4.4. Ampirik Bulgular: Türkiye İmalat Sanayinin AB-15 Piyasasında ki Rekabet
4.4.4. Çeşitli Mamül Eşya
4.4.4.2. Çeşitli Mamul Eşya Sektörü için Hesaplanan Balassa Endeksi
Afirmar o fim do Estado diante do poder ubíquo das corporações pode soar apressado118, contudo é certo que atualmente as empresas transnacionais, se não são mais poderosas que alguns países centrais, superam diversos países menos desenvolvidos em arrecadação, em mão de obra e em número de pessoas impactadas por suas decisões. Após uma longa marcha, culminando na criação das Nações Unidas em 1945, o qual garantisse a observância de padrões de direitos humanos por todos os Estados, sem relativização diante de sua soberania, o início do século XXI assiste à expansão de burocracias privadas que ignoram fronteiras e não se percebem como vinculadas aos mesmos compromissos com garantias individuais e coletivas. A reflexão sobre as obrigações das corporações quanto ao respeito e à promoção de direitos humanos é uma questão
118“Na década de 1990, tanto a esquerda quanto a direita achavam que a globalização restringiria o Estado: Bill Clinton profetizou que a era dos grandes governos chegara ao fim. Na verdade, o Leviatã tinha apenas parado para respirar. Pouco tempo depois, o Estado retomaria seu crescimento. George W. Bush aumentou o tamanho do governo americano mais do que qualquer outro presidente desde Lyndon Johnson e a globalização intensificou o anseio de muitos por uma rede de segurança. Mesmo considerando seus retrocessos recentes, o Estado ocidental moderno é mais poderoso que qualquer outro na história e muito mais robusto, de longe, que qualquer empresa privada. O Walmart talvez disponha da mais eficiente cadeia de fornecimento do mundo, mas não tem respaldo legal para tributar e aprisionar cidadãos – nem para interceptar suas conversas telefônicas. O Estado moderno é capaz de matar pessoas do outro lado do mundo ao toque de um botão – e de assistir à cena em tempo real” (MICKLETHWAIT, WOOLDRIDGE, 2015, p. 19).
68 política do tempo atual (BILCHITZ, DEVA, 2013, p. 3).
No contexto da responsabilidade corporativa, despontam os princípios conhecidos como “Proteger, Respeitar e Remediar”, para os quais cabe ao Estado proteger os cidadãos de violações de direitos humanos, incumbindo, por outro lado, às corporações respeitar e proteger os DDHH; o lema ressalta, por fim, a necessidade de garantir o acesso a remédios, inclusive judiciais, para quem haja sofrido abusos em seus direitos (MACLEOD, 2011, p. 347). Os princípios, lançados, em 2008, por John Ruggie, austríaco que leciona na Universidade de Harvard e, à época, era Representante Especial do Secretário-Geral da ONU Para Empresas e Direitos Humanos, são apoiados textualmente pelo ICoC (CONFEDERAÇÃO, 2010, p. 3).
Por outro lado, os Princípios Condutores Sobre Empresas e Direitos Humanos foram endossados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, em 2011, cuja Resolução 17/4 enfatizou a relevância dos diálogos “multistakeholder” (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES, 2011, p. 2), ou seja, envolvendo as empresas, os Estados e setores da sociedade civil. Essa perspectiva foi concretizada na redação do ICoC e na constituição da associação multilateral que o supervisiona, conforme será tratado adiante.
Por outro lado, o Pacto Global da ONU, anunciado pelo Secretário-Geral Kofi Annan em 1999, no Fórum Econômico Mundial, e lançado oficialmente em 2000, com um acréscimo substancial em 2004, elenca dez princípios em três focos – direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção –, a fim de engajar empresas e outras entidades no respeito a padrões já consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Declaração da Organização Internacional do Trabalho Sobre Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, na Declaração do Rio Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e na Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção. Embora bem recebida pelas corporações, o Pacto foi criticado por entidades de direitos humanos devido à sua vagueza (BILCHITZ, DEVA, 2013, p. 7; ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES, 2014).
O debate nas Nações Unidas, sobre empresas e direitos humanos, o qual frutificou apenas nos anos 2000, iniciou, em verdade, no início dos anos 1970, quando o Conselho Econômico e Social da ONU solicitou ao Secretário-Geral a formação de um grupo de especialistas, para discutir o impacto das empresas transnacionais no processo de desenvolvimento. Houve tentativas de criar um código de conduta, mas as negociações entre Estados desenvolvidos e em desenvolvimento sobre o teor das responsabilidades e dos direitos
69 das empresas, interessadas em expandir-se em mercados emergentes, não alcançaram resultado. Essa fase inicial, caracterizada pelo protagonismo dos Estados nas discussões, encerrou no começo dos anos 1990, sem chegar a um consenso (BILCHITZ, DEVA, 2013, p. 5).
Bilchitz e Deva (2013, p. 7-8), que editaram manual sobre o tema, ainda identificam duas etapas no debate sobre empresas e direitos humanos na ONU. A segunda fase, iniciada em 1998 e encerrada em 2005, foi provocada por um grupo de estudiosos vinculado à Comissão de Direitos Humanos119, e os documentos nela produzidos tiveram pouca projeção fora dos debates internos da ONU, embora, nas discussões, tenham participado, de forma crescente, atores não- estatais como ONGs e mesmo algumas empresas transnacionais. Ademais, com o crescimento de tratados internacionais de investimentos bilaterais e a criação da Organização Mundial do Comércio, em 1995, o foco da segunda fase nos direitos das corporações foi reduzido, já que elas passaram a se articular com seus Estados de origem na concretização de suas prerrogativas em mercados emergentes. O mérito dessa fase, porém, foi listar os deveres das corporações quanto aos direitos humanos.
Por fim, em julho de 2005, o professor John Ruggie foi nomeado Representante Especial do Secretário-Geral da ONU Para Empresas e Direitos Humanos. Devido à ativa participação de Ruggie em conferências e uma série intensa de consultas entre corporações, ONGs e especialistas no tema, a terceira fase marca sua grande diferença em relação à abordagem primordialmente estatal nas décadas de 1970 a 1990. Com um autodeclarado “pragmatismo de princípios”, o legado de Ruggie desfrutou o consenso das Nações Unidas, porém é composto de instrumentos de adesão voluntária (BILCHITZ, DEVA, 2013, p. 8-10).
Em verdade, considerando que, no âmbito internacional, inexistem documentos vinculantes acerca das obrigações corporativas em relação aos direitos humanos, multiplicaram- se, nos últimos anos, códigos de conduta voluntários – além daqueles elaborados pela ONU, também textos produzidos pelas próprias empresas. Diante da necessidade de asseverar a adesão empresarial a padrões mínimos em suas atividades transnacionais, o debate jurídico tem acompanhado tais iniciativas à luz de experiências que nasceram no âmbito nacional, como o constitucionalismo. As diferentes posturas da literatura em relação à valoração e à valorização dos códigos de conduta corporativos serão tratadas nos tópicos seguintes.
119 Em 2006, a Comissão de Direitos Humanos foi substituída pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
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