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4.4. Ampirik Bulgular: Türkiye İmalat Sanayinin AB-15 Piyasasında ki Rekabet

4.4.5. İmalat Sanayi Genel Rekabet Gücü Sınıflandırması

Devido ao debate sobre “Business and Human Rights”, códigos de conduta corporativos têm-se multiplicado desde a década de 1990, sob diversas formas e com vários focos. Embora se especializem para cada setor – por exemplo, têxtil, alimentar, petrolífero ou minerador –, poucos códigos preveem monitoramento independente e, na verdade, variam desde declarações de princípios a esforços substantivos de autorregulação (JENKINGS, 2001; MACLEOD, 2011).

Ciente da carência regulatória de corporações transnacionais, mas ainda cética quanto à coercitividade dos códigos de conduta, a literatura sobre o tema enfatiza as dificuldades de concretização das prescrições presentes nos documentos voluntários. Apesar de interessantes

79 esforços em desenvolver novos conceitos130, o debate tem-se focado na dicotomia “hard law” e “soft law”.

Na discussão sobre a juridicidade131 dos códigos, destaca-se a necessidade de um aparato coercitivo. Ou os códigos seriam meras orientações para futura regulação estatal (DAVARNEJAD, 2011, p. 358; MENEZES, 2005, p. 142; NASSER, 2006, p. 135; PETERKE, 2009, p. 150), ou seriam estruturas que juridicizam princípios e regras e podem ter sua concretização exigida, inclusive por meios não-estatais (ABBOT, SNIDAL, 2000; BLUTMAN, 2010; SHAFFER, POLLACK, 2010; VARELLA, 2013, p. 244). No primeiro caso, são maleáveis, portanto soft law; no segundo, hard law, porque rígidos. Para além da dicotomia vinculante/não vinculante, o citadíssimo texto The concept of legalization (ABBOT et alli, 2000) estabelece três critérios, para definir o caráter “hard” ou “soft” de direito produzido no âmbito multifacetado da governança global: precisão das regras; obrigatoriedade; delegação de decisões a uma terceira parte.

Em pesquisa bastante atual, com foco nas garantias sociais laborais e com referência aos códigos de conduta corporativos, a primeira tese de Doutorado apresentada perante o Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal da Paraíba traz o conceito de contrato coletivo transnacional, “que pressupõe a convergência dos seguintes elementos: abrangência transnacional dos regramentos; natureza privada ou quase-privada dos atores sociais envolvidos; conteúdo concreto de regulação social” (CORDEIRO, 2013, p. 248). O autor da tese, Wolney Cordeiro (2013, p. 126), apresenta ressalvas quanto aos códigos de conduta públicos e privados, pela ausência de mecanismos jurídicos capazes de garantir a exigibilidade das declarações e práticas empresariais.132

130 Teubner (2012a), dentro de uma teoria mais ampla de constitucionalismo transnacional, argumenta que os códigos de conduta privados representam um esforço de autoconstitucionalização corporativa. Em tese de Doutorado defendida perante este PPGCJ, Cordeiro (2013, p. 248) discute os códigos sob o novo conceito de contrato coletivo transnacional.

131“Em 1983, o Institut de Droit International, sob a relatoria de Michel Vorally, dedicou expressiva parte de sua sessão de Cambridge à análise da distinção entre ‘textos internacionais de caráter jurídico nas relações mútuas entre seus autores’ e ‘textos internacionais desprovidos desse caráter’” (MAZZUOLI, 2012, p. 164).

132 No primeiro caso, a tese ressalta o caráter indicativo das recomendações, assim se manifestando quanto ao segundo tipo: “A proposta de autolimitação dos códigos, em muitos casos, esbarra no próprio receio das corporações de que os compromissos constantes dos documentos, aos quais aderem voluntariamente, tenham o seu cumprimento exigido pela sociedade. Assim, tem-se a impressão de que as propostas apresentadas em face da sociedade são formuladas sem uma pretensão ou intenção de serem cumpridas. Nesse caso, observa-se o realce estritamente retórico dos códigos de conduta, principalmente em relação aos direitos sociais dos trabalhadores. Ora, se essas normas de caráter privado, embora enumeradas de forma principiológica e geral, devam ser aplicadas no universo

80 Em relação às tentativas de regulação das corporações, Teubner (2012a, p. 109) entende que as iniciativas políticas – exclusivamente públicas – de controle dos empreendimentos comerciais transnacionais fracassaram, porém códigos de conduta voluntários são uma alternativa, considerando a necessidade de vinculação das empresas a compromissos e padrões de direitos humanos. Na seara pública, destacar-se-iam o Pacto Global da ONU, os Princípios Condutores Sobre Empresas e Direitos Humanos, também da ONU, e a Declaração Tripartite de Princípios sobre Empresas Multinacionais e Política Social, da OIT.133

Para o professor alemão, contudo, ambos os tipos de códigos representam “o advento de constituições corporativas transnacionais específicas”, porque “juridificam princípios fundamentais de uma ordem social e, ao mesmo tempo, estabelecem regras para sua autocontenção”, preenchendo “funções constitucionais centrais” (TEUBNER, 2012a, p. 111- 112). Enquanto os códigos públicos apontariam objetivos genéricos, os privados especificariam os compromissos das empresas em seus setores: “os códigos da ONU, da OIT, da OCDE e da UE são meros impulsos constitucionais que [...] organizações internacionais enviam às corporações”, cabendo a estas organizações privadas, e não às instituições estatais ou simplesmente públicas, determinar “se esses impulsos, de fato, lá coagulam, formando normas constitucionais vinculantes” (TEUBNER, 2012a, p. 122-123).

Originalmente, o Estado produzia o “hard law” relativo a, por exemplo, garantias laborais e organização societária, cabendo às empresas um resquício autorregulatório que só poderia ser reconhecido, se fosse validado pelo próprio Estado – em geral, pelo Judiciário; códigos de conduta empresariais, assim, seriam “soft law” no âmbito doméstico (TEUBNER, 2012b, p. 47). Nesse contexto, em evidente oposição à parca autonomia regulatória que as corporações usufruem dentro de um território nacional, houve uma reversão no binômio conceitual “soft law / hard law”, à medida que “agora são as normas estatais que apresentam a qualidade de ‘soft law’, enquanto o mero ordenamento privado de corporações transnacionais emerge como nova forma de ‘hard law’.” (TEUBNER, 2012a, p. 119).

Dessa forma, mesmo que se verifique a origem transnacional dos elementos das relações de trabalho, a ausência de um elemento específico de coercibilidade pode torná-la apenas uma mera declaração de boas intenções, sem qualquer valor na sua aplicação ao mundo real” (CORDEIRO, 2013, p. 130). 133 “Em muitos casos, códigos corporativos ‘públicos’ restam como meras recomendações sem efeitos. E os autocompromissos nos códigos ‘privados’ são frequentemente apenas tentativas estratégicas de prevenir regulação estatal por meio da declaração de intenções não vinculante, ou meras estratégias de relações públicas que não incluem qualquer alteração efetiva de comportamento” (TEUBNER, 2012a, p. 110).

81 constitucionais, não mais seria o Estado o ente responsável por garantir a efetividade, ou melhor, o vigor dessas prescrições como “hard law”. Os Estados, na verdade, têm resistido às normas de responsabilidade corporativa, mesmo que produzidas em organizações internacionais:

[Os] códigos de conduta [da OCDE e da ONU] não estabelecem obrigações jurídicas. Portanto, as corporações apenas prometem cumprir voluntariamente eventuais recomendações. As normas não podem ser impostas por um procedimento jurídico. No ver de muitos observadores, essa situação é demasiado insatisfatória. Por isso, uma parte da doutrina começou a refletir sobre a questão de como esses agentes podem ser juridicamente obrigados pelos direitos humanos. Todavia, ainda se trata tão-somente de “propostas”, que aguardam a sua transformação em direito positivo por parte dos Estados.

Dentre os mais importantes documentos de soft law até agora produzidos, destaca-se o da Subcomissão para a Promoção e a Proteção de Direitos Humanos da ONU, que adotou, em 2003, as “Normas sobre as Responsabilidades de Corporações Transnacionais referentes a Direitos Humanos” (Norms on the Responsibility of Transnational Corporations and other Business Entreprises with Regard to Human Rights). Esse instrumento contém normas teoricamente capazes de obrigar de forma direta esses atores, uma vez que haja a aceitação pelos Estados, por exemplo, no que se refere à proteção do consumidor e do meio ambiente, aos direitos trabalhistas, à compensação de vítimas etc. Todavia, quando a subcomissão apresentou essas normas à Comissão de Direitos Humanos – que, por sua vez, consiste de representantes dos Estados –, esse órgão enfatizou que o documento não representaria mais do que uma sugestão, dessa maneira indicando falta de prontidão dos Estados de dar início ao processo de transformação dessas normas em hard law. Com isso, parece muito duvidoso que os Estados, em um futuro próximo, mostrem interesse em realmente apoiar as iniciativas visando a obrigar corporações transnacionais pelo DIDH. Mas o debate continua e os defensores de direitos humanos se ocupam de não permitir que ele esmoreça (PETERKE, 2009, p. 150)

“Hard” ou “soft law”, fragmentos constitucionais ou declarações de boa vontade refletem análises centradas no que os códigos de conduta são; outra perspectiva pertinente é examinar o que eles fazem com os mercados.