1. KENDİLERİNE ZULMEDEN KAVİMLER
1.5. İsrailoğulları ve Zulmü
Como já foi enfatizado no início deste capítulo, os agricultores pesquisados faziam parte do Grupo B, conforme classificação do próprio Estado. As características desses atores os colocam, dentre os demais agricultores, como os de condições de vida mais precárias. O grupo é constituído basicamente de famílias de renda mais baixa (até 2.000 mil reais/ano), trabalhadores rurais e aqueles que utilizam a terra de forma mais precária, como os meeiros, pequenos arrendatários e ocupantes, além de pescadores artesanais. Estes últimos, como é discutido na pesquisa, além do domínio diferente dos meios de produção, se destacam por uma percepção de vida muito particular e por um determinado comportamento frente aos compromissos assumidos.
Dos 129 questionários válidos, 70% eram de membros de famílias que residiam no meio rural e 30% do meio urbano (Tabela 6 e Gráfico 1). Esse número expressivo de residentes na cidade não significa uma ausência do estabelecimento, mas a procura de condições mais adequadas de vida, mesmo porque as glebas são próximas do local de moradia.110
Tabela 6 - Proporção de domicílios urbanos e rurais dos entrevistados
Domicílios Nº %
Urbano 39 30,2
Rural 90 69,8
Total 129 100,0
Fonte: Pesquisa de campo
110 Não se deve perder de vista a relatividade desses espaços definidos como urbanos, muitas vezes
representados por povoados de características mais próximas do rural. Eli da Veiga (2002) faz uma discussão seminal a respeito de tais espaços.
Gráfico 1 – Proporção dos domicílios urbanos e rurais
3 0 %
7 0 %
ru ra l u rb a n o
Dentre os beneficiários, 30% residiam no meio urbano e os demais residiam no local de trabalho, diferentemente dos não-beneficiários, dos quais 9% apenas residiam no meio urbano. Essa presença mais significativa de “urbanos” dentre os que tiveram acesso ao crédito111 pode significar um nível maior de cidadania (acesso a direitos civis, políticos e sócio-econômicos)112 o que, aparentemente, os torna mais aptos para a contratação do financiamento. Além disso, também pode ser conseqüência da baixa capilaridade do banco no espaço de atendimento dos agricultores do Grupo B, que, em sua maioria, residem de forma dispersa e em lugares mais recônditos. Mesmo levando em conta que 10% dos beneficiários eram pescadores, a maioria residente no meio urbano confirma o seguinte fato: a proporção dos “urbanos” que se beneficiaram do crédito foi bem maior que a dos excluídos, pois, enquanto 55% dos beneficiados se localizavam no meio urbano, entre os não-beneficiários esse percentual foi de apenas 25% (Tabela 7 e Gráfico 2).
Tabela 7 – Condição de domicílio dos entrevistados
Domicílio
PRONAF B Urbano % Rural %
Não-beneficiário 9 23,1 36 40,0
Beneficiário 30 76,9 54 60,0
Total 69 100,0 90 100,0
Fonte: Pesquisa de campo
111 As normas do crédito permitem o financiamento de agricultores que residem no meio urbano, desde que
estejam próximos da sua área de cultivo (Resolução 3.206, de 24/06/2004. MCR 10-2-1).
Gráfico 2 – Condição de domicílios beneficiário/não beneficiários do PRONAF B 40% 76,9% 60% 23% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120% D om icílios Per cent uais
N ão Beneficiários
B eneficiários
A característica principal dos agricultores pesquisados (84,3%) é a família nuclear – casal e filhos –, enquanto os agregados representam apenas 1,8% dos residentes pesquisados (Tabela 8).
Tabela 8 – Característica das famílias
Grau de parentesco Freqüência %
Cônjuge 136 39,5
Filho 154 44,8
Sogro 19 5,5
Outro graus de parentesco 29 8,4
Agregado 06 1,8
Total 344 100,0
Fonte: Pesquisa de campo
A maioria (91,5%) dos entrevistados, beneficiários ou não, alegou morar com a família nuclear (apenas pais e filhos), o que também parece relevante, pois a idéia dominante era que as famílias rurais sempre contavam com agregados residindo sob o mesmo teto (Tabela 9).
Tabela 9 – Forma de residência dos entrevistados
Beneficiários do PRONAF B
Caracterização Não % Sim % Total %
Com a família 41 91,1 77 91,7 118 91,6
Em comum com outras famílias 0 0 1 1,2 1 0,8
Com outros parentes além da família 1 2,2 4 4,8 5 3,8
Outras formas 3 6,7 2 2,4 5 3,8
Total 45 100,0 84 100,0 129 100,0
Desse total, 57,5% eram ocupados apenas nos imóveis, enquanto 36,9% exerciam ocupações agrícolas e não-agrícolas fora do estabelecimento (Tabela 10).
Tabela 10 - Formas de ocupação
Discriminação Freqüência %
Ocupado no imóvel 235 57,5
Ocupado agrícola fora do imóvel 123 30,1
Ocupado não-agrícola fora do imóvel 28 6,8
Inativo com renda 5 1,2
Menos de 10 anos 14 3,4
Estudante com menos de 10 anos 4 1,0
Total 409 100,0
Fonte: Pesquisa de campo
Dos agricultores e pescadores, 24,6% possuiam diferentes níveis de analfabetismo (total, assina apenas o nome e conta, e EJA). Com até a quarta série do primeiro grau, estavam 28,8% dos pesquisados, enquanto 64,9% cursaram até o segundo grau. Possuiam curso superior, completo ou incompleto, 2,2% das pessoas residentes nos estabelecimentos investigados e 6,8% não estavam em idade escolar (Tabela 11).
Tabela 11 – Instrução dos membros das famílias
Grau de instrução Freqüência %
Diferentes níveis de analfabetismo¹ 112 24,6
1º Grau completo 221 48,6
2º Grau 74 16,3
Superior 10 2,2
Sem idade escolar 31 6,8
Não soube informar 7 1,5
Total 455 100,0
¹ Analfabeto total, escreve o nome e conta, e EJA Fonte: Pesquisa de campo
O parágrafo anterior confirma um número de analfabetos que já é de conhecimento de outras pesquisas, por isso mesmo apontando para permanentes dificuldades na absorção de informações, maiores custos adicionais de transação nas operações de crédito e outras ações que exijam um mínimo de autonomia com o uso da linguagem escrita. Por outro lado, a presença de 67,1% de pessoas alfabetizadas, algumas até no terceiro grau, demonstra que uma parte significativa dos residentes tinham um bom potencial de crescimento e de escolha autônoma e
de se perceber como mobilizadora ou liderança para o encaminhamento de demandas coletivas.
A existência de documentação pessoal reflete os níveis mínimos de cidadania dos agricultores e familiares entrevistados. Nesse sentido é que se observam aspectos que findam constituindo-se em óbices para a pretensão de alguns, mormente quanto ao acesso ao crédito. Assim é que apenas 66,3% possuíam toda a documentação pessoal exigida por parte dos agentes financeiros: carteira de identidade, CPF e título de eleitor. Nesse último caso, também é exigida a comprovação de votação no último pleito, cuja ausência causa indeferimento de propostas. O atendimento a essa exigência resulta em custo e tempo adicionais do agricultor (Tabela 12).
Tabela 12 – Documentação que possuem os membros da família
Caracterização Freqüência % RN + CI + CPF 57 13,8 RN + CI + CPF + CT 5 1,2 RN + CI + CT + TE 33 8,0 RN + CI + TE + OD 31 7,5 RN + CI + CPF + CP 13 3,2 RN + CI + CPF + TE 273 66,3 Total 412 100,0
RN = Registro de Nascimento; CI = Cédula de Identidade; CPF = Cadastro de Pessoa Física; CT = Carteira de Trabalho; TE = Título de Eleitor; CP = Carteira de Pescador ; OD = Outro Documento.
Fonte: Pesquisa de campo
Alegaram residir no local de trabalho 45,7% dos pesquisados, condição essa relacionada com as condições de vida nas glebas, seja por inexistência de infra- estrutura ou por conveniência de mercado de trabalho para complementar a renda da família (Tabela 13).
Tabela 13 – Situação da residência / entrevistado
Beneficiário do PRONAF B
Localização Não % Sim % Total %
Local de trabalho 21 46,7 38 45,2 59 45,7
Fora do local de trabalho 4 8,9 4 4,8 8 6,2
Reside na cidade 13 28,9 27 32,1 40 31,0
Reside no povoado próximo 6 13,3 10 11,9 16 12,4
Outras situações 1 5 6,0 5 4,7
Total 45 100,0 84 100,0 129 100,0
Fonte: Pesquisa de campo
Em se tratando de composição da renda principal e da secundária nas famílias pesquisadas, a agropecuária e a pesca respondiam por 72,4% da primeira,
sendo que, dentre os pescadores não foi identificada qualquer forma secundária de renda. As atividades não-agrícolas representaram apenas 5,5% e 7,1%, respectivamente como renda principal e secundária das famílias de agricultores (Tabela 14).
Tabela 14 – Composição Da Renda
Renda Principal Renda Secundária
Discriminação Freqüência % Freqüência %
Agropecuária 79 62,2 06 4,8
Pesca 13 10,2 - -
Não-agrícola 07 5,5 09 7,1
Programas sociais* 28 22,1 16 12,7
Não possui outra renda - - 95 75,4
Total 127 100,0 126 100,0
* Aposentadoria; Benefício; Bolsa-renda; Bolsa-escola; Seguro-defeso (PESCA) Fonte: Pesquisa de campo
É relevante o fato de 75,4% das famílias não possuírem quaisquer formas adicionais de rendimento, além da ocupação principal (agricultura e pesca). Enquanto todos os pescadores, mesmo dependendo apenas de uma fonte de sobrevivência, possuem auxílio para o período de defeso (quatro meses/ano), dos agricultores apenas 4,8% contavam com alguma forma alternativa de renda na sua estratégia de sobrevivência. Como o resultado da agricultura está condicionado às constantes secas que ocorrem em aproximadamente 70% da área pesquisada, a sobrevivência das famílias estará permanentemente associada a programas sociais e sujeita a alguma forma de exploração por intermediação de atores mais próximos, sejam políticos ou comerciantes. Mais grave ainda é que sendo a agricultura de subsistência a ocupação mais importante dessas famílias mais pobres, a frustração de safra tem um componente social mais relevante que o econômico.
No total de questionários válidos, 32% dos entrevistados não participavam de qualquer associação, enquanto 68% eram associados a qualquer entidade (Tabela 15). Dentre os entrevistados que possuíam financiamento, o percentual daqueles que participavam de qualquer forma de associação ascendia para 74%. Isso pode representar tanto uma ampliação de associativismo a partir do financiamento quanto a possibilidade de que a condição de associado tenha facilitado o acesso.
Tabela 15 – Principais formas de associativismo
Beneficiários do PRONAF B
Caracterização Não % Sim % Total %
Não participa de nenhum tipo de associativismo 20 44,4 22 26,2 42 32,4
Sindicato de trabalhadores rurais 14 31,1 19 22,6 33 25,5
Sindicato de trabalhadores rurais; associação
de trabalhadores rurais; associação esportiva. - 0,0 1 1,2 1 0,8
Sindicato de trabalhadores rurais; cooperativa
de produtor; associação comunitária. - 0,0 1 1,2 1 0,8
Sindicato de trabalhadores rurais; associação
de trabalhadores rurais 3 6,7 6 7,1 9 7,0
Sindicato de trabalhadores rurais; associação
de produtores. - 0,0 5 6,0 5 3,9
Sindicato de trabalhadores rurais; associação
comunitária. 1 2,2 3 3,6 4 3,1
Sindicato de trabalhadores rurais; associação
esportiva. - 0,0 1 1,2 1 0,8
Colônia de pescadores 3 6,7 12 14,3 15 11,5
Associação de trabalhadores rurais 1 2,2 1 1,2 2 1,6
Associação de trabalhadores rurais; associação
de produtores. 1 2,2 1 1,2 2 1,6 Associação de produtores 1 2,2 4 4,8 5 3,9 Cooperativa de produtores - 0,0 2 2,4 2 1,6 Associação comunitária 1 2,2 5 6,0 6 4,7 Associação religiosa - 0,0 1 1,2 1 0,8 Total 45 100,0 84 100,0 129 100,0
Fonte: Pesquisa de campo