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O município da unidade com maior contingente populacional 54.261 hab., concentrados em sua maior parte em área urbana, 48.169 hab. e 6.092 na área rural, abrangendo uma área total de 722,201 km². Município totalmente gerido pelo setor de comércio e serviços, sendo também considerado o mais desenvolvido dentre todos os da região.

Com predominância de áreas planas, com amplitude total de 465 m. é entrecortado por diversos corpos de água convergentes de outros municípios, como por exemplo o rio Ribeira do Iguape que dá nome a bacia, sendo o maior rio da região.

A despeito dessas características, alta densidade de drenagem, baixo gradiente de relevo e ocupação das planícies de inundação resultou na conformação de áreas de alta vulnerabilidade ambiental e social, sendo o município com maior número de eventos notificados, 14 no período de 1991-2012, concentrados em maior proporção a partir do ano 2000. No que concerne aos eventos de maior impacto, a enchente ocorrida no ano de 1997, nominada como a “Enchente do Século”, onde o rio Ribeira do Iguape atingiu a maior vazão registrada 426 m²/s, tendo 4.685 desabrigados, segundo município mais afetado, ficando apenas atrás de Eldorado, além de perdas econômicas estimadas em R$ 43 bilhões aos municípios atingidos.

Assentada sob solo bastante friável, constituído por depósitos fluviais de idade quaternária proveniente de solo residual de rocha gnáissica, cuja composição varia de

conglomerados a seixos polímiticos em matriz de areias médias e grossas, alternadas com depósitos de argila. São solos bastante permeáveis, sujeitos a processos erosivos e auxiliam na constante recarga do aquífero, também influenciado pela presença do Rio Ribeira do Iguape que mantém as camadas inferiores saturadas de água originando áreas alagadiças, as quais estão ocupadas.

Resumidamente, os dados do IPT classificam grande parte do município como alta suscetibilidade a eventos severos (figura 28 – B), abrangendo nessa área todo o perímetro urbano. Os cartogramas C e D correspondem a representação de eventos de cunho geológico, deslizamento, rastejo e queda de rocha. Observando o produto cartográfico percebe-se novamente que as áreas mais declivosas estão mais propensas a estes tipos de eventos.

A respeito do tema enxurrada e inundações, quanto ao primeiro item, novamente as áreas se concentram onde há maior declividade e também a presença de material não muito resistente. A suscetibilidade a inundação delimitada pelo IPT corresponde às planícies de inundação de todos os corpos de água sendo o caso mais crítico localizado as margens, na planície de inundação do Rio Ribeira do Iguape. Tendo em vista o baixo gradiente de inclinação do relevo e o assoreamento dos corpos de água ao atingir a região, a velocidade do fluxo de escoamento passa a ser mais lento, ultrapassando as margens do leito do rio.

O Plano Nacional de Gestão de Riscos e resposta a desastres naturais engloba ações de mapeamento em cidades afetadas. Registro consta nessa amostra em virtude do expressivo número de ocorrências notificadas. O levantamento executado pela CPRM na área urbana realizado in loco permitiu identificar 13 setores em situação de risco alto. Além das características das áreas, consta nos documentos sugestões de intervenção e estimativas de população afetada, que abarca 3.832, cerca de 7% da população residente na área urbana.

Diante do cenário de fragilidade ambiental e também social conforme os dados do IPVS (2010), a COMDEC de Registro estrutura-se da seguinte forma: vinculada à secretaria de obras e ao gabinete do prefeito, instituída através de portaria publicada em 2014, tem a maior equipe, 64 pessoas distribuídas em funções conforme lei específica. Dentre os membros listados, 41 tem formação técnica e 23 de formação superior. O coordenador nominado para fins de identificação como entrevistado E tem formação em Administração de empresas e está no cargo há três anos, acumulando também a função de chefe de gabinete, que segundo ele ocupa a maior parte do seu tempo. Da mesma forma que a maioria dos municípios, não há dedicação exclusiva de nenhum dos 64 membros, sendo somente requisitados em virtude de ocorrência de situação anormal.

Fonte: Dados compilados SIG-RB e IPT. Elaboração: Dickel, Mara (2016). Graus de risco apresentados no quadro: Processos geológicos: R1 – baixo ou sem risco, R2 - médio, R3 – alto, R4 – muito alto. Processos hidrológicos: C1 – baixo poder destrutivo, enchentes e inundações lentas em planícies fluviais, C2 – alta energia cinética, C3 – alta energia de escoamento e transporte de material sólido.

Apesar da situação inconstante que o município se encontra com a recorrência de eventos e inúmeros pontos vulneráveis, as medidas voltadas para a consecução de uma condição de resiliência que se inicia a partir de um trabalho conjunto e colaborativo, não existe em nenhum dos municípios abordados na pesquisa. A inexistência de reuniões de planejamento, de diretivas anuais denotam uma despreocupação com a questão preventiva, a qual praticamente inexiste em grande parte dos municípios, abandona-se a GRD propositiva que integra aspectos ambientais, sociais e econômicos para adotar uma postura reativa focada em estigmatizar o desastre como fenômeno ambiental.

Isto se verifica também na fala do entrevistado E, na qual quando questionado sobre a atuação da Defesa Civil em Registro, se existem atividades propositivas anteriores ao evento, ou se as mesmas restringem-se somente ao pós-desastre, a informação verificada foi “sim, somente depois de ocorrer e também durante, na assistência”.

Quanto ao planejamento das ações, o entrevistado E destacou apenas a adesão as ações propositivas pelo órgão estadual e regional, tanto oficinas de formação, quanto operações realizadas: operação corta fogo e operação verão. A respeito do aparelhamento, a situação é semelhante aos outros municípios, diferenciando-se apenas pelo estoque de lonas e telhas possibilitado pela existência de verba orçamentaria mensal de R$ 10.000 reais. Equipamentos para atendimento estão disponíveis para uso.

Questionado sobre estudos externos e levantamentos advindos de outros órgãos, destacou o estudo da CPRM e do Comitê de bacias do Ribeira do Iguape e litoral sul executado com recursos do FEHIDRO.

Sobre a tramitação burocrática que a Defesa Civil necessita para solicitação de recursos o entrevistado destaca não entender como limitante nem acredita ser empecilho à gestão, diferentemente das respostas dos gestores B e C (Jacupiranga e Iguape) que consideram o tramite burocrático e demorado. Ainda a respeito do mesmo tema, a fala do gestor destacou as melhorias verificadas com a designação de um sistema para uso SIDEC (Sistema Integrado de Defesa Civil), ressaltando a impossibilidade de extravio de dados já registrados, já que os anteriores a sua gestão não são do seu conhecimento a localização.

Damos anuência a fala do gestor principalmente quando comparamos os dados encontrados no Atlas Brasileiro de Desastres Naturais que contabilizam 9 eventos no período 1991-2012, que se analisados comparativamente com os dados apresentados pelo gestor, registrados entre o ano de 2013 e setembro de 2015, 21 registros, entre eles seca (1),

tempestade convectiva (8), inundações (3), alagamentos (1), enxurrada (3), movimento de massa, corrida de lama e rastejo (2) e 3 não classificados. Temos plena consciência dos avanços ocorridos nos últimos anos a respeito das evoluções verificadas e compará-los não seria interessante, mas denota uma preocupação válida.

A respeito do Plano Municipal de Defesa Civil elaborado em 2014 constitui-se como um documento basilar para o tratamento e direcionamento da questão no município, apresentando estratégias e alternativas em caso de ocorrência de eventos, elencando em seu texto abrigos estruturalmente capazes de atender uma boa demanda, capacidade individual do abrigo, veículos disponíveis para uso. Também aproveitamos para destacar aqui a ausência de barcos para a remoção da população em caso de isolamento de vias, sendo necessário solicitar a comunidade o empréstimo do mesmo.