A categoria econômica apresentou uma concordância grande ou quase total em muitas das percepções analisadas. Praticamente todos os stakeholders pesquisados entendem que aspectos de natureza econômica são eficientemente administrados pela Têxtil. Este dado corrobora o pensamento de Friedman (1984), e Donelly, Gibson e Ivancevich (2000), que abordam que a principal finalidade da empresa é a garantia do efetivo retorno financeiro aos envolvidos. Carroll (1979) aponta que a eficiência da categoria econômica é indispensável para o sucesso da empresa, e que deve ser permanente para a sobrevivência de qualquer negócio, e, sendo assim, a Têxtil pode ser considerada, segundo seus stakeholders, como eficiente neste aspecto.
A categoria legal obteve as maiores percepções de concordância por causa do entendimento, também quase que conjunto, de que a empresa busca legitimidade e seriedade garantidas pela consideração de requisitos legais. Os stakeholders percebem que, sem a devida adequação a esses requisitos, não é viável o planejamento social, e enfocam também que as ações da empresa, as quais são em benefício de seus funcionários, estão em sua maioria dispostas conforme os parâmetros legais.
Os stakeholders entendem que não há muita aplicabilidade da categoria ética. Ainda é necessário o fomento de algumas ferramentas internas e a conscientização da importância da implantação deste aspecto no cotidiano das atividades, ou seja, uma cultura propícia tem que estar em constante trabalho para fornecer maior abertura da diretoria e ambiente de entrosamento na adoção de princípios éticos. Nenhum stakeholder viu esta categoria como característica da empresa pesquisada.
A não ocorrência de parcerias com ONG‟s – Organizações Não Governamentais -, a não adoção de projetos por iniciativa própria na comunidade e a pequena disseminação de informações e consequente conhecimento sobre a empresa fazem com que os pesquisados não verifiquem ou caracterizem a Têxtil como discricionária. As doações realizadas para institutos da comunidade local e alguns benefícios concedidos ao público interno não foram tidos como suficientes para tal caracterização.
Algumas particularidades foram observadas, como a grande concordância dos fornecedores com a aplicação das categorias do modelo. O contrário foi colocado pelos consumidores, que não verificaram as categorias do modelo tridimensional como características apropriadas da empresa. Já os parceiros apresentaram posicionamentos contrários sobre as categorias na pesquisa quantitativa e qualitativa: os dados quantitativos indicaram a categoria legal, já os qualitativos mostraram um posicionamento discricionário.
Outro ponto a destacar foi a grande discordância com o comportamento reativo. E este fato está diretamente relacionado à realidade da empresa, conforme já abordado. A opinião acomodativa foi a que obteve maior aceitabilidade por praticamente todos, já que a Têxtil possui realmente um caráter legal (o que foi pontuado pelos investigados), e existe uma estreita relação entre as exigências legais e a opinião do público externo e do governo.
Há que se destacar que quanto mais conhecimento as pessoas investigadas mostravam sobre a empresa, maior era o entendimento de que suas ações eram mais direcionadas ao âmbito interno, aos funcionários. E, sendo assim, esta ação ou programa foi inserida no modelo tridimensional para efeito desta pesquisa, já que, conforme Carroll (1979), esta dimensão permite que o observador ou pesquisador posicione o foco que for mais característico da empresa em análise.
A segurança do produto foi igualmente concordada com os funcionários como foco social da organização. Entretanto este diagnóstico foi feito mediante o pouco conhecimento tido sobre a atuação da Têxtil, e mediante também a constatação de que os produtos são seguros e de qualidade, o que leva a crer que a empresa tem como centro de atenções a eficiente fabricação dos produtos.
A adoção do programa 5‟s pela Têxtil serve de base para esse centro de atenções nos funcionários, como também é o primeiro passo para projetos mais audaciosos como a certificação das normas ISO. Essa base é originada do fato de que tornar o ambiente de trabalho melhor e modificar as atitudes das pessoas infere numa transformação da qualidade de vida dos funcionários. A intenção prioritária da Têxtil, segundo observação, é aumentar a
produtividade e reduzir custos e desperdícios, e com isso o programa 5‟s acaba por influenciar beneficamente a realização das atividades e a postura dos funcionários.
Esse foco social é visto por eles próprios, mas reiteram que as relações de cooperação e trabalho em equipe precisam de maior consolidação e efetividade, de maior compromisso ético, e talvez de maior relevância sobre suas reais necessidades, algo que, para eles, não está sendo propriamente considerado pela organização.
Com isso, observam-se opiniões não muito distintas, e que estão baseadas nas características e realidade da empresa. A seguir tem-se um cubo geral onde é possível verificar a opinião de todos os stakeholders da Têxtil pesquisados.
Figura 24: Cubo Tridimensional – Percepção dos Stakeholders pesquisados Fonte: Adaptado de Carroll (1979)
LEGENDA:
PARCEIROS CLIENTES
FUNCIONÁRIOS CONSUMIDORES
DIRETORES COMUNIDADE
FORNECEDORES
Pela observação do cubo, é possível verificar que as opiniões que obtiveram maior aceitabilidade nas três dimensões do modelo, as quais são respectivamente Categorias de Performance Social, Comportamentos e Respostas e Ações e Programas foram a Legal,
Acomodativa e Funcionários.
De uma maneira geral, os stakeholders percebem que os projetos pela Têxtil trabalhados não têm ainda um caráter abrangente, que possa ser considerado pró-ativo, e que
dessa forma está mais voltado às especificações do governo ou da opinião pública, por não ter uma iniciativa propriamente voluntária.
Nem todas as pessoas sabem que a Têxtil ainda é “principiante” no trato da responsabilidade social. Algumas pessoas do público externo, principalmente, verificam que a empresa possui uma postura abrangente e consolidada. Esta opinião errônea é derivada do fato de que iniciativas sociais de empresas da comunidade local não são frequentes, como também a responsabilidade social não é um conceito amplo para operacionalização ou planejamento efetivo. Com isso, mínimas iniciativas direcionadas à RSE são vistas com total singularidade e importância.
Outro ponto a destacar seria o de que os funcionários voluntários e os não voluntários obtiveram opiniões um tanto difusas quanto às dimensões apresentadas. O grande número de funcionários da empresa não está diretamente envolvido com as ações sociais, e verificou-se que esta parcela de pessoas não está propensa a ter uma opinião ou visão totalmente positiva dessas iniciativas e benefícios internos, isto porque os funcionários relacionados aos projetos os caracterizam como voluntários e benéficos àqueles a que se destinam. No entanto, a visão geral é de que há uma grande necessidade de maior troca de informações e ideias entre diretoria e funcionários gerais, e que nem sempre a intenção dos projetos é totalmente alcançada.