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A primeira etapa do inventário exigiu a identificação das cidades brasileiras e portuguesas que constituiriam o objeto de estudo desta pesquisa. Para o Brasil, foram abrangidas as cidades identificadas no recente estudo intitulado “Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil” (IPEA, 1999). Deste, constam os 111 principais centros urbanos que estruturam a rede municipal do país, assim classificados com base nos seguintes critérios:

! Tamanho da população total em 1996 (acima de 100 mil habitantes);

! Densidade demográfica em 1996 (acima de 60 habitantes/km2);

! Porcentagem da População Economicamente Ativa - PEA em atividades urbanas em 1991 (acima de 65 %);

! Posição no Regiões de Influência das Cidades - REGIC, pesquisa realizada pelo IBGE em 1993 que qualifica como Muito Forte (4), Forte (3), Médio (2) e Fraco (1) a intensidade dos fluxos entre as cidades brasileiras.

De acordo com sua importância, estes centros estão agrupados, segundo IPEA (1999), nas seguintes categorias: metrópoles (globais, nacionais e regionais), centros regionais, centros sub-regionais de nível um e centros sub-regionais de nível dois. Este estudo, por sua vez, concentra-se somente nas três últimas categorias, englobando 86 dos principais centros urbanos de médio porte do país. Como alguns destes configuram aglomerados e, portanto, são constituídos por mais de um núcleo urbano, estes foram desmembrados e considerados isoladamente. Deste modo, o inventário contempla um total de 106 cidades brasileiras.

Já as cidades portuguesas selecionadas são aquelas pertencentes à porção continental do país, reunidas na publicação denominada “Atlas das Cidades de Portugal”, realizada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE, 2002), baseada em sua maioria, em informações provenientes do Censo 2001. Ao excluir as cidades localizadas nos

arquipélagos, além das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, este estudo abrange um total de 121 centros urbanos portugueses.

Uma vez identificadas as cidades a serem contempladas nesta pesquisa, a segunda etapa compreendeu uma busca pelas suas respectivas páginas oficiais na Internet. No Brasil, as páginas oficiais correspondem na maioria dos casos às páginas das Prefeituras Municipais, disponíveis, de um modo geral, através do endereço <http://www.nomedacidade.uf.gov.br>.

Já para Portugal, as páginas oficiais correspondem àquelas desenvolvidas para as Câmaras Municipais, Poder Executivo ao nível dos Concelhos naquele país. Estas, de um modo geral, encontram-se disponíveis através do endereço <http://www.cm-

nomedoconcelho.pt.>. Uma vez que em Portugal os limites das cidades e das Freguesias

podem não ser coincidentes, e mesmo que um Concelho pode conter mais de um núcleo urbano, foram consideradas, para estes casos particulares, as páginas das Freguesias que concentram a maior parte da população destas cidades. Estas encontram-se disponíveis através do endereço <http://www.jf-nomedafreguesia.pt>.

Quando as páginas oficiais não existiam ou não puderam ser acessadas, buscou-se outras fontes que pudessem contribuir com informações mais detalhadas sobre a realidade de cada uma das cidades em questão. As listas completas contendo os centros identificados tanto para o Brasil como para Portugal, bem como suas respectivas populações e páginas na Internet são apresentadas, respectivamente, nas Tabelas A-1 e A-2 do Anexo A. No que diz respeito à população de cada centro analisado, cabe esclarecer os seguintes aspectos:

! Para as cidades brasileiras, além da população total do município núcleo no ano de 1996, critério utilizado no estudo realizado pelo IPEA, julgou-se conveniente inserir na Tabela A-1 também o valor da população urbana no ano de 2000 para cada cidade em questão. Esta opção justifica-se pela necessidade de um dado mais atual para os centros urbanos brasileiros, que permitisse o confronto com os dados

disponíveis para as cidades portuguesas abrangidas neste estudo;

! Para as cidades portuguesas é identificada, além da população total do Concelho, a população do núcleo urbano que o constitui. Em muitos casos, a população urbana é bastante inferior à população total do Concelho, uma vez que os limites dos mesmos não são necessariamente coincidentes.

Na etapa posterior do inventário foram definidos os elementos e características a serem avaliados na página consultada na Internet (oficial ou não oficial) para cada uma das cidades em questão. Estes grupos ou categorias de informação foram estabelecidos com o intuito de facilitar a análise do conteúdo apresentado em cada página, bem como permitir a identificação de dados e informações disponíveis, os quais eventualmente podem constituir base para o desenvolvimento de indicadores urbanos. Cabe ressaltar que estes elementos foram identificados e agrupados pela própria pesquisadora a partir de uma análise preliminar das páginas consultadas, uma vez que estes constituíam os temas comumente disponíveis através da Internet. Estes atributos são, de um modo geral, constituídos por:

! Existência de um plano ou estratégia de desenvolvimento

urbano, uma vez que estes podem vir acompanhados de

diagnósticos mais detalhados das condições urbanas e mesmo disponibilizar uma série de indicadores fundamentais para a compreensão da realidade local. Esta informação permite também verificar se as cidades pesquisadas contemplam ou não estratégias para a implementação do conceito de desenvolvimento sustentável em nível urbano (Categoria de Informação 1);

! Disponibilidade de índices ou indicadores urbanos e/ou

indicadores de sustentabilidade propriamente ditos, ainda

que não sistematizados. Neste caso, os indicadores correspondem aos dados estatísticos agregados através de

métodos aritméticos ou regras de decisão (Categoria de Informação 2);

! Informações sobre elementos relacionados à mobilidade

urbana, tais como: transporte público, frota veicular, vias

especiais para pedestres, poluição sonora, impactos ambientais causados pelos transportes, consumo energético, entre outros (Categoria de Informação 3);

! Disponibilidade e natureza dos dados estatísticos e

informações gerais desagregadas contidas na página

pesquisada, tais como: dados econômicos e sociais, informações relacionadas à saúde, educação, infra-estrutura e meio ambiente (Categoria de Informação 4);

! Dados físicos e demográficos que permitam caracterizar a área urbana e a população residente nas cidades pesquisadas (Categoria de Informação 5).

A fim de sistematizar as informações obtidas através da Internet para cada uma das cidades incluídas neste estudo, e de modo auxiliar nos procedimentos de classificação das mesmas, os quais são descritos de forma detalhada na Seção 6.3 deste capítulo, foram organizadas planilhas eletrônicas onde a ausência ou a disponibilidade de cada um dos grupos de informação listados anteriormente foi representada através dos códigos 0 e 1, respectivamente.

O resumo das informações obtidas entre os meses de janeiro a maio de 2003, período em que foi realizada a pesquisa na Internet para os 106 centros urbanos brasileiros e 121 centros urbanos portugueses, encontra-se disponível no Anexo B deste documento (Tabelas B-1 e B-2). Neste estão incluídos também: os pesos atribuídos para cada categoria de informação (identificadas pelos números 1, 2, 3, 4 e 5 respectivamente) e os scores finais obtidos para cada conjunto de cidades em particular, cujos procedimentos para a sua determinação são discutidos nas próximas seções. Nestas tabelas foram acrescentados ainda os dados UF (Unidade da Federação) e Região para o caso do Brasil, e Região para o caso de Portugal, informações que foram utilizadas na análise dos resultados descrita no Capitulo 7 deste documento. No Anexo B as cidades já estão ordenadas de acordo com os resultados obtidos a partir do inventário realizado em suas páginas na Internet.