B. İNGİLİZ KANUN YAPIM SÜRECİ 1. Genel Olarak
2. İngiliz Kanun Yapım Süreci Aşamaları
Conforme demonstrado no item 1.1 (conceito e classificação da família), o
novo eixo fundamental do direito de família, não mais marcado como unidade econômica e sim unidade solidária e afetiva para promover o desenvolvimento da personalidade de seus membros, é o local ideal para que os indivíduos possam se desenvolver e viver em harmonia.
Nesse sentido, João Batista Villela104 expõe a nova ordem do Direito de Família Contemporâneo:
As relações de família, formais ou informais, indígenas ou exóticas, ontem como hoje, por muito complexas que se apresentem, nutrem- se, todas elas, de substâncias triviais e ilimitadamente disponíveis a quem delas queira tomar: afeto, perdão, solidariedade, paciência, devotamento, transigência, enfim, tudo aquilo que, de um modo ou de outro, possa ser reconduzido à arte e à virtude do viver em comum. E finaliza : a teoria e a prática das instituições de família dependem, em última análise, de nossa competência em dar e receber amor.
Paulo Lôbo105 analisa o direito de família no Brasil e destaca três períodos:
104 VILLELA, João Batista. As novas relações de família. In: XV Conferência da OAB
– Anais. Foz do
Iguaçu: OAB, 1994. p.645.
No Brasil, o direito de família refletiu as condições e modelos sociais, morais e religiosos dominantes na sociedade. Sob o ponto de vista do ordenamento jurídico, demarcam-se três grandes períodos:
I - do direito de família religioso, ou do direito canônico, que perdurou por quase quatrocentos anos, que abrange a Colônia e o Império (1500-1889), de predomínio do modelo patriarcal;
II - do direito de família laico, instituído com o advento da República (1889) e que perdurou até a Constituição de 1988, de redução progressiva do modelo patriarcal;
III – do direito de família igualitário e solidário, instituído pela Constituição de 1988.
Interessante colocação de Cristiano Chaves de Farias106 a respeito da compreensão da entidade familiar nos dias atuais: “a entidade familiar deve ser entendida, hoje, como grupo social fundado, essencialmente, em laços de afetividade, pois a outra conclusão não se pode chegar à luz do texto constitucional”. É na família que os laços de afetividade tornam-se mais vigorosos e também é o lugar onde cada indivíduo, de um modo geral, coloca em prática suas aptidões pessoais.
Assim, José Sebastião de Oliveira107 “destaca as diretrizes da família
contemporânea e enumera as principais características das famílias constitucionais”:
Nuclearidade do grupo familiar
A afetividade como amálgama dos laços familiares A despatrimonialização e a repersonalização das famílias O estatuto da igualdade dos filhos
O respeito pela criança, pelo adolescente e pelo idoso nas novas famílias
A igualdade nas famílias
No tocante à nuclearidade do grupo familiar, atualmente, a família não é mais composta de grandes grupos, salvo raríssimas exceções em alguns Estados brasileiros. Não só o aspecto econômico contribuiu para a redução do número dos componentes da família, pois o custo de um filho, na atualidade, é muito alto tendo em vista o investimento que os pais fazem, por aproximadamente, vinte anos, como também a consciência dos integrantes dessas famílias que, atualmente, estão mais interessadas na felicidade do grupo. Nesse sentido, Paulo Luiz Netto Lôbo108,
analisando dados do censo demográfico do IBGE de 2000, dispõe que “a média de
106 FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Op.cit., p.25.
107 OLIVEIRA, José Sebastião de. Op.cit., p.227-265.
membros por família caiu para 3,5” e, conclui o autor que, “a família está se adaptando às novas circunstâncias, assumindo um papel mais concentrado na qualidade das relações entre as pessoas e no desejo de cada uma”.
Uma das maiores características da família atual, “a afetividade como amálgama dos laços familiares”, segundo José Sebastião de Oliveira, tal afetividade deve ser traduzida “no respeito de cada um por si e por todos os membros – a fim de que a família seja respeitada em sua dignidade e honorabilidade perante o corpo social”. E prossegue destacando109:
Os integrantes das famílias, não obstante a intensa liberdade com que mantêm seus relacionamentos, buscam cada dia mais o fortalecimento da reciprocidade dos seus sentimentos. Esse amálgama dos laços familiares é representado pela afetividade. Essa razão não vem de nenhuma estrutura legislativa codificada.
Realmente, o Direito não tem o poder de criar afetividade. Sentimentos naturais não decorrem de legislações, mas da vivência cotidiana informada pelo respeito, diálogo e compreensão.
Com relação à despatrimonialização e a repersonalização das famílias, ensina Paulo Luiz Netto Lôbo110:
A família tradicional aparecia através do direito patrimonial e, após as codificações liberais, pela multiplicidade de laços individuais, como sujeitos atomizados. Agora, é fundada na solidariedade, na cooperação, no respeito à dignidade de cada um de seus membros, que se obrigam mutuamente em uma comunidade de vida. A família atual é apenas compreensível como espaço de realização pessoal afetiva, no qual os interesses patrimoniais perderam seu papel de principal protagonista. A repersonalização de suas relações revitaliza as entidades familiares, em seus variados tipos ou arranjos.
Com relação ao estatuto da igualdade dos filhos, todos os dispositivos legais
que discriminavam os filhos, perderam, automaticamente, sua eficácia, com a Constituição Federal de 1988. Não existe mais a diferenciação dos filhos.
No tocante ao respeito pela criança, pelo adolescente e pelo idoso nas novas famílias, os integrantes das novas famílias protegidas constitucionalmente (art.226 CF 88), não receberam apenas direitos por parte do Estado. Têm deveres que estão elencados no art. 227, da CF 88 :
109 OLIVEIRA, José Sebastião de. Op.cit., p.233. 110 LÔBO, Paulo Luiz Netto. Op.cit., p.153.
É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
O Estado se comprometeu a promover programas de assistência integral à saúde da criança e do adolescente, admitindo a participação de entidades governamentais (art.227, § 1º, CF88).
O constituinte, também, destacou o respeito que o idoso deve merecer na família prescrevendo no art. 229, CF88 que: (...)os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade e no art. 230 CF88 estabeleceu o dever de amparo às pessoas idosas:
A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.
Dessa forma, o idoso merece não só proteção, mas também respeito pelos membros da família. Afinal, além de ser fator de equilíbrio da família, representa também fonte inesgotável de sabedoria e experiência de vida.
E, como última característica das famílias constitucionais, apontada por José Sebastião de Oliveira, registra-se a igualdade nas famílias. Segundo o autor111 “a tendência da família é tornar-se cada vez mais um grupo menos organizado e hierarquizado, que nutre na afeição mútua o elemento basificador de sua existência”. E finaliza, com a seguinte observação112:
O que os membros da sociedade familiar devem sempre ter em mente é que, no embate entre os seus interesses pessoais e os do grupo familiar, devem sempre prevalecer estes últimos, para se evitar o enfraquecimento dos laços de afetividade que unem os seus componentes, provenham eles do matrimônio, da união estável ou da comunidade formada por quaisquer dos pais e seus descendentes.
111 OLIVEIRA, José Sebastião de. Op.cit., p.263. 112Ibid., p.265.
Nas famílias contemporâneas, destacam-se aspectos interessantes: os relacionamentos passam a ter uma durabilidade transitória e não mais permanente; as pessoas priorizam a sua independência financeira e acabam assumindo compromissos afetivos mais sérios com idade um pouco mais avançada, por volta dos trinta anos de idade. Enfim, as pessoas estão cada vez mais focadas na busca incessante da sua realização pessoal. Na atualidade, praticamente, não se verifica mais a renúncia individual em benefício dos relacionamentos.
Nesse sentido, oportuna a observação feita por Marcos Ehrhardt Júnior113·: “relativiza-se o casamento, parafraseando as palavras do poeta, para ser “infinito enquanto dure”, tornando-se comum a idéia de uma união como verdade apenas transitória e não mais única e permanente”.
Na verdade, pouco importa a questão do tempo de duração de um relacionamento. A qualidade desse relacionamento é que merece destaque. Os membros da família precisam ter paz e tranquilidade para ter saudável e livre desenvolvimento.