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3. YEREL YÖNETİMLER VE TURİZM

3.2. Yerel Yönetimlerde Örgütsel Yapı ve İşleyiş

3.2.1. İl Özel İdaresi

Como já dito anteriormente, foram selecionadas seis categorias de temáticas tratadas ao longo de cada reportagem. É importante salientar que mais de uma categoria poderia ser observada em cada edição, podendo reincidir por diversas vezes enquanto que outra raramente.

As constatações procuraram todas convergir para o sucesso da

averiguação das hipóteses com as quais este trabalho se orienta, sendo elas: a) O Jornal Público demonstra interesse em um determinado posicionamento político, através de sua abordagem e critérios noticiosos, em função da proximidade histórica e econômica dos dois países. b) O Público narra os fatos a partir da ótica portuguesa, sem embasamentos em fontes brasileiras. Assim, os questionamentos que se fazem durante a leitura se baseiam no seguinte:

1. A respeito da entonação apresentada pela voz da narrativa noticiosa. 2. Palavra ou expressão empregada que possa implicar juízo de valor. 3. Existência de críticas diretas a algum elemento do momento político brasileiro.

4. Se a reportagem vale-se de personagens. 5. O uso das fontes.

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A primeira categoria observada nas publicações é os eleitores. Na reportagem do dia 20 de outubro23, a jornalista correspondente em São Paulo, Rita Siza, amplia as discussões em torno do apoio de Marina Silva a Aécio Neves, depois de ficar fora do segundo turno. A partir do fato noticioso que era a junção das intenções de voto de Marina à Aécio, a repórter elabora uma aproximação “à nível da rua”, por assim dizer, no que parece uma tentativa de confirmar uma possibilidade a partir da boca dos eleitores.

Existem, no meio jornalístico, os chamados “critérios de noticiabilidade”, adotados pelos profissionais de mídia. Nelson Traquina (2005, p.63) define noticiabilidade como “o conjunto de critérios e operações que fornecem a aptidão de merecer um tratamento jornalístico, isto é, possuir valor como notícia”. Sendo assim, os critérios de noticiabilidade constituem um todo de valores-notícias que visam determinar se um acontecimento é suscetível de se tornar notícia, ou seja, se possui valor notícia.

O acúmulo de valores-notícias de um acontecimento é positivo para que ele seja considerado mais apto a virar uma reportagem. Seguindo a linha de pensamento de Pierre Bourdieu, Traquina demonstra os valores-notícias como sendo “óculos pelos quais os jornalistas vêm certas coisas e não outras” (BOURDIEU, 1997 apud TRAQUINA, 2005). Sobre os valores-notícias, Traquina enumera doze:

A frequência, ou seja, duração do acontecimento; a amplitude do evento; a clareza ou falta de ambiguidade; a significância; a consonância, isto é, a facilidade de inserir o “novo” numa “velha” ideia que corresponda ao que se espera que aconteça; o inesperado; a continuidade, isto é, a continuação como notícia do que já ganhou noticiabilidade; a composição, isto é, a necessidade de manter um equilíbrio nas notícias com uma diversidade de assuntos abordados; a referência a nações de elite; a referência a pessoas de elite, isto é, o valor-notícia da proeminência do ator do acontecimento; a personalização, isto é, a referência às pessoas envolvidas; e a negatividade, ou seja, segundo a máxima “bad news is good news”(TRAQUINA, 2005, p.70).

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A notícia, segundo Traquina, é o resultado de um processo de percepção, seleção e transformação dos acontecimentos em produto. Os acontecimentos podem ser entendidos como matéria-prima e sua estratificação consiste na “seleção do que se julga ser matéria-prima digna de adquirir a existência pública da notícia, numa palavra – ter noticiabilidade”.

Como esclarece Traquina (2008), os valores-notícia distinguem-se pela problemática do estabelecimento entre valor-notícia de seleção e valor-notícia de construção - separação esta estabelecida pelo pesquisador italiano Mario Wolf. Quanto aos valores-notícia de construção, Traquina diz que “são qualidades da sua construção como notícia e funcionam como linhas-guia para a apresentação do material, sugerindo o que deve ser realçado, omitido e prioritário na construção da notícia” (2008, p.78).

Assim, entendem-se valores-notícia de construção os critérios utilizados na seleção dos elementos passíveis de inclusão na elaboração do acontecimento como notícia. De acordo como foi identificado por Galtung e Ruge (1965, apud Traquina, 2008), um dos valores de construção é a amplificação.

Uma das formas de identificar a amplificação como um critério de noticiabilidade utilizado em determinada publicação é pelo título (Traquina, 2008) que, no caso da reportagem do dia 20, era “Evangélicos que apoiaram Marina transferem voto para Aécio.” Aparentemente, o texto que corre nas próximas duas páginas possuiria um caráter meramente informativo, não fosse linha fina que trazia a seguinte constatação “No Bairro do Brás, em São Paulo, os eleitores que se entusiasmaram com a candidatura presidencial de Marina Silva vão migrar para o PSDB: uns acham que a mudança é boa, outros só querem tirar o PT, que governa há 12 anos, do poder”.

Como apontado por Traquina (2008), a amplificação do fato baseia-se na lógica de que, quanto mais amplificado o acontecimento, maiores são as possibilidades de a notícia ser notada, sendo uma das conduções as supostas consequências do ato em pauta. O título da reportagem dos votos de Marina Silva esclarece bem qual era o acontecimento noticioso a que o texto construído se margeia, no caso, o apoio da candidata do PSB a Aécio Neves. E o subtítulo vem sugerir o caráter de averiguação das possíveis consequências e discussões em torno do ato.

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A reportagem, de forte tom literário, é estruturada partir de um cenário físico: o bairro do Brás, em São Paulo. A partir daí, as descrições a respeito das instituições religiosas e, em especial o Templo de Salomão, situadas em tal cenário, vão sugerindo o enfoque na discussão da religião na política brasileira. Até o primeiro intertítulo, não há resquícios claros da política eleitoral brasileira; ao contrário, segue-se uma contextualização da história das ramificações evangélicas do bairro.

Esta escolha de fontes, centrada nos eleitores evangélicos, parece corresponder bem ao valor-notícia da personalização, como definido por Traquina, que diz: “Por personalizar, entendemos valorizar as pessoas envolvidas no acontecimento: acentuar o fator pessoa” (2008, p. 92). Mais do que a candidata Marina Silva, a reportagem parece tentar tornar o eleitor evangélico a “pessoa envolvida”.

A repórter parece deixar, como se diz costumeiramente, “na boca da fonte” a resposta sobre quem são os eleitores de Marina - daí a categorização em

eleitores - e o que o “voto evangélico” representa para uma corrida eleitoral

acirrada, dependente do voto dos indecisos - deixados por Marina.

Benzer Belgeler