5. İSTANBUL’DA DEPREM
5.3 İstanbul'daki Önemli Uygulama ve Projeler
5.3.7 İstanbul afet müdahale planı (İSTAMP)
Antes de adentrarmos o tema, cumpre registrar que, a responsabilidade da administradora de consórcio pela gestão dos negócios dos grupos de consórcios, foi devidamente tratada em tópico apartado, neste capítulo, e que seus efeitos estão diretamente ligados à responsabilidade do Bacen.
A atividade fiscalizadora do Banco Central decorre da Lei nº 4.595/1964, recebida pela atual Constituição com status de lei complementar, uma vez que o poder legislativo não editou a lei de que que trata o art. 192 da Magna Carta.
O Bacen é um longa manus do Estado, incumbido de cuidar do Sistema Financeiro Nacional, exprimindo o seu poder pelo exercício da função de polícia
externa em desfavor dos interesses dos contratantes, se os interesses individuais de terceiros determinados forem mais relevantes que os das partes. Também cabe oponibilidade externa na defesa dos interesses individuais homogêneos, coletivos ou difusos, socialmente mais relevantes que os dos contratantes, como é o que sucede com a proteção do consumidor e a proteção ambiental, que são reguladas por normas jurídicas de ordem pública. CONCLUSÕES DO V CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO DO CONSUMIDOR. Painel 9. Belo Horizonte. 02.05.2000. Revista de Direito do Consumidor. São Paulo: RT, n. 35, 2000, p. 260.
administrativa financeira, eis que detém a qualificação, atribuída por lei, de executora daquelas normas de natureza administrativo-financeiro451.
O professor Nelson Abrão452, examinando a questão, afirma que o Bacen exerce o comando da política econômica monetária, tendo como principais tarefas monitorar o mercado e intervir quando necessário e determinar um conjunto de medidas que se compatibilizam com o mecanismo de estabilização da moeda e preservação sistemática dos interesses dos investidores.
Entrementes, os técnicos do Bacen têm demonstrado letargia e falta de pulso na verificação do problema, resultando em uma tomada de ordem que instabiliza o mercado ou privilegia determinada entidade.453
Múltiplos fatores pretéritos, de conhecimento do Bacen, interferiram marcadamente na situação ruinosa de algumas instituições financeiras, bastando para tanto invocar os casos do Banco do Estado de São Paulo (Banespa) e do próprio Banco Nacional, sociedade anônima454.
Nesse sentido também analisa Ivan Paulo Machado455. Para o citado autor, a intervenção tardia demonstra, para bem da verdade, que o serviço de vigilância e fiscalização a cargo do Bacen não funcionou, quando deveria legalmente funcionar, quer por ação ou inação, descumprindo os seus deveres legais. E completa dizendo que o Bacen, conquanto houvesse tomado conhecimento ou não das irregularidades, faz-se de cego e ao se esquivar de tomar uma atitude acaba inerte, não adotando as medidas e providências que lhe competem constitucionalmente, para a defesa do público. Por conseguinte, se o serviço funcionou mal, ensejando as lesões a terceiros, a reparação de tal lesão há de ser satisfeita pelo Bacen.
Nelson Abrão456 comenta que, não obstante tenha crescido o número de punições e multas aplicadas a dirigentes das administradoras de consórcios pelo Bacen, inclusive determinando impedimentos de funcionamento, não se materializou uma melhoria palpável na atividade fiscalizatória do órgão, sobretudo para atuar preventivamente e poupar clientes e investidores de maiores percalços. O que se vê é a responsabilização de operação que já se mostrou prejudicial. E completa, na
451 MACHADO, Ivan Paulo. Doutrinas essenciais responsabilidade civil, p. 427. 452 ABRÃO. Nelson. Direito bancário. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 414. 453 Idem.
454 Idem.
realidade deveria o Bacen responder pelos prejuízos causados aos consorciados- consumidores, dentro da relação de causa e efeito, em face do dano que permite infundir aos investidores e poupadores. Cresce a tendência de se imputar ao Bacen a responsabilidade objetiva, isto é, mesmo não estando demonstrada a culpabilidade, estaria obrigado a indenizar pelo simples fato de ser agenciador e autoridade incumbida de rastrear os dados recebidos e, por conseqüência, evitar a instabilidade e intranquilidade que certamente causa quando demora em implementar as medidas necessárias e inadiáveis para sanear as empresas do setor que estão em dificuldade.
Mais adiante o ditado autor adverte, se é certo que o convívio com a total irresponsabilidade das autoridades do Banco Central é nefasto e prejudicial ao funcionamento sadio das instituições financeiras, o nascedouro de uma responsabilidade objetiva serviria como poderoso remédio para vitalizar a importância do papel que desempenha e colocar o mercado em estado constante de alerta. A situação não se aplica somente às instituições financeiras, pela proliferação em demasia das cartas-patentes e sem um critério objetivo, mas também ao setor de consórcios, cujo funcionamento depende da sua autorização.457
Destarte, se a fiscalização e a vigilância tardam injustificadamente, em detrimento do consumidor e do mercado que confiou naquela empresa, indiscutível ponderar que a causa do dano proveio da conduta da autarquia federal. Cite-se, para ilustrar, o Plano Collor, quando a correção monetária real foi escamoteada e os julgados proferidos pelo STJ indicaram ser a responsabilidade do Bacen e não das instituições financeiras depositárias, provocando perda de tempo e de dinheiro dos poupadores que pretendiam reaver seus investimentos ilegalmente deflacionados.
Em suma, o papel crucial desenvolvido pelo Bacen, relativamente ao monitoramento das instituições financeiras e à relevância que lhe é peculiar, impõe uma tendência apta a conferir a este órgão, sob tal roupagem, típica responsabilidade objetiva, que o CDC, na inversão do ônus da prova, traçaria obrigação de reparar o dano cometido por ação ou omissão em relação a terceiros.
Para Nelson Abrão458, desse papel que divisa a posição teleológica do Bacen surge maior aproximação com o consumidor, determinando o cliente que se 456 ABRÃO, Nelson. Direito bancário, p. 414.
457 Ibidem, p. 415. 458 Idem.
interessa pelos serviços prestados e a incompatibilidade com as regras estabelecidas.
Nesse contexto, patente está a relação de consumo que se entrelaça com o CDC, colocando em evidência predicados que enalteçam a posição do cliente no relacionamento com a instituição financeira, abrindo um canal de comunicação.
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em julgamento de recurso de apelação cível, da relatoria do Juiz Fernando Gonçalves, assim decidiu:
Responsabilidade civil do Bacen – Falta do serviço – Investidores Grupo Coroa Brastel – Indenização.
1. O art. 18 da Lei 6.024/1974 diz respeito às ações propostas contra a entidade liquidanda, não havendo, assim, impossibilidade que seja intentada ação contra o Bacen, objetivando-se indenização por ter faltado ao serviço. 2. O Bacen, que tem o poder-dever de proteger os investidores contra emissões fraudulentas de títulos ou valores mobiliários e evitar qualquer modalidade de fraude no caso do Grupo Coroa Brastel, foi omisso, omissão que chegou às raias da conivência, da cumplicidade. (TRF. 1ª R. AC 91.01.02727-1. Distrito Federal, rel. Juiz Tourinho, DJU de 25.07.1991.).459
Com apoio nessas críticas, tem-se como perfeitamente justificável responsabilizar quem tem o direito e o dever constitucional e legal de fiscalizar e intervir e assim não procedeu. Mais, se há negligência ou letargia na tomada de decisões por parte dos prepostos do Bacen, também é justo e correto responsabilizar este órgão pelos danos causados aos consorciados consumidores, na forma objetiva, que deriva, por óbvio, do dever de fiscalizar.
6.5.5 A responsabilidade do Bacen pela frustração de créditos e direitos dos