B. Ġç Hukuk Kaynakları
4. İdari Düzenlemeler
Com mais de 30 anos de experiência do setor de tecnologia da informação no Brasil, já foi presidente de várias empresas de tecnologia, tais como SID Informática, Sharp do Brasil, CCE e Gradiente. Hoje, atua como conselheiro da Brasscom e da Amcham.
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o segundo ano depois de formado, comecei a trabalhar na Olivetti, quenaquela época era uma empresa extremamente agressiva. Hoje, os jo- vens, quando ouvem falar de Olivetti, nem sabem do que se trata, pois foi uma empresa que não acompanhou a mudança tecnológica nos últimos vinte anos, não fez a migração para a eletrônica – uma vez que era focada em soluções mecânicas. Mas o fato é que, em 1971, a Olivetti, enxergando que havia uma tendência de comunicação de dados e teleprocessamento, como era chamado na época, formou um grupo todo novo para desenvolver o negócio no Brasil.
Aquele momento vivia transformações que hoje a gente olha com grande na- turalidade, mas que eram realmente grandes desaios. Você ter um computador IBM numa ponta e, na outra, um terminal de outra marca, hoje parece óbvio, mas não era assim antigamente. O cliente tinha de comprar o computador, os termi- nais, as impressoras, tudo de um único fabricante. A Olivetti começou, então, uma briga pelos sistemas mistos, provando que isso era uma grande vantagem para o consumidor, para haver concorrência. Foi nesse ano de 1971 que foi lança- do o Cics, uma espécie de monitorador de rede, em que a Olivetti mergulhou a fundo e passou a ter bastante sucesso na Europa, principalmente em bancos.
É importante salientar que na época muitos dos bancos brasileiros traba- lhavam com o chamado Listão. Tudo aquilo era impresso e distribuído para o Brasil inteiro. Uma loucura. No Bradesco, por exemplo, o Listão era chamado Corintiano, e até hoje não sei bem por quê. Alguns bancos, com tendências mais conservadoras, principalmente na Europa, trabalhavam com umas ichas enormes. Na hora em que você fazia o movimento, colocava numa máquina,
161 digitava o valor da movimentação – era um tipo de máquina contábil – e essa
icha era atualizada.
Sabíamos que tínhamos que fazer uma transformação muito grande, porém, o Brasil vivia um momento muito difícil em telecomunicação. Já se começava a falar em agências online, e sabia-se que íamos nos deparar com um problema muito sério – isso antes da reserva –, que eram linhas telefônicas. Quem é mais velho se lembra. No Rio de Janeiro, por exemplo, havia garotos que ica- vam no telefone e a proissão deles era esperar linha. Quando chegava a linha, discavam rapidamente.
Imagine, num país desses, falar em sistemas de automação de um banco, ainda mais dependendo das linhas telefônicas. Era missão impossível. Por isso, nasceu o sistema distribuído. Um dos nossos primeiros clientes pré-reserva foi a Lion e o chefe do CPD, como era chamado, o Arnon Schreiber. Ele sem- pre foi muito audacioso. E resolveu comprar terminais de outra marca, que emulavam o terminal 3270, da IBM. Um pouco depois, saiu da Lion e nós, na Olivetti, o contratamos como consultor para algumas soluções que estávamos bolando. Ele desenvolveu modelos matemáticos para ver se a linha aguentava o tráfego. Nós começamos a desenhar uma arquitetura para conviver com o que já existia, principalmente para não dar um choque, um impacto, muito grande num banco. Isso eu vivi outras vezes depois, porque a gente tentou exportar. Estive na Hungria, na Índia, muitos anos depois, e eles estavam vivendo uma fase exatamente igual ao início que vivemos no Brasil. O impacto de uma auto- mação bancária é muito grande se você quiser fazer sistemas online e tem um histórico de sistemas arcaicos, manuais.
Houve uma fase intermediária, também ainda pré-reserva. Para mim foi até uma oportunidade, mas não valorizei porque era muito jovem. O Bradesco nos chamou para criarmos o primeiro conceito de distribuição de processamento, o chamado subcentro. No Brasil todo eram escolhidos pontos que convergiam dados. E a gente fazia um dimensionamento, era um minicomputador focado em transmissão e gravação de ita magnética, só fazia isso. E em torno dele ha- via máquinas de entrada de dados, uma máquina de grande sucesso da Olivetti,
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que era a DE-520, o primeiro produto, pelo menos no Brasil, que desbancou a IBM, e era uma gravadora de disquetes.
Em torno daquele microcomputador se colocavam todas aquelas máquinas, marcadoras CMC-7, as leitoras de CMC-7 que carregavam esse minicompu- tador, e as entradas de dados nas gravações de ita cassete das DEs também eram convertidas para ita magnética para que essa máquina também lesse e, então, se mandava para a Cidade de Deus. Na altíssima velocidade de 9600 bits por segundo. Na época, todo mundo ia ver a máquina que transmitia a 9600 bits por segundo.
Essa é a fotograia daquele momento, de como esse processo foi imple- mentado no Brasil inteiro pelo Bradesco. Outros bancos não tinham tanto porte, faziam coisas menores, mas o conceito de subcentro, entrada de dados magnéticos e transmissão de dados, foi o início do uso das linhas de trans- missão de telecomunicações no Brasil. A partir daí, os bancos começaram a icar um pouco mais entusiasmados com isso. E via-se na Europa e nos Esta- dos Unidos os bancos já sendo instalados com terminais online. Ainda antes da reserva, um caso foi o Unibanco, o outro o Bradesco. Começaram a fazer uma concorrência para se fazer terminais, ainda fora da reserva e dentro dos modelos internacionais, que eram sistemas que o Karman sempre defendeu, extremamente centralizados.
É até pitoresco, mas, no nosso caso, o Bradesco deiniu uma agência na Faria Lima para se colocar o sistema, mas nós não queríamos daquela forma porque já enxergávamos que não era uma solução para o Brasil, era solução que a Itália tinha. E uma agência no Sumaré foi instalada pela IBM e começou a corrida de colocar essas agências online. E, no meio desse processo, veio a reserva de mercado.
Mesmo antes, já estávamos chamando banco a banco. Nossa estratégia de marketing era: banco, eu sei que se você pegar um terminal e conectá-lo a um computador central é um desaio muito grande, porque você precisa estar com toda a aplicação pronta no computador central, dominar perfeitamente a gestão da rede. Enim, o pessoal tinha medo, na verdade. Então, chegou-
163 se à solução de fazer isso tudo em fases. Primeiro, vamos fazer o que você
faz: transmitir para a agência o Listão e gravar num disco, num concentrador dentro da agência. E você, com os seus terminais, nessa que chamávamos de primeira etapa, vai consultar o Listão, como os bancos já faziam, só que era à mão. Você vai ter uma consulta online só para a agência, não do banco, e assim vai se adaptar a um sistema novo dentro do que está acostumado. Segunda etapa: você conectaria uma região ao concentrador. Na terceira fase, você inalmente chegaria ao computador central.
Os bancos adoraram a ideia. E eu lembro que tínhamos esse complexo, que acho que agora está começando a sair do brasileiro, que sempre achar que o que vem de fora é melhor. Acabei me tornando gerente de produtos dos terminais bancários. E fazia essa apresentação para todos os CIOs, que não tinham esse nome na época, era chefe de processamento de dados, de todos os bancos. E falávamos: aqui no Brasil izemos isso, inventamos aquilo. Um dia um diretor comercial me chamou e disse: “Nelson, para de falar de Brasil, não ica dizendo que foram vocês que criaram esse negócio, que é para dar uma visão mais internacional”.
Eu tinha meus 28, 29 anos. Finalmente, dentro desse estudo que estávamos fazendo e ainda dentro da Olivetti antes da reserva, a Olivetti internacional chamou todos os seus product manager de automação bancária para mostrar o trabalho que estavam fazendo em seus países. E eu iz a apresentação, tinha gente do Japão, dos Estados Unidos e de toda a Europa. E também de toda a América Latina. Na hora em que eu iz a apresentação da solução, com etapas, com processamento distribuído, muito devagarinho, mas vendendo, houve uma coisa inusitada que marcou muito a minha vida. No inal da apresenta- ção, a América Latina inteirinha levantou e aplaudiu. Porque eles tinham os mesmos problemas, que foi uma solução que nós inventamos juntos e, inclu- sive, em parceria com o Arnon.
Naquele mesmo ano, teve um congresso latino-americano de automação bancária e, pela primeira vez na história da Olivetti, o palestrante era um bra- sileiro. Que morreu de dor de estômago, foi lá e apresentou essa solução que
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começou a se consolidar como uma solução muito forte não só para o Brasil, como para a América Latina. Então, veio a reserva. E, quando veio a reserva, eu precisei procurar emprego porque a Olivetti trabalhava exatamente naquele pedaço em que toda a reserva caiu em cima.
E eu fui parar na Sisco, uma empresa do Maksoud. Mas continuei sempre me esforçando para ver se conseguia voltar ao mercado bancário. E um dia apareceu um headhunter que estava procurando um diretor de marketing para a Sid, que atendia ao Bradesco, e eu me candidatei e fui cair lá dentro de novo, com automação bancária. Quando cheguei, a Sid tinha acabado de instalar as máquinas na agência Panamericana. Essa agência já estava instalada, a capaci- dade de terminais dela era baixíssima para uma agência de 20, 30 terminais, tinha três minicomputadores para suportar. Tinha de ser um, senão era inviável o sistema. Mas o terminal realmente era um espetáculo. Na época, tinha um monitor todo embutido, era taylor-made, bastante avançado.
Em uma das minhas primeiras semanas na Sid, o vice-presidente cuja área de tecnologia pertencia nos chamou e falou: “Olha, a agência da Praça Paname- ricana está um desastre, ou vocês fazem esse negócio funcionar em trinta dias ou podem retirar tudo”. Funcionou. Em trinta dias. E começamos um tempo de glória, de implementar muitas agências.
A coisa não era fácil, mas foi em frente. A cada seis meses, eles olhavam para ver como o Itaú estava, era uma concorrência feroz e a gente ia implementando o Brasil inteiro. A solução de fato era robusta, mais cara, porque as agências do Bradesco tinham quase todas 50 caixas e um microcomputador não aguentaria.
Foi, então, que surgiu o Bamerindus. Eu era diretor de marketing ainda na- quela época. O João Régis [diretor de tecnologia do Bamerindus] me chamou e disse: “Nelson, eu tenho um desenho, quero uma solução barata, simples, ter- minais menos soisticados, com concentrador menos soisticado. O que você acha, dá para fazer?” Eu disse: “Claro, vamos estudar”. E levei o assunto à enge- nharia da Sid, que icou um, dois, três meses estudando e, inalmente, disse que não dava. Alguns meses depois, teve um spin off para fazer esse projeto, com vários engenheiros da Sid.
165 Em paralelo, tínhamos desenvolvido os ATMs. Também foi uma demanda
do Bradesco. Nós primeiro lançamos o ATM no Bradesco e, alguns meses de- pois, ganhamos a concorrência do Banco 24 Horas. E tem uma história pito- resca. Esses ATMs tinham que ter um papel especial que não existia no Brasil e que o Bradesco resolveu produzir na imensa gráica que tinha na época, e que hoje já não tem mais. Nós perguntamos ao Bradesco se ele podia fornecer o pa- pel ao Banco 24Horas, e eles disseram sim. Estávamos com os quiosques pron- tos e, por algum motivo, eles voltaram atrás e disseram não. E nós estávamos com toda a rede de ATMs 24 Horas sem papel para fazer recibo, enim. Naquela época, a importação era uma coisa muito complicada, e imagine chegar com um monte de malas cheias de papel. Eles iam fazer investigação.
Então, mandamos uma secretária, de avião, para Tóquio, pegar três ou qua- tro malas de papel e no dia seguinte voltar. E inauguramos o Banco 24Horas. Foi o papel mais caro da história, mas a gente ganhou um negócio muito grandee começamos a tentar fazer exportação. Por incrível que pareça, eu estive na Índia, que hoje fatura US$ 50 bilhões por ano em software, para vender automação bancária. Todos os bancos estavam reunidos, e um indiano levantou meio bravo, no meio do auditório, e falou: “O que um brasileiro veio nos ensinar aqui na Índia?” Respondi a ele: “É verdade, vocês têm a situação da gente, telecomunicações ruins, um país grande, e nós temos uma solu- ção.” Aproveitei para dizer que nossos países eram muito parecidos, e hoje se mostra que têm algumas características mesmo. Tentamos vender uma solu- ção parecida. Em Portugal conseguimos que a Honeywell fosse nosso repre- sentante na Argentina. E conseguimos uma empresa na Hungria, que usava livros para escrever os movimentos. Então, estávamos oferecendo uma ida à Lua para quem estava andando de bicicleta.
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