BÖLÜM 3: ARAŞTIRMANIN ÇERÇEVESİ
3.5. Araştırmanın Bulguları ve Değerlendirilmesi
3.5.4. Örgütlenme
Nesse contexto, os frades, tendo instalado as paróquias, os conventos e escolas nas sedes de comarcas (Catalão, Pires do Rio e Anápolis), estendiam a todas as localidades o atendimento pastoral e espiritual, vencendo longas jornadas a cada visita realizada. A diversidade de lugares e as distâncias percorridas tornavam os frades dependentes do apoio de pessoas dispostas a acompanhá-los e quase sempre ajudá-los nas atividades catequéticas e missionárias. Conforme encontrei em diferentes relatos, o planejamento e a execução de uma viagem dos frades para determinada região, capela ou distrito não se realizava de forma simples, por vezes duravam semanas, dependendo do percurso a ser atendido. Pelo exposto, a regularidade do atendimento espiritual às comunidades variava de acordo com as distâncias e as condições de acesso. Em alguns casos a presença do frade ficava limitada a uma ou duas vezes ao ano, enquanto em outras já se realizava com freqüência mensal ou bimestral. Nas sedes das paróquias e nas capelas mais próximas, o atendimento paroquial se fazia diário ou semanal, o mesmo ocorrendo em relação ao acompanhamento do ensino religioso nas escolas públicas.
2.3.1 Catalão – Escola Paroquial São Bernardino de Siena (1948)
Em Catalão (1944) os frades montaram a estrutura escolar através da aquisição de uma escola já existente, cujo terreno e estrutura física despertaram o interesse e foram negociados com a ordem religiosa pela proximidade da sede do Convento e do espaço onde seria construída a matriz.
A primeira escola paroquial instalada pelos franciscanos em Goiás teve o mérito de aglutinar na sua estrutura organizacional cursos distintos para meninos, meninas e turmas mistas. Com o apoio de professores e professoras leigas da cidade, os frades iniciaram as ações educativas oferecendo a instrução primária, o curso ginasial e a alfabetização de adultos.
Foto 2.3.1 - Escola São Bernardino de Siena Fonte: Arquivo da Escola
Oficialmente a Escola Paroquial em Catalão foi reconhecida em data posterior. Isso se explica pela existência de várias iniciativas envolvendo a instalação de salas avulsas, que os frades já identificavam como a futura escola paroquial, a instalação de diversos cursos, também de caráter provisório, além das salas de catequese. No empenho de demarcar o território catequético e educacional, os diversos formatos instalados desde 1944, ano da chegada dos frades, já se constituíam em escola paroquial. Contudo, segundo Coelho, formalmente, a instituição passa a existir em data posterior.
A Escola Paroquial São Bernardino de Siena fundada pelos Frades Franciscanos em um mil novecentos e quarenta e oito (1948) foi dirigida pelas Irmãs Franciscanas de Allegany de um mil novecentos e cinqüenta e quatro (1954) a um mil novecentos e setenta (1970).
O prédio foi construído algum tempo antes para o curso ginasial e abrigava também alunos internos. Quando os Frades compraram o prédio usaram-no também para o curso ginasial que funcionou muitos anos (COELHO, 1972, p. 72).
Concretamente os frades contaram com o apoio de professoras leigas no acompanhamento das atividades de catequese na Paróquia de Catalão e na condução das atividades educativas do curso primário nos primeiros anos de funcionamento. Somente a partir de 1954 as Irmãs Franciscanas de Allegany assumem a instituição.
Cabe uma ressalva sobre a ordem de institucionalização formal dos cursos em Catalão. Por meio da compra de um prédio escolar onde funcionava o Curso Ginasial para meninos, os frades oficializavam primeiro esse nível de ensino, pois já dispunham, de imediato, de estrutura e clientela para esse fim. Paralelamente, começaram a abrigar no
mesmo prédio, em horários diferenciados, as atividades avulsas de catequese e instrução primária, que já funcionavam em outros espaços. Neste sentido, o curso primário foi oficializado em momento posterior ao do curso ginasial.
Escassos e fragmentados são os registros e os documentos destes primeiros tempos, salvo algumas imagens e fotografias. Nesta pesquisa, a confirmação das informações mais específicas somente foi possível através do depoimento de ex-alunos da época e do relato de algumas irmãs que atuaram na instituição, primeiro na condição de postulantes, depois como noviças e professoras.
O registro formal de alunos, contrato de professores e outros indícios estão arquivados na escola e tratam de um período posterior, do final da década de quarenta (mais precisamente a partir de 1948).
Em termos financeiros, esta escola contou, ao longo de sua existência, com recursos particulares (mensalidades), subvenção do comissariado franciscano e pública, vinda de recursos do governo, através da celebração de diferentes convênios.
2.3.2 Goiandira – Escola Paroquial Santa Maria Goretti (1948)
Em Goiandira (1948), a construção dos prédios foi igualmente realizada pelos franciscanos, observando a mesma concepção de proximidade. A igreja, o convento e a escola compõem o mesmo conjunto arquitetônico do espaço destinado à ordem.
A Escola Paroquial em Goiandira teve o seu funcionamento estruturado inicialmente pelos Frades, desde a sua chegada na cidade em 1948. Novamente se verifica a duplicidade de datas referentes à instalação oficial da escola e às salas avulsas, criadas pelos frades em locais improvisados. Enquanto para os frades, as primeiras salas catequéticas já podiam ser identificadas como escola paroquial, para as irmãs, a existência formal é o marco de criação da escola. Na dúvida, fizemos referências a ambos os procedimentos.
Foto 2.3.2 – Escola Paroquial Santa Maria Goretti Fonte: Arquivo pessoal
A orientação pedagógica das irmãs de Allegany passa a ser efetivada a partir da inauguração do prédio oficial em 1952. Por ser a menor cidade das três, a obra franciscana se destacada pelo tamanho e projeção. Sua existência tem início no mesmo formato das demais, sendo que a prioridade da ação educativa ficou para a instrução primária, iniciando-se por grandes turmas de alfabetização.
A Escola Paroquial Santa Maria Goretti fundada pelos Frades Franciscanos em um mil novecentos e cinqüenta (1950) foi dirigida por Frei Domingos Foley até o ano de um mil novecentos e cinquenta e dois (1952). Coube às Irmãs Franciscanas de Allegany dirigir a Escola a partir de um mil novecentos e cinquenta e três (1953) a um mil novecentos e sessenta e nove (1969) quando então a família franciscana deixou a cidade para atender necessidades de outros lugares, ficando a Paróquia e a Escola entregues aos Padres Seculares (COELHO, 1972, p. 69).
De acordo com irmã Nancy, a Escola Paroquial Santa Maria Goretti funcionava no mesmo prédio do Colégio Dom Emmanuel em turnos diferenciados, mas mantinha separada a estrutura administrativa.
Em termos financeiros, durante o período de funcionamento, contou com a subvenção do comissariado franciscano e pública, através de recursos do governo. A celebração de diferentes convênios em geral era realizada pelos párocos e ministros provinciais das respectivas ordens religiosas. Nos primeiros tempos a contribuição particular era voluntária devido às condições das famílias locais.
Com a saída dos frades franciscanos da cidade, a obra educacional continuou sob a responsabilidade dos padres seculares e de irmãs de outras congregações. Nas últimas décadas, antes de ser fechada, o comando da escola paroquial era por professores leigos e a manutenção era garantida através do convênio com o Estado.
2.3.3 Pires do Rio – Escola Paroquial Sagrado Coração de Jesus (1946)
Em Pires do Rio (1946) a estrutura física foi erguida, ao mesmo tempo, matriz e escola paroquial, na mesma área adquirida pelos frades para tal finalidade, sendo que, neste caso, já tinha como certa a vinda das irmãs franciscanas de Allegany para conduzir as escolas paroquiais. A obra educativa da Escola Paroquial em Pires do Rio foi idealizada para constituir-se no carro chefe da missão franciscana em Goiás. Localidade para onde se dirigiram as irmãs franciscanas de Allegany quando chegaram ao Brasil.
Em princípio tinha-se a proposta de instalar em Pires do Rio a sede da ordem de Allegany em Goiás. Era lá o endereço oficial das correspondências e contatos. Tal intenção pode ser verificada na projeção da obra física edificada na cidade.
Foto 2.3.3 – Escola Paroquial Sagrado Coração de Jesus Fonte: Anais da Província
Entretanto, devido à instalação do comissariado dos frades menores em Anápolis, aliada à possibilidade de aquisição de uma área física muito maior, a ampliação do trabalho missionário para a área da saúde, dentre outros fatores, a sede geral das irmãs em Nova York definiu por instalar também a sede em Anápolis.
Em produção monográfica de Coelho (1972), encontramos os seguintes dados de registro das Escolas:
O Ginásio Sagrado Coração de Jesus foi fundado em um mil novecentos e quarenta e oito (1948) por autorização do Departamento de Ensino Secundário do Ministério da Educação e Saúde, entrou em funcionamento a vinte e cinco de fevereiro de um mil novecentos e quarenta e nove (25/02/1949) (COELHO, 1972, p. 58).
Em relação à existência institucional da Escola Normal, verifiquei que:
A Escola Normal Sagrado Coração de Jesus, fundada também pelos Frades Franciscanos e de acordo com o Decreto do Governador do Estado de Goiás em trinta e um de março de um mil novecentos e cinquenta (31/03/1950) (D.O. 6.145 de 12 (doze) de abril de um mil novecentos e cinquenta (12/04/1950). Madre Mariana Mc. Kinley dirigiu o Curso Normal desde a fundação até um mil novecentos e cinqüenta e três (1953). No ano seguinte a diretoria dos cursos Normal e Ginasial foi unificada e o Estabelecimento passou a ser denominado Ginásio e Escola Normal Sagrado Coração de Jesus (COELHO, 1972, p. 58-59).
Sobre a Escola Paroquial Sagrado Coração de Jesus, de Pires do Rio, os poucos registros localizados informam que:
A Escola Paroquial Sagrado Coração de Jesus, fundada em um mil novecentos e quarenta e seis (1946) foi registrada a três de novembro de um mil novecentos e setenta e um (03/11/1971). Conforme consta no Histórico desde trabalho a Escola Paroquial Sagrado Coração de Jesus foi construída e aberta pelos Frades Franciscanos (COELHO, 1972, p. 64).
À época Irmã Nancy Coelho (1972) verificou que a escola dispunha de oitos salas de aulas, instalações sanitárias, água tratada e pátios para atividades recreativas, convivência e práticas desportivas pelos alunos, mas constatou que o material didático era limitado e escasso.
Dos registros e documentos dos primeiros tempos, nada se conservou, em décadas anteriores foi realizada uma verdadeira assepsia nos vestígios históricos. Tudo foi submetido a uma faxina, descartado e jogado fora, inclusive quadros de fotografias de alunos concluintes. No arquivo escolar encontram-se os livros de registros de alunos, nada mais. Em decorrência destas dificuldades, surgiu a necessidade de recorrer a ex-alunos da época e a algumas irmãs que ingressaram na ordem nos primeiros tempos e atuaram como professoras
nas escolas primárias do sudeste goiano em diferentes décadas, para confirmar dados parciais obtidos nas fontes e registros.
Quadro 2.3.3 – Fundação das Missões Franciscanas em Goiás Fonte: COELHO, 1972.
2.4 Possíveis leituras e aproximações entre Estado e Igreja
Considerando o exposto sobre a educação goiana no período anterior à chegada das congregações franciscanas e sobre a caracterização do contexto em as escolas paroquiais foram instituídas, vislumbrei algumas questões e reflexões que permitem tecer o fio condutor desta pesquisa, realçando alguns aspectos que potencializam o objeto investigado.
Primeiro, há um esforço de modernização de métodos e processos pedagógicos, expressos na Reforma do Ensino efetivada em 1930, durante o governo oligárquico. Ainda que as propostas preconizadas na Reforma não tenham sido universalizadas nos termos do ideário pedagógico moderno, o espírito da renovação já se fazia presente nos programas, regulamentos e instruções normativas da instrução pública. Logo a possibilidade de vivências ecléticas na educação goiana, seja nas concepções, seja nas apropriações práticas já estavam presentes desde então.
Segundo, a coexistência de relações e acordos entre o Estado e a Igreja, esta última representada pela hierarquia diocesana, se verifica em diversas circunstâncias, especialmente na gestão dos bispados no que se refere à destinação de espaços físicos e de recursos financeiros para o provimento de ações educacionais. Então, ainda que não houvesse
Fundação das Missões Franciscanas em Goiás
Local Frades Irmãs
Anápolis 1944 1947 Araguacema 1960 1960 Catalão 1944 1954 Ceres 1947 1950 Cristalândia 1957 1959 Goindira 1950 1952 Pires do Rio 1944 1946 Porangatu 1958 1959
uma interferência explícita na organização do currículo escolar, as negociações entre estas instituições, jamais deixaram de ser cultivadas durante o período republicano, sempre foram profícuas e compuseram um interessante capítulo sobre os acordos firmados no âmbito das dioceses e dos estados. Vale lembrar que após a instalação da República, uma forma encontrada pela Igreja para manter suas relações de poder seria sua atuação nos bastidores da política regional e estadual. Os franciscanos americanos não iriam se imiscuir de tais possibilidades, até por que, por origem, se apresentavam como lideranças mais abertas ao diálogo e à composição de parcerias mistas, envolvendo leigos e instituições na manutenção de suas obras.
Terceiro, em se tratando de missionários e missionárias, moldados pela cultura cívica e religiosa norte-americanas, seria possível considerar que, embora observassem as normas e as regras da ordem religiosa, no tocante à formação pedagógica e o preparo para as questões práticas do ensino, as Escolas Paroquiais goianas, apesar de institucionalmente ancoradas em padrões tradicionais próprios, seriam propensas à experimentação de métodos ativos, ao envolvimento e à participação dos alunos nas atividades escolares, dentre outros aspectos, tributários de métodos e práticas já em curso nos Estados Unidos. Se fosse considerar que o uso de métodos ativos já inspirava as Reformas em Goiás há mais de uma década antes da instalação das Escolas Paroquiais pelos franciscanos, não haveria nenhum estranhamento em considerar semelhantes métodos fossem incentivados no seio destas instituições. A singularidade residiria em que essas práticas fossem operadas pelas mãos de uma ordem religiosa, quando se esperaria exatamente o contrário, a efetivação de métodos, regras e disciplinas tradicionais e conservadoras, reproduzindo os cânones do convento. Em resumo, poder-se-ia considerar a disposição das religiosas franciscanas e utilizar métodos ativos no trabalho pedagógico, uma vez que, por formação, estariam sob a influência de teóricos europeus e americanos, propagadores destas orientações há mais de um século e que serviriam de suporte para a formação das irmãs professoras.
Quarto, apesar da propagada precariedade das condições sociais e econômicas da população – especialmente quando se referia às camadas mais carentes –, da precária estrutura material das escolas e da quantidade de analfabetos em Goiás, não se pode afirmar que o povo goiano seria inculto e alheio à religiosidade44. Havia uma cultura escolar em curso, a instrução pública republicana, e uma outra que chegava, se impunha e se construiria
44 A existência de poucas escolas e de ser igualmente escassa a presença do padre, ficando a educação e o culto
limitados a determinadas regiões, não significa que Goiás tivesse uma população de bárbaros. Mesmo nas limitações e na escassez, havia diferentes práticas de instrução e de manifestação religiosa.
em termos estruturais, organizacionais e práticos a partir da instalação das escolas paroquiais. Em termos religiosos, também se evidencia a presença de práticas e costumes tributários da religiosidade popular, adjetivada por Azzi & Klaus (2008) de “religiosidade luso-brasileira”. Neste sentido, tanto escolarização, quanto a religiosidade já existente não poderiam ser desconsideradas, apagadas ou tomadas como vazio cultural.
Quinto, por fim, o projeto de formação e evangelização que se inaugurou em Goiás com a chegada dos franciscanos americanos e com a criação das escolas paroquiais tiveram nuances distintas, variavam conforme a localidade na qual se instalaram, mas também imprimiram as marcas pessoais e individuais daqueles que se encontravam à frente de cada paróquia e escola paroquial. Foi possível antecipar que à frente da obra missionária franciscana, se distinguiram lideranças qualificadas como “intelectuais da igreja”45, disseminadores da Catequese e Educação? Talvez a resposta a esta indagação venha a ser demonstrada ao longo desta pesquisa por meio dos documentos empíricos. O certo é que desde os primeiros tempos, a preocupação em instalar sistemas de comunicação, à época estações de rádio (estrategicamente montadas em Anápolis, Pires do Rio e Catalão), compunha as bases do projeto missionário e sustentava as ações de fórum educativo e evangelizador. Neste aspecto já se vislumbrava o pioneirismo do empreendimento franciscano na expansão e na consolidação do seu projeto missionário.
No desenrolar da pesquisa, por meio da demonstração dos dados e das possibilidades de análise, tornei mais evidentes estes vestígios, principalmente em relação ao modelo de escola paroquial no sudeste goiano, de como a catequese e a educação foram materializadas nas práticas e vivências construídas, elaboradas e adaptadas pelas primeiras educadoras americanas.
Nos diferentes relatos são fortes os indícios do processo de romanização46 da Igreja no Brasil. Em Goiás tal propósito tornou-se ainda mais evidente ante a possibilidade de uma formação voltada para a assimilação de valores e virtudes, a obediência aos mandamentos e a freqüência ao culto litúrgico foram regulados pela Igreja institucionalizada. A participação nos sacramentos, o atendimento às regras e preceitos catequéticos propagados
45 Dentre os frades que mais se destacaram no registro do empreendimento missionário franciscano em Goiás,
indicamos Frei João Batista Vogel, principal responsável pela instalação das rádios franciscanas; Frei Antonio Kennedy Knopke, que juntamente com Frei Inácio Donohouve, foi articulador dos programas de catequese e de educação; Frei Conall O’Leary, grande incentivador das congregações femininas; Frei Alexandre Wise e Frei Edmund Fox dedicaram uma parte considerável de seu tempo no registro de aspectos da historiografia franciscana.
46 Consideramos por romanização a ação pastoral e catequética das congregações que, além combater o
protestantismo, também direciona para a formação de valores e regras às crianças, aos jovens e às famílias nos rincões de Goiás, na observância dos sacramentos e das regras doutrinárias.
pelas congregações franciscanas, os frades menores e as franciscanas de Allegany resultaram na dupla finalidade da ação missionária: catequizar e instruir.
No plano das interações sociais, vislumbrei que os franciscanos americanos, cumpririam os rituais religiosos ministrando os sacramentos e presidindo o culto litúrgico, mas diferiam dos padres seculares na forma como se aproximavam do povo, organizavam a sua vida material e buscavam o provimento material para seu sustento e moradia. Por outro lado, introduziram novas culturas e novas práticas no cultivo de verduras, legumes e frutas não encontradas no planalto central. A filosofia de vida franciscana de caminhar junto ao povo e com o povo se concretizava nas ações e interações de cada comunidade religiosa, no enfrentamento das dificuldades e sacrifícios da missão. Manifestações próprias do espírito missionário franciscano.
Ressalto que, numa síntese inicial do período pesquisado, constatei que os frades franciscanos chegaram a instalar dezoito instituições escolares, entre Escolas Paroquiais, Ginásios e Curso Normal nas diferentes localidades onde alcançava o raio de sua ação pastoral. Na medida em que formalizavam com os bispos a posse de uma nova Paróquia ou prelazia, imediatamente empreendiam esforços no sentido de abrir uma sala para a instrução primária e faziam os contatos junto à rede escolar para organizar o plano de catequese preparatória para os sacramentos. Desse incremento, podemos indicar que o contexto onde construíram as Escolas Paroquiais foi distinto e marcado pelas dificuldades enfrentadas nas diferentes regiões do vasto Estado de Goiás.
CAPÍTULO III
MISSIONÁRIOS, MISSÕES E CONTEXTOS – ORIGEM, PROJETO
RELIGIOSO E CARISMA
3.1 Franciscanos: americano, a cultura de origem
“Influência de frades, cuja simplicidade de vida nunca significou simplismo de idéias [...]” Gilberto Freyre, 1959.
Dar visibilidade à condição estrutural e filosófica sobre os franciscanos americanos implicaria em produzir uma tese exclusiva sobre as relações e os fundamentos da Ordem Franciscana que encontra nos Estados Unidos um terreno favorável para a difusão da fé católica, orientada pela regra de Francisco de Assis. Obviamente que o cerne das contradições poderia ser explicitado em comparação com a ética calvinista norte-americana devidamente analisada pela obra de Weber (2004). Embora instigante, não é esse o propósito, realizar um estado da arte sobre estas relações, historicamente situadas na migração européia em direção à América. O que busquei ao recorrer aos autores referenciados a seguir foi situar alguns aspectos de natureza cívica e religiosa que moldaram a origem e a filiação religiosa dos missionários que saíram de Nova York rumo a Goiás na primeira metade do século XX. Seguramente eram portadores de uma cultura de origem, composta de valores e concepções cívicas, patrióticas, religiosas e de um projeto missionário de evangelização e propagação da fé católica.
A condição de cidadãos e de religiosos condiciona os franciscanos americanos a uma situação de ambigüidade, pois, na sua origem histórica pertencem a uma nação identificada por valores, princípios e sentimentos cívico e patriótico da democracia americana.