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BÖLÜM 2: TÜRKİYE’DE POLİSLERİN ÇALIŞMA KOŞULLARI

2.4. İmaj Sorunu

Segundo Loureiro (1988, p. 35),

[...] o sul de Goiás39 adquire, então, um novo significado estratégico para a

reprodução do capital. Além de fornecer alimento a baixo custo para a reprodução da força de trabalho da indústria e do café, transforma-se ainda em fornecedor de matérias-primas para as indústrias alimentícias de São Paulo que, no recenseamento de 1920, ocupam o primeiro lugar na produção industrial.

O sudeste goiano vivencia no período entre guerras um movimento de expansão e apogeu econômico e social, motivado pelos processos migratórios, pelo incremento da produção na agricultura e pecuária e aumento do comércio com outros estados brasileiros. Inversamente, com a marcha para o oeste incentivada pelo governo Vargas, o sudeste goiano sofre uma estagnação, visto que o eldorado dos investimentos passa a ser outras regiões situadas no mato-grosso e centro-oeste do estado de Goiás, nas localidades mais próximas da nova capital (LOUREIRO, 1988).

Ao chegarem da América os franciscanos, de imediato, assumem paróquias em três cidades do sudeste goiano: Catalão, Goiandira e Pires do Rio, sendo que as vias de acesso eram facilitadas pelo transporte ferroviário e pela existência de estradas para automóveis.

Quanto à atuação dos franciscanos no campo da educação, Wyse (1989) descreve que esse processo ocorreu observando aspectos e condições específicas de cada paróquia. Em alguns casos os frades americanos assumiram escolas primárias ou ginásios já existentes na cidade, vila ou colônia agrícola; em outros, de posse de um terreno adequado, ergueram os prédios escolares para em seguida implantarem os cursos que se faziam necessários no lugar.

Wyse (1989) sinaliza o ideal franciscano de evangelizar atuando no campo da educação, manifesto desde o início da missão:

Tanto na sua correspondência, quanto na sua primeira visita no final de 44, Padre Campbell mostrou grande interesse em promover escolas paroquiais. Impelidos pelo enorme desafio da evangelização nos vastos territórios a eles confiados, e olhando para os outros gigantescos campos que constantemente vinham sendo oferecidos ao seu zelo. [...]

No entender dos frades – eles mesmos fruto de escolas católicas, desde os dias do ABC – o melhor instrumento para firmar o lugar da religião nos lares de nas famílias sob seus cuidados, haveria de ser a escola paroquial. Esse modo de pensar dos frades achou forte apoio no pensamento do Provincial, educador que era (WYSE, 1989, p. 85).

Isso encontrava correspondente nos interesses educacionais do então Arcebispo Dom Emanuel que, embora tivesse suas expectativas centradas em cursos de nível superior,

39 O que esta autora chama de sul de Goiás, na verdade trata-se do sudeste goiano. Ela se refere à Região da

Estrada de Ferro, que inclui desde a divisa de Minas Gerais e Goiás, passando pelas cidades de Catalão, Goiandira, Ipameri até Pires do Rio.

não apresentava oposição ao ensino primário proposto pelos franciscanos americanos. Contudo, havia um problema estrutural a ser superado, além do domínio da língua, encontrar religiosas/educadoras que pudessem apoiar o trabalho nas escolas paroquiais. Segundo Wyse (1989, p. 86), o provincial (Frei Paulo Seilbert) foi orientado a “buscar religiosas americanas – mais acostumadas a escolas desse tipo, mais conhecedoras da especificidade que se pretendia dar às escolas em projeto”.

Esse propósito instigou os frades americanos, depois de se estabelecerem no estado, a recorrerem às Irmãs Franciscanas de Allegany (no Estado de Nova Iorque) “com a finalidade expressa de dirigir escolas primárias ligadas às paróquias franciscanas em Goiás”, (WYSE, 1989, p. 87), no que foram atendidos com a vinda da Congregação para o Brasil na segunda metade da década de quarenta (entre 1946 e 1947).

Em Alves, Oliveira & Tavares (2003)40 há o relato de uma irmã ao chegar em Goiás para trabalhar em educação junto aos frades franciscanos:

[...] há grandes necessidades de escola primárias no Brasil, especialmente para meninos, a maioria que está nas ruas vivendo sem nada somente com o que recebem ali. [...] Foram de trem para Pires do Rio [...] a Igreja e o Colégio ainda estavam em construção [...] ‘Ninguém poderia subestimar o trabalho que tem de ser feito no Brasil. Imagino que o futuro da Igreja na América do Sul depende grandemente disto, o estado de carência é inacreditável’ (ALVES; OLIVEIRA; TAVARES, 2003, p. 30).

Em outro ponto do relato a mesma irmã assim descreve o início do

funcionamento do Colégio em Pires do Rio41, em 1946: “[...] Todas as manhãs o trem pegava os alunos da zona rural, ao longo da estrada de ferro, para levá-los à escola. Alguns com 14 anos, nunca tinham freqüentado uma escola, mal sabiam segurar um lápis” (ALVES; OLIVEIRA; TAVARES, 2003, p. 30). É neste processo, permeado por inúmeras dificuldades, que se consolida a ação educacional dos franciscanos em terras goianas, em particular no sudeste do Estado.

Este era o desenho do contexto onde as irmãs iriam atuar e construir a sua obra catequética e educativa. Logo nos primeiros momentos os contrastes já se faziam visíveis. Além das dificuldades próprias da adaptação em um novo lugar, as primeiras irmãs estariam expostas a situações inusitadas. Descobrir e dominar esse espaço, transpor as dificuldades seria preciso para que se cumprissem os fins e objetivos do projeto missionário franciscanos.

40 Equipe responsável pelo primeiro documentário biográfico da trajetória das Irmãs Franciscanas de Allegany

no Brasil: ALVES Cleusa, OLIVEIRA, Guiomar & TAVARES, das Graças, (orgs.) Amor, Serviço, Doação – Irmãs Franciscanas de Allegany Brasil. Goiânia: Deescubra, 2003.

41 A instalação da congregação em Pires do Rio é considerada pelas irmãs franciscanas de Allegany como a

‘missão-mãe’ no Brasil, a partir da qual a ordem se expandiu para outras localidades de Goiás e para outros estados nas décadas posteriores.

No caso das Irmãs, contariam com o apoio dos Frades no favorecimento das instalações e na abertura dos caminhos, pois assumiram as paróquias antes delas.

Os dados numéricos indicam a presença das escolas franciscanas nas mais diferentes regiões do grande território goiano. Na medida em que os frades fechavam acordo com os prelados para assumirem paróquias, de imediato já era providenciada a estrutura mínima para que as ações educativas também fossem iniciadas. As distinções de cursos e modalidades de instrução oferecidas variavam de acordo com as maiores demandas do lugar, conforme pode ser observado no quadro a seguir neste quadro de demonstra um verdadeiro predomínio da escolarização franciscana nas diferentes regiões do Estado.

Instituições escolares mantidas pelos franciscanos: localidade e ano de criação

Cidade42 Instituição Escolar Fundação

Anápolis Escola Primária, Ginásio São Francisco, Curso Normal

1945/1946/ 1948

Araguacema Escola Primária, Ginásio e Normal 1960/1962/

1968/1969

Brasília-DF Escola Primária e Ginásio 1961

Catalão Ginásio e Escola Primária 1944/1949

Ceres Escola Primária, Ginásio e Normal 1947/1950/

1951/1952 Cristalândia Escola Primária, Ginásio e Normal 1957/1958/ 1959/1964 Goiandira Escola Primária Santa Maria Goretti e Ginásio

Dom Emanuel

1948/1950/ 1952 Pires do Rio Escola Primária, Ginásio e Normal. 1946/1949

Porangatu Escola Primária, Escola Primária Noturna e Ginásio

1958/1959/ 1967 São Miguel do

Araguaia.

Escola Primária 1962/1971

Quadro 2.2.3 - Instituições escolares mantidas pelos franciscanos: localidade e ano de criação Fonte: Arquivos da Província do Ssmo. Nome de Jesus no Brasil/Anápolis-GO/2005

Ressalto, a partir do demonstrativo deste quadro, haver uma mobilidade nas datas de instalação das escolas e cursos ofertados, no que se refere ao início dos trabalhos catequéticos e educativos nas diferentes localidades. Isso se explica pelo formato de implantatação destas escolas pelos frades. O caráter de urgência com que as diferentes ações de catequese e instrução eram instaladas nas paróquias, em geral ocasionou o registro de várias datas para marcar a existência da Escola Paroquial tão logo os frades assumem uma paróquia ou alguma prelazia. Inicialmente localizada em espaços alugados, adaptados ou

42 Nesta época o território goiano ainda não tinha sido dividido para a criação do Estado do Tocantins, criado por

improvisados, contando, inclusive, com o apoio de autoridades e pessoas locais, as atividades educativas e catequéticas eram iniciadas. Na medida em que eram criadas melhores condições para serem instaladas em espaços definitivos, adequados ao funcionamento escolar, registrava-se uma data para demarcar uma nova fase da presença institucional da obra missionária franciscana. Este esforço de criação das salas de aula, torna-se o embrião das escolas paroquiais. Semelhante processo é verificado com a chegada das irmãs franciscanas de Allegany que, ao assumirem as escolas, imprimem novos traços, definem novas direções à instituição escolar, orientada para a ação catequética e educativa.

2.3 As Escolas Paroquiais no Sudeste Goiano

A escolha de três escolas paroquiais situadas na mesma micro-região geográfica não foi aleatória. Em duas localidades, Catalão e Pires do Rio, foram às primeiras instituições escolares fundadas pelos franciscanos em Goiás. O início da ação educativa teve encaminhamentos distintos, conforme as particularidades de cada cidade onde se instalaram. Em Goiandira, a instalação dos franciscanos ocorreu posteriormente, após 1948, herdando uma estrutura mínima já existente sob o comando dos padres seculares.

Uma primeira análise da disposição panóptica, pode ser feita a partir dos elementos estruturais comuns às três escolas: são espaços amplos que indicam a previsão de uma obra educacional grandiosa, projetada para além da sua época. Se fosse comparar, pela observação empírica, o tamanho das áreas construídas pelos frades com outras escolas existentes nas três cidades, é possível verificar, de imediato, a distinção das escolas paroquiais franciscanas pelo tamanho físico e a distribuição interna dos espaços. Há, concretamente, um investimento significativo na organização da estrutura física destas escolas43.

Outro aspecto que merece ser realçado diz respeito à organização administrativa destas instituições. Os frades menores são os primeiros a chegar em terras goianas. Sob a administração destes ficaram todos os empreendimentos estruturais e físicos, desde a construção dos conventos, igrejas (Matriz e capelas) e escolas. Em relação às escolas, o pároco (vigário) era designado oficialmente o diretor da escola, enquanto às irmãs era atribuída a organização pedagógica e a condução da instrução primária em todos os aspectos.

43 Nos primeiros tempos houve pelo menos duas formas de financiar a estrutura física e material da obra

missionária. A primeira foi a criação de um fundo missionário no qual beneméritos americanos contribuíam com doações em dinheiro convertidas em obras e destinadas às missões no Brasil. Posteriormente passaram a buscar a subvenção do Estado através da celebração de convênios que possibilitavam a aquisição de recursos públicos.

Nestas instituições escolares havia em comum a implantação da instrução primária, seguida da instalação do Curso Ginasial. Já o Curso Normal não se instalou em todas as cidades, apenas em alguns lugares considerados estratégicos, como o caso de Pires do Rio.

Um traço comum era a existência, no mesmo espaço físico, de dois cursos de natureza diferenciada, destinado à clientela igualmente distinta. Exemplo disso pode ser encontrado na primeira escola paroquial, fundada em Catalão. Por ser tratar de uma instituição fisicamente pré-existente, os frades colocaram em prática as atividades educativas sem a presença das irmãs franciscanas de Allegany.

O pároco assumiu a direção e a organização do curso ginasial para rapazes, enquanto a escola primária teve início com a colaboração de professores leigos da cidade, além do apoio pedagógico das irmãs agostinianas, cuja ordem já atuava na formação de normalistas em Catalão desde a década de 1920. O funcionamento de ambos os cursos ocorria em horários diferenciados (matutino e vespertino), sendo que, em algumas épocas, também se organizavam cursos de alfabetização de adultos (pobres) no período noturno.

No caso de Pires do Rio e Goiandira, além da construção física, os frades já projetaram as ações educativas, contando com o apoio pedagógico e organizacional das irmãs de Allegany. Mesmo nestes casos, mantém-se o formato de a direção geral ficar sob a responsabilidade do pároco local.

De um modo geral, pode se afirmar que, em todas estas cidades, as instituições escolares franciscanas foram concebidas e projetadas para abrigar não apenas a instrução primária, mas também o curso ginasial, enquanto que o curso normal ficou circunscrito a algumas localidades, ou seja, não foi instalado em todas. Isto se justifica porque a destinação deste curso dependia das condições da cidade e da região. Em Catalão e em Goiandira, este nível de formação já era oferecido pelas Irmãs Agostinianas, através do Colégio Nossa Senhora Mãe de Deus, de Catalão. Em Pires do Rio, organizou-se o funcionamento do Curso Normal, a partir de 1949, porque lá não havia outra instituição que o oferecesse.

Um dado interessante, considerado o discurso da escassez de recursos e as condições precárias de cada localidade, é a relativa rapidez com que as obras físicas são erguidas e colocadas em funcionamento. Num espaço inferior a cinco anos, a contar da chegada das duas congregações no Brasil, a maioria das edificações foram feitas e postas em funcionamento, principalmente no que se refere às escolas paroquiais. O mesmo se verifica em relação às igrejas e conventos. Havia uma urgência em criar as condições mínimas para o funcionamento da missão franciscana e abrigar dignamente os representantes das ordens.

Quanto à manutenção das escolas, há um dado comum no sudeste goiano. As escolas paroquiais funcionaram com subvenção particular (as famílias pagam), com apoio financeiro da ordem franciscana, vindo dos E.U.A. e o provimento de recursos públicos do Estado e dos municípios, mediante acordos e solicitações.

1940 1950 Localidades RURAL URBANA Localidades RURAL URBANA Catalão 24.438 3.366 Catalão 11.429 3.571 Goiandira 3.427 970 Goiandira 3.733 3.764

Nova Aurora 1.593 454 Nova Aurora 1.805 412

Cumari 2.298 706 Cumari 5.189 786 Anhanguera - - Anhanguera - - Ouvidor - - Ouvidor 3.049 391 Três Ranchos - - Três Ranchos 2.655 580 Campo Alegre de Goiás 3.798 131 Campo Alegre de Goiás 4.225 228 Santo Antônio do Rio Verde 4.482 214 Santo Antônio do Rio Verde 6.067 166 Ipameri 7.972 6.371 Ipameri 6.735 6.667

Pires do Rio 6.630 2.086 Pires do Rio 6.904 3.763

Santa Cruz 3.098 539 Santa Cruz 3.176 520

Palmelo Palmelo

Vianópolis 1.252 757 Vianópolis 4.413 1.438

Orizona 9.608 883 Orizona 9.730 998

Anápolis 15.868 7.362 Anápolis 10.558 12.777

Quadro 2.3 - População rural e urbana dos censos 1940 e 1950 Fonte: IBGE/ DADOS DOS CENSOS DE 1940 e 1950.

As localidades de Ouvidor e Três Ranchos possuíam os dados populacionais em conjunto com Catalão no Censo de 1940.

O mesmo se refere à região de Anhanguera, cujos dados populacionais estavam vinculados ao município de Cumari nos Censos de 1940 e 1950. Palmelo pertencia à jurisdição de Santa Cruz de Goiás, nos Censos de 1940 e 1950, por isso os dados também em conjunto.

Algo que chama a atenção quando se observa a dinâmica dos dados dos municípios com exceção de Anápolis, no decorrer das duas décadas e com população predominantemente rural. Quando comparados os dados dos censos, percebe-se decréscimo populacional de alguns municípios. No caso de Catalão, justifica-se pela divisão dos dados populacionais de alguns distritos – situação de Ouvidor e Três Ranchos, os quais no censo de

1940 estavam vinculados à cidade de Catalão (sede de Comarca) e no censo seguinte (1950) foram registrados e contabilizados para cada localidade. Vale ressaltar, contudo, que mesmo considerando essa “distribuição” dos dados populacionais com os municípios e distritos criados, há um relativo decréscimo na população de Catalão em 1950, principalmente a rural, enquanto na urbana, a variação é pequena.

Para o município de Anápolis ao comparar os dois censos, a mudança mais visível, em termos quantitativos foi a população rural apresentar decréscimo em contraposição ao contingente urbano que por, conseqüência aumentou. Nota-se que em 1940, o município acompanhou a tendência dos demais ao apresentar a predominância de população rural. No censo de 1950 a situação quase é invertida, ou seja, o crescimento da população urbana foi vertiginoso, enquanto a rural apresentou uma queda proporcional ao aumento da população urbana.

No caso de Pires do Rio, verifiquei que a população rural manteve o mesmo patamar nos dois censos, com um discreto aumento em 1950, enquanto a população urbana quase dobrou em quantidade. Comparativamente, posso dizer que a população rural de Pires do Rio manteve inalterada e a população urbana passou por um considerável inchaço no intervalo das duas décadas. Possivelmente a explicação para esse fenômeno esteja na presença na cidade da linha férrea, cuja estação funcionava como entreposto comercial, sendo atrativo de negócios e de pessoas. Consta no mesmo período a chegada de famílias imigrantes vindas de várias partes do oriente médio em busca de oportunidades.

Nas localidades menores, a novidade das décadas de 1940 e 1950 foi à transformação de muitos vilarejos e povoados em cidades emancipadas, adquirindo autonomia administrativa ou transformadas em distritos. Ouvidor, Três Ranchos, Goiandira, Cumari e Nova Aurora são alguns exemplos. Contudo, conforme é possível observar, a mudança na situação legislativa não provocou grandes variações nos dados populacionais destes municípios e distritos. Mantiveram a mesma regularidade no número de habitantes tanto rurais quanto urbanos.

Mapa 2.3 – Local de chegada dos franciscanos em Goiás (1944)