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O tema corpo na área de Arte tem sua referência na gestualidade, na percepção visual, na percepção tátil, na percepção corporal, nos sentidos e nas sensações percebidos pelo corpo e na materialidade como extensão da corporeidade.

Para planejar o trabalho pedagógico com esse tema, serão elencados os seguintes conteúdos: CONTEÚDOS LEITURA DE IMAGEM PERCEPÇÃO SENSORIAL GESTUALIDADE ELEMENTOS ESTÉTICOS MATERIALIDADE FIGURA HUMANA

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O desenho é uma importante linguagem da criança na educação infantil, acompanhando, assim, a história do homem (ontogênese e filogênese). Desde a Pré-história, o homem já utilizava do desenho para narrar sua história, registrar suas caças, acontecimentos, suas ações humanas. É pelas garatujas que a criança muito pequena rabisca, utilizando-se de movimentos, gestos sem ainda ter a consciência de sua ação. Essa é, então, a fase inicial do grafismo infantil; a partir de uma pesquisa exploratória e repetitiva começa a se apropriar de sua própria gestualidade, corporeidade e perceber-se no espaço que a cerca. É quando não basta rabiscar o papel, a parede, o chão, mas também seu próprio corpo.

IGOTSKI (2009), referindo-se às pesquisas realizadas por Kerschensteiner sobre o desenho infantil, aponta quatro diferentes estágios do desenho, considerando que o período da garatuja ainda não representa o desenho, e sim apenas explorações por meio de rabiscos. No primeiro estágio de esquemas, a criança desenha representações esquemáticas dos objetos muito distante do real. A figura humana é representada por seres esquemáticos (cabeça-pernas). Nesse período, a criança desenha de memória e não de observação. No estágio seguinte, o estágio do surgimento do sentimento da forma e da linha, quando a criança mistura a representação formal com os esquemas, mas rudimentarmente sua representação do objeto começa ser mais fiel a realidade. O terceiro estágio é o da representação verossímil quando o esquema desaparece por completo com representação de contorno ou silhueta, apesar da plasticidade ainda não estar presente no desenho. O quarto estágio é o da representação plástica, que passa a ser mais fiel à realidade com a presença da plasticidade: volume, sombra, perspectiva, movimento.

Ao professor, cabe oferecer às crianças suportes de formatos, tamanhos, texturas, cores diferenciadas, vários tipos de riscadores, como giz, cera e lousa, lápis, canetas, pincéis e diversificadas matérias, como tintas, colas, gelatinas, carvão, massas de modelagem, melecas de sagu, gelatina, farinhas, barbantes, folhas para serem explorados pelas crianças.

A gestualidade, como forma de expressão da criança nas atividades artísticas, pode ser explorada, organizando-se atividades de desenho, pintura, recortes colagem em diferentes posições, em que a criança possa desenhar em pé, usando como suporte a parede própria para essa atividade, sentada na cadeira, no chão, na areia seca e na molhada, deitada, embaixo de uma mesa, colando-se uma folha de papel na parte inferior da mesa, recortes com diferentes papéis com o dedo e com a tesoura e outras possibilidades, de acordo com a criatividade do professor.

O uso desses procedimentos colabora na aprendizagem da criança por lhe possibilitar uma pesquisa visual, sensorial, gestual e da materialidade.

a gestualidade a criança avança para construções de imagens e junto com a representação gráfica utiliza-se da linguagem, muitas vezes, antecipando ou planejando o que ainda vai representar. Segundo Vigotski (1988), o simples planejamento desta ação traz consigo um determinado grau de abstração, que recorre à memória para construir seu desenho (BAURU, 2015, p. 283).

Reforça-se, aqui, a exploração como uma ferramenta importante para que a criança se aproprie de sua gestualidade e da percepção dos sentidos ao manipular matérias diversificadas, mas é preciso que a criança avance em seus conhecimentos em relação às artes visuais. Para isto, o professor deverá organizar adequadamente o trabalho com essa área de conhecimento para que ela não se torne uma mera atividade lúdica, sem proposições educativas.

Sugere-se organizar o trabalho a partir de uma sequência de atividades, em que a criança possa ir aprimorando as suas ações a partir de novos desafios, ampliando, assim, a sua percepção estética e a consciência de si mesma que progride, gradativamente, do primeiro estágio esquemático e começa a avançar no segundo estágio, onde a presença de desenhos de animais e de figuras humanas se torna mais frequente, pois é o momento em que começa a ampliar as relações com o outro e os papéis sociais ocupados pelas pessoas à sua volta.

ara a criança, a consciência de si depende da percepção de um eu que se distingue de um outro. (...) Como será que a criança registra no papel suas tomadas de consciência, essas frestas e passagens perceptivas que promovem um contínuo despertar? E como será que a criança constrói suas configurações gráficas em que transparece a noção desse limiar entre um mundo interior e um mundo exterior? A construção da figura humana, em sua gênese, é um ótimo pretexto para observarmos o mapa da ampliação da consciência, através de um documento gráfico vivo e orgânico; é um convite para flagrarmos o processo de construção da visão de mundo da criança (DERDIKY, 1990, p. 104).

Para as atividades com a figura humana, recomendam-se: desenhos com vários suportes e riscadores; desenhos com intervenções de imagens de partes do corpo recortados de revistas; desenho da figura humana feito com barbantes, linhas, e objetos; montagem da figura humana com recorte a dedo, com uso de diversos papéis e ou com recorte com tesoura; recortes de figuras humanas de revistas para compor um retrato de um grupo de pessoas; construção da figura humana com arame flexível - tais atividades exploram as formas bidimensionais (planas).

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O trabalho com as formas tridimensionais permitem as crianças perceberem a realidade física concreta de forma lúdica, além de avançar nas noções de volume, movimento, peso e percepção do lugar do objeto no espaço.

través da modelagem em argila ou massinha, do entalhe em um pedaço de sabão ou das construções tridimensionais a criança vai percebendo a realidade física de forma lúdica e construtiva, apropriando-se da noção de volume, de peso, equilíbrio, tamanho, texturas, vivências de organização espacial, além de despertar a curiosidade científica – compreender o esqueleto do seu próprio corpo (BAURU, 2015, p. 307).

A construção da figura humana feita com arame flexível poderá ser preenchida com argila para que a criança perceba o volume do objeto tridimensional. Construir a figura humana com objetos, como caixas de vários tamanhos (remédio, creme dental, potes de iogurte etc.), tampinhas, palitos permite a percepção do objeto tridimensional.

Ler imagens é ler o mundo. Orienta-se utilizar obras de arte, objetos artísticos, fotografias e promover momentos de leitura com as imagens, para que a criança construa, com a mediação do professor, o sentido materializado na arte e a sintaxe do texto visual. As imagens artísticas serão também referência para que a criança construa sua poética visual. Especificamente com o trabalho da figura humana, o professor poderá apresentar diversas obras com o tema, mas de diferentes estilos, diferentes culturas para serem comparadas, analisadas, provocando, nas crianças, uma reflexão sobre a corporeidade, a linguagem estética, a percepção e os sentidos.

leitura de imagens e a representação de diferentes obras de arte auxiliam na percepção de mundo, pois a criança desvenda o mundo através das imagens e símbolos que ilustram o seu cotidiano e assim vai conhecendo melhor a si própria, compreendendo a cultura na qual está inserida que, ao comparar com outras produções e através da mediação do professor, amplia seu conhecimento (BAURU, 2015, p. 297).

MÚSICA

No contexto aqui apresentado, o corpo é instrumento para a percepção sonora. A partir do próprio corpo, a criança irá perceber as variações e propriedades do som. Neste sentido, o som será o conteúdo para esse trabalho interdisciplinar.

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CONTEÚDO

SOM: FONTES SONORAS

Benzer Belgeler