3.3 Üçüncü Alt Problem
3.3.2 İkinci Bölüm: Vivace
Este discurso foi pronunciado na tradicional cerimônia de “Distribuição de Prêmios”, no Colégio São João, no dia 2 de agosto de 1879. Antes de integrar o livro publicado em 1887, este texto recebeu uma publicação especial pelo Jornal Conservateur de L’Aisne13. Está inserido no plano geral da obra tendo como objetivo demonstrar “o que o patriotismo deve ao ardor da fé”14. Esta afirmação é uma defesa contra a acusação da Terceira República nascente de que o cristianismo, por reconhecer a autoridade do Papa, outro Chefe de Estado, seria uma péssima escola de patriotismo15. Não é preciso ler muitas páginas da obra de Dehon para perceber que, como típico francês, ser patriota fazia parte inerente à sua cosmovisão, onde a França do seu tempo ainda ocupava o centro do cenário mundial.
11 OSC IV, pp. 303-304. Este texto está praticamente idêntico em NHV XIII, p. 58. Porém, junto com “Cristo
revelado”, Dehon coloca o “Cristo manifestado”. Esta expressão não aparece no texto publicado. Além disso, no mesmo número das Memórias há um parágrafo sobre a dimensão social do ensino católico nas escolas, que não consta no texto publicado: “Dans nos maisons d’éducation seulement, les enfants sont initiés à la connaissance et à la pratique de ces œuvres catholiques qui contiennent la solution duredoutable problème social...”
12 OSC IV, p. 306.
13 L.DEHON,Du Patriotisme Chrétien, Saint-Quentin, 1879. Um resumo deste discurso pode ser encontrado
em: NHV XII, p. 146. Os textos não apresentam diferenças importantes. Há uma ou outra correção de estilo no texto publicado que, porém, é mais longo, tendo acréscimo de parágrafos inteiros. Foi publicado, também, em L’Aigle de Saint-Jean 61 (1879) pp. 481-487. Este texto coincide com o das Memórias de Dehon.
14 OSC IV, p. 270.
15 OSC IV, p. 273. Lembremos que Jules Ferry havia assumido o “Ministério da Instrução” no dia 04 de
2.1 Contexto político-eclesial
Neste período, Dehon começa a confiar o Patronato São José aos cuidados de Pe. Rasset, que acabará por assumir a direção até 1885. O trabalho com os filhos dos operários perdia um pouco de terreno. Ele percebe que as mudanças necessárias para a Igreja na França somente aconteceriam por intermédio de uma opção pelo trabalho junto aos operários. “Era necessário fazer o clero da França entender isso”16. Dehon está atento também aos fatos políticos deste tempo. Um parágrafo de suas Memórias expressa claramente o seu olhar sobre a história:
Os católicos não compreenderam as aspirações populares, eles se fecharam nas suas esperanças e intrigas monarquistas. Tiveram péssima votação para a Câmera em outubro de 1878. Os 363 foram reeleitos e para afirmar a república começaram a kulturkampf que deveria durar anos. Mac-Mahon foi levado a renunciar em 28 de janeiro [1879]. Grévy foi eleito. O parlamento se pôs a desfazer todas as boas leis votadas nos últimos seis anos. O privilégio das Universidades livres foi diminuído, se trabalhou para laicizar o ensino primário. Jules Ferry volta sua atenção para o ensino secundário por meio do seu famoso artigo 717.
Dehon acabara de fazer uma peregrinação, com os alunos ao Santuário de La Salette, onde encerrou, junto com católicos de toda a França, uma “novena em favor do ensino cristão que era combatido de todas as maneiras pela maioria do parlamento”18. Em suas Memórias temos o registro de uma parte de seu sermão naquele dia:
A França cristã, aos pés de Nossa Senhora Auxiliadora, termina hoje uma novena de preces para obter o triunfo do ensino cristão. Vocês são agora muito jovens para entender a importância desta luta. [...] Jesus não deixará as
escolas sem Deus reinarem na França19.
Este é o pano de fundo político-cultural do terceiro discurso educacional de Léon Dehon que, não por acaso, tratará de “patriotismo cristão”.
16 NHV XIII, p. 147.
17 NHV XIII, p. 147. Este texto refere-se aos acontecimentos de 1879, porém, como está no caderno XIII de
Notes sur l’Histoire de ma vie podemos legitimamente imaginar que foi escrito bem depois de 1886, quando começou a redigir suas Memórias. O artigo 7, a que se refere Dehon afirma textualmente: “personne ne peut diriger des écoles publiques ou privées de quelque genre que se soit, ni y enseigner, s’il appartient à une Congrégation non autorisée”.
18 NHV XIII, p. 134. 19 NHV XIII, p. 134.
Ele está atento também ao início do pontificado de Leão XIII, que em sua opinião, “começava a revelar seu grande caráter e sua missão providencial”20. O momento era delicado porque a reivindicação da “restauração do poder temporal dos Papas” e afirmações como “a principal causa dos males é o desprezo e a rejeição da santa e augustíssima autoridade da Igreja que governa o gênero humano em nome de Deus e que é a salvaguarda e o apoio de toda autoridade legítima”21, contidas na Encíclica Inscrutabili Dei Consilio, reaqueciam a acusação de que a Igreja era inimiga da civilização e um obstáculo à prosperidade. Leão XIII, desde o início de seu pontificado, acusava os governantes que esquecem “as coisas eternas” de manterem apenas a “aparência de defensores da pátria, da liberdade e de todos os direitos”22. Seria um patriotismo de aparências que, na verdade, despreza o poder espiritual, persegue as Ordens Religiosas e “viola e oprime o direito da Igreja à instrução e à educação da juventude”23. O Papa convoca formalmente os cristãos a trabalharem para defender a Igreja “atacada por tantas calúnias”, fazer prosperar entre os jovens um “hábil e sólido método de educação” e não separar da fé católica o ensino das letras, da ciência e da filosofia. A primeira Encíclica de Leão XIII havia sido publicada em abril de 1878, antes do segundo discurso educacional, porém seu eco se fará sentir claramente na obra de Dehon apenas neste terceiro discurso, em agosto de 1879.
2.2 Apologia do patriotismo cristão
Léon Dehon parece deixar de lado o seu característico tom jurídico de defesa e assume uma retórica mais positiva para exaltar o patriotismo cristão. É um texto mais ufanista que apologético. Praticamente não se encontram referências a alguma acusação. Somente no final Dehon deixará o juízo da história a cargo de cada aluno. O interlocutor deste discurso é preferencialmente o corpo discente. Não se refere aos professores, nem às autoridades. O
20 NHV XIII, p. 149. Dehon cita em especial a Encíclica Inscrutabili Dei Consilio, de 21 de abril de 1878,
onde percebe um programa de pontificado que parte da constatação do mal-estar social: o desprezo dos verdadeiros princípios sociais, a opressão capitalista e a utopia socialista. Esta interpretação de Dehon deve ter sido escrita bem mais tarde, pois no texto desta Encíclica não há referências explícitas ao capitalismo ou ao socialismo. ASS 10 (1877) pp. 585-592. Isto virá em 28 de dezembro de 1878, com a Encíclica Quod apostolici muneris, sobre o socialismo, comunismo e nihilismo. ASS 11 (1878) pp. 372-379.
21 ASS 10 (1877) pp. 585-587. 22 Ibidem, p. 585.
discurso foi preparado para os jovens. A certa altura, ele revela: “Não me detenho nas fraquezas e apostasias do momento; poderia ferir suscetibilidades e isto não seria oportuno em uma festa escolar”24. Isto explica a timidez apologética de suas palavras e a opção por um discurso-padrão. O momento era delicado. Além disso, o tema escolhido o colocava exatamente no ponto de tensão entre o galicanismo e o ultramontanismo.
Dehon exalta ao extremo a França, destacando suas origens cristãs. Mostra que “a fé nunca apaga o amor pela pátria; ela o esclarece e o fortifica, assim como ela eleva e faz crescer tudo o que é bom na natureza. O homem religioso ama sua pátria em Deus”25. Citando o apóstolo Paulo, encontra ali argumentos para afirmar a dimensão religiosa do patriotismo:
A pátria, diz ele [Paulo], é uma grande família, são meus irmãos, os de minha própria raça; a pátria judía, para ele é mais do que isso, é o povo eleito por Deus, o povo dos patriarcas, das alianças, da Arca da Aliança, dos milagres divinos, das profecias, da promessa do Redentor, é o povo de Deus e de Cristo26.
Depois seu olhar se volta para a história e passa a expor de que modo a fé formou pátrias como Polônia, Irlanda e França. Não cita a Itália. Prefere falar do “sangue romano”, que é um dom de Deus e cuja pátria é “a cátedra e o sepulcro de Pedro”. Já com relação à França, detém-se praticamente até o final do discurso em explicitar as raízes cristãs. Chega a dizer que estaria disposto a dar o seu sangue para defender a pátria; que se não tivesse sido francês por nascimento, o seria por adoção; que é entre todas as nações a mais amada e, particularmente, abençoada por Cristo; que é uma nação batizada; uma terra regada com o sangue dos mártires; uma defensora da Igreja e vencedora das heresias; missionária em tantas nações da terra; que sabe vestir e alimentar Cristo na pessoa dos pobres. Mas, diz também, sutilmente, que a França não pode se esquecer que Cristo “deu à Igreja um chefe visível que o representa; um chefe que nos dá a verdade sem mistura, com a assistência divina, e que nos dirige no caminho da salvação”27.
Há também um momento do discurso no qual Dehon lembra que o patriotismo passa por uma vida de caráter e trabalho. Ele exalta as diversas profissões como ambientes onde, discretamente cada cidadão pode viver o seu patriotismo no cotidiano. Assim, muitos “se
24 OSC IV, p. 314. 25 OSC IV, p. 310. 26 OSC IV, p. 310, nota 1. 27 OSC IV, p. 313.
preparam no silêncio do trabalho e levam a tradição cristã à administração, ao exército, à magistratura e à indústria”28. O mesmo acontece no mundo da política e da economia. A este propósito lembra o exemplo dos irmãos Harmel, em Val-de-Bois, que tinham na época recebido destaque em uma carta de Leão XIII29.
Dehon conclui seu discurso citando nominalmente alguns soldados franceses que deram seu sangue para defender a pátria e foram cristãos exemplares, tendo estudado em escolas católicas. Todos esses seriam frutos patrióticos de uma educação e ensino cristãos. Em seguida, exalta o exemplo de alguns missionários que também entregaram seu sangue pela fé e souberam “unir o amor a Deus ao amor à pátria”30. Somente no último parágrafo, Dehon retoma o tom jurídico, fechando este discurso, como se estivesse em um tribunal:
Agora, meus filhos, são vocês que devem julgar. Quem é verdadeiramente patriota, os católicos que veneram a Igreja e querem prosseguir sob sua direção a obra de restauração social, ou estes homens que se mostram pequenos de inteligência e de coração [...] e desejariam envergonhar esta
Igreja, sua mãe e mestra, colocando a civilização nos rumos do paganismo?31