A. WESTMINSTER PARLAMENTOSU’NUN YAPISI VE PARLAMENTO ÜYELERİNİN BELİRLENME USULÜ
2. Avam Kamarası
Verifica-se, a partir da análise das Constituições brasileiras, uma evolução da forma de proteção à família. Além das mudanças políticas e sociais que influenciaram as Constituições, as transformações do comportamento social também influenciaram os textos constitucionais.
A primeira Constituição do Brasil, outorgada em 25 de março de 1824 pelo Imperador D. Pedro I, influenciada pelo liberalismo, não fez nenhuma referência à família brasileira, apenas à Família Imperial que importava na organização da forma de governo do país (monárquico hereditário).
Para José Sebastião de Oliveira66, a Constituição de 1824:
(...) por seu caráter não-intervencionista, não destinou normas específicas sobre a família brasileira, sua forma de constituição ou mesmo sua proteção, fatos que não deixam nenhuma dúvida de que se harmonizava com o pensamento individualista predominante da época, enquadrando-se perfeitamente no modelo do liberalismo clássico.
Maria Stella Ferreira Levy67, fazendo referência à Constituição de 1824,
dispõe que “a família se constitui apenas como preocupação da religião e não do Estado”. Nessa época, não havia casamento civil, mas apenas, o religioso.
A Constituição de 1891, promulgada em 24 de fevereiro de 1891, foi a primeira do Brasil República e, também, não trouxe um capítulo especial dedicado à família. Apenas reconheceu o casamento civil. No art. 72, § 4º, dizia: A República só
66 OLIVEIRA, Sebastião de. Op.cit., p.32.
67 LEVY, Maria Stella Ferreira. Um panorama histórico-comparativo do casamento, do parentesco e
da família. In: Novo Código Civil: interfaces no ordenamento jurídico brasileiro. Coordenadora Giselda Maria Fernandes Novaes Hironaka. Belo Horizonte: Del Rey, 2004. p.353.
reconhece o casamento civil, cuja celebração será gratuita. Dessa forma, desvinculou o matrimônio do aspecto religioso. Interessante colocação de Rodrigo da Cunha Pereira68:
Esse artigo ficou inserido nesta Constituição em razão da separação Igreja/Estado. A partir do regime republicano, o catolicismo deixou de ser a religião oficial e, com isso, tornou-se necessário mencionar o casamento civil como o vínculo constituinte da família brasileira. Até então era dispensável, pois as famílias constituíam-se pelo vínculo do casamento religioso, que tinha automaticamente efeitos civis, já que não havia a separação dos poderes Igreja/Estado.
A Constituição de 1934, promulgada em 16 de julho de 1934, dedicou um capítulo à família (arts.144 usque 147); no Título V, com a denominação “Da Família, da Educação e da Cultura”, inserido no Capítulo I, “Da Família”, nos seguintes termos:
Art.144 CF 34: A família, constituída pelo casamento indissolúvel, está sob a proteção especial do Estado.
Art. 145 CF 34: A lei regulará a apresentação pelos nubentes de provas de sanidade física e mental, tendo em atenção as condições regionais do país.
Art. 146 CF 34: O casamento será civil e gratuita a sua celebração. O casamento perante ministro de qualquer confissão religiosa, cujo rito não contrarie a ordem pública ou os bons costumes, produzirá, todavia, os mesmos efeitos que o casamento civil, desde que, perante a autoridade civil, na habilitação dos nubentes, na verificação dos impedimentos e no processo da oposição sejam observadas as disposições da lei civil e seja ele inscrito no Registro Civil. O registro será gratuito e obrigatório. A lei estabelecerá penalidade para a transgressão dos preceitos legais atinentes à celebração do casamento.
Parágrafo único. Será também gratuita a habilitação para o casamento, inclusive os documentos necessários, quando o requisitarem os juízes criminais ou de menores, nos casos de sua competência, em favor de pessoas necessitadas.
Art. 147 CF 34: O reconhecimento dos filhos naturais será isento de quaisquer selos ou emolumentos e a herança que lhes caiba, ficará sujeita a impostos iguais aos que recaiam sobre a dos filhos legítimos.
Analisando o texto constitucional, observa-se que a proteção do Estado à família limitava-se à união matrimonial indissolúvel e, segundo Luciana Faísca
68 PEREIRA, Rodrigo da Cunha. Direito de família: uma abordagem psicanalítica . 3ed. Belo
Nahas69, nesse aspecto, importante destacar “a reconciliação do texto constitucional
com a religião: o casamento reconhecido como gerador da família não era tão- somente o civil, mas também o religioso”.
Segundo José Sebastião de Oliveira70, na Constituição Federal de 1934:
percebe-se que o poder constituinte não se interessou em apresentar um conceito substancial do que seria uma família, limitando-se a somente especificar o ato pelo qual ela se constituía e que o ato jurídico do casamento era indissolúvel, o que, vale dizer, não admitira o divórcio a vínculo.
A Constituição de 1937, decretada em 10 de novembro de 1937, tratou do tema “Da Família”, nos art.s 124 usque 127, nos seguintes termos:
Art. 124 CF 37: A família, constituída pelo casamento indissolúvel, está sob a proteção especial do Estado. Às famílias numerosas serão atribuídas compensações na proporção dos seus encargos. Art. 125 CF 37: A educação integral da prole é o primeiro dever e o direito natural dos pais. O Estado não será estranho a esse dever, colaborando, de maneira principal ou subsidiária, para facilitar a sua execução ou suprir as deficiências e lacunas da educação particular. Art. 126 CF 37: Aos filhos naturais, facilitando-lhes o reconhecimento, a lei assegurará igualdade com os legítimos, extensivos àqueles os direitos e deveres que em relação a estes incumbem aos pais.
Art. 127 CF 37: A infância e a juventude devem ser objeto de cuidados e garantias especiais por parte do Estado, que tomará todas as medidas destinadas a assegurar-lhes condições físicas e morais de vida sã e de harmonioso desenvolvimento das suas faculdades.
Verifica-se que retiraram a possibilidade de efeitos civis aos casamentos religiosos e também não apresentaram um conceito de família.
A Constituição de 1946, promulgada em 18 de setembro de 1946, tratou do tema família, abrangendo os arts. 163 usque 165, nos termos seguintes:
Art. 163 CF 46: A família é constituída pelo casamento de vínculo indissolúvel e terá direito à proteção especial do Estado.
§ 1º. O casamento será civil, e gratuita a sua celebração. O casamento religioso equivalerá ao civil se, observados os impedimentos e as prescrições da lei, assim o requerer o celebrante
69 NAHAS, Luciana Faísca. União Homossexual . Curitiba: Juruá, 2008. p.74.
ou qualquer interessado, contanto que seja o ato inscrito no registro público.
§ 2º. O casamento religioso, celebrado sem as formalidades deste artigo, terá efeitos civis, se, a requerimento do casal, for inscrito no registro público, mediante prévia habilitação perante a autoridade competente.
Art. 164 CF 46: É obrigatória, em todo o território nacional, a assistência à maternidade, à infância e à adolescência. A lei instituirá o amparo das famílias de prole numerosa.
Art. 165 CF 46: A vocação para suceder em bens de estrangeiro existentes no Brasil será regulada pela lei brasileira e em benefício do cônjuge ou de filhos brasileiros, sempre que lhes não seja mais favorável a lei nacional do de cujus.
Dos dispositivos constitucionais expostos acima, verifica-se, principalmente, a proteção legal à família legítima e o casamento celebrado conforme a exigência da norma constitucional. Segundo Luciana Faísca Nahas71, “a Constituição de 1946 continuou atrelada ao casamento civil com vínculo indissolúvel, e retornou a possibilidade, já prevista na Constituição de 1934 e suprimida na de 1937, de registro civil do casamento religioso”.
A Constituição de 1967, promulgada em 24 de janeiro de 1967, reduziu o seu espaço dedicado à família e manteve os direitos conferidos pela Constituição de 1946. Em apenas um artigo e quatro parágrafos estabelecia:
Art. 167 CF 67: A família é constituída pelo casamento e terá direito à proteção dos Poderes Públicos.
§ 1º. O casamento é indissolúvel.
§ 2º. O casamento será civil e gratuita a sua celebração. O casamento religioso equivalerá ao civil se, observados os impedimentos e as prescrições da lei, assim o requerer o celebrante ou qualquer interessado, contanto que seja o ato inscrito no registro público.
§ 3º. O casamento religioso celebrado sem as formalidades deste artigo terá efeitos civis se, a requerimento do casal, for inscrito no registro público, mediante prévia habilitação perante a autoridade competente.
§ 4º. A lei instituirá a assistência à maternidade, à infância e à adolescência.
A Constituição de 1969, promulgada em 17 de outubro de 1969, com origem na Emenda Constitucional n.1, trouxe pequenas alterações e adicionou, apenas, sobre a educação de excepcionais em seu art. 175 :
Art. 175 CF 69: A família é constituída pelo casamento e terá direito à proteção dos Poderes Públicos.
§ 1º. O casamento é indissolúvel.
§ 2º. O casamento será civil e gratuita a sua celebração. O casamento religioso equivalerá ao civil se, observados os impedimentos e as prescrições da lei, o ato for inscrito no registro público, a requerimento do celebrante ou de qualquer interessado. § 3º. O casamento religioso celebrado sem as formalidades do parágrafo anterior terá efeitos civis, se, a requerimento do casal, for inscrito no registro público, mediante prévia habilitação perante a autoridade competente.
§ 4º. Lei especial disporá sobre a assistência à maternidade, à infância e à adolescência e sobre a educação dos excepcionais.
Infelizmente, da análise das Constituições brasileiras pode-se apontar uma evolução pequena ou lenta no tocante ao tema família. Nesse sentido, José Sebastião de Oliveira72 destaca: “o Direito Constitucional sofreu mais alterações sem que se possa afirmar ter havido evolução na parte que dizia respeito ao tema família, praticamente ficando inalterada diante das modificações tão amenas que acabaram ocorrendo”.
Merece destaque a Emenda Constitucional n. 9/77 que deu nova redação ao art. 175, § 1º, da CF 69: suprimiu a indissolubilidade do matrimônio e estabeleceu parâmetros da dissolução. Tal dispositivo constitucional alterado foi objeto de regulamentação – através de Lei Ordinária Federal. A Lei 6.515, de 26 de dezembro de 1977 foi nominada de “Lei do Divórcio”. Emenda essa considerada de grande importância para o início da transformação e modernização do direito de família que estava muito desatualizado.
1.5.2 A família na Constituição Federal de 1988
A Constituição Federal de 1988, promulgada em 5 de outubro de 1988,
chamada de Constituição Cidadã, inovou no tocante à formação da família, trazendo inúmeras modificações, mas manteve uma certa timidez. Um pouco mais próxima da realidade social, contemplou diferentes formas de constituição familiar, enfim, mudou o perfil da família constitucionalmente protegida.
Estabelece o art. 226, da Constituição Federal de 1988: