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İSLAM DEVLETİ (İD) VE GÖÇMENLER

Os projetos de cultivo de camarão são empreendimentos que estão em crescimento, porém, segundo Tiago e Gianesella (2002), é um setor da aquicultura intensamente responsabilizado por muitos dos impactos ambientais gerados nas localidades e ecossistemas, onde são implantados.

De acordo com Coelho (2000) e Arana (2004a), os cultivos de camarões nas regiões costeiras são responsáveis por produzirem efluentes com grandes cargas orgânicas oriundas das fezes, sobras de ração e fertilizantes, principalmente, capazes de poluir os corpos receptores, bem como promoverem a depleção do oxigênio dissolvido no processo de estabilização da matéria biodegradável, provocando a mortalidade dos organismos aquáticos e a liberação de gases com fortes odores e, muitas vezes, tóxicos (hidróxido de enxofre e metano) aos organismos aquáticos. Entretanto, Nunes (2002b) ressalta que em alguns casos, os efluentes finais das fazendas de carcinicultura possuem melhor qualidade que os afluentes.

Baseado no estudo realizado por Figueiredo et al. (2005), os viveiros de engorda na região do Baixo Jaguaribe possuem entre 01 a 06 hectares e com densidade de estocagem média de 42 camarões/m2. Além disso, destacam os impactos ambientais gerados pelos lançamentos de efluentes de algumas fazendas em águas continentais são decorrentes dos despejos que provocam o assoreamento dos corpos receptores e ameaçam a manutenção da qualidade das águas utilizadas no abastecimento humano e dessedentação dos animais.

Nesta mesma investigação, os autores realizam uma comparação sobre as cargas poluidoras entre fazendas que adotam o manejo aeração/recirculação de água/fertilização e outras que adotam apenas aeração/recirculação de água, sendo possível verificar uma diferença significativa para os parâmetros SST e DBO5 nas cargas de poluentes lançados durante as despescas nas fazendas que adotam a fertilização como parte do manejo, como segue descrito na Tabela 3. Então, baseados nos resultados obtidos, Figueiredo et al. (2005) constataram que a carga

média total das fazendas analisadas é de aproximadamente 4.978 kg/ha.ano de SST; 30 kg/ha.ano de Amônia Total; 9 kg/ha.ano de Fósforo Total e 1.967 de DBO5.

Tabela 3 - Padrões iniciais e esperados de lançamento dos efluentes de fazendas de camarão.

Parâmetros Fazenda 1* Fazenda 2**

Carga Efluentes contínuos (kg/ha.ano) Carga despesca (kg/ha.ano) Carga Total (kg/ha.ano) Carga Efluentes contínuos (kg/ha.ano) Carga despesca (kg/ha.ano) Carga Total (kg/ha.ano) SST 1.694 2.000 3.693 538 5.725 6.263 AMT 10,5 27,3 37,8 3,8 17,8 21,6 P-Total 6,6 2,6 9,2 2,9 6,2 9,1 DBO5 446 794 1.240 107 2.586 2.693

Fonte: Adaptado de Figueiredo et al. (2005)

* Manejo – Aeração/Recirculação de Água/ Fertilização ** Manejo – Aeração/Recirculação de Água

Kubtiza (2003) ressalta a importância das renovações das águas dos viveiros para redução dos resíduos orgânicos e metabólitos tóxicos, contudo, segundo Boyd (1990), os efluentes produzidos a partir das trocas de água dos tanques de engorda e despescas podem contribuir para o enriquecimento dos corpos hídricos com o excesso de nutrientes, matéria orgânica mineral, solúvel e suspensa (fitoplâncton e zooplâncton), bem como de amônia, nitrito, nitrato, fosfato e outras substâncias potencialmente poluentes.

Sousa (2003) e Jackson et al. (2004) relatam que aumento da concentração de nutrientes na água por conta dos despejos das fazendas de criação de camarão, principalmente nitrogênio e fósforo, contribui para eutrofização, aumento da concentração de sólidos em suspensão e aumento da turbidez da água, dificultando diretamente na penetração da luz e processos fotossintéticos, tendo como consequência a criação de zonas anóxicas no sedimento e liberação de gases tóxicos como o gás sulfídrico e metano, comprometimento a sobrevivência de muitas espécies bentônicas.

Entretanto, baseado nos dados da pesquisa de Thakur e Lin (2003) em uma fazenda de sistema intensivo de cultivo, as altas concentrações de matéria orgânica e nutrientes contidos nos efluentes finais destes empreendimentos se devem ao fato dos camarões assimilarem no máximo 31% e 13% do N e P, respectivamente. Boyd (2003a) relata sobre um aproveitamento variando entre 25 e

30% pelos organismos cultivados. Briggs e Funge-Smith (1994) também relatam sobre um aproveitamento reduzido das rações aplicadas, sendo verificado que menos de um sexto é convertida em biomassa de camarão.

Barbieri Júnior e Neto (2002) também estimam que haja uma pequena conversão de ração em carne, a qual pode variar entre 17 a 25%, ou seja, grande parte destes compostos orgânicos e nutrientes não consumidos tenderão a se sedimentar dos viveiros, bem como comprometer os ecossistemas durante as despescas e renovações das águas de cultivo.

Boyd (2003a) apresenta alguns padrões de qualidade dos efluentes das fazendas de camarão indicados pela ACC (Conselhos de Certificações para Aquicultura), os quais seguem descritos na Tabela 4.

Tabela 4 - Padrões iniciais e esperados de lançamento dos efluentes de fazendas de camarão. Parâmetros Padrão Inicial Padrão Esperado

Oxigênio Dissolvido (mg/L)* ≥ 4 ≥ 5

pH** 6,0 a 9,5 6,0 a 9,0

Nitrogênio amonical total (mg/L)** ≤ 5 ≤ 3

DBO5 (mg/L)*** ≤ 50 ≤ 30

Sólidos Suspensos Totais *** ≤ 100 ≤ 50

Fósforo Solúvel** ≤ 0,5 ≤ 0,3

Salinidade (ppt)** 1,5 1,0

Fonte: Adaptado de Boyd (2003a). *Medição diária; **Medição mensal;***Medição trimestral

Albuquerque (2005) também destaca sobre a necessidade de monitorar as concentrações de sulfito, compostos provenientes do metabissulfito de sódio, presentes nos efluentes finais do beneficiamento do camarão. Porém, a autora revela que esses despejos, na maioria das vezes, são lançados no meio ambiente sem qualquer tratamento e ratificam a necessidade de aplicação de métodos que efetivamente promovam a remoção ou redução das concentrações destas substâncias presentes nestas águas residuárias.

Funge-Smith (1998) e Boyd (2002c) salientam que, além das rações e fertilizantes, o manejo das fazendas de criação de camarão também pode interferir na qualidade e concentração de alguns parâmetros importantes da água de cultivo. Assim, Kubtiza (2003) ressalta que nos períodos entre ciclos de cultivo, adota-se

uma prática de aplicação de calcário no solo dos tanques de engorda a fim de corrigir o pH dos sedimentos, bem como facilitar a decomposição da matéria orgânica.

Maia (1993) também trata sobre a necessidade de aplicação de hidróxido de cálcio e cloro em solução saturada para esterilização dos viveiros, etapa fundamental do manejo do cultivo, pois visa promover a erradicação dos organismos patógenos, competidores e predadores presentes do sistema de cultivo.

Então, baseado nas práticas de manejo das fazendas de carcinicultura, as águas de cultivo e águas residuárias possuem particularidades quanto aos parâmetros físicos, químicos e biológicos, quando comparado a efluentes de outros setores industriais. Deste modo, aplicações de técnicas convencionais para o tratamento de efluentes merecem ser consideradas, porém, ressalta-se a possibilidade de variações dos modelos, equipamentos e operação destes para que os resultados alcançados atendam a legislação e contribuam para sustentabilidade do setor.