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İncirliova İlçesinin Nüfus Yoğunluğu Haritası

Segundo Milton Santos (2002), o território é onde as pessoas moram, trabalham, sofrem, sonham, relacionam-se, ou seja, vivem. Uma área não delimitada, mas minimamente circunscrita, onde atuam os trabalhadores da assistência social, que deve estar sob a responsabilidade dos estabelecimentos da assistência social. Território, responsabilização e acesso são conceitos que se articulam no contexto das políticas públicas, no traçar de estratégias para sua efetivação, não sendo possível desarticular uns dos outros.

O território não é apenas um conjunto de formas naturais, mas um conjunto de sistemas naturais e artificiais, junto com as pessoas, as instituições e as empresas que abriga, não importando o seu poder. O território deve ser considerado em suas divisões jurídico-políticas, suas heranças históricas e seu atual conteúdo econômico, financeiro, fiscal e normativo. É desse modo que ele constitui, pelos lugares, aquele quadro da vida social onde tudo é interdependente, levando, também, à fusão entre o local, o global invasor e o nacional sem defesa (ibidem, p. 84).

O território não é estático, é um local dinâmico, com diversos processos sociais, econômicos, políticos e subjetivos, um emaranhado de mutações e atravessamentos. O território é onde se atualizam os “problemas sociais” e se desvelam realidades singulares e inimagináveis, causadas pela formação econômica e social e pelo modo de produção predominante. Nesse local, atualiza-se a luta de classes e desenvolve-se a ideologia36. O

território também pode ser considerado como palco de lutas políticas, nas quais transparecem os problemas sociais como sendo apenas problemas individuais, já que as ações são centralizadas no indivíduo, na família ou na “comunidade”. De acordo com Guareschi (2002), Mello (2002) e Sawaia (2002), a culpabilização individual pelos problemas sociais pode ser considerada – como o nome mesmo diz – a apropriação individual dos problemas sociais; atribui-se apenas ao sujeito a responsabilidade por problemas que são da estrutura, desconsiderando-se a parte que cabe à estrutura social e a seus processos.

Naturalizando-se essa concepção, fica fácil atribuir apenas ao indivíduo tanto a culpa por sua atual condição quanto a responsabilidade por criar possibilidades de mudança, isto é, as situações de vulnerabilidade, risco social e pobreza tornam-se características individuais e a solução também passa a ser resultado do esforço individual. Ao desconsiderar os fatores estruturais de produção da vulnerabilidade, do risco e da pobreza desconsideram-se também a estrutura que a produz e os modos de sua reprodução, perpetuando-se a (re)produção das relações sociais de dominação e controle, cujas consequências são o assujeitamento e a responsabilização do pobre por sua pobreza. O fato de se assumir essa culpa e se identificar

36 Na perspectiva marxiana, entende-se a ideologia como “consciência falsa”, invertida, que dissimula a essência efetiva das relações sociais— por trás da ideologia, busca-se a essência oculta, as relações sociais efetivas, por exemplo, as relações de classe dissimuladas pelo universalismo dos direitos formais burgueses (ZIZEK, 1991).

com ela soma-se à ideia de que o trabalho é o único modo de produzir riqueza, desconsiderando-se a acumulação de capital.

Marx (1844/2004) já demonstrava a relação direta entre o crescimento da riqueza e o aumento da pobreza e da miséria, que, contrariando as expectativas, revelava as contradições do MCP. Acreditava-se que o crescimento da riqueza seria acompanhado do aumento da distribuição de renda, mas, na verdade, “o trabalhador se torna tanto mais pobre quanto mais riqueza produz” (ibidem, p. 80).

A ideologia da mudança (ascensão) pelo trabalho ou da vida para o consumo, como formas de o indivíduo ser aceito socialmente, levou alguns autores a nomear a formação social como “sociedade do consumo” (MELMAN, 1992), “sociedade do espetáculo” (DEBORD, 1997) ou “sociedade do sintoma” (LAURENT, 2007), em razão do mal-estar produzido pela impossibilidade de nela se cumprirem as exigências sociais.

A apropriação do objeto tanto aparece como estranhamento que, quando mais objetos o trabalhador produz, tanto menos pode possuir e tanto mais fica sob o domínio do seu produto, do capital. [...] Com efeito, segundo este pressuposto está claro: quanto mais o trabalhador se desgasta trabalhando, tanto mais poderoso se torna o mundo objetivo, alheio, que ele cria diante de si, tanto mais pobre se torna ele mesmo, seu mundo interior, e tanto menos o trabalhador pertence a si próprio (MARX, 2004, p.81).

A culpabilização dos problemas sociais responsabiliza apenas o pobre, por não conseguir competir em igualdade. No entanto, como neste caso não existe igualdade de oportunidades, muito menos de possibilidades, a competição inicia-se com alguns tendo muita vantagem sobre os outros. Sem mencionar que a culpabilização escamoteia as relações de poder e a dominação de uma classe social sobre a outra, já que uma detém os meios de produção e explora a outra, que possui apenas sua força de trabalho.

Essas desigualdades surgem com o nascimento: mesmo que este não seja determinante, apesar de ter relação direta com as oportunidades no acesso a bens culturais e sociais. O território é o local onde esses processos sociais são transmutados em individuais e os processos globais, em locais. Os estabelecimentos públicos e privados da assistência social ou de outras políticas setoriais podem tanto legitimar quanto tentar romper com esses processos, pois as instituições são palco de lutas políticas e contêm uma parte instituída e uma instituinte em uma luta constante.

Os estabelecimentos da assistência social (públicos ou conveniados) trabalham na articulação com outras políticas: saúde, habitação, educação, trabalho, cultura, esporte e lazer. Tenta-se construir um trabalho intersetorial e de articulação com outras políticas, pois a assistência social sozinha não se basta (SPOSATI, 2011a). A estruturação da rede e as

instituições do território ofertam um conjunto de possibilidades e modalidades de atendimento e vinculação que podem ou não ir ao encontro do que os sujeitos buscam. No entanto, se a rede não estiver bem estruturada e organizada, os estabelecimentos podem acabar concorrendo entre si, ofertando os mesmos atendimentos ou serviços. Isso geralmente ocorre nos casos em que os trabalhadores desconhecem o trabalho executado pelo seu próprio estabelecimento ou por outros da rede.

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Benzer Belgeler