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Educar uma criança é tarefa espinhosa, que requer muita argúcia, boa dose de bom senso, paciência, muita paciência, e, principalmente, o espírito de seguimento e continuidade. O que torna a educação eficaz é o exemplo. Em geral, o rigor é inútil. Só a perseverança vence. (ANDRADE FILHO, 1947, p.15).

Odilon de Andrade Filho, médico-pediatria, dedicou seus estudos em torno da criança pequena, fazendo pesquisas em prol da melhoria das condições salutares dessa, focando, especialmente, em aspectos ligados à alimentação; higiene; sono; formação de bons hábitos de comportamento.

Também foi autor de trabalhos voltados à discussão de infecções, epidemias e tratamentos de diversas moléstias que poderiam afetar os pequenos. Sua atuação se deu, ativamente, no Instituto Fernandes Figueira fundado no ano de 1924 por iniciativa de Antônio Fernandes Figueira140, que exercia, desde 1921, a chefia da Inspetoria de Higiene Infantil do Departamento Nacional de Saúde.

Com o nome de: Abrigo-Hospital Arthur Bernardes, inicialmente, o Instituto exercera suas atividades como um hospital para crianças e gestantes, buscando oferecer toda a assistência necessária, bem como aprimorar e desenvolver pesquisas em torno no ensino de Puericultura.

Na década de 1930, no entanto, de acordo com a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), o hospital chegou a receber diversas críticas e foi desativado. Suas atividades retornaram no ano de 1939 com o nome de Instituto de Higiene e Medicina da Criança, e ele abrigava o Serviço de Puericultura do Distrito Federal.

No ano seguinte, com a fundação do DNCr o Instituto foi reformulado, passando a se chamar Instituto Nacional de Puericultura (INP), já não mais atuando apenas como Hospital, mas com a missão principal de realizar estudos e pesquisas sobre a maternidade e saúde da criança, fornecendo, dessa forma, cursos ao DNCr com a intensa participação de seus técnicos.

140 Médico formando na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Antônio Fernandes Figueira (1863-1928) foi

trabalhar com Oswaldo Cruz em 1903 no Hospital São Sebastião, onde passou a dirigir a enfermaria de doenças infecciosas de crianças, introduzindo a prática de internar as crianças acompanhadas de suas mães, prática inovadora na época. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, Fernandes Figueira, em 1921, passa a dirigir a Inspetoria de Higiene Infantil do Departamento Nacional de Saúde, a qual culminou na instalação do Abrigo- Hospital Arthur Bernardes em 1924, que tinha por intuito dedicar-se exclusivamente à assistência à criança, às gestantes e ao ensino de Puericultura. Maiores informações podem ser encontradas em: <

Em 1946, o Instituto passa a se chamar Fernandes Figueira (IFF). Sua estrutura foi reformulada para adaptar-se às necessidades do DNCr e atuar diretamente com ele, tanto que no Diário Oficial de fevereiro de 1949, o Instituto Fernandes Figueira apareceu como um dos servidores do DNCr, apresentando a relação nominal de seus funcionários que englobam: diretor; médico pesquisador; atendentes; enfermeiros; farmacêutico; médicos puericultores; prático em farmácia; e técnicos em laboratório. Dentre os nomes que compõem o quadro do Instituto estava o de Odilon de Andrade Filho, que atuava como médico puericultor.

O IFF exerceu suas atividades vinculado ao DNCr até 1970, quando com o fim do referido Departamento, foi incorporado à Fundação Instituto Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), passando a atuar com pesquisa, ensino, assistência, desenvolvimento tecnológico e extensão visando à saúde da mulher, da criança e do adolescente, operando nesse âmbito até o presente momento141.

Foi, portanto, nesse Instituto, ligado diretamente ao DNCr, que Odilon de Andrade Filho exerceu suas atividades. Infelizmente, não foi possível encontrar mais informações específicas a respeito de sua formação e o que ele exerceu até entrar no Instituto Fernandes Figueira. Porém, pela contracapa de uma de suas obras, encontramos uma lista de publicações feitas pelo médico até o ano de 1947, data de publicação de sua primeira obra bibliográfica, aparentemente.

A atuação de Odilon de Andrade Filho até o ano de 1947, deu-se incisivamente em pesquisas de cunho epidemiológico, destacando desde as causas de infecções até os possíveis tratamentos para elas, sendo suas publicações feitas em Periódicos de Pediatria e Puericultura, como consta na contracapa de sua primeira produção bibliográfica intitulada “Prepara teu filho para a vida: educação psicológica da criança”142.

Ainda nessa obra há o registro três trabalhos publicados nos anos de 1945, nos quais o médico dedicou-se a tratar de assuntos mais ligados à educação das crianças, tanto no que se refere à orientação das mães, quanto à alimentação e cuidados com os pequenos.

Na Figura 18 pode-se observar a capa dessa obra e no Quadro 10 os trabalhos do autor até 1947.

141 Maiores informações podem ser encontradas em: < http://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/instituto- fernandes-figueira >

142

ANDRADE FILHO, Odilon. Prepara teu filho para a vida: educação psicológica da criança. 1ª ed. São Paulo: José Olympio Editora, 1947.

Figura 18 - Capa da obra: “Prepara teu filho para a vida: educação psicológica da criança”, de Odilon de Andrade Filho, publicada em 1947.

Fonte: (ANDRADE FILHO, 1947)

Quadro 10: Trabalhos de Odilon de Andrade Filho publicados até 1947

Título da Obra Data de Publicação Publicação Jornal ou Revista Infecção Dentária Dezembro de 1934 “Medicamenta”

Do emprego do leitelho nos distúrbios nutritivos do lactente

Dezembro de 1934 e Janeiro de 1935

“Anais de Ginecologia e Obstetrícia”

e “A Folha Médica” Moléstia Moeller - Barlow Julho de 1935 “Jornal da Pediatria” Considerações em torno de um

caso de decomposição alimentar extrema

Julho de 1937 “Jornal da Pediatria”

Anestesia pelos gazes - Ciclopropano

Julho de 1939 “Acta Médica” Metabolismo basal e anestesia

pelo protoxido de azoto

Setembro de 1939 “Acta Médica” Linfangiectasia congênita Fevereiro de 1941 “Jornal da Pediatria” Paludimos Congênito Julho de 1941 “O Hospital”

Um ano de pesquisa do raquitismo no Rio de Janeiro (em colaboração)

Fundamentos do Método Kenny para o tratamento de paralisia infantil

Julho de 1943 “Jornal da Pediatria”

Fleboestenose esplênica Agosto de 1943 “Jornal da Pediatria” O problema das amigdalas e das

adenoides

Março de 1944 “Jornal da Pediatria” Qual o tratamento a seguir em

um caso de epiema

Abril de 1944 “Jornal da Pediatria” O tratamento do criptorquidismo Novembro de 1944 “Jornal da Pediatria”

Cartilha das Mães 1945 José Olympio Editora

Conselhos Educativos sobre Alimentação

1945 Editora da Cia. Nestlé

O cinema e a criança Outubro de 1945 “Puericultura” Moléstia de Milroy Setembro de 1946 “Jornal da Pediatria” Tratamento de meningites pelo

“Hemophilus Influenzae” pela associação penicilina- sulfadiazina

Outubro de 1946 “Jornal da Pediatria”

Fonte: Elaborado por Varotto-Machado (2015) com base em Andrade Filho (1947).

Essa obra, publicada em 1947 pelo Dr. Odilon de Andrade Filho, organizou-se como um guia para os pais no que se referia aos cuidados com: alimentação; sono; brinquedos; cinema; linguagem; aspectos emocionais e afetivos; medos infantis; correções de conduta; psicometria; e desenvolvimento motor.

Pretendia o autor, com essa obra “(...) orientar a formação mental das crianças.”. Formação dos bons hábitos de comportamento e um modelo para pautar as questões educativas, também eram outros objetivos com os quais o autor organizou sua obra.

Posicionava-se contra normas rígidas de imposição disciplinar, mas sem que essa perdesse seu caráter de firmeza. Quanto à criança, defendia o tratamento dela como tal, de modo a ser compreendida em sua personalidade própria e ter seus primeiros tempos de vida mais respeitados que qualquer outro. Por isso, observar as manifestações do caráter infantil, corrigir suas deformidades e estimular boas tendências deveria ser o papel do adulto, pois o que a criança seria ao crescer era consequência das impressões que foram fixadas em seu espírito. (ANDRADE FILHO, 1947, p. 13-14).

Ao todo, Odilon de Andrade Filho apresenta 306 páginas, nas quais indica aos pais/adultos que já têm ou desejavam ter filhos, todo o trato necessário para que esses desenvolvessem com base em bons hábitos de conduta. Destacou os maus comportamentos que as crianças poderiam apresentar e qual a melhor atitude a ser tomada pelos responsáveis.

Pode-se afirmar que essa obra organiza-se como um manual para a educação dos filhos, no qual o médico deixou clara a necessidade dos cuidados básicos com a saúde e higiene infantil.

A partir de 1949, Odilon de Andrade Filho aparece como um dos 15 médicos puericultores do Instituto Fernandes Figueira, exercendo suas atividades vinculado diretamente ao DNCr. No ano de 1956, o médico foi autor de uma das publicações veiculadas pelo Departamento e Ministério da Saúde, junto com o Dr. Sebastião Barros Filho143 e com a arquiteta Maria Bernadette Pereira Hirth144. Com o título “Creches (Organização e Funcionamento)”145, os autores procuraram atender a uma das atribuições do DNCr que era “(...) oferecer aos interessados normas para a criação e o funcionamento de creches”. (ANDRADE FILHO; BARROS FILHO e HIRTH, 1957, p. 03).

Abrir creches era uma necessidade que se instaurava no país, segundo os autores, a partir da era industrial, momento em que a solicitação de mão-de-obra também trouxe atrativos às mulheres, e assim, surgia o problema do destino que deveria ser dado aos filhos durante o trabalho das mães.

Nas 64 páginas que seguem a obra, os três autores procuraram discorrer sobre os atributos que levaram à necessidade de instalação de creches, procurando definir o papel delas na sociedade e apresentar desde aspectos relacionados à sua estrutura física, até a discussão do pessoal mais indicado para exercer o trabalho lá.

Na Figura 20 pode-se visualizar a capa dessa bibliografia.

Com planos, relatórios de admissão, croquis, orientação para as mães, cuidados com a saúde e higiene infantil, essa obra foi se delineando, apresentando ao final as Leis de Proteção ao Trabalho da Mulher, com o Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de Maio de 1943, que destacou a proteção à maternidade e a necessidade de oferecimento de locais de “guarda para as crianças”, que contivessem: “(...) um berçário, uma saleta de amamentação, uma cozinha dietética e uma instalação sanitária”. (ANDRADE FILHO, BARROS FILHO e HIRTH, 1957, p. 63). Era essa, pois, a definição que se encontrava na letra da lei para a “creche”.

143 Sebastião de Barros Filho, de acordo com a apresentação da referida obra era um pediatra, amigo do Dr.

Flamarion Costa, então diretor da Divisão de Proteção Social do DNCr, que aceitou o convite em colaborar com o Dr. Odilon de Andrade Filho nessa publicação.

144 Também pelas informações encontradas na apresentação da referida obra, Maria Bernadette Pereira Hirth, era

arquiteta responsável pelo planejamento de creche e suas dependências, porém não há informações sobre a atuação ou não da mesma no DNCr.

145ANDRADE FILHO, Odilon de. BARROS FILHO, Sebastião. HIRTH, Maria Bernadette Pereira. Creches

Figura 19 - Capa da obra: “Creches – organização e funcionamento”, de Odilon de Andrade Filho, Sebastião Barros Filho e Maria Bernadette Pereira

Hirth, publicada em 1957. Fonte: (ANDRADE FILHO, 1957).

Não foram encontrados registros sobre o tempo de atuação de Odilon de Andrade Filho no IFF, porém, pelas informações encontradas no Diário Oficial da União de agosto de 1961, o médico aparece como um dos 117 funcionários do Instituto Fernandes Figueira a receber uma gratificação especial de nível universitário. Nesse registro, ele aparece ainda como médico puericultor do Instituto.

No mesmo ano, também, Odilon de Andrade Filho aparece como Presidente do Centro de Estudos Olinto Oliveira (CEOO)146, também situado no Instituto Fernandes Figueira. Esse

Centro foi fundado em 1940, subordinado ao DNCr, tendo como primeiro Presidente Mário Olinto de Oliveira147. Entre as décadas de 1940-1950, o CEOO contou com a participação de

146 Maiores informações podem ser encontradas em: < http://correio.iff.fiocruz.br/a/ceoo/ceoo.php >

147 De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, Mário Olinto de Oliveira (1898-1976) era filho do médico

pediatra e fundador do Departamento Nacional da Criança (DNCr), Olympio Olinto de Oliveira. Formou-se em Medicina na Faculdade de Medicina de Porto Alegre. Como interno pôde trabalhar na Policlínica das crianças sob a direção do Professor Fernandes Figueira, sendo convidado, após sua formatura, para chefiar a enfermaria do Abrigo-Hospital Arthur Bernandes em 1926, que deu origem mais tarde ao Instituto Fernandes Figueira. Exerceu esta função por 17 anos, até ser convidado em 1929 a assumir a chefia do Hospital, ficando nessa

pesquisadores e professores estrangeiros, que poderiam integrar os diversos campos e eventos de pediatria clínica e social no país.

O nome de Olinto Oliveira dado ao Centro representou uma homenagem ao criador e primeiro Diretor Geral do DNCr, Professor Olinto Olympio de Oliveira148, o qual dedicou-se aos cuidados com a maternidade e a infância durante toda sua trajetória. Sua proposta, de acordo com o Centro, pode ser considerada pioneira para se pensar os cuidados materno- infantis na época, trazendo, além do amparo necessário, grandes inovações às discussões médico-sociais no Brasil.

A preocupação do CEOO, por sua vez, esteve pautada no debate de questões científicas. A partir de 1992 tornou-se entidade autônoma e colegiada, sem fins lucrativos, ainda ligada ao Instituto Fernandes Figueira- IFF, e “(...) tendo por finalidade organizar, coordenar e divulgar atividades técnico- científicas que contribuíram para o desenvolvimento das áreas de ensino, pesquisa e assistência do IFF”.149

No entanto, não foi possível encontrar informações sobre como foi a atuação de Odilon de Andrade Filho no CEOO. Sabe-se que sua gestão foi no ano de 1961, e pelas propostas do Centro, pode-se aferir que o médico presidiu as pesquisas e trabalhos desenvolvidos no local.

Também na página destinada ao Centro de Estudos, foi possível encontrar uma imagem do Dr. Odilon de Andrade Filho no ano de 1961, a qual pode ser vista a seguir.

função até 1947. Foi nesse Hospital que, a partir de 1940, o Dr. Mário Olinto de Oliveira passou a desenvolver uma série de estudos e pesquisas, que culminaram na formação do Centro de Estudos Olinto Oliveira. Era médico particular da família do presidente Vargas, sendo muito prestigiado por ele. Entre os anos de 1950-1960, trabalhou ativamente na formação de médicos-puericultores nesse Instituto, e defendeu, durante toda sua trajetória, a formação da pediatria. Maiores informações podem ser encontradas em: <

http://www.sbp.com.br/show_item.cfm?id_categoria=74&id_detalhe=1295&tipo=D >

148 Também de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o Dr. Olinto Olympio de Oliveira (1866-1956)

graduou-se na Faculdade Nacional de Medicina no ano de 1887. Com 21 anos de idade, retornou a Porto Alegre, sua cidade natal, onde fundou em 1898 a terceira Faculdade de Medicina do país, onde, inclusive lecionou até 1918. Em 1918, transferiu-se para o Rio de Janeiro dando início, junto a Fernandes Figueira, seu colega da faculdade, a fundação do Hospital Arthur Bernardes, atual Instituto Fernandes Figueira, onde passou a dedicar-se com mais ênfase aos cuidados e proteção maternos-infantis. Com a Era Vargas, Olinto de Oliveira passou a ser Chefe da Inspetoria de Higiene Infantil, e a partir da intensificação de políticas públicas em prol da criança, em 1940, com o objetivo de normatizar nacionalmente o atendimento materno-infantil, conseguiu o apoio necessário para a instalação do Departamento Nacional da Criança, passando a presidi-lo até o ano de 1949. Sua trajetória é marcada por pesquisas e iniciativas que visavam ao atendimento ao binômio mãe-filho e ao combate à mortalidade infantil. Maiores informações podem ser encontradas em: <

http://www.sbp.com.br/show_item.cfm?id_categoria=74&id_detalhe=1276&tipo=D >

149 As informações a respeito do Centro de Estudos Olinto Oliveira foram encontradas no seguinte endereço

Figura 20 - Dr. Odilon de Andrade Filho Fonte: Centro de Estudos Olinto Oliveira (CEOO)150

Por fim, no ano de 1969, Odilon de Andrade Filho, publicou mais uma obra bibliográfica, intitulada “ABC das Mães: a criança do nascimento à adolescência”151, na qual o autor apresentou um guia para as mães, que vai desde os cuidados necessários, tanto com a gravidez quanto com o nascimento da criança, até a idade de 14 anos. Dessa forma, o autor passou por cada faixa etária, trazendo dicas para o cuidado com as crianças desde os brinquedos, alimentos, e as possíveis doenças que pudessem aparecer nesse período, bem como o cuidado que deve ser despendido com cada uma delas.

Ao longo de suas 429 páginas, Odilon de Andrade Filho (1969) trabalhou, também, com a formação de bons e maus hábitos na criança e de como os pais deveriam agir nessas situações. Com a apresentação escrita pela mãe de um de seus pacientes, Rachel de Queirós, a qual destacou essa obra como “um livro perfeito” para as mães, que as ensina a comportar-se e a prevenir-se de todas as dificuldades e moléstias que seu filho possa apresentar; o médico pediatra pediu, também, logo nas primeiras páginas que as mães que tivessem sugestões

150 Maiores informações podem ser encontradas em < http://correio.iff.fiocruz.br/a/ceoo/historico.php >

151 ANDRADE FILHO, Odilon. ABC das Mães: a criança do nascimento à adolescência. Rio de Janeiro:

escrevessem para seu consultório particular ou para a Clínica de Pronto Socorro Infantil AMIU (Assistência Médica Infantil de Urgência), para que ele pudesse ler as sugestões, no sentido de aprimorar e contribuir ainda mais para a saúde das crianças.

Na Figura 21 encontra-se a capa dessa obra:

Figura 21 - Capa da obra: “ABC das mães: a criança do nascimento à adolescência”, de Odilon de Andrade Filho, publicada em 1969.

Fonte: (ANDRADE FILHO, 1969).

Ainda em relação a esse trabalho do médico-puericultor, pode-se destacar a preocupação dele na organização de sua obra, utilizando-se de figuras e uma linguagem acessível, de tal forma que se for seguido passo-a-passo pelas mães, tal obra contribuiria para que a criança tivesse um crescimento saudável, como Odilon de Andrade Filho (1969, p.15) afirmou: “Proporcionemos a nossos filhos um ambiente tal que ele se traduza na adolescência em uma floração de promessas e na madureza em uma farta messe de frutos opimos.”.

Pela leitura e análise das obras de Odilon de Andrade Filho, portanto, fica evidente a preocupação do período, ainda, com as questões relacionadas à saúde e higiene. Atividades ligadas ao desenvolvimento psico-fisiológico da criança aparecem como fundantes em seu

pensamento. Nota-se, também, o papel do adulto em criar os hábitos considerados bons para o desenvolvimento da criança.

Em relação à creche, ela era vista com um caráter assistencialista, apresentando, infimamente, questões ligadas à educação das crianças que ali estarão, tanto que, em nenhum momento, o autor refere-se à presença de um professor, ou de alguém que dispense algum tipo de formação em nível normal ou superior para lidar com as crianças.

Na época, mães e enfermeiras eram as melhores opções para a execução do trabalho exigido nas creches, com cursos rápidos e simples que ensinavam, apenas, as questões práticas que executariam diariamente, ficando aos homens a responsabilidade de serviços pesados, e no caso, do médico que orientaria tudo que deveria ser feito com as crianças, acompanharia cada trabalho, a fim de cuidar de questões salutares e diagnósticas, e também das possíveis anormalidades que a criança pudesse apresentar.

3.5. Educadora ou Médico? Afinal, quem são as personagens que trazem propostas para