1.10. İŞLENME ŞEKİLLERİ
2.1.4. Kişilik Hakkının Konusu
2.1.4.3. Kişinin Mesleki ve Ekonomik Hakları
A mestria da monitora a trabalhar a afetividade inicia-se na primeira abordagem do dia que mantém com os aprendizes e mantém-se ao longo do dia, semana a semana. Trabalha igualmente outros valores e atitudes tais como a sociabilidade, a auto-confiança e as regras da oficina/atelier:
”Su acabou o desenho “surpresa” sobre papel e oferece-o a Pipa. É um desenho figurativo. Pipa diz-lhe para passar aquele desenho para a tela. Su diz-lhe que não.”
(Notas de campo de 11 de janeiro de 2013) ” Há uma riqueza ao nível dos afectos e, também, uma riqueza natural […]”.
” Verónica disse algo que o Liam não gostou e ouviu-se este dizer: Não deves dizer isso. Temos de respeitar os mais velhos.
Verónica - Só não faço se não quiser.
Pipa, com voz de irritada: Estás enganada, a primeira razão por que estás aqui é porque tu queres estar. A segunda é porque cumpres as regras do atelier! Para aqui continuares, tens de respeitar, caso contrário, vais-te embora!
Fez-se silêncio.”
(Notas de campo de 25 de Janeiro de 2013)
”Pipa dirige-se a um aprendiz que tem o chapéu na cabeça: O seu chapéu é o chapéu da
inspiração?”
(Notas de campo de 16 de Fevereiro de 2013)
”Limpei o excesso de tinta do pincel no papel de limpeza de Su. Esta não gostou e pediu outro papel de limpeza. Pipa diz-lhe: Não são precisos dois papéis, basta um. Então? Aqui aprendemos a partilhar.”
(Notas de campo de 25 de Janeiro de 2013) ”Na mesa de trabalho que o Toni partilha com três outras aprendizes, o recipiente com água, onde retiram o excesso de tinta dos pincéis, entornou-se sobre a mesa.
Pipa - Como é que isto se resolve? Toni - Com um papel!
Pipa - Quem vai buscar o papel? Silêncio.
Pipa - Ninguém?... Quem vai?... Ninguém vai buscar o papel? …Aqui, temos de trabalhar em equipa.
Toni - Eu vou.
Bianca começa a limpar com o papel absorvente que possui, destinado a enxugar os pincéis.
Pipa - Quem vai buscar um paninho?
Su levantou-se e foi buscar o paninho. Toni limpa como o papel e Su passa em seguida com o pano seco.
Pipa - Quem vai colocar os papéis sujos no lixo? Tens de ir tu, Matilde. O trabalho é feito em equipa, portanto, calha-te a ti, porque todos os colegas já ajudaram.
Matilde, muito tímida, consegue dizer que Bianca ainda não fez nada.
Pipa - Ah! Mas é preciso colocar água limpa na lata e Bianca, porque é mais alta e consegue chegar à torneira, vai encher a lata com água. ”
(Notas de campo de 13 de abril de 2013)
“Eles [os aprendizes] sentem-se em casa, podem tudo, mexem em tudo, arrumam, desarrumam, sabem até onde podem e não podem ir e acho que nos fomos adaptando às necessidades uns dos outros”.
(Monitora Pipa da oficina 1, entrevista de 20 de Abril de 2013) “ […], o segredo é a liberdade, uma anarquia quase organizada. […] podemos ter um jovem que vem aqui um fim de semana mas quando vem passado quinze dias sabe onde está e onde se enquadrar, sabe que existem regras, regras básicas, mas o grande segredo é quase uma forma de estar que faz com que eles gostem efetivamente de aqui estar e se sintam bem e que não se sintam presos, quer pela não inscrição […]”.
(Dr. João, assessor na Criamar, entrevista de 4 de maio de 2013)
A criança pré-adolescente pode exercer uma certa rebeldia sobre o grupo, contudo, esta solução negativa é temporária, o que requer um duplo processo de ajustamento da Verónica ao grupo e deste à aprendiza. Read (1982), refere que “Seria possível até definir a cultura e a organização social ideais como as que proporcionam, num esquema socialmente permissível, o máximo de liberdade de expressão e desenvolvimento da natureza humana (como o mínimo de restrições e coerção) juntamente com os meios mais eficazes de substituição e supressão quando absolutamente inevitáveis” (p. 283), contudo, a integração dos aprendizes no grupo e na sociedade a que pertencem, a aceitação da disciplina, a compreensão do ego e a assimilação de conhecimento fazem parte do processo de amadurecimento e da harmonização das suas necessidades afetivas.
”Ouve-se um aprendiz dizer: Não consigo.
Pipa - Aqui só se diz “não consigo” depois de se tentar .”
(Notas de campo de 25 de Janeiro de 2013) ”Pipa dirige-se à mesa do Guilherme e de Su e diz a Su: O teu está lindo. Está fantástico! Guilherme continua a pintar. Pipa diz-lhe: Estás a mostrar uma nova faceta. Gosto! ”
(Notas de campo de 25 de Janeiro de 2013) ”Pipa - O Manuel está a trabalhar…
Manuel - Saiu daqui… Pipa - Não faz mal… Manuel - Não faz mal?
Pipa - Não, mas tu é que sabes. ”
(Notas de campo de 16 de fevereiro de 2013)
”Pipa passa pelo trabalho de Bia e sugere-lhe uma cópia de uma imagem para base de trabalho.
Bia - Mas eu não sou capaz.
Pipa - Aqui só se diz “não sou capaz” depois de se experimentar. […]”
(Notas de campo de 25 de Janeiro de 2013)
A relação estabelecida entre a monitora e os aprendizes é fundamental. ”O desenvolvimento da confiança, a eliminação do medo, a força do amor e da ternura” são elementos que pairam na Criamar e que fazem parte da forma de atuar da monitora (Read, 1982, p. 283).
Segundo Read, a arte tem grandes possibilidades de acontecer quando os indivíduos são sinceros e espontâneos, por isso, a felicidade ou o modo de estar do aprendiz perante o educadorreveste-se de grande importância e não será exagerado garantir que só quando existe uma relação de afeto entre o educador e a criança, a sensibilidade desta para a arte pode ser desenvolvida. Esta relação de afetividade está muito presente na oficina, assim como o cultivo do entusiasmo, do ânimo, de aprender com prazer, do acreditar eu sou capaz, agora ou logo,
basta-me concentrar8.
A vontade de se expressar através do desenho ou da pintura, o desejo de criar e representar tudo o que o aprendiz quer está acima de qualquer técnica. Esta liberdade possibilita a motivação que o aprendiz estabelece com o objeto do conhecimento e a expressividade plástica acontece com enorme riqueza. Depois, a monitora prossegue o processo de ensino e faz o encaixe dos diferentes conhecimentos, saber e saber-fazer.
8 Pipa: […] Vês como tu sabes. Tu consegues, se te concentrares tu consegues. Gosto muito, muito, muito. (Notas de campo de 2 de março
“Pipa - Princesas, portam-se bem que eu vou sair. Ninguém precisa de mim. Estão todos sossegadinhos a trabalhar.”
(Notas de campo de 16 de fevereiro de 2013)
“Pipa informou que ia almoçar à mercearia do lado e, enquanto isso, os aprendizes maiores tomavam conta dos mais pequenos. A reação foi de confirmação.”
(Notas de campo de 11 de fevereiro de 2013)
Após a saída de Pipa, os aprendizes mantiveram a mesma postura, porque a atmosfera de responsabilidade individual e coletiva contribui para a nova cultura de “sala de aula.”
“Pipa: O Guilherme desenha muito bem, mas a pintar…nem tanto.
[…]
Guilherme: Já fiz três desenhos a pedido dos professores e sete para os colegas. Na sua
maioria eram dragões. Gosto muito. Laura, queres ver um desenho meu que a minha mãe fotografou? A minha mãe gosta de fotografar os meus desenhos. Tenho aqui no telemóvel.
Observadora: Está fantástico! Qual a técnica de pintura que utilizou? Guilherme: Lápis de cor.
[…]
Guilherme: Gosto mais de desenhar do que pintar. Mas, em casa desenho diretamente com lápis de cor, e gosto.”
(Notas de campo de 23 de Fevereiro de 2013) “Pipa - O fundo de que cor é?
Guilherme seguiu a opinião de Pipa e decidiu pintar apenas o fundo da tela. Pintou-o de azul ultramarino. O dragão mantem-se a lápis grafite.”
(Notas de campo de 18 de janeiro de 2013)
Figura 11 - Desenho e pintura sobre tela
O Guilherme gosta muito de desenhar dragões e há hipótese de uma atividade espontânea vir a transformar-se, quando orientada, “numa aptidão especializada ou numa perícia técnica” (Read, 1982, p. 252). A prática ajuda ao processamento e, assim, mais intensa será a aprendizagem. Apesar de a observação ser maioritariamente uma faculdade adquirida, este aprendiz apresenta grande capacidade de concentrar a atenção e coordenar a mão com o olhar, quando envolvido no registar aquilo que observa. Afirma que tem prazer em desenhar e, por isso, irá muito provavelmente continuar a exercitar a perceção dirigida (Read, 1982). Independentemente de seguir, ou não, profissionalmente o campo das artes, o desenho vai ter no aprendiz grande significado cultural (Vygotsky, 2012).
“Pipa diz aos aprendizes que podem brincar um bocadinho e depois devem arrumar os materiais.”
(Notas de campo de 13 de Abril de 2013)
A monitora reconhece o envolvimento e a participação livre da criança como peças fundamentais nos jogos lúdicos do faz de conta, como potenciadores do desenvolvimento de capacidades diversas, tais como a “ […] criatividade, a linguagem, a experiência, o ensaio, a prática e o desempenho de situações e papéis” (França & Sousa, 2012, pp.107-108).Cabe à monitora desafiar os aprendizes a utilizarem as aptidões que possuem na aprendizagem de determinado conteúdo, para se sentirem totalmente absorvidos por um problema, tendo em conta o estádio em que se encontram (Bruner, 2011).