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Ad Kavmi ve Zulmü

1. KENDİLERİNE ZULMEDEN KAVİMLER

1.1. Ad Kavmi ve Zulmü

Apesar da negativa de alguns estudiosos no assunto, de fato existe um novo e um velho institucionalismo. Além das claras diferenças de enfoque teórico nas duas concepções, as disciplinas que tratam do assunto, nas duas versões, reproduzem comportamento diferenciado quanto à forma como vêem essa escola e se apropriam dela. Enquanto no “velho institucionalismo” o aporte teórico exige uma certa interdisciplinaridade, no “novo” os estudos se sucedem de forma departamentalizada, tendo em comum apenas o reconhecimento do papel das instituições, com várias versões, e o comportamento racional do indivíduo, mesmo que limitado.

Não significa que o velho institucionalismo deixou de existir com o surgimento do novo. Muito pelo contrário, com a constatação de que o neoinstitucionalismo, principalmente por parte dos economistas, havia incorporado atributos tão caros aos neoclássicos, supondo uma certa preocupação em aperfeiçoar o mainstream, vários estudiosos estão reconstruindo o institucionalismo como uma crítica ao condutivismo62 e aos partidários da escolha racional.

Refletindo sobre essa questão, March e Olsen (1993) têm afirmado que essa retomada do estudo das instituições não vem ocorrendo apenas na economia e na ciência política, apesar do sucesso que estão tendo. Na sociologia e na antropologia também se constatam esforços nessa retomada, apesar de essas disciplinas não estarem expostas às influências dos não-institucionalistas, como ocorre 62 Ala psicológica das posições filosóficas mais gerais do positivismo ou, melhor dizendo, do cientificismo

particularmente com as duas primeiras. Denominando esse esforço recente como “neoinstitucionalismo”, para esses autores existiu de fato um “velho institucionalismo”, retomando-se as idéias mais antigas, sem a perspectiva de que o novo e o velho institucionalismo sejam idênticos. Em seguida, eles afirmam que “seguramente seria mas exato descrever o pensamento recente como uma mescla de elementos do velho institucionalismo com os modos não institucionais característicos das mais modernas teorias da política” (MARCH e OLSEN, 1993, p. 12).

Mesmo ratificando esse ponto de vista, Pondé (1996) afirma que o qualificativo de “velho” não significa a inatividade dessa teoria, pois, em sua proposta teórica, diversos elementos ainda são usualmente enfatizados, tais como:

x ênfase nas relações de poder no mercado, com interações marcadas por conflitos de interesses e mecanismos de coerção;

x recusa da economia como um sistema auto-regulado e defesa de estudos relacionados com a intervenção política e mudanças institucionais;

x foco no processo histórico de mudança da organização social do contexto das instituições e defesa de análises que tomam em conta as especificidades de cada situação;

x entendimento da economia como parte de um todo, de forma que a racionalidade dos indivíduos está sujeita ao meio cultural onde está inserido.

Nas últimas décadas, vem sendo explicitada uma clara divisão entre os institucionalistas. Os denominados “neoinstitucionalistas” têm assinalado “a relativa autonomia das instituições políticas, a possibilidade de que a história não seja eficaz e a importância de ações simbólicas para compreensão da política” (MARCH ; OLSEN, 1993, p.1-2).

Como afirmam os novos institucionalistas, a história nem sempre é eficaz para garantir a solução dos conflitos sociais, na perspectiva de selecionar práticas que evitem o agravamento de patologias sociais, embora a contextualização histórica possa explicar os desempenhos institucionais.

O neoinstitucionalismo tem vários adeptos, principalmente na ciência política e na economia. Sua versão econômica tem referência em autores como Ronald Coase, Oliver Williamson e Douglass North. Embora tenha surgido mais fortemente como um enfrentamento à concepção marginalista, o neoinstitucionalismo

econômico vem sendo desenvolvido numa perspectiva racionalista, cada vez mais próxima do meanstream.

O fato é que, embora existam divergências entre velhos e novos institucionalistas, e até mesmo dentro deste último grupo, em dois pontos eles estão de acordo:

x as instituições moldam a política, embora os resultados não possam ser aferidos com medição absoluta;

x as instituições são moldadas pela história: o que acontece antes condiciona o que vem depois.

Mesmo entre os estudiosos da ciência política, a nova versão do institucionalismo é muito diferente da anterior, o que parece óbvio, diante do pressuposto básico – racionalidade do indivíduo. Enquanto uma nega essa condição, a outra a reafirma, embora admitindo-a de maneira parcial. Várias são as críticas feitas aos primeiros institucionalistas63, mas, de modo geral, eles são tidos como descritivos, apesar da profundidade da percepção, carecendo de referenciais técnicos hoje em uso não apenas na economia, mas em toda ciência social.

A propósito dessa separação que alguns investigadores da ciência política e da economia fazem dos primeiros institucionalistas, Selznick (1996, p.1) publicou artigo em que evidencia preocupação a respeito dessa linha severa que vem sendo estabelecida, pois, “principalmente, vem inibir a contribuição da teoria institucional para um maior debate da burocracia e política social”.

Apesar disso, esse pesquisador da teoria organizacional reconhece o valor do novo institucionalismo como insight, além de suas perspectivas para o desenvolvimento da escola. Seltznick reforça o ponto de vista quanto a essa separação, ressaltando que se deve ter cuidado ao distinguir teorias institucionais com atitudes que atendem a preferências de cada um, quase sempre se fazendo generalizações empíricas como se fosse uma teoria institucional específica.

As confusões quanto aos “novos institucionalismos” existentes não são exclusivas da ciência econômica e da sociologia das organizações, como é preocupação de Seltznick (1996). Na ciência política surgem diversas versões dessa desordem. Para ficar apenas em dois estudos mais recentes, Hall e Taylor (2003) apontam para a existência do institucionalismo histórico, do institucionalismo da 63Neste trabalho, trataremos os denominados “velhos institucionalistas” como primeiros institucionalistas, e aos

escolha racional e do institucionalismo sociológico, com a possibilidade de mais uma versão, que seria o neoinstitucionalismo em economia, mantido em stand by, por conta de sua semelhança com o da escolha racional.

Peters (2003) amplia um pouco mais a confusão, apontando para as versões dos institucionalismo: normativo, da escolha racional, histórico, empírico, internacional e social, todos centrados na ciência política.

Na sociologia das organizações, segundo DiMaggio e Powell, 1997 (apud THÉRET, 2003), essa diferença entre os institucionalismos estaria na importância que dariam ao caráter micro ou macro desse fenômeno, na autoridade dos aspectos normativos ou cognitivos e na atenção que devotam a conformação de redes no surgimento e difusão de novas instituições.

Na sociologia das organizações, o institucionalismo tem em Philip Selznick um de seus mais ilustres representantes, para quem a institucionalização toma caráter de legitimação, ao ser vista como um imperativo organizacional. Nessa perspectiva, para esse autor, as estruturas organizacionais podem sofrer mudanças, como (SELZNICK, 1949 apud SCOTT, 1987):

x repensar a ambiência organizacional, mudando o foco das necessidades técnicas, fontes de recursos, etc. para elementos culturais;

x dar ênfase à institucionalização, no lugar de priorizar scripts da organização tomados como verdade (taken for granted);

x reconhecer que esses processos tendem a ser racionalizados, dando origem a leis, regulamentos, etc.;

x contribuir para o ressurgimento do interesse pela cultura.

Na economia, as diferenças mais evidentes estão relacionadas com a importância que se atribui ao individualismo metodológico como apoio à generalização dos fenômenos; ao tratamento da concepção de racionalidade como base das escolhas individuais e coletivas; aos limites da interferência dos hábitos, das normas e dos códigos de conduta; da cultura – no comportamento dos indivíduos e na atuação dos grupos sociais – à importância dos fenômenos sociológicos; e à insistência em limitar a compreensão dos fenômenos institucionais, ao acomodá-los em modelos matemáticos. Nesse aspecto, estudos realizados desde por institucionalistas como Hodgson (1984) tendem a revalorizar os pioneiros do institucionalismo, como Veblen e Commons.

Para o regulacionista Thèret (2003), na sociologia e na economia é possível encontrar um mesmo referencial teórico básico em três grandes correntes na escola francesa, tendo cada qual a sua linhagem: a teoria da regulação, a nova economia institucional e a economia das convenções. Segundo o autor, de modo geral, os novos institucionalismos marcam sua diferença a partir dos seguintes pontos: “o peso que atribuem na gênese das instituições aos conflitos de interesse e de poder ou à coordenação dos indivíduos; o papel que atribuem à racionalidade dos indivíduos, ou então às representações e à cultura” (THÉRET, 2003, p. 224).

Em se tratando da teoria regulacional, por constituir-se em uma escola já estabelecida, tem muitos aspectos em comum com várias ramificações do institucionalismo, como o fato de incorporar a história no estudo das mudanças sociais, mesmo admitindo que esta não possa espontaneamente suprimir obstáculos existentes. Outro ponto de concordância diz respeito ao fato de empregar categorias e funções não-convencionais da análise econômica e de discordar (nem sempre com a mesma ênfase) da teoria neoclássica, além da vinculação estreita com outras áreas das ciências sociais, principalmente com a sociologia e a ciência política. No entanto, a similaridade maior está relacionada com o conceito de modo de regulação, na qual são priorizados os estudos de rede e das normas explícitas que dão estabilidade a um regime de acumulação.

Para Yáñez (2001), o enfoque neonstitucional pode ser assim resumido:

x em termos metodológicos, pelo distanciamento do marginalismo, por reconhecer agentes econômicos coletivos, como o Estado, a empresa, os partidos políticos, etc., o que o aproxima das ciências sociais quanto ao comportamento humano;

x enquanto na teoria neoclássica a decisão de maximização de benefícios é inseparável da racionalidade econômica, no institucionalismo essa racionalidade é limitada pela natureza social do indivíduo, sujeito aos constrangimentos próprios de sua estrutura social;

x determinados indivíduos nem sempre agem de boa-fé, pressupondo que o comportamento desonesto lhe é vantajoso. Como os agentes atuam num ambiente de confiança limitada, produz-se, assim, uma situação de “contrato incompleto”;

x embora North insista em registrar conceitos como o de “racionalidade individual imperfeita”, fruto da deficiência de informações do agente no

mercado, Williamson tem insistido no conceito de contrato incompleto, por reconhecer que os intercâmbios nem sempre estão organizados em condições ideais de mercado;

x as associações econômicas, como as cooperativas e os grupos de pressão, conseguem criar regras de um mercado impessoal e transparente;

x as estruturas de governabilidade também atuam no mercado, modificando condutas que dão estabilidade, e restringem o comportamento das pessoas;

x a ordem institucional, com seus marcos legais e regras institucionais, dão uma trajetória específica ao comportamento individual e, na perspectiva de reduzir incertezas (North), impõem uma trama para viabilizar o mercado. A gestão desses arranjos exige grande esforço dos agentes econômicos e resultam elevados custos de transação; x as organizações são a forma que adquirem as instituições, ao constituir-

se de sujeitos que se juntam para determinados objetivos.

A importância do pensamento de Veblen e de Commons a respeito das instituições e a influência desses autores nos estudos de Goffrey Hodgson sugerem, por parte deste, uma visão alternativa ao mainstream, que representa de fato uma reconstrução da escola dos primeiros institucionalistas. Essa linha de pensamento tem como base uma visão da evolução dos sistemas, suas mudanças fundamentais e processos de causação cumulativa, próximas da causação circular de Gunnar Myrdal (1898-1987)64 e até mesmo da idéia de trajetória, em North (1990) e em Putnam (1996).

Permanecem aspectos comuns nessas “escolas” institucionais, como sejam: as instituições regulam o comportamento humano e, como tal, possuem a capacidade de moldar o comportamento das pessoas e podem reduzir o nível de incerteza nas relações sociais; as instituições são produzidas pela ação humana, deliberada ou não, e dela recebem os constrangimentos, como se a condição de pertencimento do indivíduo fosse uma forma de transferir o controle de suas ações para um agente externo. A teoria dos jogos, por exemplo, entende essa aceitação de regras pelos 64 Alternativa de rompimento do ciclo vicioso de atraso e da pobreza por meio da aplicação planejada de

indivíduos como uma maneira de assegurar o controle sobre seus adversários. Alguns justificam a sujeição ao controle das instituições alegando que os indivíduos necessitam de uma identificação, de um espaço de reconhecimento; outros entendem que as pessoas se filiam à cata de valores.

Benzer Belgeler