C. İdareye İlişkin Bilgiler
4. İnsan Kaynakları
Imagem 10 – Membros do Grupo CLÃ
A Implantação definitiva do movimento modernista no Ceará deveu-se ao Grupo CLÃ, surgido na década de 40 do século XX. Sânzio de Azevedo (1976), em Literatura cearense, aponta, como acontecimento orientador deste movimento, a ideia de um congresso – o mais original dentre os já ocorridos:
Tratava-se do I Congresso de Poesia do Ceará, organizado, em 1942, por Mário de Andrade (do Norte), Antônio Girão Barroso, Aluísio Medeiros, Otacílio Colares, Braga Montenegro, Eduardo Campos e outros, e ao qual aderiu um escritor já maduro, de outra geração, Joaquim Alves. [...] Aliás, quanto ao designativo de Clã, nada podemos afirmar com absoluta segurança. Antônio Girão Barroso, (componente do grupo, como Braga Montenegro), falou-nos da existência, em São Paulo, de um Clube dos Artistas Modernos, cuja sigla CLAM teria inspirado a do grupo cearense. (AZEVEDO, 1976, p. 427-8).
Esclarece-nos, no entanto, que este congresso não se encerrou normalmente, de acordo com os trâmites que, em geral, orientam tais empreendimentos culturais, “em virtude de um quebra-quebra resultante da guerra”27 (p. 428); revela-nos, ainda, uma curiosidade: “É interessante lembrar que, em protesto por se fazer um congresso de poesia em dias tão conturbados, organizou-se na cidade do Crato um Congresso Sem Poesia” (p. 428).
Sânzio de Azevedo (1976) considera que o Grupo CLÃ atingiu sua maturidade por volta de 1946, tanto pela edição de obras – hoje, clássicos da Literatura Cearense: Face Iluminada, de Eduardo Campos; Os Hóspedes, de Antônio Girão Barroso, Aluísio Medeiros, Artur Eduardo Benevides e Otacílio Colares –, quanto pelo surgimento do Número 0 da Revista Clã, sob a direção de Antônio Girão Barroso, Aluísio Medeiros e João Clímaco Bezerra, cujo lançamento se deu de forma experimental. O Número 1, sob a direção de Fran Martins, seria editado, dois anos depois, em 1948.
Sobretudo eclética, singrando gêneros os mais diversos – poesia, conto, romance, teatro, ensaios, crítica, crônica e artigos –, a Revista CLÃ (1946 a 1957), em seus 29 números, é hoje importante documento para a configuração de uma experiência social, política, econômica e cultural da cidade de Fortaleza. Como ilustração, mas, ao mesmo tempo, fazendo o papel de síntese sobre o Grupo Clã, é o próprio Antônio Girão Barroso quem assim se expressa, num artigo, sob o título “Esse tal de Grupo Clã”:
A matriz terá sido uma trinca de poetas, Aluízio Medeiros, Otacílio Colares e este que vos fala. Em 1941, preparamos um voluminho de poemas, chamado Triângulo de poesia, e mandamos para o I Congresso de Poesia do Recife que se realizou naquele mesmo ano e do qual participaram, entre outros, Willy Lewin, poeta e crítico, Vicente do Rego Monteiro (V. do R.), pintor e poeta um tanto surrealista, Mauro Mota, poeta e jornalista, o João Cabral de Melo Neto, poeta, sobretudo poeta,
27Cf.
cuja tese, apresentada na ocasião, tinha esse nome engraçado – “Considerações em torno do poeta dormindo”. Essa trinca juntou-se no ano seguinte com outros poetas e prosistas ditos novos, além de pintores como Bandeira, Baratta, Aldemir, Barboza Leite etc., e resolveu fazer também um Congresso de Poesia em Fortaleza, o que realmente aconteceu em agosto de 42, o Brasil em vésperas de entrar na guerra por causa do afundamento dos nossos navios. Um intelectual (era assim que se dizia na época) vindo do Modernismo, Mário Sobreira de Andrade, o Mário de Andrade (do Norte), como se assinava literalmente, aderiu ao movimento e, devido naturalmente ao seu valor e prestígio, praticamente passou a liderá-lo, tendo sido inclusive o autor do manifesto de lançamento do Congresso, lido na sessão de instalação, futuristicamente quase de costas para o público, pelo então pouco conhecido Eduardo Campos, nesse tempo se exercitando mais na poesia do que no conto. (Mas, trabalhador infatigável, já no ano seguinte estreava em livro com o volume de contos
Águas mortas).
Esse I Congresso de Poesia do Ceará, no qual, além de Eduardo Campos, foi “lançado” igualmente outro jovem intelectual, o poeta Artur Eduardo Benevides, marca o verdadeiro nascimento do Grupo Clã, ou seja, do pessoal que passou a atuar em volta das Edições Clã e da revista do mesmo nome, cujo número inaugural (0, de experiência) data de dezembro de 46, depois da realização do I Congresso Cearense de Escritores, quando o grupo já estava perfeitamente ou quase definido. (Sem dúvida, a expressão “Grupo Clã” é tautológica, mas pegou, implícita nela, a preposição “de”). Houve o seguinte: numa das reuniões do Congresso de Poesia, alguém sugeriu a criação de uma pequena editora, logo designada Clã, mais precisamente Clan, Editora Clan assim com n no final, por força da ortografia dominante.
Agora, por que esse nome? A explicação não deixa de ser complicada. Trata-se de criar aqui um Clube de Arte Moderna, cujas letras iniciais formariam a sigla Clan, assunto tratado em reunião havida antes do Congresso no escritório do Prof. Olavo de Oliveira, presentes o filho deste, Raimundo Ivan, então entrosadíssimo com poetas e pintores, este escriba, Mário Baratta e outros. Coincidentemente, Baratta, no momento, sugeriu a estruturação (não apenas a simples formação) de um núcleo de artistas e intelectuais novos, exatamente com o mesmo nome, para indicar “grupo”, tendo em vista, é claro, o seu significado, encontrável em qualquer dicionário.
Esse Clube de Arte Moderna nunca foi sequer criado. Mas surgiu a Editora “Clan”, denominação mudada depois para Edições Clã, (durante algum tempo, em forma de cooperativa: Cooperativa Edições Clã Ltda.), e, em fevereiro de 46, o Clube de Literatura e Arte, assim denominado para coincidir com as três letras da sigla, ausente apenas o til do a... E a revista, no fim desse mesmo ano, como já foi dito. (Observe-se que, antes de sair o seu nº 1 em 1948, já agora sob a direção de Fran Martins, Clã chegou a circular – só uma vez – como jornal, tendo à frente Aluízio Medeiros. Outra observação: para promover a venda das edições Clã, chegou a funcionar também um Clube do Livro, que deu resultados que, ainda hoje, podem ser considerados positivos, até porque as tiragens eram pequenas. E ainda: ao lado das Edições Clã, propriamente ditas, saíram também vários livros sob a chancela da revista, alguns como “separatas”).
O primeiro lançamento das Edições Clã foi, na verdade, uma plaqueta – Três discursos, de Eduardo Campos, Mário Sobreira de Andrade e AGB, publicada em 1943. Em seguida, no mesmo ano, o já mencionado Águas mortas, de Eduardo Campos, e Escola Rural, de Mário, que era formado em Agronomia. Esses lançamentos prosseguiram ao longo de muitos anos, livros e mais livros numa verdadeira torrente, se levarmos em conta as precaríssimas condições do meio. Outros nomes a citar: Antônio Martins Filho, Braga Montenegro, recentemente falecido, João Clímaco Bezerra, o saudoso Joaquim Alves, José Stenio Lopes, Lúcia Martins, Milton Dias, Moreira Campos, Mozart Soriano Aderaldo. Por último, uma vez que foram incorporadas ao grupo, Cláudio Martins, Durval Aires e Pedro Paulo Montenegro. Incorporados oficialmente, como se costuma dizer nas nossas rodas (BARROSO, 1981, p. 7-8).
Numa entrevista, por mim conduzida, cujos fragmentos já foram postos na parte 2 deste trabalho, assim Antônio Girão Barroso discorreu sobre sua experiência no Grupo CLÃ:
Sem querer ser modesto, só uma questão de contar a história como ela, realmente, aconteceu: tudo que existe com o nome Clã – e isto já foi dito, inclusive, pelo Fran Martins, Artur Eduardo Benevides, Moreira Campos, Eduardo Campos, dentre tantos – tudo que existe, ou tem a minha marca ou estou por trás. Este grupo surgiu na ocasião do I Congresso de Poesia do Ceará, em 1942. Em 1943, saiu um livrinho chamado Três Discursos, escrito por Eduardo Campos, Sobreira de Andrade e por mim. Eu tinha vindo do Rio, já falei disso há pouco, e deram uma importância enorme a isso, um sujeito como eu... (Risos). Aí o Eduardo Campos imaginou uma homenagem a mim. Fez um discurso, o Mário outro, e eu agradecendo. Esse livro já saiu com a sigla das Edições Clã. Depois o Eduardo Campos, que fazia poesia, resolveu escrever pros ae lançou um livro de contos, Águas Mortas. O Mário publicou um livro, Escola Rural. Tudo com o selo Clã. E o grupo começou a crescer. Já tinha havido o Congresso de Poesia, proporcionando a formação do Clã (BARROSO, 1989, p. 1).
Ao observarmos o período histórico do surgimento do Grupo CLÃ, e dentro deste o de sua Revista, constatamos a importância do I Congresso de Poesia do Ceará, organizado por Antônio Girão Barroso, Aluízio Medeiros e Otacílio Colares, em agosto de 1942. O navio brasileiro Baependi, tendo sido destruído por um torpedo disparado por um navio alemão, em plena costa brasileira, mais precisamente em Sergipe, levou o presidente Getúlio Vargas a declarar guerra à Alemanha. Por conta disso, o I Congresso de Poesia do Ceará foi realizado num momento conturbado, como já houvemos a oportunidade de relatar. Ali foram lançadas as sementes do Grupo CLÃ, e este pendoou, de modo pleno, a partir de 1946, com o lançamento do Número 0 de sua Revista.
A edição de estreia, o número zero, viria à luz em dezembro de 1946. A apresentação / explicação trazia os nomes de Antônio Girão Barroso, Aluízio Medeiros e João Clímaco Bezerra. O endereço da redação era a Rua Gonçalves Ledo, 1138. Depois de justificar o atraso na publicação do prometido número 1, substituído por aquele número zero, os articulistas dão notícias da realização do I Congresso Cearense de Escritores, acontecido três meses antes, sob a presidência de Fran Martins. [...] O Congresso foi aberto na noite de 7 de setembro de 1946 no Salão Nobre do Palácio do Comércio, contando com ilustre audiência, participação ativa de mais de 60 intelectuais (LEAL, 2014, p. 57).
A informalidade era a marca do Grupo CLÃ: nunca possuiu uma sede própria; as reuniões ocorriam na casa de Fran Martins. Eis a relação dos membros-fundadores: Aluízio Medeiros; Antônio Girão Barroso; Antônio Martins Filho; Artur Eduardo Benevides; Braga Montenegro; Eduardo Campos; Fran Martins; João Clímaco Bezerra; José Stênio Lopes; Lúcia Fernandes Martins; Milton Dias; Moreira Campos; Mozart Soriano Aderaldo; e Otacílio Colares.