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2.1 Avrupa Ülkelerinde Kentsel Dönüşüm Süreci

2.1.1 Kentsel Ölçekte Örnekler

2.1.1.1 İngiltere Londra Deneyimi

A primeira residência estabelecida às margens do rio Jacupiranga data do ano de 1864, atraídos pela possibilidade de transporte fluvial, mas atrapalhados pela quantidade de sedimentos trazidos pelas cheias e depositados nas sinuosidades do rio. O município de Jacupiranga teve sua emancipação em 1928 e conta com uma população de 17.208 hab., sendo que 7.839 residem na área rural e 9.369 na área urbana, a sede urbana; está a 44 metros acima do nível do mar.

No que concerne aos aspectos estruturais da COMDEC de Jacupiranga, o entrevistado “C”, designado para o cargo há dois meses, período contabilizado na data da entrevista, apresentou alguns dados que serão analisados posteriormente. Atualmente ocupa o cargo de chefe de fiscalização da Defesa Civil juntamente com mais sete pessoas sendo o único de conhecimento do entrevistado com curso superior em Engenharia Florestal.

A pasta da Defesa Civil não conta com funcionários públicos os que também não têm a indicação para ter dedicação exclusiva. Do contrario, a arguição a partir do questionário revelou que há a sobreposição de funções, num total de quatro diferentes, as quais são de extrema importância e representatividade dentro da administração municipal, as funções cumulativas executadas são: Secretário da Agricultura, Meio Ambiente, Turismo e Defesa Civil. Esse fato revela outra situação cotidiana das prefeituras municipais, a sobreposição de funções que subjuga por fatores óbvios a questão da Defesa Civil para a ponta mais distante do projeto de atuação.

Tendo em conta a tendência de concentração temporal dos eventos (janeiro, fevereiro e março) e cujo fator preponderante para a ocorrência é a pluviosidade, que varia, dentro dos limites do município de 1503 mm a 1705 mm (média anual). Enquanto fator desencadeante,

acresce seus valores direcionalmente da porção norte para a porção sul do município. O índice mais significativo concentra-se em áreas com maior amplitude altimétrica e, consequentemente maior declividade, o que contribui para que o montante precipitado percole pelo solo e atinja as áreas de planície. Embora as áreas com maior índice pluviométrico sejam delimitadas também como unidades de conservação, o que certamente minimiza o impacto, no entanto são formações rochosas antigas, com solo raso e vegetação, que ao atingir a área, traz consigo além da água precipitada, galhos e sedimentos, cujo escoamento atinge a área urbana de Jacupiranga.

De acordo com os levantamentos realizados, o município tem atualmente 30 delimitações de áreas identificadas como sendo de risco, sendo 23 classificadas como suscetibilidade à inundação e sete a deslizamentos de terras.

Tendo em vista o somatório das questões agradação de relevo, precipitação e consolidação do núcleo urbano em planície de inundação do Rio Jacupiranga, Guaraú e Pindaúba, além de receber contribuições advindas de outras bacias, como o caso do aumento do volume de água advindo de altas precipitações ocorridas em Cajati, município vizinho.

A análise da figura 26 possibilita compreender de que forma as áreas de risco se especializam no município, tendo um expressivo perímetro de fragilidade a montante da mancha urbana.

Dentre as representações dispostas à direita, a folha C, D e E representam respectivamente áreas vulneráveis a corridas de massa, deslizamentos e enxurradas, ambas alocadas na porção sul do município, onde também se concentram os maiores gradientes altimétricos e os maiores índices de precipitação. A respeito das inundações as maiores porções localizam-se nas adjacências da mancha urbana, explicadas pelos fatos mencionados em parágrafos anteriores, os quais recebem interferência direta da impermeabilização da mancha urbana.

Tendo em vista o inventário dos setores com predisposição a eventos extremos, bem como uma breve menção as fragilidades ambientais do município, retornamos a questão da COMDEC de Jacupiranga. Conforme já apresentado, o entrevistado está apenas dois meses na função, período esse insuficiente, conforme ressaltado pelo mesmo para compreender e adaptar-se a rotina da Defesa Civil, fato este que resultou na proposição das seguintes questões:

a) Desconhecimento de materiais e estudos já executados pela gestão anterior, e também por órgãos externos, como por exemplo diagnósticos e mapeamentos executados pelo IPT e SIG-RB, os quais tiveram respaldo técnico e no fornecimento de informações dos gestores anteriores de defesa civil, conforme mencionado nos documentos como o PMDC;

b) Não informado a respeito da existência de instrumentos de gestão de risco como Planos preventivos e Planos municipais de Defesa Civil, os quais devem ser de ampla divulgação tanto para a equipe gestora quanto para a comunidade;

c) Não possui material de escritório (Kit entregue à Defesa Civil), utiliza o computador da Secretaria de Agricultura e também não possui material para atendimento à ocorrências (botas, coletes, capas de chuva, lonas);

d) Não recebeu instruções técnicas das gestões anteriores para execução de registros, bem como não tem conhecimento da existência de ocorrências registradas; e,

e) Não reside no município e tem conhecimento das áreas somente em virtude de vistorias feitas para verificação do destino das máquinas da prefeitura, função esta também executada pelo gestor.

Diante do exposto, frisamos alguns pontos que julgamos ser basilares para a compreensão de como a COMDEC se estrutura, se articula e os impactos decorrentes.

O âmago da problemática consiste em compreender a importância do papel do poder público nesse processo que ao acrescentar a função de Defesa Civil a um gestor já designado para outras três competências que demandam atenção e dedicação do mesmo retiram a importância dessa atuação.

Para mais, a inexistência de uma sistemática de transição e repasse dos materiais, questões procedimentais e técnicas, notificação sobre áreas de atenção, demandas e projetos executados, cursos e auxílios na interação com a comunidade, dentre tantas outras questões ratificam o diagnóstico realizado pela ONU (2014) em que a alta “rotatividade” dos agentes responsáveis imprime sérias lacunas à gestão de risco de desastre.

As palavras do próprio entrevistado “C” evidenciam uma preocupação por parte do mesmo ao ser questionado a respeito sobre a gestão de risco “não é tratada de forma adequada, somente como obrigação para que isso seja feito. A prefeitura não dá o devido valor [...] e sozinho não posso me dedicar ao processo preventivo.”

Fonte: Dados compilados SIG-RB e IPT. Elaboração: Dickel, Mara (2016). Graus de risco apresentados no quadro: Processos geológicos: R1 – baixo ou sem risco, R2 - médio, R3 – alto, R4 – muito alto. Processos hidrológicos: C1 – baixo poder destrutivo, enchentes e inundações lentas em planícies fluviais, C2 – alta energia cinética, C3 – alta energia de escoamento e transporte de material sólido.

A conjuntura de trabalho e dedicação integral impossibilitam a concatenação de ações por parte do gestor condicionando que as mesmas sejam reativas ao comportamento anômalo do tempo. Além de todos os aspectos apresentados, a inacessibilidade e a falta de publicização de todas as informações por parte das prefeituras que não disponibilizam qualquer dado a respeito no seu endereço eletrônico. Igualmente, a incongruência apresentada no site da prefeitura que correlaciona a Defesa Civil a outra secretaria, fato esse não confirmado durante a entrevista.