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İbranamenin Muhtevası 1. Tarafları

Belgede K I S A L T M A L A R (sayfa 21-26)

Devemos aqui relembrar que estas questões não são colocadas aleatoriamente, partem de uma base teórica, que fomos construindo ao mesmo tempo que recebíamos inputs do terreno. Mobilizámos, nomeadamente, os conceitos de identidade, mediação, representações sociais, modos de vida, situação, pedaço, entre outros que estão na confluência entre a sociologia e a antropologia.

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Começámos então a perceber que o fio condutor que melhor nos permitia organizar e responder a estas questões e melhor dar conta, teórica e analiticamente, do objeto empírico que tínhamos, é a “construção identitária”: processo que permite mobilizar os conceitos anteriormente identificados como fundamentais e abranger o objeto de estudo.

Depois de recolhidos os dados em variadas frentes de trabalho (junto de vários grupos de jovens com posicionamentos e estratégias identitárias diferentes) começámos a perceber que esta construção de identidades e modos de vida não se efetua de modo simples. Isto é, pelo que fomos apreendendo do contacto com os habitantes do bairro (dos jovens em concreto), a construção de identidades e de modos de vida efetua-se de forma híbrida, através da conjugação de variados fatores de ordens distintas.

De facto, não podemos, nas nossas sociedades complexas e particularmente em contextos metropolitanos como aquele que aqui estudamos, falar de identidade no sentido fechado do termo.

Segundo Canclini (1995), por exemplo, interessa falar, no cenário da atualidade, em hibridação. Afirma o autor: “Eu percebo por hibridação processos socioculturais nos quais estruturas e práticas distintas, anteriormente existentes de forma separada, são combinadas para gerar novas estruturas, objetos e práticas.” (Canclini, 1995: XXV).

Ora, se tivermos em conta que o processo de contacto cultural é cada vez mais alargado e de procura do conforto identitário verificado nos cidadãos, particularmente nas zonas urbanas, resulta claro, afirma Canclini, que é precisamente o hibridismo da sociedade contemporânea, a globalização do híbrido que define as identidades contemporâneas.

Poderíamos, então, falar de um hibridismo estrutural nas sociedades contemporâneas?

Por um lado devemos aqui relembrar que o híbrido faz parte da história longa. Por outro contudo, é de realçar a existência de diferentes “ciclos de hibridação”: ciclos que alternam entre formas mais heterogéneas e outras mais homogéneas.

Podemos, com alguma segurança, afirmar que as nossas sociedades (ocidentais nomeadamente) vivenciam um momento de formas sociais mais heterogéneas, pelo que muitos autores falam em hibridismo estrutural para as caracterizar.

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Ora bem, este hibridismo repercute-se nas identidades pessoais: a vida de cada um é agora menos rígida, com menos dualismos e hierarquias constituídas à partida.

Segundo Madeira (2010), enquanto antes víamos a cultura como ilha, de base territorial, homogénea internamente e diferenciada face ao exterior. Hoje temos mais uma “cultura porosa” ou “pontilhada”: nesta a base territorial não é fixa, dilata-se e altera-se com frequência.

Esta mudança traz consequências na formação cultural dos indivíduos. Como afirma Giddens “a manutenção de narrativas biográficas coerentes ainda que continuamente revistas, ocorre no contexto da escolha múltipla (…) na vida social moderna, a noção de estilo de vida assume um significado particular. Quanto mais a tradição perde a sua influência, e quanto mais a vida diária é reconstituída em termos de jogo dialético entre o local e o global, tanto mais os indivíduos são forçados a negociar escolhas dos estilos de vida de entre uma diversidade de opções” (Giddens, 1997: 5)

Hoje podemos falar, assim, não apenas de uma “complexidade identitária”, mas de um “mercado de identidades” muito pós-moderno, identidades estas que são transferíveis, transacionáveis como se de produtos comerciais (valores de troca) se tratassem.

Deste modo, as identidades na atualidade constituem-se num contexto de uma generalizada multirreferenciação identitária, em que a socialização se desenvolve em mobilidade; em que os indivíduos classificam-se e “ordenam-se a si e aos outros” por “justaposições livres” e por vezes caóticas; e em que no encontro com o “outro” cada qual ganha novas identidades.

Como gere o ator social estas múltiplas pertenças e a incorporação constante de novas identidades na sua Identidade em construção?

O nosso objeto de estudo deve ser, segundo Canclini, não a hibridação em si mesma mas, pela dinâmica que lhe está subjacente, os processos de hibridação. Devemos assim, se queremos estudar a formação das identidades culturais, proceder à análise empírica destes processos, caso a caso.

O que interessa, afirma o autor, é perceber “a astúcia com que os fios se entrelaçam e como essa hibridez produz efeitos sociais específicos”.

Tendo-nos deparado com esse processo de hibridação na construção de identidades juvenis no bairro, interessa-nos na análise dos dados empíricos recolhidos,

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perceber então como se entrelaçam esses “fios” (da etnicidade, da juventude, do bairrismo e referenciação espacial, do sentimento de pertença de classe) na construção identitária dos indivíduos estudados.

É o peso variado desses diversos fatores na construção das representações e ação social que procuraremos apurar pela análise do material recolhido. Procuraremos, desse modo, chegar às conclusões que se afigurarem mais pertinentes no que diz respeito à nossa questão inicial: a questão de como se vive o subúrbio e como se constroem aí as vivências e identidades.

Assim, queremos perceber como é que as influências externas e internas se intersectam e combinam em processos de produção de identidades culturais. Na PARTE III desta tese queremos perceber essa dinâmica partindo das práticas, das interações presentes no dia-a-dia dos habitantes, ou seja, queremos olhar o nosso objeto do lado da apropriação.

Portanto, o objetivo concreto desta tese é investigar os processos de construção identitária juvenil a partir da perspetiva dos atores (estudo de caso), processos e dinâmicas endógenas (não descurando a influência dos processos exógenos e atores sociais importantes como o Estado e instituições sociais, influências estas explicitadas na primeira parte). Se nesta primeira parte procurámos sintetizar os principais pontos da “produção do espaço” e dos sentidos públicos a ele atribuídos, de seguida procuraremos apreender os principais pontos da “apropriação” do mesmo: vivências, modos de vida, relações sociais, espaços significativos e construção identitária dos indivíduos.

Como referimos anteriormente o elemento-chave, o conceito que permite unir todos estes diferentes elementos num discurso fluído é o de construção identitária, sempre subjacente.

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Belgede K I S A L T M A L A R (sayfa 21-26)

Benzer Belgeler