DÖRDÜNCÜ BÖLÜM
1990’LI YILLAR VE SONRASI…
2. AVRUPA’DA YENİDEN ÖRGÜTLENME
Acontecia quando havia ajuntamento carnal entre parentes, ou seja, quando pessoas impedidas por laços familiares mantinham relação sexual. Era considerado abominável por D. Sebastião da Vide, sendo um pecado através do qual se acabava a confiança existente entre os parentes.
Se algum Clérigo de Ordens Sacras, ou Beneficiado, fosse condenado pelo crime
de “Incesto”, cometido com qualquer parente ascendente ou descendente em linha reta, não
importando o grau do parentesco, deveria ser deposto das Ordens, além de ter de cumprir dez anos de degredo na Ilha de São Tomé. A pena de degredo, contudo, estava sujeita a modificações. A depender da gravidade do escândalo provocado, o clérigo poderia ser mandado para sempre para galés.
Incorrendo o leigo no mesmo delito, seria preso e, do aljube, deveria pagar cinquenta cruzados. Deveria também ser degradado para as galés por um período de dez anos, no entanto, se não fosse capaz de aguentar, era desterrado para Angola ou São Tomé pelo mesmo intervalo de tempo.
Se cometido por clérigo com parenta de primeiro grau de consanguinidade em linha colateral, por outro lado, seria ele também deposto, mas degradado para Angola durante dez anos. Tomando o Direito de Família atual por base, mais precisamente os artigos 1.592 e 1.594 do Código Civil de 2002, na parte relativa às relações de parentesco, não é possível ter um parente colateral de primeiro grau. Eis a redação do artigo 1.594:
Art. 1.594. Contam-se, na linha reta, os graus de parentesco pelo número de gerações, e, na colateral, também pelo número delas, subindo de um dos parentes até ao ascendente comum, e descendo até encontrar o outro parente.
Não há possibilidade, portanto, de parentesco em primeiro grau em linha colateral. Os parentes de primeiro grau são os pais e os filhos, os primeiros ascendentes e descendentes, em linha reta. Talvez o autor estivesse se referindo ao primeiro grau possível de parentesco em linha colateral, qual seja a relação entre irmãos.
Caso um leigo praticasse o mesmo delito, seria preso no aljube, de onde deveria satisfazer a quantia de cinquenta cruzados, além de também ser desterrado para Angola ou São Tomé, ou até mesmo para galés, por cinco anos, dependendo das circunstâncias do crime.
Outra hipótese apresentada é a prática de “Incesto” com madrasta, enteada ou
cunhada no primeiro grau de afinidade. Nesse caso, o clérigo seria preso, suspenso das Ordens e cumpriria uma expulsão de cinco anos em Angola, além de ter de desembolsar cinquenta
cruzados. Mais uma vez observa-se a utilização dos graus para definir os parentescos. Cunhada no primeiro grau deveria ser a esposa do irmão do clérigo, por suposição. Afora essas confusões, os conceitos de parentesco por consanguinidade e por afinidade parecem preservar os mesmos princípios até hoje. Analisando o direito contemporâneo, percebe-se o vínculo da afinidade dizer respeito aos parentes do cônjuge, relacionando-se mais com a sogra do que com a madrasta.
Praticando, um leigo, “Incesto” no primeiro grau de afinidade, deveria pagar, do
aljube, os mesmos cinquenta cruzados, devendo também ser banido para fora do Arcebispado. Não havia determinação de lugar onde a pena seria cumprida, ficando vaga a atribuição da penalidade.
Sendo o crime cometido com outras parentas, de graus mais distantes, seriam, tanto o clérigo quanto o leigo, punidos com pena pecuniária e degredo, a serem arbitrariamente definidas levando em consideração as peculiaridades de cada caso concreto e a proximidade do parentesco.
Também se podia praticar “Incesto” com afilhada ou madrinha, de batismo ou de
crisma. No dito caso, o impedimento seria espiritual. Sabendo da importância dessas relações sacramentais para a Igreja, na qual os padrinhos servem de substitutos dos pais na falta destes, não causa estranheza tal disposição. Delinquindo dessa forma, então, o clérigo seria suspenso e estaria sujeito a outras penas arbitrárias, não especificadas no texto. O leigo, por sua vez, sofreria penas de direito a serem aplicadas de forma também arbitrária, até ser devidamente castigado.
Em seguida, seguem os escritos acerca do papel da mulher como sujeito ativo do
“Incesto”. Por serem consideradas seres mais fracos, as condenadas deveriam ser castigadas
com as penas de prisão, pecuniária e degredo, a serem aplicadas conforme pudessem cumprir, segundo sua condição de inferioridade.
Um ponto curioso escrito por D. Sebastião da Vide discorre sobre a possibilidade de casamento entre o casal incestuoso. Conclui-se, então, haver permissão de se celebrar o sacramento do matrimônio entre parentes próximos, não existindo empecilhos dessa ordem, pelo menos não como existem nos dias atuais. Torna-se mais curioso ainda pelo fato de as Constituições Primeiras serem um tipo de legislação eclesiástica.
De todo modo, caso os pecadores externassem o desejo de se casarem e não houvesse outro impedimento, a causa deveria ser interrompida. Se estivessem presos, deveriam ser soltos através do pagamento de uma fiança suficientemente condizente com a dispensação pleiteada por eles. Por fim, teriam de assinar um termo, comprometendo-se a se casarem em determinado período de tempo.
Se a situação fosse outra e estivessem os pecadores já condenados quando decidiram pelo matrimônio, a sentença deveria ser executada com moderação e equidade, considerando-se as pessoas envolvidas e as particularidades do caso, conforme permitisse a Justiça.
Inserida nas linhas reservadas ao “Incesto” está uma disposição geral, aplicada, à
primeira vista, a todos os crimes. Trata da destinação a ser empregada às penas pecuniárias. Deveriam, assim, ser divididas em partes iguais e repartidas entre a Sé, o Meirinho9 e as eventuais despesas da Justiça, conforme se vê no final do parágrafo 974: “[...] E todas as penas pecuniarias desta Constituição, e da precedente applicamos para a Sé, Meirinho, e
despezas da Justiça em partes iguaes.” (VIDE, 1853, p. 336).
3.6 TITULO XXI: Do estupro, e rapto – Da deformidade destes crimes, e penas