4. MATERYAL VE METOT
5.1. Edirne İlinde Bulunan Mevcut Fidanlıklar
5.1.3. Belediye fidanlıkları
5.1.3.1. Edirne Belediyesi Park ve Bahçeler Müdürlüğü
No plano fisiológico, pingala corresponde ao sistema nervoso simpático; ida, ao parassimpático; e susumna, ao sistema nervoso central. A frieza atribuída a ida [pois, corresponde dentro da representação simbólica da fisiologia do HI medieval como chandra-nadi, ou “canal da lua; e pingala como surya-nadi, ou “canal do sol”] no HIP é explicada, pela ciência moderna, em virtude de sua ligação com o hipotálamo, situado na base do cérebro, e que é o centro responsável pela manutenção da temperatura estável do corpo. Assim, o hipotálamo é o plexo lunar, do qual desce ida, assim como pingala ascende de sua base no plexo solar. Susumna corresponde ao sistema nervoso central, e essa energia divina, produzida pela fusão de ida e pingala, é vista como energia elétrica (kundalini [nota autor]), segundo a fisiologia. Susumna existe em todas as partes do corpo e não apenas na espinha, porque o sistema nervoso central age em todo o organismo (IYENGAR, 2001, p.188-190).
O pranayama está na fronteira entre os mundos material e espiritual, e o [músculo do] diafragma é o ponto de encontro dos planos fisiológico e espiritual do seu corpo. Lembre que kumbhaka não é segurar o fôlego; é reter energia [prana] (Ibid., p.186).
Kuvalayananda (2008), nos seus comentários, faz extensas exposições fisiológico-anatômicas precisas e condizentes com o pensamento da ciência ocidental, e desfere duras críticas aos seus companheiros de fé que descrevem a fisiologia espiritual das práticas ioguicas como “crenças populares”, pois não estão pautadas, segundo ele, em pesquisas laboratoriais sob a perspectiva da lógica ocidental, como ele o faz (p.104 em notas). No entanto, frequentemente e ao longo de seus principais livros (Asana e Pranayamas), não deixa de salientar o “valor espiritual” do ásana e do pranayama. Essa ambivalência (CRUZ, 2008, p.13)22 acompanha os iogues modernos e, o que pode parecer uma contradição, se revelará adiante, uma posição ideológica de legitimação importante ao microuniverso religioso do ioga que vem se configurando contemporaneamente. Os iogues modernos lutam por desvencilhar-se da magia hinduísta medieval, mas esse desencantamento se revelará na substituição por novas crenças igualmente mágicas, mas fundamentadas numa nova proposta de
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salvação/libertação estabelecida entre a dialética saúde-Bem-equilíbrio-Kaivalya e doença-Mal-desequilíbrio-klesa.
[Paschimatana é executado quando] Sentado, o estudante mantêm as pernas esticadas e unidas. Inclina então o tronco um pouco para a frente, forma um gancho com os dedos indicadores e segura com eles os grandes artelhos com os dedos assegura não só o completo relaxamento, como também um completo estiramento dos músculos posteriores das pernas (Ibid., p.120).
A Paschimatana é considerada de grande valor espiritual. São conhecidos casos em que sua prática por cultores espiritualistas permitiu que o praticante ouvisse o Anahata Dhvani, isto é, o som sutil. O tempo de permanência na Paschimatana deve ser criteriosamente regulado. Quando continuado por muito tempo, causará prisão de ventre. Para finalidades espirituais, entretanto, esta Asana deverá ser praticada diariamente por mais de uma hora (Ibid., p.122).
Como exemplo, selecionou-se do seu livro Asanas alguns trechos que esclarecem a ambivalência originada pelas pesquisas fisiológicas empíricas ocidentais que se querem mostrar, sobre o uddiyana bandha e paschimotanasana (ou
paschimatana). Percebe-se claramente que os ásanas possuem a capacidade de
induzir ao relaxamento e liberar o aprisionamento de prana, ao mesmo tempo que essa falha no fluxo energético prânico possui extensões terapêuticas, como a prisão de ventre. Se a agitação da mente é fruto agora da manifestação física dos klesas, as práticas corporais do ioga (fundadas em posturas, respiratórios e meditação) resultam em um profundo relaxamento documentado pela ciência da fisiologia biomédica. O
kaivalya deve estar em algum ponto advindo do relaxamento psicofísico, um estado
no qual os klesas cessem definitivamente de atuar e o equilíbrio de purusa manifeste- se.
Em Asanas, por exemplo, Kuvalayananda (2005) dedica um capítulo inteiro ao “Estudo científico das posturas yóguicas” (p.147-164), dividindo os ásanas em “Meditativos” e “Culturais”. O objetivo das posturas Culturais é puramente orgânico, segundo o autor. Kuvalayananda descreve toda a sua formação em pesquisas empíricas da fisiologia ocidental aplicada a investigar e propalar os benefícios terapêuticos, em particular do fortalecimento e alongamento da coluna vertebral, assim como as posições anatômicas e as inserções articulares e os principais grupos musculares envolvidos. No aspecto Meditativo dos ásanas, o alvo é estabelecer-se numa postura confortável para a execução dos pranayamas e dos estados
contemplativos do ioga, respeitando toda a tradição antiga ioguica desde Patanjali. No entanto, entre as narrações altamente versadas sobre a ciência biomédica e as suas observações, surgem demonstrações pautadas em uma fisiologia transfisiológica e não na fisiologia científica. Por exemplo, após descrever que os ásanas Culturais têm por objetivo fortalecer a coluna, influenciar as áreas cerebrais e produzir “o mais alto vigor orgânico para todo o corpo”, esclarece que isto deve ocorrer para que ambas “possam suportar a interação da força espiritual do kundalini, quando a mesma for despertada pelas práticas yoguicas adiantadas” (Ibid., p.147)23.
Esse aumento do suprimento sanguíneo e o consequente fortalecimento dos nervos é responsável até certo ponto pelo despertar de Kundalini (KUVALAYANANDA, 2005, p.162).
Isso não significa que os ateus não possam praticar as posturas yoguicas. Queremos dizer, portanto, sendo todos os outros fatores iguais (doutrina e fé), um genuíno “teísta” poderá praticar os asanas com maiores vantagens que um ateu (KUVALAYANANDA, 2005, p.50 em notas).
Essa dialética, entre o que é ciência e o que faz parte da espiritualidade ioguica, conduziu os iogues modernos a uma situação singular, pois mesmo a fisiologia científica não explicando, por si só, a fisiologia transfisiológica dos nadis, da kundalini e dos chackras, eles (os iogues) não deixaram de associar as suas escrituras religiosas da profana e secularizante ciência. Mas por que arriscaram-se a desencantar a sua religiosidade e transformar seus rituais corporais de transcendência numa simples terapêutica a serviço exclusivamente da biomedicina ocidental (ALTER, 2004, p.76)? A resposta é simples: proselitismo religioso e fé. Os iogues modernos acreditam em suas práticas corporais como transformadoras de indivíduos, e se fortalecem ainda mais quando respaldados pelos resultados positivos que a ciência biomédica revela sobre as suas práticas e terapia de doenças.
O ambicioso objetivo de Swami Kuvalayananda, (...) era alcançar uma reconstrução espiritual da sociedade em escala mundial. (...) Estes experimentos [científicos empíricos] o convenceram de que a antiga ciência do Yoga, abordada pelos métodos experimentais da ciência moderna, poderia ajudar a humanidade a revivescer física e espiritualmente. Esta se tornou a missão de sua vida (KUVALAYANANDA, 2008, p.2-3).
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O ioga moderno, conclui Strauss (2008), parece ter causado uma reorientação fundamental baseada numa “nova teoria para uma antiga prática”, convidando a sua comunidade a exercer a sua religiosidade ao lado também dos avanços da ciência, sobretudo da fisiologia biomédica empírica (p.49-74). A secularização trazida pelo contato com a ciência associada à privatização religiosa presente nas sociedades ocidentais originou reformas profundas na disputa, produção e manutenção dos bens de salvação e soteriologia do ioga na modernidade. Por isso, o ioga pode não estar mais sendo acolhido pelo hinduísmo e nem por nenhuma outra espiritualidade que lhe dê legitimidade de discurso (JAIN, 2014, p.130-157), não porque não tenha legitimidade espiritual, mas porque talvez esteja se configurando como um novo movimento religioso.
O discurso ioguico vai se pautando na ciência da fisiologia biomédica, não apenas para erigir um “novo discurso coerente” e desmistificado, mas talvez, igualmente como os iogues medievais o fizeram em seu tempo, para reformular a sociedade urbana ocidental de sistema capitalista de consumo e economia neoliberal em que foram transplantados. O Mal/klesa, samadhi e kaivalya podem estar modificados agora, pois o alvo não está mais apontado para o alto clero indiano que mantinham rígidos princípios éticos e uma sociedade em castas sem mobilidade social (LIBERMAN, 2008, p.100-115). O ioga moderno podem estar se desvinculando dos seus antigos laços hinduístas e erigindo novos contornos espirituais. Alguns autores inclusive já o identificam como uma nova prática religiosa do corpo (JAIN, 2014, p.95-129), uma religião mística (NEWCOMBE, 2004) e/ou uma religião secular com rituais de cura (DeMICHELIS, 2004, p.248-260).