3. ÇUBUK GÖLÜNDE PALEOLİMNOLOJİK ÇALIŞMALAR
3.6. CK-1 Karotu Üzerinde İncelemeler
3.6.4. İzotopik Analizler
As declarações negociais são recipiendas ou não recipiendas conforme tenham ou não um destinatário determinado. O momento da eficácia das declarações recipiendas pode ser estabelecido com recurso a várias teorias que têm sido discutidas na doutrina. Segundo a teoria da expedição, o momento relevante para a produção de efeitos da declaração é o da sua emissão; segundo a teoria da recepção, esse momento é o da recepção da declaração pelo seu destinatário; face à teoria do conhecimento, é a apreensão da mensagem que releva186.
183 Embora se possa discutir a natureza contratual desta relação, CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA, Texto
e Enunciado na Teoria do Negócio Jurídico, Vol. II, cit., p. 745, e PAULO MOTA PINTO, Declaração
Tácita e Comportamento Concludente do Negócio, cit., p. 793, referem-se a este caso como exemplo de irrelevância do protesto, uma vez que, como refere o primeiro autor citado, “o protesto pretende contrariar um efeito que decorre de um comportamento que, nem por isso, é afectado na sua significação”.
184 A Lei n.º 28/2006 apenas impõe o pagamento do preço do bilhete no caso de pagamento voluntário da coima, constituindo aquele condição necessária deste (artigo 9.º, n.º 4). O n.º 4 do artigo 12.º da Lei n.º 25/2006, de 30 de Junho (aprova o regime sancionatório aplicável às transgressões ocorridas em matéria de infra-estruturas rodoviárias onde seja devido o pagamento de taxas de portagem), contém uma norma similar, aplicável aos casos em que um utente entra numa auto-estrada, assim aceitando o contrato de utilização desta, e não cumpre a sua obrigação, transpondo uma barreira de portagem sem proceder ao pagamento devido quer no âmbito do sistema de cobrança electrónica de portagens (v. artigo 5.º) quer no âmbito do sistema de cobrança manual de portagens (v. artigo 6.º).
185 O artigo 7.º, n.º 1, da Lei n.º 28/2006 estabelece que “a falta de título de transporte válido, a exibição de título de transporte inválido ou a recusa da sua exibição na utilização do sistema de transporte colectivo de passageiros, em comboios, autocarros, troleicarros, carros eléctricos, transportes fluviais, ferroviários, metropolitano e metro ligeiro, é punida com coima de valor mínimo correspondente a 100 vezes o montante em vigor para o bilhete de menor valor e de valor máximo correspondente a 150 vezes o referido montante”.
186 ANTÓNIO MENEZES CORDEIRO, Tratado de Direito Civil Português – Vol. I – Parte Geral, Tomo I, cit., pp. 548 e 549, e JOSÉ ALBERTO VIEIRA, Negócio Jurídico – Anotação ao Regime do Código Civil
(Artigos 217.º a 295.º), cit., p. 29. HEINRICH EWALD HÖRSTER, A Parte Geral do Código Civil
Português – Teoria Geral do Direito Civil, cit., p. 448, acrescenta a teoria da exteriorização, em que “basta a simples exteriorização da vontade”.
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No direito português, esta questão é tratada pelo artigo 224.º do Código Civil, que determina que “a declaração negocial que tem um destinatário torna-se eficaz logo que chega ao seu poder ou é dele conhecida; as outras, logo que a vontade do declarante se manifesta na forma adequada” (n.º 1), sendo também considerada “eficaz a declaração que só por culpa do destinatário não foi por ele oportunamente recebida” (n.º 2). Estabelece ainda o referido preceito que “a declaração recebida pelo destinatário em condições de, sem culpa sua, não poder ser conhecida é ineficaz” (n.º 3).
Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que todas as declarações que se inserem no processo de formação de um contrato têm pelo menos um destinatário187, mesmo que esse destinatário possa não ser apenas uma pessoa, sendo no limite todas numa proposta ao público muito ampla. Portanto, as normas citadas devem ser interpretadas no sentido de distinguir as declarações com destinatário determinado (“a declaração negocial que tem um destinatário”) – declaração recipienda – das com destinatário indeterminado (“as outras”) – declaração não recipienda188.
Quanto ao regime das declarações recipiendas, o artigo 224.º combina as teorias da recepção e do conhecimento (“chega ao seu poder ou é dele conhecida”)189,
187 Neste sentido, v. INOCÊNCIO GALVÃO TELLES, Manual dos Contratos em Geral, cit., p. 134. Contra, HEINRICH EWALD HÖRSTER, A Parte Geral do Código Civil Português – Teoria Geral do Direito Civil, cit., p. 447, defende que as “declarações não receptícias (ou não recipiendas) são as que não se dirigem a um destinatário, de maneira que nelas não se podem verificar os momentos da recepção e do conhecimento por parte de um declaratário, mas apenas os da exteriorização e da expedição do lado do declarante”.
188 Neste sentido, JOSÉ DE OLIVEIRA ASCENSÃO, Direito Civil – Teoria Geral, Vol. II, cit., p. 205. 189 Neste sentido, cfr. PIRES DE LIMA e ANTUNES VARELA, Código Civil Anotado, Vol. I, cit., p. 214, que refere que se adoptaram “simultaneamente, os critérios da recepção e do conhecimento”, JOSÉ DE OLIVEIRA ASCENSÃO, Direito Civil – Teoria Geral, Vol. II, cit., p. 206, HEINRICH EWALD HÖRSTER, A
Parte Geral do Código Civil Português – Teoria Geral do Direito Civil, cit., p. 449, PEDRO PAIS DE VASCONCELOS, Teoria Geral do Direito Civil, cit., p. 457 (“há uma ligação forte entre a recepção e o conhecimento, que todavia, não é completa”), CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA, Contratos, Vol. I, cit., p. 126, e JOSÉ ALBERTO VIEIRA, Negócio Jurídico – Anotação ao Regime do Código Civil (Artigos 217.º a
295.º), cit., p. 30. PAULO MOTA PINTO, Declaração Tácita e Comportamento Concludente do Negócio, cit., pp. 572 a 574, entende que foi adoptada a teoria da recepção, admitindo, “contudo, igualmente a relevância do conhecimento da declaração antes desta ser recebida”. ANTÓNIO MENEZES CORDEIRO,
Tratado de Direito Civil Português – Vol. I – Parte Geral, Tomo I, cit., p. 549, defende que se trata do “acolhimento da doutrina da recepção, temperada embora nalguns dos seus aspectos, designadamente pelo papel dado ao conhecimento”. CARLOS ALBERTO DA MOTA PINTO, ANTÓNIO PINTO MONTEIRO e PAULO MOTA PINTO, Teoria Geral do Direito Civil, cit., p. 440, consideram “ter a nossa lei optado pela doutrina da recepção”. Também JOÃO CALVÃO DA SILVA, Banca, Bolsa e Seguros – Direito Europeu e
Português, Vol. I, 2.ª edição, Almedina, Coimbra, 2007, p. 115, defende que “o nosso Código Civil consagra abertamente a doutrina da recepção”. V., também, Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça,
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ficcionando-se a recepção no caso de esta não ocorrer por culpa do destinatário190 (aplicação da teoria da recepção) e considerando-se ineficaz se, apesar de recebida, não puder ser por este conhecida, sem culpa sua (aplicação da teoria do conhecimento).
O n.º 2 do artigo 31.º do Decreto-Lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro191, que regula o comércio electrónico, também contém uma norma sobre a eficácia da declaração, estabelecendo que “a ordem de encomenda, o aviso de recepção e a confirmação da encomenda consideram-se recebidos logo que os destinatários têm a possibilidade de aceder a eles”. Esta norma não se afasta, no essencial, do regime consagrado no artigo 224.º do Código Civil192.
No que respeita ao regime do Código Civil, o elemento relevante é a chegada ao poder do destinatário. Os meios de transmissão da declaração são variados, divergindo também, em função da diversidade dos meios, o tempo que decorre entre a emissão da declaração e a chegada ao poder do destinatário. Se se tratar do envio de um fax, de uma mensagem de correio electrónico ou de uma mensagem SMS, deve entender-se que chega ao seu destino em poucos segundos; já se forem utilizados os serviços postais, o tempo pode variar em função do serviço efectivamente contratado. Os critérios normalmente utilizados193 são válidos, embora actualmente a utilização do de 24 de Novembro de 1983, Processo n.º 071431 (Lima Cluny), Acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra, de 2 de Fevereiro de 2010, Processo n.º 2107/03.3TBPMS.C1 (Carvalho Martins), que considera acolhida pelo Código Civil a teoria da recepção “ainda que temperada pela teoria do conhecimento”, e Acórdão do Tribunal da Relação de Guimarães, de 29 de Novembro de 2007, Processo n.º 2345/07-1 (António Gonçalves), referindo-se à consagração da teoria da recepção no artigo 224.º do Código Civil.
190 PEDRO PAIS DE VASCONCELOS, Teoria Geral do Direito Civil, cit., pp. 458 e 459, esclarece que esta norma se aplica quer no caso de a conduta do declaratário ter impedido a recepção da declaração quer tenha determinado o seu atraso.
191 O Decreto-Lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro, foi alterado pelo Decreto-Lei n.º 62/2009, de 10 de Março.
192 Neste sentido, cfr. CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA, Direito do Consumo, cit., p. 97, nota 417, e AAVV, Lei do Comércio Electrónico Anotada, cit., p. 125. Segundo JOSÉ DE OLIVEIRA ASCENSÃO, “Contratação Electrónica”, in DSI, Vol. IV, 2003, pp. 43-68, p. 126, “dispensa-se o conhecimento efectivo. Ainda que o destinatário não leia as mensagens, estas consideram-se recebidas”.
193 CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA, Contratos, Vol. I, cit., p. 127, defende que, “quando o meio usado é o correio tradicional, tem-se admitido o período de três dias como tempo normal para cada uma das transmissões (cfr. Código de Processo Civil, artigo 254.º, n.º 3), o que pode ser excessivo se a proposta for comunicada por «correio azul» ou por «correio expresso». Para o comércio electrónico, é de presumir que a mensagem chegue ao poder do destinatário no próprio dia da expedição (cfr. n.º 5 do mesmo artigo)”. V., num sentido próximo, ANTÓNIO MENEZES CORDEIRO, Tratado de Direito Civil
Português – Vol. I – Parte Geral, Tomo I, cit., pp. 554 e 555, LUÍS CARVALHO FERNANDES, Teoria
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correio tradicional para a emissão de declarações negociais já não constitua o meio mais comum. O fax e o e-mail são meios mais rápidos de contacto entre as partes, com custos pouco elevados no que respeita ao segundo. Se o objectivo é, por um lado, a prova do envio da mensagem e, por outro lado, uma maior certeza na efectiva recepção desta, o meio mais eficaz talvez ainda seja o correio tradicional, mas, neste caso, apenas se o envio for registado, situação em que o momento relevante para a determinação da eficácia da declaração deve ser o da assinatura do registo pelo declaratário.
No que respeita às declarações não recipiendas, consagra-se a teoria da expedição (“logo que a vontade se manifesta da forma adequada” – n.º 1 do artigo 224.º, in fine)194.
Nas relações jurídicas de consumo, é especialmente relevante saber a quem é que o consumidor deve comunicar a sua decisão de aceitar a proposta (ou de emitir a proposta, caso o consumidor seja o proponente), especialmente quando se trate de uma pessoa jurídica. Nestes casos, se existir um estabelecimento comercial, deve entender- se que a declaração dirigida a um funcionário que se encontre no local é eficaz195.
Nos termos do n.º 2 do artigo 226.º, a declaração (proposta ou aceitação) não chega a ser eficaz “se o declarante, enquanto o destinatário não a receber ou dela não tiver conhecimento, perder o poder de disposição do direito a que ela se refere”. Esta norma remete para os critérios de atribuição de eficácia do artigo 224.º, referindo-se à recepção ou ao conhecimento. Se, enquanto a proposta não se tornar eficaz, o proponente deixar de ter a disponibilidade sobre o bem objecto da sua declaração (v.g., o bem já tiver sido vendido), aquela nunca chega a produzir efeitos.
É também este o momento relevante – como limite máximo admitido – para que se verifique a retractação da proposta, da rejeição ou da aceitação, nos termos do n.º 2 Processo Civil, PEDRO PAIS DE VASCONCELOS, Teoria Geral do Direito Civil, cit., pp. 469 a 472. JOSÉ ALBERTO VIEIRA, Negócio Jurídico – Anotação ao Regime do Código Civil (Artigos 217.º a 295.º), cit., p. 36, refere que “a troca de declarações pelo correio normal pode levar dias (pelo menos dois, o da remessa e o da volta)”.
194 HEINRICH EWALD HÖRSTER, A Parte Geral do Código Civil Português – Teoria Geral do Direito
Civil, cit., p. 451, entende que se “consagra assim a teoria da exteriorização […], podendo abranger também a teoria da expedição”.
195 Neste sentido, CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA, Contratos, Vol. I, cit., p. 128, defende “que a comunicação a empregados do destinatário, sejam ou não representantes deste, efectuada no local onde o destinatário (pessoa jurídica ou pessoa física) exerce a sua actividade, vale normalmente como chegada ao seu poder”.
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do artigo 230.º e dos n.os 1 e 2 do artigo 235.º, respectivamente, não chegando a declaração (inicial) a produzir os seus efeitos.
A partir do momento em que a declaração recipienda chega ao poder do destinatário é irrevogável, excepto se houver declaração ou acordo das partes em contrário; é o que estabelece, no que respeita à proposta, o n.º 1 do artigo 230.º e, quanto à aceitação, o n.º 1 do artigo 235.º, interpretado a contrario sensu.
Pelo contrário, a declaração não recipienda, nomeadamente a proposta ao público, pode ser revogada em qualquer momento – enquanto não houver contrato, na sequência de uma declaração de aceitação196 – “desde que seja feita na forma da oferta ou em forma equivalente” (n.º 3 do artigo 230.º). A revogação pode, a título de exemplo, resultar de o profissional retirar o anúncio que contém a proposta do site ou da montra do estabelecimento comercial.
A morte ou a incapacidade197 do proponente não põe em causa a eficácia da proposta, não obstando à conclusão do contrato com a aceitação, excepto se houver elementos dos quais se possa inferir que, tendo previsto a ocorrência do evento, o proponente não teria querido a celebração daquele contrato. É, assim, que entendemos que devem ser compatibilizados o n.º 1 do artigo 226.º e o n.º 1 do artigo 231.º, que têm uma previsão similar198.
196 HEINRICH EWALD HÖRSTER, A Parte Geral do Código Civil Português – Teoria Geral do Direito
Civil, cit., p. 458, e JOSÉ ALBERTO VIEIRA, Negócio Jurídico – Anotação ao Regime do Código Civil
(Artigos 217.º a 295.º), cit., p. 39.
197 Trata-se da incapacidade de exercício; a incapacidade de gozo encontra-se abrangida no n.º 2 do artigo 226.º, já referido. Neste sentido, v. PIRES DE LIMA e ANTUNES VARELA, Código Civil Anotado, Vol. I, cit., p. 215.
198 CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA, Contratos, Vol. I, cit., p. 132, refere que o “artigo 231.º, n.º 1, […] conciliado com os artigos 226.º, n.º 1, e 236.º, deve ser lido do seguinte modo: se tal resultar da interpretação da proposta, atendendo ao conjunto das circunstâncias atendíveis”. ANTÓNIO MENEZES CORDEIRO, Tratado de Direito Civil Português – Vol. I – Parte Geral, Tomo I, cit., p. 556, nota 1470, defende que “estes dois preceitos não estão perfeitamente harmonizados; julga-se, porém, que o artigo 231.º, n.º 1, consome o artigo 226.º, n.º 1, dados os valores em jogo, apenas com a prevenção de que o «fundamento» deve ser procurado na declaração […]”. No mesmo sentido do autor anterior, v. PIRES DE LIMA e ANTUNES VARELA, Código Civil Anotado, Vol. I, cit., p. 219, que refere que o artigo 231.º “vai um pouco mais longe”. JOSÉ ALBERTO VIEIRA, Negócio Jurídico – Anotação ao Regime do Código
Civil (Artigos 217.º a 295.º), cit., p. 39, salienta que “o artigo 231.º reitera para a proposta contratual a regra geral contida no artigo 226.º, n.º 1”. PEDRO PAIS DE VASCONCELOS, Teoria Geral do Direito Civil, cit., p. 474, defende que “o regime do artigo 231.º, aplicável especificamente à proposta contratual, relaciona-se com o do artigo 226.º do Código Civil que, com um âmbito mais amplo, se aplica à declaração negocial em geral”; acrescenta ainda o autor que “não […] parece ser de atribuir significado especial à diferença de formulação verbal das partes finais de ambos os preceitos, nomeadamente, restringindo aos termos da própria declaração, com exclusão das respectivas circunstâncias a base conclusiva da intenção contrária. Não se vislumbra uma ratio legis que suporte a restrição, que seria, na
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Já a morte ou incapacidade do destinatário, numa proposta com destinatário determinado, implica a caducidade desta, nos termos do n.º 1 do artigo 231.º.
A proposta também caduca com a sua rejeição, que tem como características a tempestividade e a desconformidade com os termos da proposta, podendo, como já se referiu, constituir uma contraproposta se contiver todos os elementos necessários.
A razão principal de caducidade da proposta é, no entanto, o decurso do seu prazo de vigência. O artigo 228.º, que se ocupa da questão da duração da proposta contratual, estabelece como primeira regra a de que a proposta se mantém eficaz até ao final do prazo que nela se encontrar fixado199 ou do prazo que tiver sido convencionado pelas partes em contrato anterior (alínea a) do n.º 1)200. O prazo pode ser fixado pelo proponente quer na proposta a pessoa determinada quer na proposta ao público. Neste último caso, admite-se a revogação da proposta, desde que seja anterior à aceitação e feita pela mesma forma da proposta ou de através de forma equivalente (n.º 3 do artigo 230.º). No caso de a revogação ser feita através de uma forma que permita um conhecimento mais alargado por parte do público, deve entender-se como válida, deixando de vigorar a proposta.
No caso de o proponente pedir uma resposta imediata, a proposta é eficaz, nos termos da alínea b), “até que, em condições normais201, esta e a aceitação cheguem ao seu destino”. No fundo, impõe-se ao destinatário da proposta que, assim que recebe ou tem conhecimento da proposta (critérios gerais do artigo 224.º), diga se a aceita.
falta dela um mero verbalismo”. HEINRICH EWALD HÖRSTER, A Parte Geral do Código Civil Português
– Teoria Geral do Direito Civil, cit., p. 459, considera que, “quanto à proposta contratual, o artigo 231.º, n.º 1, como «lex specialis» em relação ao n.º 1 do artigo 226.º, afasta esta regra da formação do contrato”, sendo o primeiro menos exigente do que o segundo no que respeita à excepção consagrada. 199 ANTÓNIO MENEZES CORDEIRO, Tratado de Direito Civil Português – Vol. I – Parte Geral, Tomo I, cit., p. 555, reflecte sobre o caso de o proponente declarar que a sua proposta se mantém indefinidamente, considerando que “o Direito não contemporiza, salvo excepção, com situações perpétuas deste tipo”.
200 No Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, de 10 de Maio de 1983, Processo n.º 070589 (Amaral Aguiar), defende-se que “o vendedor fica desvinculado da sua proposta se o comprador a não aceitar dentro do prazo fixado para o efeito […]. Isso sucederá se, devendo fazê-lo «nos princípios» de um certo mês, vem a fazê-lo em 12 desse mês: - um determinado dia pertencerá aos princípios, meados ou fim do mês conforme se situa mais próximo do dia 1, do dia 15 ou do último dia do respectivo mês”. 201 Segundo PIRES DE LIMA e ANTUNES VARELA, Código Civil Anotado, Vol. I, cit., p. 217, “em princípio, as condições normais são as ida e volta regulares do correio […]”. Valem aqui as observações feitas, já neste ponto do presente estudo, a propósito da chegada da declaração ao poder do destinatário; resumindo, a prática comercial não se coaduna com a consideração de que a regra seja actualmente a do envio de declarações pelo correio, uma vez que os meios electrónicos – correio electrónico, fax, televisão, entre outros – são hoje dominantes.
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Esta regra é compatível com a proposta ao público, nesta também podendo ser pedida uma resposta imediata aos destinatários. Enquadra-se aqui a situação em que, num programa de televendas, o profissional incita o consumidor a adquirir o bem imediatamente ou num período de tempo muito curto, proporcionando-lhe um desconto no caso de o fazer. Esta prática não permite uma reflexão muito aprofundada da parte da contraparte, o que pode ser especialmente problemático numa relação jurídica de consumo, em que o princípio da boa fé é mais exigente para os profissionais (cfr. n.º 1 do artigo 9.º da Lei de Defesa do Consumidor). Neste âmbito, é importante salientar a alínea i) do artigo 8.º do Decreto-Lei n.º 57/2008, de 26 de Março (regime jurídico das práticas comerciais desleais), que considera enganosa, em qualquer circunstância a prática comercial que consiste em “declarar falsamente que o bem ou serviço está disponível apenas durante um período muito limitado ou que só está disponível em condições especiais por um período muito limitado a fim de obter uma decisão imediata e privar os consumidores da oportunidade ou do tempo suficientes para tomarem uma decisão esclarecida”202. Portanto, nas relações de consumo, o pedido de uma resposta imediata pode constituir uma prática comercial desleal.
Não tendo sido fixado prazo pelo proponente e não existindo um acordo prévio entre as partes quanto a este aspecto, a alínea c) distingue entre as situações em que a proposta é feita a pessoa ausente ou a pessoa presente e, dentro destas, se é feita por escrito ou através de um meio menos formal. Se for feita a pessoa ausente, a proposta mantém a validade durante o período de tempo que a proposta e a aceitação levam, em condições normais, a chegar ao seu destino, acrescido de cinco dias. A duração da proposta deve ser a mesma se for feita a pessoa presente mas por escrito, pois deve entender-se, na falta de outros elementos, que a forma escrita pressupõe maior necessidade de ponderação. Já no caso de a declaração ter um destinatário presente e não ser feita por escrito (no essencial, oralmente), deve entender-se que se exige uma resposta imediata, pois, se se verifica um contacto imediato entre as partes, é normal
202 As práticas comerciais enganosas são consideradas desleais (artigo 6.º) e as práticas comerciais desleais são proibidas (artigo 4.º). Para além da responsabilidade contra-ordenacional do agente, “os contratos celebrados sob a influência de alguma prática comercial desleal são anuláveis a pedido do consumidor, nos termos do artigo 287.º do Código Civil” (n.º 1 do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 57/2008).
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que, não indicando um prazo, o proponente queira saber num curto período de tempo