40(quarenta) horas semanais. Entretanto, ao serem indagados se receberam alguma capacitação no âmbito da atenção à saúde do homem, todos afirmaram que nunca tiveram instrumentalização para tal e a maioria (95 %) não se sente preparada para o atendimento das necessidades de saúde especificas desta clientela. Este déficit repercute na atenção básica aos usuários do gênero masculino e reafirma a necessidade de qualificação específica destes profissionais para o cuidado à saúde masculina neste nível de atenção.
Sabe-se que embora a PNAISH tenha sido apresentada à comunidade de profissionais da saúde e à sociedade em 2008, verifica-se ainda um importante déficit de conhecimentos dos profissionais da área frente a esta política e, em particular, de aspectos vinculados especificamente à saúde da clientela masculina. Para minimizar esta lacuna, destacamos algumas ações por parte de Instituições de Ensino Superior (IES), a exemplo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que buscam instrumentalizar futuros enfermeiros para o atendimento à saúde deste grupo populacional, considerando os princípios do SUS sem perder o foco na humanização do cuidado.
Tais iniciativas devem ser valorizadas, haja vista que, de acordo com o Ministério da saúde e da educação, o distanciamento entre os mundos acadêmico e o da prestação real dos serviços de saúde vem sendo apontado em todo mundo como um dos responsáveis pela crise do setor da saúde (Brasil, 2005).
Nesse sentido, vários autores, a exemplo de Spink e Matta (2007), ressaltam a importância de se propor formas de atuação compatíveis com tais princípios. Para isso, a assistência necessitaria ser reorientada, investindo-se mais, entre outros aspectos, na capacitação dos profissionais que atuam nesses cenários. E desse modo, buscar-se-ia adequar os serviços às necessidades de homens e mulheres, sem, contudo, gerar uma segmentação de
espaços e especialidades, haja vista a consideração de uma abordagem centrada no caráter relacional para se tratar a temática dos cuidados com a saúde.
Destaca-se, entretanto, que embora se reconheça que a PNAISH seja caracterizada como inclusiva no âmbito da atenção básica, há desafios importantes para sua implementação que abrange aspectos socioculturais do próprio homem, bem como dos profissionais, os quais precisam compreender que a amplitude da saúde masculina vai além do campo da urologia e saúde reprodutiva. Tais aspectos são ricamente valorizados pelos profissionais da área como revelam algumas pesquisas sobre a temática a exemplo de Barboza (2009), Carneiro (2012) e Chianca (2011), bem como no Plano de Ação 2009-2011 desta política.
Além disto, constatou-se que todos os profissionais envolvidos na pesquisa possuíam no mínimo uma especialização, em sua maioria na área de Saúde da Família (57,7 %) e Saúde Coletiva (42,3%). Assim, pode-se afirmar que tais profissionais buscaram capacitações na área da saúde coletiva, fato este importante para o alcance da implementação da PNAISH, cujo planejamento é aspecto valorizado amplamente no Plano de Ação já referido.
Desse modo, a partir do perfil sociocultural dos participantes da pesquisa revela-se uma predominância de enfermeiras, embora destaca-se na ABS revelando no âmbito da Enfermagem a participação masculina neste nível de atenção à saúde com uma média de atuação profissional de 11 (onze) anos, que desenvolvem suas atividades laborais em um contínuo de 40 (quarenta) horas semanais, ou seja, dedicavam-se à atenção básica e estavam instrumentalizadas em nível de pós-graduação lato sensu. Entretanto, percebeu-se a necessidade de capacitação profissional na área específica da saúde masculina para que possam contribuir significativamente na minimização dos indicadores de morbimortalidade da população masculina.
4.2 ASPECTOS VINCULADOS À INSERÇÃO DOS HOMENS NAS UNIDADES