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4. İLETİM YETERLİLİĞİNİN ANALİZİNDE KULLANILAN ŞEBEKE DUYARLILIK FAKTÖRLERİ

4.2 Şebeke Duyarlılık Faktörler

4.2.4 İletim Hattı Açması Durumunda Dağılım

1.3.1– A origem do congregacionalismo

Ao falar sobre a mulher congregacional em Angola com o tema “A mulher

Evangélica Congregacional em Angola: análise do processo de formação pastoral da mulher no período de 1965-1975” faz-se necessário discorrer em linhas gerais sobre a

origem do congregacionalismo, como chegou aos Estados Unidos da América, até ser implantado e desenvolver-se em Angola.

Na Inglaterra, o espírito reformista protestante desenvolveu a criação do movimento puritano, que se identificava em grupos eclesiásticos definidos, isto na época dos reis Eduardo VI e Isabel119. O rei era representante do país e ao mesmo tempo representante máximo da Igreja. Não havia desvinculação entre Igreja e Estado. O movimento puritano que se manifestou assumiu tendências diferentes, sendo um grupo da própria igreja nacional, que desejava combater o mundanismo dos costumes vigentes na sociedade inglesa, os meios eclesiásticos mais simples, o ritualismo e aparato do clero da igreja mais simples120.

Outro grupo que concordava com os ideais da reforma continental e mais próximo dos valores evangélicos eram os presbiterianos e independentes. Por influência do sistema de Calvino implantado em Genebra, os presbiterianos pregavam o modelo corporativo para a Igreja Nacional121.

Os independentes defendiam não o critério de uma Igreja Nacional, mas o de igrejas ou comunidades autônomas dirigidas pelas próprias assembléias locais, sem interferências legislativas de qualquer outra entidade, civil ou eclesiástica. Daí a designação “os independentes”, nome pelo qual os congregacionais eram conhecidos122.

Tais tendências no terreno eclesiástico exerceram pressão que visava a constituição de uma igreja organizada, hierarquizada e administrativa. Outra pressão se baseava na criação de uma comunidade flexível, que se acomodasse a todas as diferenças locais e pessoais. Quando a Rainha Isabel assumiu o poder, não sendo católica nem protestante,

119 FILHO, Manoel Porto. Congregacionalismo Brasileiro. Rio de Janeiro, Edição Comemorativa do 70º

Aniversário da União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, 1983, p.11.

120 FILHO, Manoel Porto. Op. cit, p.11. 121Idem, p.11.

precisou estabelecer ordem no país. Ela consolidou a Igreja Anglicana que exigia o uso do

Livro de Oração Comum e o Ato de Supremacia que apontava o Rei como chefe da Igreja123.

A rigorosa observância exigida fez com que se fortalecesse o grupo dos puritanos, que contribuíram com o surgimento dos primeiros dissidentes separatistas com características e idéias presbiterianas, e outros com idéias características formadas de congregacionais independentes e autônomos. Após as dissidências, verificaram-se perseguições às comunidades separatistas a ponto de condená-las, isto entre 1567 e 1568, em Londres124.

Em virtude das perseguições, os congregacionalistas se refugiaram na Holanda, de onde posteriormente decidiram emigrar para o Novo Mundo, isto é, Estados Unidos da América, em 1620, em um navio denominado Mayflower, com 102 membros. Chegaram em 10 de novembro de 1620, em Cap Cod e depois mudaram para um porto, que chamaram de Plymouth, em recordação ao porto inglês que haviam deixado125.

Durante a caminhada, acordos foram firmados e se resumem no que Manoel Porto Filho coloca:

A bordo os peregrinos haviam assinado um Pacto, relativo à colônia que iriam fundar e à fidelidade com que se conduziriam em relação a Deus e uns aos outros. Na base desse pacto foi organizada a primeira comunidade congregacionalista na América, como extensão da Igreja de Scrooby, emigrada na Holanda126.

Estes homens e mulheres que fundaram seu último refúgio nas praias da baía de Plymouth sentiam-se livres da perseguição a que muitas vezes foram submetidos. As igrejas que vieram mais tarde a se estabelecerem nos Estados Unidos da América, adotaram o sistema de organização congregacional como forma viável de expandir e desenvolver a igreja. Os grupos de imigrantes anglicanos que chegaram em Salém, na costa de Massachussetts em 1628 e 1629, adotaram o mesmo sistema congregacionalista. Com relação a essa postura, Manoel Porto Filho diz que: o congregacionalismo foi

adotado, ali, não por convicção nem por conversão doutrinária, mas por expediente político administrativo127.

123FILHO, Manoel Porto. Op. cit, p.17. 124Idem, p.18.

125Idem p.20. 126 Idem, p.20. 127 Idem, p.21.

Com o tempo, a influência do movimento puritano nas igrejas dos Estados Unidos da América veio a apresentar características peculiares. Uma das peculiaridades é a separação da Igreja e do Estado, apesar de conviverem na religião civil. Outra particularidade era a diversidade de confissão religiosa nas treze colônias, que fez com que ao se confederarem negassem instituir o estabelecimento de uma igreja oficial após a revolução de 1775-1783. Mas o que se verificava era o estabelecimento civil da auto- imagem religiosa do povo americano. Sentiam que ao projetarem sua viagem de colonização, fizeram-na “para a glória de Deus, avanço da fé cristã e honra do rei e

país”128.

Afirmavam também que como Josué havia conquistado a terra prometida, os americanos viam como seu Destino Manifesto conquistar o continente, espelhando os benefícios de uma civilização republicana e protestante por toda a parte. Como cumprimento do destino manifesto, foram organizadas juntas para missões estrangeiras, pessoas voluntárias levaram como parte da bagagem evangelística a cultura, a religião e a motivação missionária, de fazer com que os menos afortunados compartilhassem dos benefícios da civilização protestant-bíblico-americana129.

Foi neste espírito que missões em várias partes do mundo foram empreendidas com a finalidade de atingir outros povos. Os missionários eram enviados em nome das igrejas ou juntas para proclamar o Evangelho, as boas novas que, segundo as escrituras do Novo Testamento, deveriam ser levadas ao mundo inteiro e a toda criatura (Mt 28.19-20; Mc16.15) “Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do

Filho e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco, todos os dias, até a consumação do século”.

Durante a proclamação do evangelho, os missionários exerceram grandes influências na cultura, tentando transformar hábitos africanos em hábitos da cultura européia, influenciar através do evangelho cristianizado e repleto da cultura ocidental a cultura do povo encontrado. Hoje se sabe que todos os povos da raça humana possuem alguns conhecimentos e uma certa crença num Deus Supremo. Porém, salienta-se que muitos se converteram ao cristianismo como resultado dos esforços missionário s nos últimos séculos130.

128 REILY, Duncan A. História Documental do protestantismo no Brasil. São Paulo, ASTE, 1984, p. 19. 129 Idem p.19.

1.3.2- A implantação da Igreja Congregacional em Huambo

O povo angolano, antes da chegada dos missionários católicos e protestantes com a mensagem do evangelho, já tinha o conceito sobre Deus. Devido ao solo religiosamente fértil que os missionários encontraram, a adesão do povo africano ao cristianismo foi facilitada.

Angel Santos mostra que para um serviço de missões em uma área sócio-geográfico é necessário que se tenha em conta os seguintes aspectos: o povo a ser evangelizado, consequências do apostolado, o princípio da adaptação, condições de ordem etnográficas, circunstâncias de origem linguística, ordem nacional política e a ordem religiosa131.

A implantação da Igreja Evangélica Congregacional em Angola, pelos missionários, na qual as mulheres receberam formação pastoral, deu-se pela Junta Americana de Comissários para as Missões Estrangeiras – ABCFM, em 1880. Segundo Lawrence Henderson, essa Junta foi criada em 1810 em Boston – EUA. Sua criação foi influenciada pelos jovens estudantes Williams College, em Massachussetts, EUA. Eles se reuniam regularmente para orar e numa das ocasiões, sentiram o chamado de Deus através da mensagem “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda a criatura” (Mc 16.15). Os jovens convenceram as Igrejas Congregacionais de Massachussetts e Connecticut a formarem a Junta Americana de Comissários para as Missões Estrangeiras (ABCFM)132.

Nessa época da escolha do campo missionário em Angola, a Junta já tinha campos de missões na Índia, serviço iniciado dois anos depois de sua criação, em 1812. Tinha também na África do Sul, serviço iniciado em 1836. A projeção de missões para Angola é concretizada em 1880, com o objetivo de alcançar os povos da região centro sul da Angola, predominantemente povoada pelos ovimbundu.

131 SANTOS, Angel S. J. Teologia sistemática de la mision. ESTELLA (Navarra) Editora Verbo Divino,

1991, p.32.

Antes da implantação da Igreja Congregacional em Angola, houve levantamento ou estudo da área geográfica a ser convertida naquela época, 1880.

132 HENDERSON, Laurence W. A Igreja em Angola. Um Rio com várias correntes. Portugal, Editorial

A efetivação do serviço na área escolhida dependia da argumentação do Secretario da Junta, o Dr. John O. Means. Este apresentou as razões da escolha da região que era do Bié133 e Cuanza. Foi assim que o Dr. John O. Means expôs à Junta os pontos que Lawrence W. Henderson descreve:

1 – Esta região não foi ainda aberta ao comércio. Quando o Evangelho se segue ao comércio, vai ter de enfrentar dois inimigos: não só os demônios do paganismo, já bastante maus, como ainda, o que é pior, os demônios de uma civilização corrupta e sem princípios.

2 – Esta área, de onde saíram muitos escravos, tem um significado muito especial para os cristãos americanos, porque nós apoiamos a escravatura. 3 – É muito fácil chegar-se ao Cuanza e ao Bié. A sua configuração e a estabilidade do povo e o relacionamento com as outras tribos do interior tornam este campo particularmente atraente e convidativo134.

Os argumentos apresentados pelo Secretário convenceram a Junta a dar o consentimento para a fundação do serviço missionário em outubro de 1879135.

Percebe-se que o conceito que existia era de que se enfrentaria os demônios do paganismo. Também pensavam que os povos na África não tinham consciência da existência do Deus Criador do universo. Henderson afirma que os missionários, ao chegarem em Angola, não se aperceberam de que encontrariam um solo fértil e rico para a implantação da igreja, classificaram a religião tradicional africana como supersticiosa, visto não conter princípios elementares da religião ocidental, uma estrutura eclesiástica e escrituras. Entretanto, os missionários verificaram uma realidade religiosa diferente a medida que foram aprendendo as línguas nacionais136.

A Junta considerava que teria significado para os membros da Igreja Congregacional na América, levar o evangelho para esta região de Angola era importante para os membros da igreja, porque os Estados Unidos da América apoiou a escravatura. Ao que parece, havia também preocupação de levar uma imagem diferente da que o povo angolano vivenciava com a invasão do europeu. Imagem do comprometimento com a solidariedade cristã com os africanos, que até então eram maltratados no processo mercantilista ocidental. È possível que se trate de um reconhecimento do fato da igreja nos Estados Unidos ter apoiado a escravatura. Para tal Casiano Floristan, considera que o

133 Bié é um Estado angolano localizado no planalto central da Angola. Faz fronteira com o Estado Huambo,

região da nossa pesquisa.

134 HENDERSON, Laurence W. Op. cit, p.65-66. 135Idem, p.66.

reconhecimento deve gerar a prática de uma caridade que transforma os corpos e as mentes, onde o rico reparte com o pobre, realizando assim a ação pastoral solidária, numa perspectiva da práxis que leva a ruptura entre o status das pessoas. E esta postura para Casiano é sensivelmente a conversão137.

Após a aceitação, em 1880, a Junta preparou a primeira expedição composta pelos Revs. Willian W. Basgter, William Henry Sanders e pelo Prof. Samuel Taylor Miller. Estes, antes de irem para Angola, partiram dos EUA para Portugal, onde estiveram por seis meses aprendendo o português. Depois deste aprendizado fundamental para sua missão, os missionários partiram, de navio, para Angola em 5 de outubro chegando em 13 de novembro de 1880, em Benguela, litoral da Angola, que facilitava o acesso à entrada para o Bié. A preparação para a viagem ao Bié foi realizada entre novembro de 1880 e março de 1881138.

Para a concretização dos propósitos, os primeiros missionários do congregacionalismo angolano tinham que alcançar a região mencionada. Tiveram que organizar uma caravana, com destino à região do Bié, constituída por 95 homens, alguns burros, bois e os missionários. Contrataram uma pessoa, conhecedora da rota, que servisse de guia. Durante o percurso, William W. Bagster viajou montado num boi, William Henry Sanders e Samuel Taylor Miller, no princípio da viagem, iam transportados nas tipóias139 e depois a pé, fazendo um percurso de 480 Km140.

A maior parte dos membros da caravana e os burros transportavam alimentação, os demais transportavam diversos materiais e utensílios pertencentes aos missionários.

A viagem, segundo Ovídio de Freitas Chissengue, foi demasiadamente cansativa e demorada, apesar das noites terem sido animadas com cânticos, danças e piadas. Durante o dia os missionários, para desfazerem-se do calor e cansaço ao longo da viagem, aproveitavam para dar alguns mergulhos nos grandes rios que encontravam141.

Quando chegaram na área do Bailundo, região liderada por um grande Soba142, Ekuikui II, tiveram que se apresentar antes de prosseguir a viagem. O Soba os recebeu

137 FLORISTAN, Casiano. Conceptos fundamentais de pastoral. Madrid, Edições Cristiandad, 1983, p.28. 138HENDERSON, Lawrence W. Op cit p.66.

139 Tipóia, que na língua umbundu é denominado “owanda”, específico para transportar pessoas que não

conseguem andar ou caminhar a pé. Os Reis também tinham o privilégio de serem transportados em tipóias. A tipóia é feita de cordas tecidas tecnicamente extraídas da casca da árvore, atado em dois paus de forma transversal de modos a possibilitar que a pessoa transportada possa estar cômoda na tipóia.

140HENDERSON, Laurence W. Op. cit, p.66.

141 CHISSENGUE, Ovídio de Freitas. Brochura mimiografada: Como começou a IECA. Lubango Angola,

IECA, p.11-12.

142 Soba vem de Soma: autoridade máxima tradicional que governa uma extensa região composta por sub-

cordialmente, acomodando-os. Alguns dias depois, o Soba convocou os missionários para que falassem do objetivo que os trazia a Angola. Aproveitando a oportunidade que lhes foi dada, os missionários falaram ao Soba sobre a existência de um Deus e dos mandamentos por Ele instituídos. Falaram também da necessidade que sentiam de revelar ao mundo tal maravilha. Os missionários ficaram surpreendidos com a resposta do Soba ao responder que se aquele era o objetivo e o fundamento do ensinamento que traziam ao povo, podiam regressar porque o que acabavam de dizer não era novidade. O povo conhecia Deus Supremo (Suku). Quanto aos mandamentos, também já eram conhecidos, pois ninguém roubava ao outro, ainda que deixar a casa aberta, ninguém abusava da mulher do outro, os filhos respeitavam os pais e tudo mais. Os missionários, diante de tal conflito, responderam dizendo: “viemos também falar para o povo sobre Jesus Cristo, o filho de Deus”. O Soba, ouvindo sobre Jesus Cristo, respondeu: “este sim nós não conhecemos. Podem ensinar ao

nosso povo do reinado aqui no Bailundo antes de prosseguirem a vossa viagem para o Bié”143.

Segundo revela Tarcísio P. Chokombongue, os missionários, não concordando com a decisão do Soba do Bailundo, tentaram partir para o Bié. Porém, antes de chegarem à região fronteiriça com o Bié, localidade Vihele, subreino liderado por um súdito do Soba Ekuikui II, foram impedidos de prosseguir. Os missionários, diante da situação embaraçosa, não tiveram alternativa senão regressar para o Bailundo e apresentar-se novamente ao Soba Ekuikui II. Conformaram-se com a situação e dar início ao trabalho evangelístico na localidade de Chilume, vasto espaço geográfico que lhes foi cedido pelo Soba para o efeito. Foi assim que se criou a primeira missão no centro de Angola, com a designação Missão Evangélica do Bailundo 144.

O cenário da entrada dos missionários nessa região aconteceu no período antes dos portugueses invadirem a área do Huambo. Com exceção de um português chamado Braga, que posteriormente, veio a fomentar intrigas, por instalar na localidade sua atividade comercial de bebidas alcoólicas. A Igreja Evangélica Congregacional foi a primeira Igreja Cristã protestante a ser implantada na região do Huambo antes da invasão dos portugueses, antes da implantação da Igreja Católica na região. Entretanto, é importante ressaltar que a

143 HENDERSON, Laurence W. Op. cit p.68.

144 CHOkOMBONGUE, Pedro Tarcísio. O congregacionalismo: Origem, desenvolvimento e consolidação da

igreja evangélica congregacional no solo Angola .Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação do seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, 2002, p.91.

primeira igreja protestante a ser fundada em Angola foi a Igreja Batista, em S. Salvador ao norte da Angola, em 8 de agosto de 1878, pela Sociedade Missionária Batista145.

Em 1884, um incidente que interromperia o serviço iniciado os aguardava. Braga, o comerciante português vendedor de bebida alcoólica, sentindo raiva dos missionários pelo fato dos mesmos proibirem o consumo de bebida alcoólica, foi ter com o Soba, dizendo que os brancos que ele havia acolhido eram perigosos. Também disse que eram capazes de cavar um túnel no subsolo do Ombala, fazendo com que ela fosse soterrada com o Soba e o povo. O Soba, ouvindo essa suposta advertência, que não passava de uma grande intriga de Braga, mandou expulsá-los e queimar a estrutura onde haviam sido instalados.

Os missionários, diante desta situação, retornaram para Benguela, cidade portuária por onde desembarcaram quando chegaram de Portugal. Lá permaneceram orando pedindo que Deus transformasse o coração do Soba146. Dois anos antes desse incidente, ocorrido

em 1884, morre Bagster, chefe da missão. Os missionários enfrentaram dois problemas em dois anos, a expulsão e a morte do companheiro147.

No momento da expulsão, também foram espoliados seus pertences, e nessa altura um dos nativos queria apropriar-se de uma garrafa contendo líquido e esse foi alertado imediatamente pelo missionário de que aquele líquido era altamente venenoso, uma vez ingerido. Esta atitude do missionário, que embora sendo maltratado não deixou que um dos nativos morresse por causa do produto que se tratava de um agrotóxico venenoso. Tal atitude marcou a vida do povo, de forma que as mulheres, nas festas comemorativas, têm realçado tal particularidade, pois é considerada atitude de compaixão dos missionários148.

Essa é uma particularidade registrada pela tradição oral, não sendo encontrada em livros. Pouco tempo depois, no mesmo ano, um missionário vindo do Zimbabwe (ex- Rodêsia), que pertencia a outra comunidade protestante, Irmãos de Plymouth, Frederick Stanley Arnot, desmentiu as informações do comerciante. Diz Henderson que era jovem de 23 anos, porém aprendera muito no contato que tivera com os reis africanos e comerciantes europeus. O Soba, por sua vez arrependido, mandou um emissário para Benguela, pedindo que os missionários voltassem e retomassem suas atividades. O pedido e arrependimento do Soba encontram-se descritos na carta do Soba, da qual Henderson faz questão de revelar o conteúdo:

145HENDERSON, Lawrence W. Op. cit. p.47.

146Informação obtida através da representação cênica, retratando com pormenores a implantação da Igreja. 147 HENDERSON, Lawrence W. Op. cit p.67.

148 Este detalhe tem sido evidenciado pelas mulheres nas representações cênicas alusivas à chegada dos

Ao sr. Sanders e Comitiva, missionários: desejo, de todo o coração, que voltem. Eu procedi muito mal convosco e com as pessoas que convosco estão. Eu procedi como se vos tivesse traído, tendo-os recebido primeiro como meus amigos e meus filhos e depois mandando-vos embora como se fossem meus inimigos. O Braga convenceu-me de uma maneira a que eu não consegui resistir. Ele disse-me, em resumo, que, ao acolher aqueles ingleses, eu estava a fazer o mesmo que se estivesse em guerra com os portugueses; que devíeis ser mortos. Disseram-me que estão a pensar em ir para o Bié. Não vos deterei, como o fiz quando aqui estivestes pela primeira vez, há cerca de três anos. Tendes toda esta região ao vosso dispor: regressem e sejam meus amigos. Eu vou fazer todos os possíveis de vos restituir o que então vos pertencia. Tenho oito fardos de roupa, tenho ferramentas, livros etc, que vos pertencem. Tudo isso vos vai ser devolvido. O meu povo chora. Estamos muito envergonhados. Voltem! Não permitais que nosso nome cheire mal em toda a parte por causa do que o Braga nos fez149.

Os missionários, depois de terem recebido a carta, decidiram ir de novo para o Bailundo, e quando chegaram o Soba e o povo ficaram contentes com a presença deles.

Benzer Belgeler