SANAT ELEŞTİRİSİ ESTETİK NİTELİK SANAT KURAMLARI NASIL BAKMALI NE ARANACAK
2.3. GÖRSEL SANATLAR EĞİTİMİ 1 Görsel Sanatlar ve Eğitim
2.3.2. İlköğretimde Görsel Sanatlar Eğitiminin Önem
Em “Construir, Habitar, Pensar”, habitar não se confunde com o “morar em uma residência”. O habitar humano se estende a todos os lugares onde o homem se reconhece como homem e pode exercer a sua atividade e sua dimensão existencial, portanto aquilo que ele constrói para a plenitude de sua existencialidade1. Habitar e construir estão ligados em essência, uma como contra-parte da outra, “parece que só é possível habitar o que se constrói” (HEIDEGGER, 2001, p. 125). Dessa maneira, é possível habitar não apenas a casa, mas tudo aquilo que o homem constrói, seja uma auto-estrada, uma tecelagem ou uma usina elétrica, para citar os próprios exemplos do autor2. “Habitar e construir encontram-se, assim, numa relação de meios e fins” (HEIDEGGER, 2001, p. 126).
Em um primeiro momento, pode parecer que o caráter funcional do habitar preponderaria sobre tudo o mais. No entanto, a extensão da palavra habitar não se restringe ao utilitarismo do espaço, mas se amplia naquilo que lhe dá significado. Numa investigação mais acurada podemos perceber que habitar significa a maneira como o homem se relaciona com o mundo,
1 “Habitar é o traço fundamental do ser-homem”. (HEIDEGGER, 2001, p. 128).
2 “No sentido de habitar, ou seja, no sentido de estar sobre a terra, construir permanece, para a experiência
cotidiana do homem, aquilo que desde sempre é, como a linguagem diz de forma tão bela ‘habitual’”. (HEIDEGGER, 2001, p. 127)
articulando-o segundo as suas possibilidades e suas necessidades, significa dotar o mundo de coisas que lhe respondem aos seus diversos níveis de solicitação, pois no fundo, a necessidade utilitária nasce de uma motivação existencial, de uma intenção de se lançar ao mundo. Para investigar essa motivação essencial, Heidegger se vale da linguagem e da etimologia da palavra alemã bauen (construir), a partir da qual constata três coisas:
1.Bauen, construir é propriamente habitar; 2. Wohnen, habitar é o modo como os mortais são e estão sobre a terra; 3.no sentido de habitar, construir desdobra-se em duas acepções: construir entendido como cultivo e o crescimento e construir no sentido de edificar construções. (HEIDEGGER, 2001, p. 128).
A partir dessas constatações, temos que:
• A construção só existe porque somos capazes de habitar; a Arquitetura (esta a base da construção) se estabelece sobre a necessidade de habitar, aqui entendida em sentido amplo, como a materialização dos espaços que o homem precisa para se estabelecer no mundo;
• Habitar diz respeito ao modo como o homem se estabelece sobre a terra. Podemos entender esse modo sob diversos aspectos, desde os modos universais ou arquetípicos tais como a necessidade de abrigo e proteção contra as intempéries, até o modo particular de morar e ser, a maneira como eu quero me estabelecer sobre o mundo, passando é claro pelo modo como as sociedades e culturas habitam/constroem o mundo e também como as instituições o fazem;
• “Construir diz edificar” (HEIDEGGER, 2001, p. 127). Edificar não significa apenas “por em pé”, mas também “fundar, instituir, criar”. Ao construir, ao edificar, estamos também “fundando” alguma coisa, ou seja, não edificamos formas vazias, mas algo que necessariamente tenha conteúdo.
___________________________________________________________________________ APONTAMENTO 3.1: Dessa reflexão concluímos que o edifício erguido para a habitação do homem se funda sobre essa dupla instituição: a de necessidade funcional e de necessidade espiritual, ambas formas complementares de ser no mundo e ambas presentes no habitar/construir. Essas necessidades se materializam de modo próprio, portanto sob várias formas, dependendo da pessoa, sociedade, cultura e instituição.
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Para alcançar a profundidade da palavra “habitar”, alçando-a além da mera necessidade física e da sua utilidade intrínseca, Heidegger estabelece o conceito de uma quadratura associada essencialmente com o modo como ela acontece, o qual se dá sobre a terra, sob o céu, diante
dos deuses e junto à comunidade dos homens (HEIDEGGER, 2001, p. 129). A quadratura é uma síntese da maneira como o homem habita o mundo, firmemente consolidado sobre a terra, onde se reconhece como ser concreto e de onde extrai sua substância material, sempre em constante relação com ela, sempre reconhecendo sua infinita potência; estar sob o céu é reconhecer o desenrolar da vida, o campo onde o tempo acontece; sondar os desígnios dos deuses é se perguntar sobre o significado das coisas, a razão das existências; a comunidade dos homens os abriga em seu fazer cotidiano e na sua potencialidade como seres humanos, finitos e mortais, mas existindo e realizando. Falar de cada um dos termos da quadratura, portanto, é também falar dos outros três, posto que eles se apresentam interligados à pre-
sença. Nesta interpretação livre do difícil conceito heideggeriano de quadratura, identificamos a materialidade, o desenrolar da vida, a busca de significado e o fazer humano, portanto, o ser, o tempo, o estar-lançado.
Quadratura é a reunião com simplicidade desses quatro elementos. Para uma melhor compreensão dessa “reunião”, “Construir, Habitar, Pensar” volta ao entendimento original do termo coisa, tal como ele se encontra na língua alemã: reunião ou assembléia. A natureza das coisas, portanto, está além do seu caráter instrumental, na sua possibilidade de recolher um
mundo, de se apresentar como interligada com o modo de ser da pre-sença: as coisas cercam o homem e por isso o condicionam (NORBERG-SCHULZ, 1981, p. 15). Na obra citada, Heidegger lança mão do exemplo de uma ponte para clarear o conceito. Inicialmente a ponte liga dois lados de um rio, liga duas margens, portanto, “reúne integrando”. “Reunião integradora” é também o significado da palavra thing (ding) na sua etimologia. A ponte não se
situa em um lugar apenas, é da própria ponte que surge um lugar. Assim, as coisas construídas instituem um lugar a partir de sua própria coisidade3, ou seja, elas reúnem em si a possibilidade de uma série de significados que se exprimem de uma maneira concreta àqueles que a fruem. Ao existirem, as coisas não são apenas objetos inanimados4, mas nos propiciam uma experiência existencial, na maneira daquilo que o ator define como estância e circunstância (HEIDEGGER, 2001, p. 133).
3 “Fenomenologia se concebeu como um ‘retorno às coisas’, como oposição às abstrações e construções
mentais.” (NORBERG-SCHULZ, 1984, p. 8).
4 Entendam-se aqui inanimados como “destituídos de significados” para não confundir com os “seres
___________________________________________________________________________ APONTAMENTO 3.2: Os elementos que habitamos/ construímos não são meros utilitários, nem meras coisas no sentido banal pelo qual o senso comum muitas vezes o entende. As “coisas” arquitetônicas são coisas que propiciam um sentido, que apresentam “estância e circunstância”: [...] a compreensão da coisa como reunião é de particular importância em nosso contexto. As obras de arquitetura são coisas e seu significado consiste naquilo que elas reúnem, ou seja, seu mundo. O reunir em geral é possível precisamente pela existência da Arquitetura, isto é, de uma “linguagem” de estruturas arquitetônicas essenciais.. (NORBERG-SCHULZ, 1981,. P. 15). ___________________________________________________________________________
Uma ponte interessante que a partir daí se realiza é a que reúne os conceitos de coisa e de espaço: “Coisas, que desse modo são lugares, são coisas que propiciam a cada vez espaços.” (HEIDEGGER, 2001, p. 134). O conceito de coisa, a partir dessa constatação, está na base de dois outros que são fundamentais para a investigação do fenômeno arquitetural: espaço e lugar.
Conforme vimos em Ser e Tempo, inicialmente não existe oposição entre homem e espaço, este como algo que está fora daquele. O homem está no espaço e habita o espaço: “Os mortais são, isso significa: em habitando.” (HEIDEGGER, 2001, p. 136). Espaço (Raum, Ram), nessa acepção, é então o “lugar arrumado”, onde “alguma coisa dá lugar à sua essência reunidora e integradora” (HEIDEGGER, 2001, p. 133). Temos aqui expostos, então, dois princípios que são importantes para o entendimento da Arquitetura: os espaços criados pelo homem geram
significado próprio e para possibilitar esses significados, eles têm que se articular de determinada forma5. O espaço não é, portanto, o vazio, o ausente, o spatium (espaço entre, intervalo), mas extensio (extensão)6. A idéia de “extensão” se aproxima mais àquilo que o preenche, àquilo que o impregna, o que lhe é latente. Somente a sua extensão permite que o espaço seja preenchido pelo habitar. “Por isso, construir é um fundar e articular espaços.” (HEIDEGGER, 2001, p. 137). Somente em sendo capazes de habitar podemos construir - e construir significa articular espaços de determinada maneira para que se expresse o habitar.
Dizemos que as coisas “têm lugar”, para nos referirmos ao seu acontecimento. Portanto, “lugar é evidentemente uma parte integral da existência” (NORBERG-SCHULZ, 1984, p. 6). Assim o lugar, conforme entendido por Norberg-Schulz à luz da fenomenologia, é um fenômeno total, constituído não apenas pela situação geográfica onde ele se dá, mas também
5 “A referência do homem aos lugares e através dos lugares aos espaços repousa no habitar. A relação entre
por toda a gama de sentimentos e relações que lhe são concernentes. O lugar, como o acontecimento, é um elemento que se vivifica no tempo e do espaço contínuo, se constituindo em um momento e espaço específicos e diferenciados, conseguindo, assim, uma identidade própria, constituída por atributos específicos. O lugar, através dos seus atributos formais, concretiza uma existencialidade. Essa existencialidade está tão presente na compreensão que o homem faz dos lugares, que possibilitou, em algumas culturas, a criação do conceito de genius
loci na Roma Antiga e dos deuses lares na Grécia Clássica, dentre outras versões orientais correlatas. O genius loci, ou espírito do lugar é o espírito guardião de cada lugar independente, responsável por seu caráter ou sua essência, ou seja, o conjunto de atributos para que determinado lugar seja como é. O conceito de genius loci aponta para a coisidade única que cada lugar expressa e que o torna diferente e singular7.
A experiência existencial do espaço e do lugar permite que abordemos a Arquitetura, criadora dos espaços do homem, em uma chave especial: Arquitetura é espaço preenchido e
articulado, percebido como lugar. É preenchido pelo sentido humano do habitar, pelo uso que se faz dele, pelos significados que ele reúne, integra e propõe; é articulado pela maneira como o espaço se ordena, pela maneira como através de sua expressão própria se apresenta ao ser; é percebido como lugar por estar situado e diferenciado na região onde se instala.
2. O fenômeno Arquitetura
Já investigamos a relação do homem com a espacialidade no Capítulo 1. Já sabemos, pelo que levantamos até aqui, sobre a percepção do homem sobre seu espaço e como ele o percebe como estruturado, orientado e direcionado, formado pelas noções de centro e lugar, direção e
caminho, área e região. Vimos também como o “envolvimento” é fundamental para a criação do lugar e que o fato de estar situado cria “laços” entre o homem e o espaço. Pela seção anterior, vimos que a materialidade que constitui a expressão da Arquitetura é formada pelo espaço que ela gera, a tecnologia e a matéria que a possibilita, os significados que ela propicia, o campo de relações e trabalho humano que ela possibilita. Vamos avançar um pouco mais
6 “Dar espaço no sentido de deixar ser e dar espaço no sentido de edificar se pertencem mutuamente.”
(HEIDEGGER, 2001, p. 137).
7 O Rio de Janeiro é “o lugar que mora no mar, eterno se fazer amar,é sol, é sal, é sul..” (Menescal e Bôscoli, Rio), São Paulo é “a dura poesia concreta de tuas esquinas, a deselegância discreta de tuas meninas...” (Caetano Veloso, Sampa).