2. KURAMSAL TEMELLER VE KAYNAKLAR ARAŞTIRMASI
2.1. Tasarım Bitkisi Kavramı, Sınıflandırılması ve Tasarım Bitkilerinin
2.1.3. Tasarım bitkilerinin görsel ve işlevsel etkileri
2.1.3.2. İşlevsel bitki özellikleri
Segundo Santos (1978, p. 171):
[...] O espaço por suas características e por seu funcionamento, pelo que ele oferece a alguns e recusa a outros, pela seleção de localização feita entre as atividades e entre os homens, é o resultado de uma práxis coletiva que reproduz as relações sociais, [...] o espaço evolui pelo movimento da sociedade total.
Vê-se que o conceito de “espaço” é compreendido pelo autor como um conjunto de formas representativas das relações sociais do passado e do presente e por uma estrutura de relações que estão acontecendo e manifestam-se por meio de processos e funções. Neste aspecto, Santos (1978, p.145) diferencia “espaço” de
“território”, asseverando que “a utilização do território pelo povo cria o espaço”. O “território” então seria um conceito subjacente ao conceito de “espaço geográfico” – mais amplo e complexo e entendido como um sistema de objetos e ações – e o primeiro, então, representaria um dado fixo e delimitado, uma área.
Nesse sentido, embora não seja objeto deste trabalho o aprofundamento destas questões – afetas a diferentes ciências políticas e sociais – ao compreender o território apenas como uma área delimitada123 e constituída pelas relações de poder do Estado (Governos), consoante se apregoa na Geografia, estar-se-ia desconsiderando as diferentes formas de enfocar o seu uso, que deve levar em consideração, pois, os diferentes atores e relações socioambientais que nele ocorrem.
Em que pesem tais argumentos, para os fins deste trabalho importa-nos tratar do território como “área delimitada” (urbana, rural e de expansão urbana), sem, contudo desconsiderar ou ignorar as relações sociopolíticas que nele se refletem. Isto porque, a citada “delimitação” - implícita ao conceito de território - é uma questão jurídica, e neste processo jurídico legislativo ( de delimitação), os aspectos socioambientais e políticos devem ser sopesados.
Seguindo nesta direção, conforme Silva J. A. (2012, p. 24), três são as concepções relativas ao conceito de “cidade”: i. a concepção demográfica; ii. A concepção econômica e iii. A concepção de subsistemas.
O conceito demográfico e quantitativo de “cidade” é muito difundido e reside em considerar a cidade o aglomerado urbano com determinado número de habitantes. O conceito econômico apoia-se na doutrina da Max Weber na qual toda cidade é uma “localidade de mercado”. Finalmente, a concepção de subsistemas, que considera a cidade como um conjunto de subsistemas administrativos, comerciais, industriais e socioculturais num sistema nacional geral (SILVA J. A, 2012, p. 24-25).
Weber (1987, p. 4) começa a conceituar a cidade sob o aspecto material, a partir do que ele chama de “estabelecimento compacto de prédios próximos uns dos
123 O território pode ser considerado como delimitado, construído e desconstruído por relações de poder que
envolvem uma gama muito grande de atores que territorializam suas ações com o passar do tempo. No entanto, a delimitação pode não ocorrer de maneira precisa, pode ser irregular e mudar historicamente, bem como acontecer uma diversificação de relações sociais num jogo de poder cada vez mais complexo. (SAQUET, 2008)
outros”, e sob a ótica econômica dispõe que na cidade “la mayor parte de sus habitantes viven de la indústria y del comercio y no de la agricultura”.
Sob a ótica da geografia urbana, a primeira constatação que se tem é que o espaço, embora natural, agora é construído, portanto artificial, e contou com a participação humana em sua montagem, de sorte que o “meio urbano” ou a cidade, é uma construção social, produto de muitas mãos e de muitas gerações (BERNARDI, 2006, p. 22).
Alerta Silva J. A. (2012, p.25) que os conceitos demográfico e econômico de “cidade” não servem para definir as cidades brasileiras, pois estas são “conceitos jurídico-políticos” que, por isso, se aproximam da concepção das cidades como um conjunto de sistemas. A característica da cidade brasileira é ser um núcleo urbano, sede do governo municipal, e do ponto de vista urbanístico, um centro populacional assume a condição de “cidade” quando possui dois elementos essenciais: a) unidades edilícias, ou seja, conjunto de edificações nas quais a coletividade mora ou desenvolve suas atividades produtivas, comerciais, industriais e intelectuais e b) equipamentos públicos, ou seja, os bens públicos e sociais criados para servir às unidades edilícias e destinados a satisfação das necessidades de que os habitantes não podem prover-se diretamente e por sua conta (estradas, ruas, praças, parques, canalização, iluminação pública, escolas, mercados, dentre outros) (SILVA J. A., 2012, p.26).
O princípio da função social da cidade, e seus respectivos valores, importariam, a priori, numa demarcação física de um conceito de cidade. Esta conceituação reside na superação da associação entre “cidade” e “urbano”. Cidade traz a ideia de “urbano” e, por ilação, de cotejo com o ambiente rural (LUFT, 2011, p. 114).
Além disso, podemos dizer que a cidade, no conjunto integral do cumprimento de suas funções sociais guarda em si um aspecto difuso. Não há "como identificar os sujeitos afetados pelas atividades e funções nas cidades, os proprietários, os moradores [...] tem como contingência habitar e usar um mesmo espaço territorial, a relação que se estabelece entre os sujeitos é a cidade que é um bem de vida difuso" (SAULE- JUNIOR, 1997, p. 61).
A questão ganhou maior relevo com o advento do Estatuto da Cidade que, em seu art. 54, altera a redação do art. 1º da lei nº 7.347 de 1985 que disciplina a ação civil pública (instrumento processual para pretensões em defesa de interesses difusos), incluindo a ordem urbanística como um valor a ser defendido por via da mesma. Nesse sentido, Machado (2013, p. 446) assegura que a ordem urbanística (à falta de definição legal) vem a ser o conjunto de normas de ordem pública e de interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança, do equilíbrio ambiental e do bem-estar dos cidadãos.
O desenvolvimento urbano merece ser redimensionado, devendo partir especialmente de dois pontos: o homem visto concretamente como membro de uma comunidade local e o território na sua realidade de ambiente ecológico, redescobrindo-se nele seus valores específicos, promovendo-o, além de utilizá-lo.
Nesta perspectiva encontram-se os Municípios, abrangidos pela zona costeira.