DÖRDÜNCÜ BÖLÜM
1990’LI YILLAR VE SONRASI…
3. ALMANYA İSLAMI
Primeiro de três títulos reservados ao amancebamento, o Título XXII é o mais extenso de todos os outros ligados à sexualidade aqui estudados. Talvez por isso traga preceitos tão confusos, difíceis de serem decifrados.
Inicia-se tomando concubinato e amancebamento como sinônimos e conceituando-os. Consistem, portanto, em conversação11 ilícita de homem com mulher, continuada por tempo considerável. Ilícita por não estar protegida pelo sacramento do matrimônio, lembrando se tratar de uma legislação eclesiástica.
Antes de apresentar as penalidades impostas aos adeptos de tal prática, D. Sebastião da Vide retoma os termos do Concílio de Trento para explicar como se darão as punições impostas por sua obra. Conforme o Concílio Tridentino, então, competia aos prelados, ao tomarem conhecimento da existência de leigos amancebados, executar ações com o objetivo único de livrá-los do dito pecado. Deveriam, portanto, atuar com advertências e outras punições até conseguirem salvar os seculares.
10O Título CXXIX do Livro Quinto das Ordenações Filipinas, intitulado “Das Cartas de Seguro, e em
que tempo se passarão em caso de morte, ou de feridas”, conceitua a carta de seguro como um dos modos
de evitar ou relaxar uma prisão. Era classificada em negativa, caso o réu negasse o fato para consegui-la, ou confessativa, caso confessasse o crime sob a justificativa de ter agido em legítima defesa. (Ord. Filip., Liv. V, Tit. CXXIX).
Segundo disposição do Concílio de Trento, os pecadores deviam ser advertidos por, no máximo, três vezes, conforme persistissem em “Concubinato”. Ao ignorarem as admoestações, sendo pegos pela quarta vez incorrendo no mesmo erro, aí sim as outras penalidades deveriam ser aplicadas. Eram penas das mais diversas, incluindo prisão e degredo. Não havia, porém, impedimento para a cobrança de multa, simultaneamente com as três advertências iniciais, caso se constatasse ser necessário para corrigir os amancebados. Tais normas, saliente-se, estavam declaradas pela Sagrada Congregação do Concílio12, sendo, portanto, seguidas em todas as dioceses do reino, conforme D. Sebastião da Vide faz questão de citar.
Feitas essas considerações, seguem as penalidades próprias das Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia. Caso pessoas leigas fossem denunciadas ou flagradas em
“Concubinato” pelos Visitadores, sofreriam pena de advertência e seriam obrigadas a se
afastarem. Se morassem juntas, o dono da casa deveria assinar termo se comprometendo a expulsar o companheiro o quanto antes, sob pena de ser punido com maior rigor. Além disso, teriam de pagar multas, variantes de acordo com o estado civil. Ambos solteiros, pagariam, cada um, oitocentos réis. Um ou ambos casados, cada um teria de desembolsar mil réis.
Surpreendendo-se o mesmo leigo pela segunda vez em amancebamento, sendo com a mesma pessoa de antes ou com outra diferente, seria ele advertido e obrigado a pagar em dobro a pena pecuniária. Pela terceira vez, também seria admoestado, além de ter de satisfazer quantia maior ainda. Sendo os dois componentes do casal solteiros, pagariam seis cruzados cada um; sendo um deles ou os dois casados, pagariam, cada um, três mil réis. Após a terceira reprimenda, se insistissem no erro, seria aberto auto da investigação com testemunhas e a pena de multa aumentaria. Além disso, seriam ou presos, ou exilados ou excomungados, de acordo com a conveniência da situação, a fim de se atingir o intento pretendido, qual seja tirar os leigos do pecado.
Com as punições devidamente cominadas, surgem algumas regras processuais relativas ao crime de “Concubinato” entre pessoas seculares. Na hipótese de o acusado não confessar a prática do delito na primeira, segunda ou terceira vez, ou se o crime não restar suficientemente comprovado por meio dos autos, não poderia haver punição. Essa regra tem relação direta com o Princípio do Contraditório, com o Princípio da Ampla Defesa e com o
12 Atualmente chamada de Congregação para o Clero, foi instituída por Pio IV para cuidar da reta interpretação e da observância prática das normas estabelecidas pelo Concílio de Trento, em 1564.
Princípio do Devido Processo Legal atualmente conhecidos, pois a justificativa para a proibição se pauta do fato de não ser possível condenar alguém se baseando apenas em oitivas de testemunhas, tomadas em investigações preliminares. Deve-se ter o cuidado de citar a parte denunciada e ouvi-la, conforme se interpreta do seguinte trecho:
983 E se na primeira, segunda, ou terceira vez não confessar a culpa, ou não estiver pelos autos, fazendo as testemunhas da devássa, ou summario judiciaes, não poderá ser condemnado, por quanto as inquirições das devássas, ou summarios são extrajudiciaes, e tiradas sem citação da parte, e ninguem póde ser condemnado sem ser ouvido, e fazer as inquirições judiciaes [...] (VIDE, 1853, p. 339).
Nesses casos os culpados seriam liberados, mas antes seria feito termo no qual
afirmariam não terem confessado a culpa do “Concubinato”. Os responsáveis eram, ainda,
obrigados a preparar seu livramento e entregá-lo em segredo ao Promotor de Justiça. Apoiado nisso, o Promotor formaria seu libelo, através do qual apresentaria sua conclusão e pediria enfim o julgamento, onde os réus seriam admoestados conforme o Concílio de Trento e punidos monetariamente conforme as Constituições Primeiras.
Caso surgisse algum culpado querendo se livrar da culpa, mas se recusando a fazer o termo acima mencionado; ou mesmo se se recusasse a fazer qualquer dessas alternativas apresentadas, deveria ele ser citado por um escrivão para se livrar em audiência, a qual geraria um termo feito e assinado pelo próprio escrivão, garantindo assim a autenticidade do documento.
Com os autos já conclusos e sendo o crime provado, na própria sentença o réu seria admoestado, pois a coisa julgada resultante dessa sentença teria o mesmo efeito do termo de admoestação feito por ele. Destarte, o termo de admoestação só tinha serventia quando os culpados confessavam a culpa. Valia como sentença.
Quando o leigo, já advertido por três vezes, fosse finalmente culpado, sua pena de advertência não seria sem livramento, a fim de tornar possível o cumprimento de todo o processo anteriormente descrito.
Quanto aos casos de amancebamento com fama pública, seriam feitos e guardados os termos de admoestação, pois não se poderia condenar alguém apenas pela fama, sem outro
indício mais convincente. Por outro lado, caso houvesse alguns indícios além da fama pública, mas mesmo assim insuficientes para configurar amancebamento, o homem seria admoestado e proibido de falar, tratar e ter qualquer tipo de comunicação, por qualquer via, com a mulher, sob pena de conceder elementos para provar a consumação do crime.
A relação com os servos também foi comentada por D. Sebastião da Vide. Quem vivesse na mesma casa, estando a mulher lá com o intuito de servir o homem ou por qualquer outra razão tão honesta quanto, seria também advertido, bastando para isso a fama pública. A justificativa utilizada é o fato de, muitas vezes, acontecer de a criada servir em uma casa e
viver amancebada em outra. Não se duvida da existência de “Concubinato” nesse tipo de
convívio, como se pode ver. A dúvida se refere ao sujeito ativo do delito, ao homem com quem a criada mantinha essa relação, se era ou não quem com ela vivia. Era a presunção do crime sendo punida como se crime consumado fosse.
No caso de a criada engravidar e seu patrão, tomando conhecimento dessa
gravidez, não a puser para fora ou continuar se utilizando dos serviços dela, o “Concubinato”
seria tido como provado, caso não houvesse nenhum impedimento, e os envolvidos seriam admoestados e condenados à pena pecuniária já descrita.
O exemplo acima é, claramente, um caso de costume se sobrepondo à norma. Para garantir a prerrogativa dos senhores de viverem amancebados com suas escravas, somente se daria por provado o crime caso o homem abrigasse mulher livre, tendo ela engravidado em sua casa, excetuando sua própria esposa.
Já se tratando de escravos amancebados entre si, por ser considerado usual e comum o amancebamento entre eles, devia ser punido imediatamente. Diz-se ser comum tal prática por conta de seu estado de ignorância, por serem tão miseráveis a ponto de se
deixarem viver nessas condições. Dessa forma, o “Concubinato” entre escravos deveria ser
castigado apenas com a admoestação, sem a pena pecuniária. Em compensação, seus senhores seriam informados judicialmente sobre o acontecido e, se não pusessem fim à prática, os tais escravos seriam castigados com prisão e degredo. Para não precisarem arcar com essa perda patrimonial, os donos teriam de promover o casamento entre os pecadores, para tirá-los do amancebamento e colocá-los no caminho correto, ou tomarem qualquer outra atitude mais conveniente com a mesma finalidade.
É nítida a preocupação em abarcar todos os casos possíveis de “Concubinato”, apesar de não ser o delito com penas mais severas. Talvez o esmero se justifique por se tratar de prática comum ao tempo e tão contrária aos ensinamentos da Igreja. Ou mesmo pelo fato de se preferir mascarar, esconder algumas práticas mais graves, como a “Sodomia”, por exemplo, tão superficialmente tratada.
3.8 TITULO XXIII: Como se procederá contra as mulheres casadas, ou solteiras