As mudanças ocorridas nas habilidades comunicativas dos participantes da
pesquisa também pode ser verificado ao analisar os dados do pós- teste e compará-los com
àqueles da fase de pré-teste. Nestes dois momentos, dois testes foram utilizados: Teste de
Linguagem Receptiva e Expressiva e Teste de Linguagem Infantil (sub-teste: Pragmática). Nas
duas avaliações, em ambos os momentos em que foram realizadas, não foi dado aos participantes
a oportunidade de utilizarem as figuras pictográficas com alternativa de comunicação. No
entanto, observou-se que mesmo sem dispor deste recurso, na etapa de pós-teste, época em que já
haviam aprendido como utilizar as figuras, as crianças apresentaram significativa melhora de
desempenho o que tange as habilidades comunicativas. Assim, pode-se afirmar que em situações
em que não disponham dos recursos de comunicação apresentados durante o processo de
intervenção, as crianças são capazes de estabelecer diálogo com o interlocutor de maneira eficaz
e utilizar os recursos de comunicação disponíveis no momento, ou seja, gesto, vocalizações e
verbalizações.
A primeira avaliação, Teste de Linguagem Receptiva e Expressiva, analisa tanto a
recepção quanto à expressão da linguagem. Após o processo de intervenção, não foram
evidenciadas mudanças significativas quanto à linguagem receptiva, uma vez que esta não
apresentava alterações antes mesmo da intervenção. Quanto à linguagem expressiva, embora a
avaliação fosse voltada a expressão por meio da linguagem oral e este não era o objetivo da
intervenção, desenvolver a fala, a maioria dos participantes da pesquisa adquiriram habilidades
de expressão da linguagem.
A segunda avaliação, talvez seja a que mais tenha demonstrado os efeitos do
processo de intervenção quando compara os dados do pré e pós-teste do Teste da Pragmática. A
importância em avaliar os aspectos pragmáticos já tinha sido discutido anteriormente pelas
autoras Befi-Lopes; Gândara e Araújo (2003). No entanto, elas apenas relacionam a importância
de empregá-lo com o intuito de estabelecer estratégias de intervenção; já na pesquisa aqui
discutida, a avaliação da pragmática antes e após a intervenção foi importante para demonstrar os
efeitos da intervenção no uso da linguagem durante os processos interativos.
Em todos os participantes da pesquisa, foi possível evidenciar uma melhora
significativa durante as situações interativas entre criança e adulto, criança e seus pares. Os
diálogos tornaram-se mais ricos em relação ao conteúdo, houve melhora na troca de turnos e em
muitos momentos os participantes tiveram a iniciativa, fazendo perguntas e comentários
pertinentes ao contexto.
Em relação às crianças-alvo, tornou-se evidente o aumento significativo das
verbalizações por parte da Criança-alvo 1. na primeira avaliação realizada, embora ele utilizasse
verbalizações em algumas situações, essa era basicamente composta por palavras isoladas, como
por exemplo [tςia], quando queria pedir algo, ou então vocalizações sem sentido e sem intenção
comunicativa. Após o processo de intervenção, o perfil comunicativo deste participante passou a
ser permeado por um número maior de verbalizações, as quais passaram a ter uma intenção
comunicativa muito mais presente. A comunicação passou a ser feita por meio dos recursos
comunicativos apresentados durante a intervenção, ou seja, figuras, álbum de comunicação e tiras
porta-frase. Além disso, começou a emitir frases curtas em associação as figuras, como por
exemplo [kikia kaiω]→“titia, caiu” e [nãω kε ´ga´da] →”não, quero guardar”, sendo que as frases
eram usadas com o intuito de complementar sua comunicação.
Para a Criança-alvo 2, após a intervenção houve um aumento no uso de gestos
durante os processos interativos e uma diminuição no uso das vocalizações. Na etapa de pré-teste,
as vocalizações presentes, em sua maioria, não tinham função comunicativa, sendo consideradas
apenas como distratores durante o diálogo. Num segundo momento, as vocalizações foram
usadas de maneira a complementar a comunicação da criança que era basicamente realizada por
meio do Sistema de Comunicação. Assim, embora não tenha desenvolvida a fala, a participante
do estudo melhorou sua capacidade comunicativa.
Quando analisamos os resultados da avaliação da pragmática da Criança-alvo 3,
podemos perceber que algo semelhante à Criança-alvo 2 ocorreu. Nos dois momentos em que
ocorreu a avaliação, o participante manteve como principal meio comunicativo o uso de gestos,
seguido por vocalizações. Vale ressaltar que após o processo de intervenção, a criança se tornou
muito mais receptiva a manter um diálogo, fato este constatado ao observarmos o aumento dos
atos comunicativos na etapa de pós-teste.
Quanto aos demais participantes do estudo, todos apresentaram melhoras
significativas no aspecto da pragmática. Embora as verbalizações não tenham constituído o
principal meio comunicativo utilizado, a contextualização quanto ao uso das funções
comunicativas torna possível constatar a melhora nos processos interativos.
Para aqueles que já possuíam a comunicação oral como principal forma de
diálogo, puderam aprimorar o uso deste meio comunicativo por meio da inserção do Sistema de
Comunicação Alternativa/Ampliada. A sintaxe das frases produzidas por esses participantes
sofreu importantes mudanças e as emissões tornaram-se mais coerentes.
Embora este estudo não tenha se detido à análise específica das funções
comunicativas utilizadas pelos participantes nos dois momentos de avaliação, vale ressaltar que
elas também sofreram alterações, principalmente quanto ao uso da função comentário. Esta
função, que pode ser caracterizada por atos ou emissões usados para dirigir a atenção do outro
para um objeto ou evento, transmite de maneira fiel as mudanças ocorridas nas habilidades
comunicativas dos participantes. As transformações ocorridas quanto ao uso de determinados
meios comunicativos em detrimento de outros para expressar essa determinada função pode
caracterizar a comunicação do participante.
No estudo de Franco e Rocha (2007), também foi realizada uma análise dos
aspectos pragmáticos em dois momentos diferentes, antes e após o uso de um Sistema de
Comunicação Alternativa/Ampliada. Na análise dos resultados, algumas das conclusões das
pesquisadoras condizem com aquelas encontradas no estudo aqui apresentado, ou seja, aumento
do espaço comunicativo usado pela criança, aumento do uso de funções comunicativas com
intenção comunicativa.
Belgede
Tuğla dolgu duvarların genişletilmiş çelik levhalar ile güçlendirilmesi
(sayfa 120-139)