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İNANÇ VE DÜŞÜNCE SİSTEMİ PENCERESİNDEN HOŞGÖRÜ

Belgede EĞİTİM ve HOŞGÖRÜ (sayfa 46-54)

Desde os finais do século XVIII que o governo das escolas foi entregue ao funcionalismo e o sistema educativo se transformou num processo burocrático de distribuição de serviços (Marques, 1997 b). O mesmo autor afirma que a partir daí e durante um longo período, as famílias passaram a ser entendidas como clientes que se limitavam a entregar os seus filhos nas escolas. Sem uma rede alternativa de escolas e sem possibilidade de escolherem as escolas para onde enviar os seus filhos, as famílias portuguesas assistem, passivamente ao deteriorar da qualidade das escolas e, raramente levantavam os olhos para se inteirarem das acusações mútuas que o Ministério da Educação e Sindicato dos Professores regularmente se dirigiram.

Até ao 25 de Abril, o movimento associativo dos pais era quase inexistente. Apenas alguma movimentação nesse sentido acontecia só no ensino particular. Numa cronologia elaborada pela Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) e intitulada “Legislação mais importante relativa às Associações de Pais” aparece a curta referência: “Até 1974- Formam-se algumas Associações de Pais em escolas do ensino particular”. Aliás, no mesmo documento dois históricos entrevistados referem que só em Outubro de 1960, começou no Colégio de Nossa Senhora do Rosário, no Porto, uma série de encontros para os pais das alunas se conhecerem e integrarem melhor e que antes de 1974 as APs (Associações de Pais) não tinham praticamente expressão, pois estavam limitadas a quase só algumas escolas particulares femininas (Silva, 1994).

Durante a ditadura, o desenvolvimento educacional foi bastante limitado. A escolaridade obrigatória foi reduzida, de início, para três anos e só muito lentamente se eleva primeiro para quatro anos e bastante depois para seis anos, no fim da década sessenta.

As escolas punham o acento tónico na obediência, submissão, ordem, respeito pelas hierarquias, conformismo, perseverança, gosto pelo trabalho e pela limpeza (1989). O sistema educativo era totalmente centralizado e estritamente controlado.

Após a revolução de Abril de 1974, seguiu-se um período turbulento e, por vezes de mudanças em todas as áreas da vida social, incluindo a educação (Davies, 1989).

A orientação marcadamente de esquerda dos primeiros anos de revolução é a de um espírito igualitário e democrático, que deixaram uma marca profunda da nova Constituição e das Leis políticas entretanto adoptadas. A nova Constituição da República Portuguesa, aprovada em 1976, inclui objectivos ambiciosos para a educação, embora muitos observadores considerem que parcialmente esses objectivos têm vindo a ser alcançados (Davies, 1989).

A Constituição diz que os pais têm direito e dever de educar os seus filhos e defende a cooperação entre o Estado e as famílias no que concerne à educação. Alguns meses mais tarde, o Governo aprovou uma lei de administração das escolas (Decreto-Lei 769-A/76 de 23 de Outubro), que prevê a participação dos pais nos conselhos de turma (um representante dos pais sempre que haja problemas disciplinares em agenda). A primeira Lei sobre associações de pais foi publicada em 1977 (Lei 7/77 de 1 de Fevereiro), permitindo a criação de associações de pais nas escolas secundárias.

Em 1979, o Despacho Normativo 122/79, de 1 de Junho, impõe ao Conselho Directivo a realização de reuniões regulares com associações de pais, e confere à associação de pais um lugar no Conselho Pedagógico da Escola. Em 1986, através do Decreto de Lei 125/82 de 22 de Abril, é criado o Conselho Nacional e Educação, uma organização consultiva com representantes das Universidades, sindicatos de professores, pedagogos, associação de estudantes e pais. Em 1984 o Decreto-lei 315/84 de 28 de Setembro, regulamenta a relação das associações de pais com as escolas pré-primárias e elementares.

A Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei 46/86 de 14 de Outubro) estipula que a administração e gestão das escolas se deve orientar por princípios de democraticidade e de participação de todos os implicados no processo educativo. Em 1989, foi aprovada a regulamentação dos Conselhos Pedagógicos das Escolas, que refere que os pais não só têm lugar no Conselho Pedagógico, mas também no conselho de turma (Marques, 1997 a).

Em 1990, através do Despacho Conjunto 60/SERE/SEAM/90 de 14 de Setembro, é conferida aos pais a possibilidade de escolha de escola, sempre que possível. O Decreto-Lei 172/91, provavelmente o mais importante no que se refere ao envolvimento dos pais na Escola, permite que estes possam ter representantes no conselho de Turma, no Conselho Pedagógico e no Conselho da Escola.

No que se refere aos processos de avaliação, os pais ficaram com mais direitos e deveres com a provação do Sistema de Avaliação Nacional de Estudantes, onde se afirma que os professores devem informar os pais em relação a todos os aspectos e tipos de avaliação dos estudantes (Marques, 1997a).

Em 1992, através do Despacho Normativo 98-A/92, é proposto um novo Sistema de Avaliação dos Alunos do Ensino Básico. Segundo Silva (1994), os alunos e os encarregados de educação são uma fonte de informação na avaliação formativa; em caso de avaliação sumativa extraordinária deverão os alunos e encarregados de educação serem avisados com cinco dias de antecedência, a avaliação especializada será feita com conhecimento e acordo prévio dos encarregados de educação, contribuindo a informação prestada por estes para a elaboração da programação individualizada; e, finalmente, a retenção repetida carece do parecer dos encarregados de educação, os quais poderão apelar para o Director geral de Educação em caso de discórdia.

Em 1993, surgem dois documentos. O Decreto-lei nº310/93, que se refere ao regime de matrícula e frequência no ensino básico, estabelecendo os direitos e os deveres das famílias em relação à escolaridade obrigatória dos filhos (como por exemplo, o dever de promover a assiduidade dos filhos e o direito a ser informado das faltas). O Despacho 239/ME/93, visa actualizar a lei das associações de Pais (Decreto-lei nº372/90), nas escolas, onde não está ainda a funcionar o novo Regime de Gestão (Decreto-lei nº172/91). A diferença essencial diz respeito à educação Pré-Escolar e ao 1º Ciclo do Ensino Básico, passando agora as associações de pais (ou na sua ausência, pais eleitos para o efeito) a terem um representante, respectivamente, no Conselho Pedagógico e no Conselho Escolar, daqueles níveis de ensino. Em todos os órgãos que participam os pais têm direito a voto (artº 4º).

Esse documento, concede aos pais o direito de representação - com o direito a voto e sem obrigatoriedade (e administrativo) das escolas do 1º ciclo do Ensino Básico e nos Jardins de Infância.

É de salientar que os encarregados de educação, desde 1989, detinham representação no conselho pedagógico das escolas de Ensino Básico 2, 3 e do Ensino Secundário e nas escolas com o novo Regime de Gestão.

Segundo Silva (1994), o movimento associativo é predominantemente de classe média ou pelo menos a sua liderança. Esta classe média é culturalmente mais próxima da cultura escolar. No entanto, a categoria pais é uma categoria heterogénea, em termos de raça, etnia, classe, género, faixa etária, profissão, etc.

3.1.2. Transformações da última Década

Portugal foi objecto de muitas transformações nas últimas décadas e na passagem do novo milénio. A sua economia, outrora predominantemente primária (onde a maioria da população estava ligada ao sector da pesca e sobretudo ao sector da agricultura), passou à terciária, com a maior parte da população activa nos serviços, transporte e comércio. Esta tendência acelerou-se quando Portugal se tornou membro da Comunidade Europeia em 1986.

A adesão Portuguesa à Comunidade Europeia teve muitos efeitos na escolaridade e na educação. Foram construídos com fundos europeus novos Campos Universitários, laboratórios científicos e centros de investigação. A fim de se equiparar a outros países da União Europeia no esforço de modernização e desenvolvimento, Portugal fez importantes progressos no aumento da frequência universitária e na criação de escolas Secundárias de carácter vocacional. Foram mesmo construídas novas escolas Primárias com fundos comunitários (Marques, 1997 a).

Ao longo destes últimos anos tem surgido múltiplas transformações na estrutura familiar devido às profundas mutações económicas, sociais e culturais. O aumento da taxa de divórcios, com o consequente elevado número de crianças a viver com um progenitor, fragmentação da família alargada, com ausência dos avós e outros adultos significantes, o número crescente de famílias monoparentais, a destruição das relações de vizinhança nas zonas urbanas, o afastamento geográfico do lar e do local de trabalho e o crescente número de mulheres a trabalhar fora de casa (Marques, 1997 a).

Para além destas alterações, Montandon (1987, citado por Diogo, 1998) salienta ainda as alterações nos laços familiares entre pais e filhos provocado pela evolução do papel ocupado pela criança na Família. Passou-se de uma relação caracterizada pela função instrumental da criança para uma sentimentalização da relação existindo hoje uma ambivalência em que deve ser tida em conta na percepção do tipo e grau de envolvimento das famílias na escola.

Também não podemos esquecer que os condicionalismos da vida urbana têm levado à crescente demissão das responsabilidades familiares e respectiva delegação nas escolas. As famílias mantêm uma tendência a descarregar na escola uma parte das suas obrigações e alhear-se do que nela se passa. Mas muitas famílias pensam também que não podem ou não sabem apoiar a escolaridade dos seus filhos. Assim sendo, podemos dizer que a Escola tem vindo a assumir novas responsabilidades, a de suplência da Família.

A Escola foi durante muitos anos um espaço físico fechado e isolado da comunidade. A ela cabia ensinar a ler, a escrever, a contar e a fornecer conhecimentos sobre o passado histórico e a geografia do país. O alargamento da escolaridade obrigatória, os avanços tecnológicos, a democratização dos estudos, as reformas dos conteúdos e métodos de ensino face às necessidades educativas, um corpo docente jovem e constituído na sua maioria por mulheres, assim como o desenvolvimento de uma relação utilitária do saber para que os alunos aprendam, levaram à atribuição de novas funções na escola, e à solidificação de novas práticas e novos papéis aos professores. (Montandon, 1987, citado por Diogo, 1998).

Estas mudanças estão patentes, actualmente, nas escolas de ensino básico e do ensino secundário, dando resposta às transformações da estrutura familiar. Através da construção de programas educativos adequados às necessidades dos alunos e das famílias de fracos rendimentos surge, (na década de noventa), como uma das questões mais importantes das políticas educativas, nomeadamente das que dizem respeito ao funcionamento das escolas (Marques, 1997 a).

Segundo Montadon (1987, citado por Diogo, 1998) as mudanças também tiveram consequências tanto ao nível da vida escolar como familiar transformado, assim o campo de intercepção das duas Instituições. Esta transformação está ligada às mudanças sociais e culturais (já referidas anteriormente), sobretudo no que diz respeito ao que se chama ideologia de participação; ao crescimento do nível de instrução da população; à difusão de um discurso especializado sobre a educação; e à evolução de atitudes dos cidadãos face aos serviços públicos.

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