• Sonuç bulunamadı

İmar ve Şehircilik Müdürlüğü

B- P ERFORMANS H EDEFLERİ , G ÖSTERGELER VE F AALİYETLER

7. İmar ve Şehircilik Müdürlüğü

educação médica

Educação médica é definida como um processo que se desenvolve ao longo da vida de um indivíduo e que inclui a experiência pré-universitária, o período de graduação na escola médica, a pós-graduação em clínica geral ou especializada, o treinamento em serviço e a educação médica continuada (Spencer, 1999). A educação médica durante o período de graduação será o foco deste trabalho.

Nos Estados Unidos, desde finais do século IXX, a AMA (American Medical Association), preocupada com a heterogeneidade na formação médica e com a consequente variação na capacidade dos profissionais graduados, passou a empreender esforços com vista à padronização da educação médica. Nesta perspectiva, logo no início do século XX, instituiu o CME (Council on Medical Education) com o objectivo de promover a reestruturação da educação médica nos Estados Unidos. O CME, como uma de suas primeiras iniciativas, propôs critérios para acesso às escolas médicas e para o conteúdo do currículo de formação. Em 1908, o CME solicitou à “Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching” a realização de um estudo sobre a educação médica nos Estados Unidos o qual foi conduzido por Abraham Flexner (Beck, 2004).

O resultado deste estudo foi o conhecido “Relatório Flexner” que resultou em grande impacto na educação médica americana, canadense e de muitos países no mundo. Durante a realização deste estudo, Flexner visitou 155 escolas médicas nos Estados Unidos e Canadá para avaliar 5 áreas principais em cada escola: requerimentos para ingresso;

dimensão da escola e do curso; recursos financeiros para funcionamento da escola; adequação do laboratório e qualificação dos professores; e a disponibilidade e condições de hospital para ensino (Flexner, 1910).

O relatório Flexner foi bastante incisivo quanto ao baixo nível de qualidade das escolas médicas americanas naquela época e suas principais recomendações foram relacionadas ao aumento das exigências para admissão na faculdade; à duração do curso e conteúdo curricular, com ênfase nos aspectos biomédicos e científicos; e aos aspectos de gestão, especialmente relativos aos recursos para funcionamento da escola, sua vinculação a uma universidade e o nível de dedicação dos professores (Flexner, 1910).

A implementação das recomendações do relatório Flexner resultou, por um lado, no fechamento, em curto prazo, de muitas escolas médicas americanas, com consequente diminuição do número de médicos graduados e, por outro lado, na padronização do ensino médico, com incremento do estudo e da pesquisa nas ciências básicas e especializadas; na ampliação, aprofundamento e fragmentação do conhecimento em diversas especializações e na elevação dos custos da formação e serviços médicos (Mattos, 1997; Lampert, 2003; Beck, 2004).

Embora Flexner tenha mencionado em seu relatório a importância da Medicina preventiva e da saúde pública, o que se observou em sequência foi um considerável avanço científico e tecnológico nas diversas especialidades. Entretanto, a partir da segunda metade do século XX, emergem questionamentos quanto aos resultados desta tendência sobre a saúde das populações, indicando que a valorização excessiva do conhecimento e das tecnologias especializadas prejudica a compreensão do ser humano como um todo, inserido no seu contexto. Observa-se a partir de então, um movimento progressivo em busca de abordagens que, sem descuidar da excelência técnica, pudessem tomar em conta o contexto

e necessidade das comunidades, assegurando assim uma maior relevância social da educação médica (Lampert, 2003).

Nas décadas de 60/70, desenvolve-se o movimento da Medicina preventiva (Viña del Mar, 1955; Tehuacan, 1956) como uma busca de responder a esta necessidade, mas este movimento acaba por tornar-se mais uma proposta restrita, ao ser materializada na forma de uma disciplina ou departamento agregado a uma estrutura curricular existente e que não sofreu alteração estrutural. Entretanto, os esforços para encontrar alternativas efectivas de abordagens em saúde e na educação médica para atendimento das reais necessidades da população prosseguiram de forma crescente (Lampert, 2003; Majumder, 2004).

Entre os marcos referenciais no campo da saúde e educação médica a partir do século XX (apresentados na Tabela 1), destacam-se o já mencionado “relatório Flexner” que enfatizou a necessidade de padronização do ensino médico e do fortalecimento das ciências básicas e especializadas (1910); a “Declaração de Alma-Ata: Saúde para todos no ano 2000” com destaque para a atenção primária (1978); a “Carta de Otawa” com a ênfase na promoção da saúde (1986) e a “Declaração de Edimburgo” com recomendações para a reestruturação do ensino médico com vista ao aumento da sua relevância social (1988).

Tabela 1 – Marcos referenciais, em âmbito internacional, no campo da saúde e da formação médica, em décadas, a partir do século XX7.

Déca

da Marcos referenciais Destaque / característica

10 (1910) Relatório Flexner Estudo sobre a educação médica nos EUA e Canadá, conduzido por Abraham Flexner e publicado pela “Carnegie Foudation for the Advancement of Teaching”. Ênfase na padronização do ensino médico e no fortalecimento das ciências básicas e especializadas (Flexner, 1910).

50 Movimento preventivista

(1955) Seminario de Viña del Mar (Chile)

(1956) Seminario de Tehuacan (México)

Seminários realizados pela OPAS/OMS com o objectivo de avaliar o ensino da Medicina preventiva e social e incentivar o movimento “preventista” e a difusão das ciências sociais como base da análise do fenómeno saúde/doença.

7 Este quadro foi elaborado tendo como principais referências: Histórico da Saúde Pública por década, Webpage ENSP/Fiocruz, consultada em Out 2008 - www.ensp.fiocruz.br; Lampert, 2002, p. 82-99; e outros citados diretamente no quadro.

Déca

da Marcos referenciais Destaque / característica

70

(1972) Conferência sobre

Desenvolvimento e

Ambiente Humano - Nações

Unidas; Estocolmo

Destaque para a agressão sistemática contra o meio ambiente e a necessidade de ajustes nas políticas de desenvolvimento com vista à protecção e recuperação ambiental.

(1974) Informe Lalonde (A New Perspective on the Health of Canadians), Canada

Documento produzido pelo governo canadense que destaca a noção de que a garantia do tratamento para as doenças (reabilitação da saúde) não é suficiente para assegurar a saúde dos indivíduos e da população. Em sequência, observou-se um aumento na discussão sobre o processo saúde-doença e na busca de identificação dos factores determinantes da saúde e das doenças (Lalonde, 1974). (1978) Declaração de Alma-

Ata “Saúde para todos no ano

2000”. Alma Ata, URSS

Resultante da Conferência Internacional de Alma Ata, promovida pela OMS e UNICEF. Propôs a “Atenção Primária de Saúde” como a principal estratégia para a expansão das coberturas dos serviços de saúde a toda a população (Saúde para todos), sendo a participação comunitária indicada como um dos princípios fundamentais (Declaração de Alma-Ata, 1978).

(1979) Criação da Network of Community-Oriented

Educational Institutions for Sciences – OMS/OPS - Kingston, Jamaica

A “Network” é uma rede mundial, criada em reunião promovida em Kingston pelo “Health Manpower Development Program” (OMS/Genebra) e pelo “Programa de Desenvolvimento de Recursos Humanos da OPS/Washington, com o objectivo de promover a educação baseada na comunidade e o uso de abordagens de aprendizagem baseadas em problemas (PBL). Financiamento da Network: Fundação Rockfeller, Fundação Kellogg, OMS e Governo da Holanda.

80 Promoção da Saúde (1986) 1ª Conf. Internacional - Carta de Ottawa / Canadá (1988). 2ª Conf. Int. – Adelaide

Conferências organizadas com o objectivo de promover um movimento de saúde pública com foco na “Promoção da Saúde”. Na 1ª Conferência foi aprovada a Carta de Ottawa para a promoção da saúde, que se constitui em documento referencial no assunto (Carta de Ottawa, 1986).

(1988) 1ª Conferência Mundial de Educação Médica - Declaração de Edimburgo

Changing Medical Education:

an Agenda for Action “Changing” - WHO

A Declaração de Edimburgo, resultante da 1ª Conferência

Mundial de Educação Médica, organizada pela “World Federation for Medical Education (WFME)” e adoptada pela Assembleia Mundial da Saúde em 1989, esboça uma série de recomendações para orientar reformas, com base nas necessidades de saúde, que resultem em um aumento na relevância social da educação médica (WFME, 1988).

Changing: proposta de mudança na educação médica, lançada pela

OMS na 1ª Conf. Mundial de Educação Médica, orientada para o nível de graduação, que enfatiza a responsabilidade social das escolas médicas em relação às aspirações político-sociais das comunidades locais e da sociedade. Financiamento: OMS e Fundação Kellogg.

90 Conferências(1991).3ª Conf. Mundial de Promoção da Saúde, Sundsvall

(1992) ECO-92, RJ-Brasil (1993) IIª Conf. Mundial de Educação Médica – Edimburgo

(1997) IVª Conf. Int.

ECO-92: Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro;

A IVª Conf. Int. de Promoção da Saúde, em Jacarta, foi a primeira a ser realizada em um país em desenvolvimento e a primeira a envolver o sector privado na promoção da saúde. Esta Conferência produziu a Declaração de Jacarta sobre “Conduzindo a Promoção da Saúde para o Século XXI” (Declaração de Jacarta, 1997).

Déca

da Marcos referenciais Destaque / característica

Promoção da Saúde, Jacarta (1994) CIPD, Cairo

(1995) IV Conferência

Mundial sobre a Mulher,

Benjing

CIPD – Conferência Internacional sobre População e

Desenvolvimento – Estabelecidos Conceitos e Direitos relacionados à SSR

A IV Conferência Mundial sobre a Mulher dá ênfase ao enfoque de igualdade de género, aos direitos sexuais e aos direitos humanos da mulher.

(1999) Declaração de

Bolonha

Tratado internacional, assinado pelos Ministros de educação dos países da União Europeia, que propôs a implantação da compatibilidade plena entre os sistemas universitários europeus, até 2010 (Declaração de Bolonha, 1999).

00 (2000) Declaração do

Milénio - Nações Unidas

(2000) Vª Conf. Internacional de Promoção da Saúde, México

A Declaração do Milénio, adoptada por 189 Estados Membros, estabelece os 8 Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). (2001) I Fórum Social Mundial / FSM, RS, Brasil (2002) II FSM, RS, Brasil (2003) III FSM, RS, Brasil (2004) IV FSM, Mumbai, Índia

Os Fora Sociais Mundiais reúnem representantes de ONG′s, partidos e movimentos sociais de todas as partes do mundo, com o objectivo de discutir e apontar soluções para problemas sociais, políticos e ambientais do mundo. O evento surgiu como um contraponto ao Fórum Económico Mundial.

(2007, 2010, 2013) “Women

Deliver”

Encontros internacionais, realizados em Londres (2007), Washington (2010), Kuala Lumpur/Malásia (2013) sobre questões relacionadas à saúde e a vida das mulheres.

(2010) The Lancet: Health professionals for a new century: transforming education to strengthen health systems in an interdependent world (Frenk J, Chen L, et al.)

O relatório, "Profissionais de saúde para um novo século: Educação Transformadora para Sistemas de Saúde em um mundo interdependente", foi produzido por uma Comissão sobre Educação de Profissionais de Saúde para o Século 21, uma iniciativa mundial independente composta por 20 líderes de diversas origens disciplinares, afiliações institucionais, e regiões do mundo, que trabalharam juntos para analisar a situação e recomendar acções renovadas, baseadas em uma abordagem de sistemas, para orientar reformas institucionais e educacionais.

10 (2013) Primeira Guia da OMS: “Transforming and scaling up health professionals’ education and training”

As “Directrizes para a Transformação e Ampliação da Educação e Formação dos Profissionais de Saúde” fazem parte do Programa da OMS para a rápida expansão da força de trabalho em Saúde, que visa contribuir para alcance dos ODM, o fortalecimento dos sistemas de saúde e o alcance da cobertura universal no contexto da atenção primária à saúde. Os objectivos dessa Guia é subsidiar o desenvolvimento de políticas regionais e nacionais e diálogos técnicos com pessoas chave das áreas de educação, saúde, finanças e do trabalho, sobre a melhor forma de financiar a formação e o preparo de profissionais de saúde para o século 21.