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Başlıca Sınıflara Ayrılan İşlenmiş Mallar Sektörü için Hesaplanan

4.4. Ampirik Bulgular: Türkiye İmalat Sanayinin AB-15 Piyasasında ki Rekabet

4.4.2. Başlıca Sınıflara Ayrılan İşlenmiş Mallar

4.4.2.2. Başlıca Sınıflara Ayrılan İşlenmiş Mallar Sektörü için Hesaplanan

Apesar de, nos tópicos anteriores, já ser possível observar a condição de Afeganistão, Iraque e Croácia como Estados territoriais, isto é, países em cujo território as empresas militares atuam, esta seção do trabalho pretende relatar dois casos muito recentemente vivenciados por países africanos: a reconstrução do Exército da Libéria e a expansão dos serviços de segurança marítima na região da Somália. Trata-se, ao contrário da Colômbia e de Serra Leoa, de contratação indireta, em que o controle do Governo central sobre o território estava tão reduzido, que sequer havia condições de escolher a quem – ou às custas de quem – o uso da força seria terceirizado. Há referência, em ambos os casos, à mesma fonte, porque são exemplos recentes na literatura especializada.

poderá autorizar o uso da força armada necessária (aérea, naval ou terrestre) para manter ou restabelecer a paz internacional” (SORTO, 2013, p. 341).

101Eis o resumo do conflito feito pelo “site” da ONU: “A guerra civil em Darfur teve início em 2003 entre o governo do Sudão e suas milícias aliadas, e outros grupos rebeldes armados. Particularmente durante os dois primeiros anos do conflito, dezenas – se não centenas de milhares – de pessoas foram mortas. A luta ainda em curso se dá entre o governo e movimentos espalhados. No total, cerca de 2 milhões de pessoas estão deslocadas internamente e pelo menos 200 mil morreram, desde 2003. [...] O longo processo de paz incluiu um acordo assinado em 5 de maio de 2006 – o Acordo de Paz de Darfur –, sob os auspícios da União Africana e com o apoio das Nações Unidas e outros parceiros. Em 2006, a União Africana implantou uma missão de paz para o Sudão, que foi substituída em 2008 por uma missão conjunta inédita entre a União Africana e as Nações Unidas em Darfur, a UNAMID, atualmente a maior missão de paz no mundo em atuação” (DESLOCAMENTO, 2016).

54 1.3.4.1Libéria

Em 1989, o “senhor da guerra”102 Charles Taylor, em transmissão televisiva, torturou e matou o então Presidente liberiano, assumindo o Governo e dando início a uma guerra civil que deslocou um terço da população de três milhões de pessoas. A escalada da violência do país, ao longo dos anos 1990, levou os liberianos a empilhar seus mortos no portão da Embaixada dos Estados Unidos em Monróvia, clamando o socorro americano (MCFATE, 2014, p. 104).

Após a queda do ditador, em 2003, a extrema miséria do povo liberiano conjugou-se com a total falta de confiança da população nas Forças Armadas locais, que, por décadas, praticaram atrocidades contra a população. O Conselho de Segurança das Nações Unidas, nesse ano, criou a Missão das Nações Unidas na Libéria (UNMIL), e diversos países e ONGs participaram, desde então, das tentativas de reconstruir o Estado liberiano (MCFATE, 2014, p. 105).

Diante da necessidade de se desmontar o Exército existente, substituindo-o por completo, o Departamento de Estado americano decidiu contratar, após licitação, uma empresa militar privada, a DynCorp International, para recrutar, criar e treinar um novo Exército para a Libéria (MCFATE, 2014, p. 107).

De acordo com Sean McFate (2014, p. 115 ss.), que trabalhou para a DynCorp na Libéria, a participação da empresa militar privada no esforço de reconstrução do país africano foi decisivo para o sucesso da missão internacional no país. O autor lembra ainda que a DynCorp, como parte desinteressada, arbitrava as discussões entre os “establishments” de Washington e de Monróvia, propondo soluções que se revelariam mais viáveis. McFate (2014, p. 130) também ressalta que, na Libéria, não havia um livre mercado para empresas militares, mas um mercado com apenas um comprador, os Estados Unidos, que selecionaram a DynCorp por meio de uma licitação.

O procedimento de contratação da DynCorp, para desmontar o Exército de uma ditadura e criar e treinar um Exército democrático, parece similar à citada contratação da MPRI na Bósnia, porém a diferença principal é que não foi o Governo liberiano responsável pela contratação da DynCorp, mas um estrangeiro, que, após decidir ajudar a Libéria a organizar um novo Exército,

102Senhores da guerra, do inglês “warlords”, são indivíduos que, em meio a regiões sem a presença do Estado, tentam monopolizar o uso da força.

55 terceirizou as consequências de sua política externa.

1.3.4.2Somália

Envolvida, há décadas, em uma das mais ativas regiões de pirataria103 mundial, o território da Somália não possui um Governo central desde 1991. Apesar da autodeclarada República da Somalilândia manter relativa paz no norte, o restante do país sofre com infindáveis disputas entre grupos armados, sendo um celeiro do radicalismo islâmico. Informalmente o país está dividido entre a República da Somalilândia, Puntland no Nordeste e a Somália “de facto” ao Sul (MCFATE, 2015, p. 131).

Palco de intervenções fracassadas das Nações Unidas, nos anos 1990, e da vizinha Etiópia, entre 2006 e 2009, a Somália pode ser considerada um grande exemplo de “neomedievalismo”, pois, como no Medievo, apesar da ausência de Governo central, há diversas formas de governança improvisada, abarcando segurança, solução de disputas e serviços sociais (MCFATE, 2014, p. 132). Para desespero da ordem vestefaliana, um dos grupos mais influentes no país é o Movimento da Juventude Guerreira, ou al-Shabaab, que, ao longo dos anos, derrotou forças estrangeiras oriundas da Etiópia, de Uganda e de Burundi (MCFATE, 2014, p. 134), consolidando sua influência na região, enquanto coordenava ações com al-Qaeda.

É evidente que o combate aos grupos terroristas centrados na Somália interessa aos Estados Unidos, contudo há um grande risco de ocorrer uma escalada de um conflito difuso sem perspectiva de vitória, como aconteceu no Vietnã e no Afeganistão. Tal como abertamente admitido por representantes do Governo americano, é mais conveniente contratar empresas, para treinar contingentes de Estados próximos, como Uganda e Burundi, cujas tropas foram equipadas e auxiliadas pela DynCorp International (MCFATE, 2014, p. 141). Além dos Estados Unidos, os Emirados Árabes Unidos também investiram na capacitação de unidades de segurança na Somália, ao contratar a Sterling Corporate Services, sucessora da sul-africana Saracen International, para criar uma força policial marítima, gerida a partir de Puntland, com o objetivo

103 Em sentido estrito, a pirataria só pode ser cometida em alto-mar; se os atos de violência são cometidos em águas territoriais, são considerados roubo, e compete ao Estado costeiro processá-los e julgá-los (RONZITTI, 2011, p. 37). De acordo com a Convenção das Nações Unidas Sobre o Direito do Mar, “a pirataria no alto-mar se caracteriza por um ato ilícito de violência ou de detenção ou por todo o ato de depredação cometido para fins privados, pela tripulação ou pelos passageiros de um navio ou de uma aeronave privados” (MENEZES, 2015, p. 130).

56 de combater a pesca ilegal e a pirataria (MCFATE, 2014, p. 141).

Em verdade, aproximadamente dezesseis mil embarcações passam por ano no Golfo de Aden, transportando petróleo do Oriente Médio e produtos asiáticos e europeus em direção à América do Norte. Em meio ao cenário de falência governamental, a pirataria começou a florescer na região do Chifre da África, registrando-se, desde 2005, sequestros de embarcações comerciais e de seus tripulantes. A pirataria no Golfo de Aden tem custado ao mundo dezoito bilhões de dólares por ano, de acordo com o Banco Mundial (MCFATE, 2014, p. 137). Estatísticas do Bureau Marítimo Internacional apontam que, em 2007, dos duzentos e sessenta e três ataques piratas registrados em todo o mundo, treze aconteceram no Golfo de Aden, e trinta e um, na costa da Somália; em 2008, duzentos e noventa e três ataques ocorreram em todo o mundo, sendo noventa e dois no Golfo e dezenove na costa somali; dos quatrocentos e seis casos mundiais em 2009, cento e dezesseis ocorreram no Golfo de Aden e oitenta na costa somali (RONZITTI, 2011, p. 37).

Figura 3 - Mapa do Golfo de Aden.

57 O problema de segurança na região somali decorre do inexistente patrulhamento das águas, impedindo socorro imediato às embarcações atacadas, além de ensejar uma sensação de insegurança permanente. A fim de suprir tais carências, empresas têm sido contratadas diretamente, para prover “segurança embarcada” – em geral, uma equipe privativa de “marines”, para acompanhar a tripulação. Uma das empresas de segurança marítima, Typhon, possui navios próprios, capazes de escoltar todas as embarcações interessadas durante toda a sua travessia, criando uma zona de segurança dos piratas em um raio de um quilômetro, equipada com radares e “drones” (MCFATE, 2014, p. 138-140). Muitas companhias permanecem de prontidão nos principais portos da região, para auxiliar navios eventualmente atacados, enquanto a busca de piratas e o policiamento de rotas marítimas constituem serviços oferecidos por outras firmas (RONZITTI, 2011, p. 38-40).