4. TARTIŞMALAR
4.2. Bölgesel ve Küresel Paleoiklimsel Şablonlarla Karşılaştırma
O modelo de formação de contratos através de aceitação de proposta não é o único existente na prática negocial e, uma vez que a lei está pensada em função desse modelo, torna-se importante o estudo dos outros modelos, procurando conhecer o regime que lhes é aplicável.
O modelo alternativo mais comum, em especial nos contratos de consumo, consiste na celebração do contrato através da elaboração de um documento escrito, assinado ou não assinado pelas partes, que contém as cláusulas que regem a relação contratual estabelecida entre os contraentes. Neste caso, não é normalmente possível identificar um proponente e um aceitante207, pelo que uma parte das regras estudadas tem de ser adaptada para poder ser aplicada a este modelo.
No âmbito da forma voluntária, este modelo constitui a regra nos contratos mais complexos208, sendo também bastante utilizado nas relações jurídicas de consumo, em
206 Neste sentido, cfr. PAULO MOTA PINTO, Declaração Tácita e Comportamento Concludente do
Negócio, cit., p. 679, nota 555.
207 ANTÓNIO MENEZES CORDEIRO, Tratado de Direito Civil Português – Vol. I – Parte Geral, Tomo I, cit., p. 495. JOSÉ DE OLIVEIRA ASCENSÃO, Direito Civil – Teoria Geral, Vol. II, cit., p. 455, refere que a proposta e a aceitação “não são indispensáveis na estrutura do contrato: só é o mútuo consenso”. PEDRO PAIS DE VASCONCELOS, Teoria Geral do Direito Civil, cit., p. 465, conclui que, quando o contrato é concluído por escrito, não são, “então, discerníveis, declarações negociais separadas e autonomizáveis por parte de cada uma”. INOCÊNCIO GALVÃO TELLES, Direito das Obrigações, cit., pp. 64 e 65, entende que, quando as declarações “aparecerem fundidas no mesmo texto, sem a aludida diferenciação formal, é que não haverá lugar a falar de proposta e aceitação ou pelo menos será necessário recorrer a outros meios probatórios, se nisso existir interesse, para saber quem verdadeiramente actuou como proponente e quem actuou como aceitante”.
208 INOCÊNCIO GALVÃO TELLES, Manual dos Contratos em Geral, cit., p. 140, refere-se a este modelo de formação, em matéria de forma das declarações, salientando que, quando é exigida a forma escrita, “em regra redige-se um documento único, e aí se inserem as declarações contratuais”. PEDRO PAIS DE VASCONCELOS, Teoria Geral do Direito Civil, cit., p. 480, fala nestes casos em “contratação sobre documento”, defendendo que “os contratos mais complexos e de maior importância económica são geralmente negociados e concluídos deste modo”. ANTÓNIO MENEZES CORDEIRO, Tratado de Direito
Civil Português – Vol. I – Parte Geral, Tomo I, cit., p. 492, refere que “a formação cabal de um contrato minimamente complexo apresenta a seguinte sequência: obtenção de informações; borrão do projecto de contrato; aplicação hipotética do contrato; concretização de critérios de decisão; superação de conflitos de objectivos; negociações contratuais; instrução e aconselhamento; [terminando com a] elaboração do documento contratual”.CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA, Contratos, Vol. I, cit., p. 139,
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especial nas relações duradouras, entendidas no sentido de que geram obrigações periódicas ou continuadas para as partes.
Este é também o modelo normalmente utilizado quando a lei impõe uma forma especial para a celebração do contrato, nomeadamente a forma escrita – v.g., os contratos celebrados no domicílio ou a estes equiparados209 ou o contrato de concessão de crédito ao consumo210.
Pode igualmente ser este o modelo de formação do contrato no caso de as partes terem convencionado que apenas se vinculariam através de um contrato escrito, corporizado num documento contratual único.
Apesar de não ser exigida por lei ou por convenção anterior das partes, estas podem, em concreto, adoptar a forma escrita, celebrando o contrato através da elaboração de um documento contratual único. Trata-se, com efeito, de uma prática bastante comum, em especial em contratos de consumo mais complexos, mesmo quando a lei não exige a forma escrita.
A forma especial é normalmente imposta pelo profissional, que assim consegue provar a celebração do contrato, salvaguardando-se de um eventual incumprimento por parte do consumidor, o qual se sente especialmente vinculado pela sua assinatura. Esta forma tem ainda a vantagem adicional para o profissional de o documento poder constituir um título executivo. Com efeito, a alínea c) do n.º 1 do artigo 46.º do Código de Processo Civil inclui entre os títulos executivos “os documentos particulares, assinados pelo devedor [neste caso, o consumidor], que importem constituição ou reconhecimento de obrigações pecuniárias, cujo montante seja determinado ou determinável por simples cálculo aritmético […]”.
Quanto aos requisitos exigidos para a celebração do contrato segundo este modelo, são os mesmos exigidos para a proposta, só que neste caso aplicados ao documento e ao seu conteúdo. Assim, no essencial, este deve ser completo, no sentido de as partes terem “acordado em todas as cláusulas sobre as quais qualquer delas tenha designa este modelo de formação como de declarações contratuais conjuntas, distinguindo três fases: “1.ª fase preliminar; 2.ª acordo pré-contratual final; 3.ª subscrição”. JOSÉ A. ENGRÁCIA ANTUNES,
Direito dos Contratos Comerciais, cit., p. 132, que designa o modelo como de contratação conjunta, entende que é “um dos modelos mais frequentes na formação dos contratos comerciais”.
209 V. infra 3.1.2. 210 V. infra 3.2.4.
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julgado necessário o acordo” (artigo 232.º do Código Civil)211, e formalmente adequado212.
Por exemplo, se a lei exigir um documento autêntico, o documento escrito não é apto para que o contrato produza os seus efeitos.
Estes contratos não se confundem, quanto à formação, com aqueles em que a lei impõe (ou as partes convencionam) a confirmação por escrito de um contrato celebrado anteriormente na sequência da aceitação de uma proposta. É o que se passa, por exemplo, nos contratos celebrados à distância213, em que o artigo 5.º do Decreto- Lei n.º 143/2001 exige o envio ao consumidor de um documento escrito ou de um documento contido num suporte durável que inclua as principais cláusulas do contrato já celebrado.
Nos casos em que o contrato se celebra através de um documento contratual único, é natural que existam acordos pré-contratuais, muitas vezes obtidos na sequência do modelo da aceitação de proposta e a estes acordos não pode deixar de ser dada relevância jurídica, quer em sede de responsabilidade pré-contratual214, no caso de a fundada expectativa de contratar ser frustrada pela contraparte, quer, especificamente nos contratos de consumo, por o consumidor poder invocar a celebração do contrato, mesmo que este não revista a forma legalmente exigida. Com efeito, a inobservância da forma escrita só pode, na maior parte dos casos, ser invocada pelo consumidor, o que significa que um acordo pré-contratual final, que
211 CARLOS FERREIRA DE ALMEIDA, Contratos, Vol. I, cit., p. 137, entende que “a subscrição conjunta faz presumir que as partes tenham acordado sobre todas as cláusulas que julgaram necessárias para o acordo […], o que facilita a verificação da completude, mau grado a persistência de reais ou aparentes lacunas na composição do texto”.
212 No Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, de 13 de Abril de 2010, Processo n.º 503/08.9TVLSB.L1-7 (Luís Espírito Santo), pode ler-se que, “obedecendo o contrato à forma escrita, os requisitos positivos essenciais atinentes à sua formação reconduzem-se ao consenso e à adequação formal”. PEDRO PAIS DE VASCONCELOS, Teoria Geral do Direito Civil, cit., p. 479, pensa “que para a formação do contrato basta, em princípio, o consenso. A adequação formal é só um requisito de validade, salvo casos especiais de forma interna que é constituinte do próprio negócio e sem a qual é inexistente”; no entanto, o autor refere (p. 467) que entre os requisitos fundamentais da proposta se encontra a suficiência formal.
213 V. infra 3.1.1.4.
214 Conforme decidido no Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, de 26 de Abril de 2005, Processo n.º 086417 (Miguel Montenegro), “no caso de o contrato ser nulo por falta de forma […], a nulidade do contrato não obsta a que fique o caso subtraído à previsão do artigo 227.º do Código Civil”.
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represente um consenso material215, gera no profissional uma verdadeira vinculação, de natureza próxima da contratual.
Outro aspecto que caracteriza a generalidade dos contratos de consumo celebrados através de um documento contratual único está relacionado com a circunstância de ser o profissional a pessoa que, em regra, redige o documento (ou já dispõe de um documento contendo cláusulas contratuais gerais, que apresenta a todos os eventuais interessados em contratar). Nestes casos, o consumidor limita-se a assinar o documento, celebrando-se o contrato segundo um modelo muito próximo do da aceitação de proposta216.