Este capítulo tem o objetivo de analisar os resultados derivados das entrevistas
realizadas junto aos selecionadores de contratação de mão de obra de nível médio do
segmento de manutenção industrial. Conforme apresentado anteriormente, esse
levantamento teve o propósito de identificar a relação entre os egressos e o mercado de
trabalho e quais as referências deste mercado para selecionar e contratar esses
profissionais.
Por meio de entrevistas com os selecionadores de mão de obra, buscou-se identificar
os critérios e as referências determinantes para a inserção de técnicos de nível médio que
o mercado de trabalho procura na contratação, sobretudo no segmento de manutenção
industrial.
Para tal foram aplicados aos selecionadores dessa mão de obra, tanto no Brasil
(Apêndice 1) como no Chile (Apêndice 2), questionários iguais, abertos, que pesquisavam
esses critérios e recomendações, objetivando o registro e as considerações desses
selecionadores acerca dos diversos focos propostos.
O tamanho da amostra pretendida buscava alcançar vinte respondentes, sendo dez
para a região metropolitana da Cidade de São Paulo e dez para a região metropolitana de
Santiago, compreendendo profissionais que trabalhavam em empresas reconhecidas do
ramo de seleção que realizam essa função para empresas transnacionais ou empresas
domésticas. Os questionários foram endereçados via correio e e-mail, as respostas
recebidas atingiram pouco mais de 50,0%, seis do Brasil e cinco no Chile.
Os temas incluídos pelo questionário enviado aos selecionadores referem-se aos
seguintes aspectos:
Perfil profissional buscado no momento da contratação
Competências exigidas
Experiências exigidas na contratação
Qualificações extras relevantes
Recomendações
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Aderência da Formação ao Mercado
Segundo os selecionadores, durante as entrevistas com os candidatos às vagas, eles
buscam investigar aspectos referentes à experiência profissional, estabilidade nos
empregos anteriores, educação formal, conhecimento do conteúdo do cargo e uso de
equipamentos de segurança, sendo que a ordem de importância dada aos aspectos
investigados depende da empresa contratadora.
O preenchimento de uma vaga de técnico de nível médio, na área de manutenção,
exige um perfil profissional que preencha a maioria das exigências citadas, em ambos os
países, salvo na formação escolar. No caso brasileiro, o quesito formação escolar formal é
menos valorizado, visto que as empresas contratam profissionais desde que preencham as
condições buscadas, independentemente de possuir certificação de formação. Os
selecionadores chilenos valorizam essa questão talvez pelo fato de o ensino médio lá ser
obrigatório pela legislação. Outra diferença reside no fato de que no Brasil, diferentemente
do Chile, os selecionadores atribuem menor importância na avaliação do candidato para a
idade mínima e o sexo masculino.
As distinções relativas aos cargos e salários no momento da seleção ficam por conta
das empresas contratantes que determinam aos selecionadores de ambos os países qual é
o padrão profissional do cargo e o nível salarial ofertado. É intrínseco ao processo que os
candidatos com melhores condições de formação, experiências anteriores, conhecimento
do cargo e trabalho com segurança têm possibilidades maiores de contratação em cargos
melhores e salários maiores.
As competências avaliadas na contratação referem-se ao conhecimento do conteúdo
do cargo, manipulação de ferramentas e equipamentos, inclusive os de diagnósticos e
reparação, formação escolar técnica pertinente, conhecimento de gestão, facilidade de
relacionamento, conhecimento de idioma e interesse pelas inovações tecnológicas. O
desenvolvimento das competências faz-se ao longo do tempo e através das experiências
vividas e assimiladas no desenrolar das atividades cotidianas nas empresas. No que se
refere à necessidade de conhecimento de idioma estrangeiro, os selecionadores chilenos
atribuem menor importância a esse fato do que os selecionadores brasileiros.
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Para os selecionadores, o quesito experiência prévia é considerado em relação ao
aspecto de empregos anteriores, levando-se em conta as atividades desenvolvidas e
experiências acumuladas em trabalhos anteriores no mesmo segmento, destreza,
habilidade e conhecimento na utilização de equipamentos próprios da atividade, e ainda o
conhecimento e o respeito às normas de segurança e higiene do trabalho, tanto no
desenvolvimento das atividades pertinentes ao cargo como na manipulação e aplicação de
equipamentos e instrumentos necessários à atividade.
A formação escolar e seus desdobramentos são considerados em relação ao domínio
de conhecimentos e à qualificação a partir de treinamentos e cursos formais de
especialização buscando selecionar o candidato melhor preparado e qualificado para o
cargo, sempre baseado no aprimoramento técnico do candidato. O desenvolvimento de
atualizações profissionais através de cursos e treinamentos realizados por conta própria ou
herdados das atividades desempenhadas em outras empresas e a disponibilidade de fazer
atualizações profissionais na própria empresa são vistos como ações de aprendizado
contínuo.
Com relação à periodicidade do treinamento, os selecionadores foram unânimes em
afirmar que não há periodicidade definida a respeito do período ou da duração dos
treinamentos que os candidatos devem cumprir, mas consideram sua importância tanto
nos aspectos qualitativo como quantitativo de sua realização, além das experiências
desenvolvidas a partir de treinamentos realizados em outros campos profissionais.
Os selecionadores de ambos os países constataram que a formação escolar recebida
atribui pouca ênfase ao desenvolvimento de atitudes pró-ativas dos alunos, na medida em
que eles mostram dificuldades para encontrar soluções em situações desconhecidas, lenta
adaptação às mudanças, aversão à introdução de novos métodos para superar problemas,
baixo conhecimento da cultura organizacional da empresa, baixa participação em tarefas
cooperativas, baixo desempenho quando atuam sob pressão, baixa autonomia para
tomada de decisão e baixo interesse em pesquisar e atender às demandas específicas de
clientes.
Ao final do questionário, os selecionadores apontavam um conjunto de
recomendações voltadas à implementação e operacionalização dos cursos profissionais
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técnicos de nível médio desta área. Em síntese, as sugestões reportaram-se aos seguintes
aspectos:
Desenvolver as habilidades dos formandos: Nesse quesito, tanto selecionadores
brasileiros como chilenos expressam que a formação educacional dos alunos deve
prever o desenvolvimento de habilidades técnicas e pessoais dos formandos. Os
cursos devem propiciar aos alunos o desenvolvimento de capacidades e habilidades
técnicas para o desempenho de suas atividades após o período escolar. Capacidade
e habilidades técnicas são desenvolvidas a partir de atividades teóricas e práticas
estimuladas durante o período da formação do aluno. Esse fato está ligado
diretamente ao desenvolvimento do curso uma vez que na comparação entre os
dois países há diferenças significativas entre as formações dos alunos. No Chile a
jornada integral de oitos horas na escola possibilita maior tempo disponível para a
estimulação teórica e prática; no Brasil a jornada é parcial de quatro horas o que
reduz pela metade o tempo disponível para teoria e prática. Outro fato de destaque
da legislação chilena é a modalidade dual de ensino para a formação profissional
técnica de nível médio, desenvolvida em parceria com empresas e abordado no
item seguinte.
Propor a formação dual para os alunos: No Chile a legislação educacional prevê a
formação profissional técnica de nível médio na modalidade dual, na qual os alunos
desenvolvem a formação teórica nas escolas (três dias da semana) e
complementam a formação prática diretamente nas empresas associadas às escolas
(dois dias da semana
. Os sele io ado es hile os o se va a ue p opo a
fo ação dual pa a os alu os, a fo a de eles obterem experiência profissional
na prática, nivelamento de seus conhecimentos e expectativas, desenvolvimento de
competências profissionais, pessoais e interpessoais. Para esses selecionadores, tal
formação apresenta-se como solução para que os alunos possam sanar a falta de
habilidades e competências detectadas no momento da seleção para o cargo
pretendido. No Brasil não há na legislação educacional, orientação ou decisão
formal para esta modalidade de ensino, embora existem, principalmente na região
sul do país, algumas escolas que a oferecem, porém não foram localizados estudos
sobre seus resultados.
Preparar os formandos para a demanda do mercado: Somente com a aproximação
da empresa à escola é que esse aspecto pode ser alcançado e contribuir para uma
melhor preparação dos formandos. Não se podem preparar egressos dos cursos
profissionais técnicos somente com a formatação de currículos definida por
dirigentes da educação baseados em decisões de gabinete. A indústria que absorve
essa mão de obra se altera de forma rápida (produção e tecnologia), enquanto as
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decisões acerca do currículo desse nível escolar podem levar até anos para serem
implantadas, quando já estarão defasadas das necessidades emergentes. É
necessária uma constante articulação das decisões nos currículos com as práticas
adotadas pelas empresas, com os docentes e dirigentes de escolas profissionais
técnicas, buscando construir uma formação educacional que atenda aos aspectos
formativos, empresariais e sociais, além da demanda do mercado de trabalho.
Integrar escola e indústria em busca de melhor relação profissional teoria-prática
e valorização da profissão: A aproximação da indústria (empresa) à escola na busca
de uma integração ampla pode proporcionar ganhos para a sociedade, escolas e
indústrias. Tais ganhos estão relacionados: à melhor preparação dos egressos para
atuarem no campo profissional (sociedade); às escolas por participarem e
acompanharem a evolução industrial tanto nos aspectos tecnológicos como de
produção; e às indústrias por poderem contar com mão de obra melhor preparada
e próxima aos novos modelos produtivos.
Atualização constante dos conhecimentos, inovações tecnológicas e processos
industriais: Os aspectos da constante atualização dos conhecimentos, inovações
tecnológicas e processos industriais estão ligados à forma de a escola sugerir e
incentivar por meio de palestras, comunicações de práticas, grupos de interesses
entre outros, o desenvolvimento do hábito dessas atualizações. A ocorrência deles
depende do egresso e da forma como ele vai conduzir sua carreira profissional.
Portanto, esse ponto destacado pelos selecionadores está mais ligado ao
comportamento profissional do egresso do que da própria escola, pois esta só pode
sugerir essa atualização e insistir nela.
Desenvolvimento de competências pessoais: As competências pessoais do egresso
estão diretamente ligadas à forma de como ele irá conduzir sua vida profissional.
Ao entrar na escola, o aluno traz algumas dessas competências e a escola busca,
com suas ferramentas pedagógicas, sugerir e incentivar o desenvolvimento das
competências que ele já possui e outras mais, de forma que possa utilizá-las em sua
vida profissional. Assim, saber relacionar-se com seus pares e superiores, expressar-
se, resolver conflitos, ter iniciativa nas ações e liderança no trabalho são algumas
das competências que o aluno pode desenvolver com o auxílio dessas ferramentas
pedagógicas. Não existe uma formação específica, mas orientação, sugestão e
incentivo para desenvolvê-las. Um fato importante a ser considerado é que, ao sair
da escola, o egresso não possui experiência profissional desenvolvida e isto o
prejudica no desenvolvimento não só das competências técnicas como,
principalmente, das pessoais. A exclusão desses egressos por falta de competências
pessoais no processo de avaliação para contratação os mantém cada vez mais
afastados dos requisitos buscados pelos selecionadores.
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Maior rigidez nos padrões de avaliação: Os selecionadores de ambos os países
pedem um melhor padrão de avaliação dos alunos durante as etapas do curso como
forma de esses egressos, ao concluírem a formação, possuírem conceitos e
conhecimentos firmes, habilidades e competências que os coloquem em situação
de buscarem uma vaga no mercado de trabalho. Alegam que a forma utilizada pelas
escolas no momento da avaliação do formando ou do aluno não é suficientemente
rígida para certificar realmente bons alunos e bons profissionais.
Setor técnico industrial não é atrativo e o perfil profissional do egresso é baixo:
Enfatizam os selecionadores chilenos que a carreira de técnico de nível médio, por
não ser considerada carreira de destaque, não remunera seus profissionais com
salários condizentes. Este fato aliado às deficiências acusadas no perfil profissional
do egresso são elementos desmotivadores para aqueles que pretendem atuar no
segmento. Diferentemente no Brasil, os selecionadores de mão de obra não fazem
os mesmos comentários, isto é, não qualificam a profissão de técnico de nível
médio como desmotivadora e consideram que os salários são determinados pelas
variações do mercado e constantemente atualizados, e, sobretudo, afirmam que a
busca por profissionais para atuarem nesse mercado é considerada alta.
Como visão geral e síntese deste capítulo, pode dizer-se que tanto os selecionadores
brasileiros como os chilenos mostram-se alinhados com as mesmas referências em relação
aos egressos e ao mercado de trabalho no momento de seleção e posterior contratação.
Esses critérios e referências estabelecidos pelos selecionadores para o segmento de
manutenção industrial de ambos os países sugerem que podem estar ligados aos requisitos
estabelecidos pelas empresas transnacionais que operam nesses países e, no rastro dessas
empresas, passam a serem referências para as empresas nacionais.
Como visto na evolução do capítulo, a maioria dos pontos de referência são
convergentes, entretanto, aqueles que divergem relacionam-se com as especificidades de
cada país em função da cultura e das características da oferta de mão de obra, como o fato
da seleção de egressos com a formação concluída e respectiva certificação, ou então a
absorção de mão de obra masculina e de determinada faixa etária.
Outro fato destacado está balizado pelas questões dos cargos e salários: para os
selecionadores de ambos os países essas questões estão atreladas às necessidades e
ofertas específicas das empresas contratantes. Porém, o cerne da questão fica por conta da
experiência profissional das competências e habilidades que cada candidato à vaga
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demonstra ter, e que ele traz da sua formação escolar ou de outras empresas em que
tenha trabalhado.
Com relação às competências avaliadas na contratação, os selecionadores convergem
nos pontos avaliados, entretanto, há divergência em relação ao idioma estrangeiro que os
selecionadores chilenos dão menor importância do que seus colegas brasileiros. Tal fato
sugere que talvez as exigências das empresas que operam no Brasil se relacionem com os
países dos quais elas se originam ou ao relacionamento entre empregados e supervisores.
Outra possibilidade relaciona-se a pouca ênfase dada ao ensino de idioma estrangeiro no
ensino médio profissional do Chile.
Outro ponto convergente entre os requisitos para a contratação é a questão do
treinamento e da periodicidade do treinamento, no qual os selecionadores indicam que
não há um critério prévio e determinante definindo tais pontos.
Mais um ponto de concordância se relaciona com a afirmação dos selecionadores de
que a formação recebida nas escolas não desenvolve a pró-atividade dos alunos para ações
que estão mais ligadas às competências pessoais como tomada de decisões,
enfrentamento de dificuldades diversas, lentidão para adaptar-se às mudanças e aversão à
introdução de novas metodologias entre outras.
Conforme explicitado anteriormente, a maioria das sugestões e recomendações
apresentadas para melhorias nos cursos técnicos é coincidente nos dois países. Exceção a
duas sugest es: i t odução da odalidade dual , e o e dada pelos sele io ado es
chilenos que acreditam ser a modalidade que melhor prepara o egresso para o mercado de
t a alho; e o dese volvi e to de ha ilidades t
i as e pessoais , e
o a itado pelos
selecionadores dos dois países, os chilenos foram mais enfáticos do que os brasileiros em
função da maior carga horária escolar no Chile para o desenvolvimento de tais habilidades.
Pode-se dizer que para os selecionadores de ambos os países, excluindo-se os tópicos
aventados nesta síntese, os demais são similares.
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CAPÍTULO 6 – A PERCEPÇÃO DOS EGRESSOS DO ENSINO TÉCNICO DE NÍVEL
Belgede
II. Abdülhamid Dönemi idadîlerde tarih ve coğrafya eğitim-öğretimi
(sayfa 67-71)