O “varejo consiste nas atividades de negócio envolvidas na venda de qualquer produto ou
prestação de qualquer serviço a consumidores finais, para utilização ou consumo pessoal,
familiar e residencial” (MATTAR, 2011). Inclui, portanto: alimentos rápidos, divertimentos,
lavagens de roupas e serviços de saúde e até móveis, automóveis e residências. Como é a última ponta da cadeia, agrega valor por englobar um conjunto de atividades de negócios já que está em contato direto com o consumidor final.
Há várias definições de varejo. Algumas estão apresentadas no Quadro 1, a seguir:
DEFINIÇÕES DE VAREJO AUTORES
Varejo é definido como "venda por miúdo ou a retalho". Holanda, 1988, p.664 Define varejo como "todas as atividades envolvidas diretamente na venda de
bens e serviços diretamente aos consumidores finais para uso pessoal".
Kotler, 1998, p.493
Diz que varejo é "a venda de produtos e serviços para o consumidor final". Cox, 1996, p. 3 Resume que "qualquer um que venda um produto ou serviço para o uso
pessoal ou doméstico está realizando uma transação no varejo".
Mason, 1993, p.7
Varejo é definido como “Atividade comercial de venda de produtos ou serviços, feita diretamente ao consumidor final. Comércio de mercadorias em
pequenas quantidades.”
Ferreira, A. B. H., 1999, p. 2046
O varejo é “um negócio que vende produtos e serviços de uso pessoal ou familiar aos consumidores”. Dentro de um modelo clássico de distribuição, o
varejo é o último elo da cadeia
Levy; Weitz, 2000, p. 8
Define varejo como “todas as atividades que englobam o processo de venda
de produtos e serviços para atender a uma necessidade pessoal do consumidor
final.”
Parente, 2000, p. 22
O varejo “consiste nas atividades envolvidas na venda de produtos e serviços, para os consumidores, de uso particular, familiar ou doméstico.”
Berman; Evan, 1998, p. 3
As funções varejistas são imprescindíveis para que o consumidor tenha acesso aos produtos de que necessita, dentro de suas próprias condições.
Rosenbloom, 2002
Quadro 1 – Definições de Varejo Fonte: Elaborado pela autora.
Há vários tipos e classificações de varejo. A proposta por Levy e Weitz (2000) apresenta a seguinte estrutura:
a) Varejo com Loja – dentro dessa classificação, incluem-se os varejistas de
alimentos (supermercados convencionais, superlojas, supermercados de depósito, lojas de conveniência);
b) Varejistas de mercadorias em geral – nesse caso, incluem-se os varejistas
como: lojas de departamentos, lojas tradicionais de descontos, lojas de produtos diferenciados, especialistas de categorias, Warehouse Clubs, hipermercados e varejistas de serviços;
c) Varejo sem Loja - esses varejistas são definidos em termos de mídias que
utilizam para se comunicar com seus clientes. Existem os seguintes tipos: varejo de catálogos e malas- diretas, varejo de vending machines, varejo de compra em casa pela TV.
Segundo Marques (2004), as principais características do setor de confecção são: pulverização (vários formatos de lojas); produto perecível em virtude da moda e de sazonalidade; uma cadeia de suprimentos fragmentada e pouco estruturada; grande destaque para a marca que é essencial como processo de diferenciação; mercado de fácil entrada, uma vez que o investimento é baixo; alto grau de informalidade e baixo profissionalismo.
Laban lembra que o “varejo é um setor que vem sofrendo profundas transformações nos últimos anos” (LABAN, 2004) e que elas vêm acontecendo praticamente em todo o mundo e
são motivadas pela globalização, pela concentração e pelo alto grau de competitividade que caracteriza o setor. Destaca que para sobreviver neste contexto, o varejista necessita
adequar seu modelo de criação de valor de forma constante, buscando novas formas de atuação e desenvolvendo o relacionamento com seus consumidores e fornecedores, através da utilização de tecnologias avançadas de operação e gestão, bem como de conceitos e métodos avançados de marketing. (LABAN, 2004, p.41).
Além dos fatores citados, há que se destacar ainda os processos de fusões e aquisições, a entrada de capital estrangeiro, o investimento em tecnologia e renovação de ponto de venda, o lançamento de novos produtos e o acirramento da concorrência (SESSO FILHO, 2003).
Outros fatores também impactam diretamente o varejo, como é o caso de mudanças culturais, demográficas, sociais, tecnológicas além da já citada globalização das economias e do ritmo acelerado de consolidações, que têm afetado radicalmente a maneira como as atividades varejistas estão sendo exercidas atualmente. O autor lembra que em um passado recente muitos varejistas quebraram devido ao seu modelo operacional que focavam em estoque elevado, ofertavam vários serviços e gastavam muito para se comunicar com o cliente. Este foi o caso de lojas como a Mesbla, Mappin, Sear, Sandiz, Hermes Macedo, entre outras (MATTAR, 2011).
Neves (1999) enfatiza os principais desafios para o sucesso das empresas varejistas. Para tanto, realizou uma coletânea de opiniões de diversos autores e dentre os fatores, destaca: o crescimento do poder de compra das grandes redes varejistas; o uso da tecnologia como fator gerador de informações para a tomada de decisão e como facilitador da expansão dos produtos e serviços oferecidos; a adequação do sortimento às necessidades específicas dos consumidores; ferramentas que permitem o monitoramento contínuo do comportamento do consumidor, identificando e antecipando suas necessidades e tendências; a mudança da exposição de produtos e promoção mais orientados às necessidades do consumidor, incorporando conceitos de gerenciamento por categorias e ambientação de lojas; a revisão dos processos de abastecimento e de reposição, visando a sua otimização e o aumento da oferta de produtos, objetivando eliminar as quebras/faltas, sem que seja necessário elevar os níveis de estoque; o uso de ferramentas financeiras na gestão e no controle da operação, como também oferta de alternativas de financiamento aos consumidores; a busca incansável pela redução dos custos fixos e a amortização dos investimentos em ativos; além da exploração de canais alternativos, tais como a internet.
Senhoras (2003) destaca que o varejo é importante faceta da sociedade moderna e que, desde 1912, uma grande cadeia varejista americana inovou o sistema de varejo da época, permitindo ao cliente que pagasse suas mercadorias e as levasse para casa. Com o passar dos anos, devido à forte concorrência entre os supermercados, buscou-se inovar por meio da introdução de novos serviços, tais como: padarias, açougues, papelarias, perfumarias, papelarias, entre outros, que permitia margem de lucro maior, já que a maioria dos produtos dos supermercados tem margem pequena e grande giro de lucro.
A história do varejo começa antes de 1700, quando o homem apenas produzia para seu consumo próprio (caça e pesca e mais tarde agricultura e agropecuária). Porém, devido ao excedente, iniciou-se o processo de escambo onde o que um grupo tinha a mais do que o outro, servia como moeda de troca. O quadro abaixo sintetiza a história do varejo no mundo. Foi desenvolvido, baseando-se no livro de Mattar (2011), que efetuou uma coletânea de vários autores, conforme segue:
ÉPOCA FATO
Antes de 1700 Escambo – troca entre grupos do excesso de produtos produzidos para consumo próprio. 1700 Surgimento de lojas gerais, onde encontrava-se todos os tipos de produtos. As atividades
eram concentradas em um comerciante que fazia as funções de importador, transportador e varejista. A variedade era grande e a escala era pequena.
1850/1860 Começou a divisão de funções no comércio, devido à decadência do comércio colonial. A importação e distribuição de produtos para os principais centros urbanos (como Filadélfia e Nova York), passaram a ganhar grandes dimensões. Surge então o papel do Atacadista. 1870/1880 Surgem os grandes varejistas de venda em massa, os denominados magazines. Exemplos
são o Le Bom Marché e a Macys.
1887 A Montgomery Ward inicia a venda por catálogo.
1890 A Sears iniciou suas vendas por catálogo e em 1905 passou a processar mais de 100 mil pedidos por dia.
1912 Surge o formato do autosserviço. A mercearia Great Atlantic and Pacific Tea Company, passou a afixar preços nos produtos de forma que os consumidores pudessem se auto atender, passando no caixa para pagar apenas no final das compras. Porém, este formato só se popularizou após a Grande Depressão, quando o varejo se vê pressionado a reduzir custos e elevar a eficiência operacional.
1930 Inaugurada em Long Island a King Kullen uma loja que reunia todas as características do autosserviço. Teve aprovação imediata de todos os seus consumidores e permitiu a redução drástica de preços e margens sobre as mercadorias.
1941 O formato de autosserviço já contava com mais de 8 mil lojas.
1940 Surge o formato das Compras por Conveniência. Foca em atender a emergência das pequenas compras por parte dos consumidores.
1950 Os Centros de Compras foram substituídos pelos Shoppings Centers. Porém, seu conceito não era novo, uma vez que o Grande Bazar de Isfahan (no Irã) surgiu no século X a.C. e funciona até hoje (Oxford Covered Market).
1907 Nasce o primeiro Shopping Center com as características dos atuais. Eram várias lojas independentes, mas que operavam com uma administração centralizada e com estacionamento para carruagens.