Indicadores da Agenda 21 (estrutura Pressão-Estado-Resposta)
Buscam integrar, de maneira equilibrada, questões relativas ao meio ambiente e ao desenvolvimento, auxiliando na formulação de políticas em nível institucional com base em uma perspectiva sustentável. Permitem, em um primeiro momento, realizar comparações entre os diversos países signatários da Agenda 21. No entanto, fica a critério de cada instituição governamental, o emprego destes indicadores em diferentes níveis em cada país, e a elaboração de Agendas Locais visando o desenvolvimento sustentável.
Este sistema é composto por 132 indicadores relacionados de forma direta aos 40 capítulos que compõem a Agenda 21, classificados nas categorias social, econômica, ambiental e institucional. Todos os procedimentos para o desenvolvimento destes indicadores encontram-se disponíveis via Internet na página oficial da organização (UNCSD, 1996b).
Indicadores da UNCSD, 2001
Trata-se de um aprimoramento da lista de indicadores proposta pela UNCSD em 1996, estruturada segundo um conjunto de temas e subtemas em que encontram-se subdivididas as quatros principais dimensões do desenvolvimento sustentável. Estes temas incluem, de um modo geral:
! Eqüidade; ! Saúde; ! Educação; ! Moradia; ! Segurança; ! População; ! Atmosfera; ! Solo;
! Oceanos, mares e litoral; ! Água potável;
! Estrutura econômica;
! Modelos de consumo e produção; ! Estrutura Institucional;
! Capacidade Institucional (UNCSD, 2001).
Indicadores Urbanos - UNCHS (HABITAT)
Sistema elaborado com o objetivo de monitorar as condições e tendências dos assentamentos humanos, com base nas 20 áreas-chave relacionadas pela Agenda Habitat (UNCHS, 1996a).
Este sistema, constituído por 23 indicadores-chave (que incluem índices, percentagens e relações) e 9 informações qualitativas (destinadas a avaliar áreas que não podem ser medidas facilmente através de métodos quantitativos), encontra-se subdividido nas seguintes categorias:
! Abrigo;
! Desenvolvimento social e erradicação da pobreza; ! Gerenciamento ambiental;
! Desenvolvimento econômico; ! Governo;
! Cooperação internacional.
Para o desenvolvimento dos indicadores propostos a UNCHS disponibiliza, via Internet, um guia completo contendo todas as informações necessárias para a coleta de dados e formulação dos mesmos (UNCHS, 1996b).
Indicadores de sustentabilidade baseados na Teoria da Orientação
Com base na teoria proposta por BOSSEL (1997), indicadores são identificados a partir de sua capacidade em atender as exigências de determinados sistemas ou de seus componentes. Este conjunto inclui as seguintes categorias de indicadores:
! Indicadores éticos e normativos; ! Indicadores psicológicos;
! Indicadores organizacionais; ! Indicadores de condições de vida; ! Indicadores sociais e de bem-estar; ! Indicadores de recursos materiais; ! Indicadores econômicos e financeiros; ! Indicadores de dependência;
! Indicadores de sobrecarga (BOSSEL, 1997).
Base de dados de indicadores – Sustainable Measures
A consultoria privada Sustainable Measures, com sede em North Andover, Massachusetts, busca auxiliar governos, comunidades e organizações a promover o desenvolvimento sustentável com base no desenvolvimento e identificação de indicadores apropriados para cada contexto. Em sua página na Internet encontra-se disponível uma extensa base de dados que inclui indicadores desenvolvidos nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, classificados por categorias ou palavras chaves. Alguns dos temas abordados são: economia, educação, ambiente, governo, saúde, transportes, entre outros.
Categorias e variáveis relacionadas à sustentabilidade urbana
DICKEY (2001) com base no trabalho de HALL e PFEIFFER (2000) identificou um amplo conjunto de categorias e variáveis associadas, as quais explicam a natureza e as causas da sustentabilidade em nível urbano. Do conjunto de 1800 variáveis identificadas pelo autor, 317 foram selecionadas para análise neste estudo, de modo a facilitar o trabalho de identificação dos indicadores de mobilidade, etapa que é descrita de forma detalhada na seção 6.4 2.
Dentre as categorias identificadas por DICKEY (2001) incluem-se:
! Futuro das cidades;
! Administração/Gerenciamento; ! Pobreza;
! Concentração/Dispersão;
! Crescimento e desenvolvimento; ! Renda;
! Estratégias para os transportes; ! Estratégias tecnológicas, entre outras.
Indicadores Comuns Europeus
Desenvolvido com o objetivo de monitorar as iniciativas em direção à sustentabilidade promovidas na Europa de forma harmônica e integrada, este sistema é composto por 10 indicadores-chave listados a seguir:
! Satisfação do cidadão com a comunidade local;
! Contribuição local para as mudanças climáticas globais; ! Mobilidade local e passageiros transportados;
! Disponibilidade de áreas abertas e de serviços públicos locais;
! Qualidade do ar;
! Deslocamento das crianças para a escola;
! Gerenciamento sustentável por parte das autoridades e empresas locais;
! Poluição sonora;
! Uso sustentável do solo;
! Produtos que contribuem para a sustentabilidade (AMBIENTE ITALIA RESEARCH INSTITUTE, 2003).
Sistema para Planejamento e Pesquisa em Centros e Cidades para a Sustentabilidade Urbana – SPARTACUS
Resultado de um estudo promovido por pesquisadores da Finlândia, Reino Unido, Itália, Espanha e Alemanha, foi desenvolvido com o objetivo de analisar as interações entre uso do solo, transportes, fatores econômicos, sociais e ambientais, de modo a antecipar o impacto das políticas e estratégias aplicadas em nível urbano em países da União Européia. Inclui os seguintes indicadores:
! Indicadores ambientais; ! Indicadores sociais;
! Estatísticas de uso do solo (LAUTSO, 1998; UNIÃO EUROPÉIA, 1998).
Indicadores sobre a integração transportes e meio ambiente na União Européia - TERM (Transport and Environment Reporting Mechanism)
Sistema desenvolvido pela Agência Européia de Meio Ambiente (European
Environment Agency – EEA), com o objetivo de monitorar as questões relativas aos
transportes no contexto da União Européia. Inclui indicadores subdivididos nas seguintes categorias:
! Conseqüências ambientais dos transportes; ! Demanda por transportes;
! Planejamento espacial e acessibilidade;
! Oferta de infra-estrutura de transportes e serviços; ! Custos de transportes e preços;
! Tecnologia e eficiência de utilização;
! Gerenciamento da integração (EEA, 2000 e 2002).
Indicadores para a integração das questões ambientais nas políticas de transportes – OECD
Sistema voltado a monitorar as questões relacionadas aos transportes em nível nacional, subdividido em três áreas principais:
! Tendências setoriais e padrões de significado ambiental; ! Interações com o meio ambiente;
! Considerações políticas e econômicas (LINSTER, 1997; OECD, 1999).
Estas áreas incluem ainda temas como: crescimento do tráfego e divisão modal; infra- estrutura; uso do solo; poluição da água e do ar; ruído; risco e segurança; taxação e subsídios, entre outros.
Indicadores do Reino Unido
No trabalho de FARINHA (1998) é identificado um conjunto de indicadores sobre transportes e planejamento urbano desenvolvidos por diferentes organizações no Reino Unido. Estes indicadores abordam questões como acessibilidade, disponibilidade de transporte público, segurança viária, entre outros.
Sistema de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – SIDS
Este sistema, desenvolvido pela Direcção Geral do Ambiente de Portugal e apresentado de forma detalhada no Capítulo 4 deste documento, contempla um total de 132 indicadores incluídos nas quatro categorias principais consideradas para o desenvolvimento sustentável (DIRECÇÃO GERAL DO AMBIENTE, 2000).
Indicadores de Seattle
Os Indicadores de Seattle constituem um dos exemplos mais difundidos de indicadores comunitários que visam auxiliar na promoção do desenvolvimento sustentável em nível urbano. Este sistema, que inclui 40 indicadores, aborda os seguintes temas:
! Meio ambiente; ! População e recursos; ! Economia;
! Juventude e educação;
! Saúde e comunidade (SUSTAINABLE SEATTLE, 1992).
Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – IBGE
Também descrito de forma detalhada no Capítulo 4, este sistema contempla um total de 50 indicadores e constitui um dos exemplos brasileiros selecionados para a análise (IBGE, 2002).
Sistema Nacional de Indicadores Urbanos - SNIU
Este sistema, disponibilizado pelo Ministério das Cidades através do Programa de Gestão da Política de Desenvolvimento Urbano, fornece, via Internet, dados sobre 5507 municípios brasileiros. Os temas abordados incluem: demografia, perfil socioeconômico da população, atividades econômicas, habitação, saneamento básico, transporte urbano, gestão urbana e eleições.
Índice de Qualidade de Vida Urbana de Belo Horizonte – IQVUBH
Desenvolvido pela Secretaria de Planejamento da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte com consultoria da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/MG), este índice busca expressar em números a complexidade dos fatores que interferem na qualidade de vida nas diversas regiões da cidade de Belo Horizonte. Para o seu desenvolvimento são necessários dados sobre os seguintes temas:
! Abastecimento; ! Assistência social; ! Cultura; ! Renda média; ! Demografia; ! Educação; ! Esportes; ! Habitação; ! Infra-estrutura urbana; ! Meio ambiente; ! Saúde; ! Serviços urbanos;
! Segurança urbana (PREFEITURA MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE, 1996).
Foram selecionadas para esta pesquisa, portanto, 16 experiências em diferentes níveis, totalizando 1350 indicadores. A partir deste conjunto partiu-se para a identificação dos indicadores relacionados à mobilidade, cujos procedimentos são descritos a seguir.