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No dia posterior à extinção do TFPP, o secretário geral do Território enviou ofício ao Ministro da Justiça, solicitando instruções e sugerindo medidas capazes de orientar a execução do estipulado. Diversas foram as indagações levantadas pela administração territorial do TFPP, em relação às medidas práticas e legais a serem tomadas pós-extinção.

No ofício, foi anexado um questionário, transcrito no relatório final, em que se perguntava se haveria, por exemplo, uma lei ordinária dispondo sobre a maneira pela qual as regiões desmembradas voltariam ao estado de Mato Grosso e, a partir daquele momento, como se deveria proceder em relação ao quadro de pessoal do antigo Território, quanto ao ensino, quanto ao material, quanto à verba de serviços e encargos, quanto aos acordos com outros Ministérios, ao setor da saúde, ajustes de contas, enfim, tudo aquilo que envolvia o quadro administrativo, estrutural e legal do Território Federal de Ponta Porã. (RELATÓRIO, 1947, p.170).

Impunha-se, como medida completiva e reguladora do dispositivo constitucional, que

67Anais da Assembleia Nacional Constituinte de 1946, 08/09/1946, p.349. Disponível em:

fosse promulgada lei normativa por meio da qual se processasse a entrega dos Territórios extintos aos respectivos Estados. Como colaboração da parte da administração do Território de Ponta Porã, para complemento da tal lei, foi enviado ao Ministro da Justiça, o esboço intitulado “Nota para a inclusão na lei normativa da extinção dos Territórios de P. Porã e Iguassú”, o qual continha alguns itens que poderiam ser incluídos na lei em apreço, assegurando aos servidores dos dois Territórios extintos aproveitamento compatível com as aptidões de cada um, medida que até o momento ainda era motivo de discussões no Congresso Nacional. (RELATÓRIO, 1947, p.171-172).

A administração territorial também solicitou ao Ministro da Justiça, por meio de ofícios, que fossem estudadas, pelos Ministérios, “[...] as possibilidades de passarem: ao Ministério da Agricultura, a Granja Modelo ‘Assis Brasil’; ao Ministério da Educação e saúde, o Curso Normal Regional e os postos de saúde e às prefeituras a verba destinada ao Plano de Obras de 1946, dividida na proporção das construções previstas para cada municipalidade, como especificamos no capítulo sobre Obras”. (RELATÓRIO, 1947, p.173). Essa atitude deixou transparecer a preocupação da administração territorial em relação aos rumos institucionais de tais obras, havendo preferência de que as assumissem o governo federal, em vez do estadual.

Da publicação do “Ato das Disposições Transitórias” que definia a extinção, em 18 de setembro de 1946, até a oficial passagem de responsabilidades do Território para o governo mato-grossense passaram-se mais de dois meses, nos quais o governo territorial ainda esteve à frente da administração da área que abrangia o TFPP. (RELATÓRIO, 1947, p.175). Nesse período, várias correspondências foram trocadas entre o governo de Mato Grosso e o governo do TFPP, e entre este e o Ministério da Justiça, sempre com assuntos referentes aos procedimentos pós-extinção.

Em um telegrama enviado pelo Ministério da Justiça ao governo territorial, no dia 28/09/1946, aquele dá as orientações de como proceder, de acordo com prescrições constitucionais, ao processo de entrega da administração do TFPP ao MT. O referido telegrama informava que os bens pertencentes ao antigo Território, e ali localizados, ficariam sob a guarda do Estado de Mato Grosso, até posterior deliberação. Pedia-se que o governo do TFPP entrasse diretamente em entendimento com o governador de MT, ajustando todas as providências para efetivação de tal processo.

No dia 28/09/1946, o Ministério da Justiça enviou novo telegrama, solicitando ao governador territorial que tomasse as seguintes providências em face da extinção do TFPP: organizasse um inventário dos bens pertencentes ao território; se abstivesse de qualquer ato que demandasse novas despesas, pessoais, materiais e de obras; realizasse o pagamento do pessoal

existente, conduzindo os serviços no Território até que se efetivasse a transferência administrativa; examinasse com as autoridades estaduais competentes o aproveitamento de servidores territoriais e quais os serviços que seriam mantidos. O inventário geral foi concluído por parte do governo do TFPP em 13 de novembro de 1946, em virtude dos vários deslocamentos de membros da Comissão nomeada para este fim, pelo interior do Território, em todos os pontos onde estavam os bens da União. (RELATÓRIO, 1947, p.173/174).

No dia 13 de novembro de 1946, o governador do TFPP escreveu ao interventor de Mato Grosso, solicitando-lhe que tomasse as providências necessárias para assumir o mais brevemente possível a administração da área correspondente ao Território extinto. Como resposta, o governo de Mato Grosso afirmou que só estaria esperando a aprovação, pelo Presidente da República, do projeto de Decreto que definiria a nova organização administração e judicial, em consequência da extinção do Território de Ponta Porã. Tal projeto, de acordo com o governo estadual, já havia sido encaminhado e recebido pelo Presidente.

Enquanto aguardava a Comissão mato-grossense para a transferência, a administração ia reduzindo os seus encargos na medida do possível, mantendo os serviços inadiáveis e prosseguindo com as obras para as quais dispunha de verba, sendo oportuno mencionar que, algumas obras chegaram a ser concluídas, já depois de extinto o Território, como por exemplo, a ponte de madeira sobre o rio brilhante e a ponte de madeira sobre o rio dourados. (RELATÓRIO, 1947, p.174)

Em telegrama (nº 26/PR) enviado pelo governo territorial ao Presidente da República, aquele se disse apreensivo diante da “situação caótica e embaraçosa” que se apresentava, enviando para o Rio de Janeiro, o Secretário Geral, com o objetivo de expor ao Governo, pessoalmente, todas as dificuldades resultantes da protelação da entrega à Mato Grosso e ao mesmo tempo solicitar providências “[...] à consecução de numerário suficiente para fazer face às despesas com o pessoal, já de si reduzido ao extritamente necessário, durante o mês de janeiro do corrente ano”. (RELATÓRIO, 1947, p.175).

Sanada a dificuldade que a administração mato-grossense apresentava como causa do retardo na aprovação dos encargos na área do antigo Território, e após vários entendimentos com o Ministério da Justiça, firmou-se, em Ponta Porã, o documento de passagem de responsabilidades, em escritura pública, lavrada no Cartório do 1º Ofício de Ponta Porã. Foram passadas para as prefeituras dos respectivos municípios as obras que ali se encontravam, inclusive as obras em construção, como medida preliminar do ato da entrega. Esses bens passaram a fazer parte do acervo de MT, mediante indenização futura aos cofres da União, com exclusão dos que, por ordem do Presidente da República, foram transferidos ao Território do

Acre e ao Exército. (RELATÓRIO, 1947, p.175)

O fim da breve “vida” do Território Federal de Ponta Porã se sucedeu dessa forma. Com uma bancada de representantes na Assembleia Nacional Constituinte que representava, claramente, os interesses do norte do Estado, em detrimento do sul, onde estava situado o TFPP, não tendo este, inclusive, nenhum representante na Assembleia Nacional Constituinte, somente a bancada dos representantes do Acre, que defenderam arduamente a causa da manutenção do TFPP. Com uma supressão fundamentada, pelos seus defensores, em argumentos de claro viés regionalista que, em sua maioria, não correspondiam com a realidade da região em questão. Ao que tudo indica, sem a participação dos habitantes do Território de Ponta Porã, que, segundo os defensores da sua permanência, eram contra tal medida, mas, sobretudo, sem terem sido previamente planejadas ou meditadas as possíveis consequências do ato, o que deixou a administração do TFPP à mercê daquilo que a extinção constituiu.

Benzer Belgeler