1. BÖLÜM
3.2. İncelenen Masallardaki Aslî Kahramanların Karakter Özellikler
Os dados obtidos nos três estudos mostraram que a resposta comportamental e hormonal dos machos adultos não reprodutores de sagüi, Callirhix jacchus, são influenciadas por estímulos somatosensoriais advindos de infantes não aparentados, como sua vocalização, sua visão, seu cheiro e o contato físico.
No primeiro artigo verificamos que a vocalização do infante modificou o padrão comportamental dos animais, tendo em vista o maior número de aproximações e tempo de proximidade junto a fonte sonora. Os machos se locomoveram mais quando expostos a pista sonora do que quando na sua ausência. Esses resultados corroboram com a Predição 1 da Hipótese 1 que sugere que a vocalização de infantes influencia o estado motivacional dos animais, que buscaria interagir com o estímulo testado. Nesse sentido, a exposição de cuidadores em potencial a vocalização de filhotes com poucos dias de vida é importante para a iniciação, e posterior manutenção da resposta parental como evidenciado em estudos desenvolvidos com primatas humanos e não humanos (Snowdon, 1997; Storey et al. 2000; Soltis et al. 2005; Zahed et al. 2008).
O padrão vocal apresentado por infantes além, de incluir padrões de som imaturos que desaparecem na vida adulta, também apresenta uma série de características semelhante ao balbucio de bebês humanos caracterizado por repetições freqüentes e aparentemente aleatórias (Snowdon, 1997; Elowson et al. 1998). De acordo com esses estudos, os cuidadores permaneceram mais tempo em contato com os filhotes quando esses vocalizavam. Em humanos, estudo usando ressonância magnética mostrou que o choro de bebês estimula a atividade de áreas cerebrais provavelmente envolvidas na expressão do comportamento parental em mamíferos (Lorberbamm et al. 2002). Adicionalmente, Christensson et al. (1995) mostraram que o estímulo sonoro (choro) de infantes de 0 a 4 meses é uma pista eficaz para o restabelecimento do contato com a mãe quando a mesma se distancia.
Assim, as evidências apresentadas e os dados desse estudo apóiam a idéia de que a vocalização de filhotes imaturos é um estímulo sensorial significativo para os membros do grupo social em sagüi, a qual leva o cuidador a se aproximar da pista, e consequentemente exibir o comportamento parental.
No diz respeito ao perfil hormonal, a vocalização de infantes influenciou os níveis plasmáticos de cortisol dos machos não reprodutores de sagüi experientes. Esse resultado corroborou a predição 2 da Hipótese 1 que propõe maiores concentrações desse hormônio após a exposição as gravações das vocalização. Semelhantemente, estudos com humanos mostraram uma elevação no cortisol de pais após a exposição ao choro (Storey et al. 2000) e aos odores do bebê (Fleming, 1993; Fleming et al. 1997a). No nosso estudo, a variação encontrada nessa variável fisiológica sugere um maior estado de alerta ou prontidão pelos machos de sagui e o reconhecimento da pista sensorial, o que poderia torná-los mais aptos a responder ao chamado dos filhotes quando no campo e cativeiro. Dessa forma, quando um infante vocaliza, ele pode estar sinalizando ao cuidador algum tipo de necessidade, como por exemplo, fome, sede ou desconforto, que levam a uma mudança na responsividade dos animais. Isso se torna mais crítico em animais de vida livre, onde o risco de predação e as áreas de uso dos grupos sociais podem variar quanto a sua extensão.
No segundo artigo avaliamos o efeito da visão de filhotes de sagüi isolado de outras pistas sensoriais (vocalização e o cheiro) na resposta comportamental e nos níveis de cortisol dos machos adultos. Semelhante ao que foi verificado no primeiro artigo utilizando o estímulo sonoro, a visão de infantes alojados na caixa teste com a porta fechada modificou seu padrão comportamental. Os machos se aproximaram mais, cheiraram mais e passaram mais tempo próximo da caixa teste quando o filhote estava no seu interior. Eles também se locomoveram mais nessa condição experimental. Esses achados corroboraram a predição 1, 2, 3 e 4 da Hipótese 1 e sugerem que a visão do filhote pelo cuidador é um importante elemento para motivar o interesse pelo cuidador e também de avaliação do filhote. A importância
da pista visual na eliciação do comportamento parental foi observada em primatas não humanos (Macaca fuscata: Ehardt e Blount, 1984). Em humanos, Lorenz (1993) propõe que o estímulo visual (traços juvenis) desencadeia o que ele denomina de mecanismos liberadores inatos de afeto e cuidado em indivíduos adultos. Estudo com o sagüi (Pryce, 1993) treinou machos e fêmeas em aparato de condicionamento operante e avaliou sua motivação quanto a visualização de uma réplica de filhote pela pressão de uma barra. Todos os animais testados mostraram-se interessados pela pista sensorial. Nesse sentido, o estímulo visual, assim como a vocalização, poderia favorecer a formação do vínculo afetivo entre o cuidador e a prole e modular o padrão de comportamento parental.
Vale salientar, contudo, que o padrão comportamental dos machos não foi influenciado pela experiência prévia no cuidado aos filhotes como proposto. Machos experientes e não experientes foram responsivos a visão do filhote no aparato desde o primeiro dia de exposição. Esses achados refutam parcialmente a predição 1 da Hipótese 3 que prediz que os maiores índices comportamentais seriam mostrados pelos animais experientes. Apesar do resultado não significativo, os machos experientes cheiraram e se aproximaram mais da caixa teste do que os inexperientes, e passaram mais tempo próximo à caixa. Dessa forma, a experiência anterior parece influenciar, mas não determinar a expressão comportamental de cuidado em sagüi e em outras espécies.
Em contraste com o primeiro artigo, os níveis plasmáticos de cortisol dos machos adultos de sagüi não variaram entre as duas condições testadas (caixa teste vazia x caixa teste com filhote) como esperado. Por outro lado, o cortisol diminuiu ao longo dos dias de exposição, embora não significativamente. Essa resposta sugere que a visão do filhote não aparentado na caixa teste não seria um evento estressor. Portanto, a predição da Hipótese 2 foi refutada. Quando avaliado o efeito da experiência anterior no cuidado nos níveis de cortisol entre as duas condições também não foi encontrada diferença, o que refuta a predição 2 da Hipótese 3.
Por fim, no terceiro artigo foi investigada o padrão comportamental e perfil hormonal dos animais experientes e não experientes quando expostos a caixa teste fechada e aberta com o filhote no seu interior, ou seja, sem e com possibilidade de interação social com os filhotes. Apenas a freqüência de deslocamento se elevou significativamente após a exposição à caixa fechada, com os animais se deslocando mais entre os quadrantes das gaiolas-viveiro. Esse resultado corrobora a predição 4 da Hipótese 1. Como sugerido por Smith et al. (1998) e Barbosa e Mota (2009) usando o sagüi, o deslocamento parece ser um indicativo não invasivo de estresse e agitação, que pode estar associado às tentativas mal sucedidas pelos machos adultos em interagir com filhote presente na caixa.
Foi verificado ainda que a experiência prévia no cuidado interferiu significativamente na resposta comportamental dos machos de sagüi após a exposição a caixa teste aberta. Machos experientes se aproximaram, passaram mais tempo próximo, carregaram e recuperaram mais rápido o infante do que os inexperientes corroborando parcialmente a predição 1 da Hipótese 3. Contudo quando foi considerado o efeito da exposição sucessiva dos machos aos filhotes, os animais inexperientes diminuíram seu tempo de latência de recuperação e aumentaram a duração de seus episódios de carregar. Esses achados reforçam aqueles dos estudos com Macaca mulatta (Gibber e Goy, 1985), Callithrix jacchus (Newman et al. 1993; Pryce, 1993; Zahed et al. 2008), Saguinus oedipus (Ziegler et al. 2004) e em humanos (Fleming et al. 2002) que mostraram que animais experientes são mais responsivos e capazes de reconhecer as pistas sensoriais dos filhotes, levando a aproximação, e conseqüentemente, a ocorrência de contato físico pelo transporte dos filhotes. Além disso, foi verificado que animais sem experiência prévia presentes no grupo social podem ser sensibilizados às pistas sensoriais advindas dos filhotes por exposição sucessiva no período pós-parto em sagüi.
Quanto ao perfil hormonal dos machos, os níveis plasmáticos de cortisol dos animais experientes se elevaram após exposição à caixa teste fechada quando comparada a caixa aberta. Essa resposta, semelhante ao que foi observado para o
deslocamento, pode indicar uma resposta fisiológica de estresse a restrição de acesso e interação com o filhote recém-nascido. De acordo com o esperado, os níveis hormonais dos machos experientes e não experientes de sagüi não se elevaram durante o transporte dos filhotes (carregando x não carregando). Todavia, foi verificada uma correlação negativa entre os níveis de cortisol e a duração dos episódios de carregar para os experientes, corroborando com a predição da Hipótese 2. Como sugerido por Mota et al. (2006), a participação dos machos no carregar não induziria variação nos níveis de cortisol, apesar dos custos energéticos envolvidos nessa atividade, sugerindo uma minimização da resposta fisiológica ao estresse particularmente entre os machos experientes.
Baseado no exposto sugere-se que para garantir a participação dos membros do grupo social no cuidado parental, o processo evolutivo dotou o filhote com características físicas e comportamentais que eliciam a vinculação e a motivação para cuidar. Tal motivação é influenciada por estímulos auditivos, visuais, olfativos e tátil provenientes de filhotes, que influenciam a resposta comportamental e hormonal dos cuidadores que fazem parte dos mecanismos fisiológicos de iniciação e manutenção do comportamento de cuidar, essencial para a sobrevivência da descendência.
CONCLUSÕES
1. A exposição de membros de um grupo social de calitrquídeos a diferentes tipos de estímulos sensoriais pelos filhotes recém-nascidos, vocalização, visão e contato físico, parece ser um método eficaz para avaliação de sua resposta comportamental e hormonal dos cuidadores.
2. Machos não reprodutores responderam positivamente a exposição ao estímulo sonoro (vocalização de filhotes), tendo em vista os valores aumentados de comportamentos que indicavam interesse e motivação (freqüência de aproximação e tempo de proximidade) para interagir com o estímulo apresentado.
3. A elevação do cortisol pelos machos não reprodutores após exposição a estímulação sonora (vocalização) parece indicar um maior estado de alerta do indivíduo, que é importante para o reconhecimento das pistas sensoriais pelo cuidador em potencial durante sua interação com o infante.
4. A exposição do cuidador a pistas visuais de filhotes recém-nascidos de sagüi parece ser um importante modulador da responsividade comportamental pelo cuidador aloparental, provavelmente por facilitar sua aproximação e, conseqüentemente a ocorrência de comportamento de cuidado com a prole. 5. A experiência prévia no cuidado e os níveis de cortisol parecem não estar
relacionados com a iniciação de comportamentos de aproximação do cuidador em resposta ao estímulo visual pelos filhotes.
6. A exposição sucessiva a infantes e a experiência prévia no cuidado com os irmãos quando vivendo no seu grupo familiar influencia a responsividade de machos de sagüi às pistas sensoriais dos infantes.
7. A experiência prévia no cuidado aloparental parace não influenciar os níveis de cortisol dos machos não reprodutores após a interação social com o infante.
8. A ausência de variação nos níveis de cortisol dos machos durante o carregar sugere que o contato físico com o infante reduziu a resposta ao estresse.