5.3 Öneriler
5.3.2 İleride Yapılacak Araştırmalara Yönelik Öneriler
Na familia ampliada, André não dispõe de nenhum parente que tenha alcançado níveis mais avançados de escolaridade. Nesse universo, é ele também que inaugura um processo de longevidade escolar. Ele remete-se apenas a duas figuras familiares que poderiam, de alguma forma, ter-lhe servido de referência. Em primeiro lugar, a tia materna, que “muito nova foi pra São Paulo, lá viveu, trabalhou e estudou”; nesse sentido ele a considera uma pessoa “cosmopolita”. Segundo, um tio de sua mãe que teria feito um curso técnico.
No entanto, temos como hipótese que uma convivência duradoura e predominante com um grupo de mesma idade, mas pertencente a um meio sócio-cultural de classe média, tenha lhe proporcionado importantes padrões distintos dos que recebeu de seu universo familiar. Desde criança, André conviveu com jovens que, apesar de residirem em Belo Horizonte, mantêm fortes vínculos com aquele distrito de Pedro Leopoldo, onde
André mora, tendo aí uma espécie da “casa de campo”.5 Segundo sua mãe, tal
convivência foi uma escolha dele. Os pais não o proibiam de brincar com outros meninos. De acordo com a mãe, seus irmãos também tinham essas preferências, sofrendo sua influência, provavelmente. “Os menino todo (os outros filhos) não brincava com todo mundo, não. Brincava no beco, na pracinha, e voltava; a inteligência deles não dava”, afirma D. Sílvia. Clarice também reforça essa informação: “ele não andava com esses meninos daqui, não”.
Esse tipo de convivência ocasionou pesados conflitos com o pai. Supomos que a resistência de André em começar a trabalhar aos 15 anos, reivindicando ser “estudante
em tempo integral”,6 por exemplo, tenha tido uma de suas mais importantes fontes, em
modelos socializadores de classe média. Ainda que André tenha se identificado como um “trabalhador-estudante”, é possível supor que ele, sofrendo as influências socializadoras
5
Foi um desses jovens, residente em Pedro Leopoldo, que, conhecendo nosso objeto de estudo, sugeriu-nos que a história escolar de André “se encaixava” em nossa problemática e que, portanto, seria interessante que o entrevistássemos.
6
Tomamos de empréstimo de Romanelli (1995, p.452-456) essa categoria. Este autor, abordando o significado da educação superior para famílias de camadas médias e, referenciando-se no estudo de Foracchi (1965) sobre estudantes da Universidade de São Paulo (USP), distingue os universitários que investigou em
desse grupo, contraditoriamente, desejasse e/ou considerasse possível, ser um estudante em tempo integral como seus amigos. Não temos dados acerca das trajetórias escolares desses seus amigos, mas pressupomos que muitos deles (todos?), na adolescência, dedicaram-se exclusivamente, ou quase, aos estudos. Essa atitude de André foi objeto de sérios embates com Seu Otávio, já descritos nesse trabalho.
Seu Otávio alimentava também muitos receios em relação a essas amizades de André. Quem nos falou desses temores foi D. Sílvia. Pai e filho brigavam muito por essa razão. “André foi um menino muito judiado, quando ele (o pai) bebia, batia muito nele; batia com a cabeça dele pras parede”, lembra a mãe. Isso era motivo de brigas também entre ela e o marido. Quando André saía, à noite, para encontrar com os amigos, ela e os filhos iam atrás dele, temendo e tentando evitar as reações do pai. Ela conta que ele acreditava que, por causa dessa convivência, seu filho “não ia dá nada que presta”:
“Ele andava muito na malandrage; andava muito com esses menino do (...). Ele falava: cê tá achano que ocê vai sê como esses menino do (...)? Eles têm futuro; cê não tem não! Cê não vai dar nada que presta! André respondia: “cê vai vê, pai, se eu não vou dá nada que presta!”
Ainda que com peso secundário, André conviveu também com jovens das camadas populares. Essa convivência, apesar da debilidade dos dados aos quais tivemos acesso, parece ter sido uma fonte de desestímulo para seu projeto de continuar os estudos. André fala de “colegas”, contrapondo-se a eles, que, sendo também de origem popular, não construíram para si projetos de futuro; colegas, segundo ele, que viviam imersos num eterno presente. Sobre essa questão, discutiremos adiante. Seu Otávio refere-se também a um companheiro dele em particular, que o teria “desencaminhado” da escola, quando tinha 13 anos (caso já descrito acima).
Confrontando, não apenas as referências do meio familiar com aquelas que se originaram dos distintos grupos de pares, mas também as referências oriundas do contexto juvenil entre si, ou seja, dos grupos de pares de classe média com as das camadas populares, ressaltamos que André sofreu influências contraditórias em seu
processo de socialização. Em que medida o grupo de convivência juvenil de classe média teria influenciado sua determinação de vencer na vida através escola? Por que teria privilegiado valores de classe média? Entendemos que é sobretudo a noção de “configuração social” que oferece subsídios para uma melhor inteligibilidade do entrelaçamento de fatores que entram em jogo e explicam esse caso de sucesso escolar.
Temos consciência de que as relações de André com seus amigos de classe média não foram devidamente exploradas. Clarice destaca, em particular, a importância do incentivo que um dos pais desses colegas, que é dentista, teria dispensado a ele. Supomos, no entanto, que as influências recebidas desse universo, tenham ultrapassado a esfera do incentivo. Provavelmente elas passaram pela incorporação de “categorias fundamentais de percepção do mundo”(De Queiroz e Ziotkovsky, 1994), distintas das que recebeu de seu meio familiar. Uma dessas influências não estaria relacionada, por exemplo, com as disposições temporais favorecedoras?