2.3. Bütünleşik Yeşil Pazarlama Karması İçerisinde Yeşil Ürün
2.3.2. İşletmeleri Yeşil Ürün Geliştirmeye İten Sebepler
2.3.2.1. İşletmelerin Sosyal Sorumluluğu
Toda a pessoa sente necessidade de referência e de sentido de pertença a uma família. A família dá segurança pois preenche uma série de necessidades básicas afectivas, económicas, psicológicas e sociais. É na família que criamos tempos de interacção familiar (Garcia, 2008). Levi-Strauss (1993) assinala que a família possui
raízes naturais e está presente em todas as sociedades. A família está formada por duas ou mais pessoas unidas pelo afecto, o matrimónio ou a filiação, que vivem juntas, colocam os seus recursos económicos e consomem conjuntamente uma série de bens da vida quotidiana (Alberdi, 1999).
A palavra família vem do latim família, conjunto de pessoas unidas por vínculos de parentesco, mais os agregados (famulus =criado, empregado), que constituíam a menor unidade social autárquica. Era a família tipo patriarcal, hoje substituída pelo casal e seus filhos (cf. Ávila, 1991). A palavra latina famulus=servente não descreve o que se entende geralmente por família.
Hoje o termo família cobre os vários grupos de parentes, todas as pessoas a viver na mesma casa, todos os descendentes de um mesmo ancestral. Contudo, a extensão destes vários tipos de relacionamentos tem variado de lugar para lugar e de tempo para tempo (Zonabend, 1996, p. 8).
Uma das maiores dificuldades em estudar a história da família é originada pela diversidade de modelos:
Não há uma história da família ocidental porque não há, e nunca houve, um único sistema de família. O Ocidente sempre esteve caracterizado pela diversidade das formas de família, pela diversidade das funções da família e pela diversidade nos relacionamentos familiares não apenas no tempo, mas em tempos precisos do tempo (Anderson, 1986, p. 14).
A família, que exerce uma poderosa influência sobre a pessoa, é objecto de
debate. Numa perspectiva antropológica, a família é uma união durável de indivíduos, socialmente aprovada, no seio da qual se dá o nascimento dos filhos e sua educação. Neste sentido, reconhece-lhe uma ligação de parentesco genético que pressupõe uma interligação entre os seus membros (cf. Meyebach, 2003). A família tem um papel socializador e educativo. A família é um conjunto em interacção; é um sistema e, portanto, suas qualidades são algo mais do que uma soma das qualidades dos indivíduos que o formam; criada para cobrir necessidades e funções básicas que lhe são próprias; com uma história, evolução e códigos próprios que lhe outorgam uma singularidade
(Minuchin, 1984). Esta definição é enriquecida por outros autores que lhe introduzem aspectos emocionais. A família é transmissora de conhecimento e de valores. Tem um sentimento emocional de auto-estima e de resistência à frustração com o que se dá sentido de pertença e identificação entre os seus membros (Bowlby, 1990). A família é, pois, um conjunto de pessoas unidas pelo sentimento de pertença de parentesco, que se sentem unidas por laços de solidariedade, afecto e responsabilidade. É na família que exprimimos a nossa individualidade e criamos tempos de interacção familiar (Garcia, 2008). Na família, grupo primário, a socialização desenvolve-se como função psicológica, de inter-relação e como função básica de organização social. Bento XVI, no encerramento do VI Encontro Mundial de Famílias,33 reafirmou a função social essencial que a família desempenha. A família, disse então o Papa, é “o local chamado a viver e a cultivar o amor, o respeito e a justiça, a lealdade e a colaboração, o serviço e a disponibilidade para com os outros, especialmente os mais débeis”. A família é “a célula vital da sociedade” e, muitas vezes, “o último amparo das pessoas”.
A família é considerada como o lugar privilegiado das trocas intergeracionais. As relações familiares, no entanto, têm sido perturbadas pelo aumento de rupturas matrimoniais e de novas conjugalidades que vieram criar as condições para uma reestruturação das relações, mais aberta, e com maior peso de imprevisibilidade (Fernandes, 2001). Além disso, têm aumentado também os casos problemáticos de isolamento e de abandono que são um campo de intervenção dos agentes sociais (Fernandes, 2001). Na verdade, a velhice dependente é, cada vez mais, um desafio nos nossos dias.
A família como institucionalização social das relações de parentesco mais frequente e comum nas sociedades ocidentais foi assumida pelos antropólogos como uma das categorias básicas no estudo do parentesco. Surgiram muitas polémicas sobre se a família e, especialmente a família nuclear, era universal ou não. A polémica reabre- se desde as instâncias políticas, sociais e religiosas cada vez que os homossexuais, pais e mães separados, uniões de facto, exigem a igualdade jurídica das novas formas de
33 BENTO XVI (2009). VI Encontro Mundial de famílias realizado no México de 16 a 18 de Janeiro de
convivência familiar com a que é considerada, por amplos sectores da população, como natural e universal, a família nuclear, baseada, por sua vez, no matrimónio monógamo e hétero-sexual.
Um dos primeiros a propor e defender a tese da universalidade da família, como família nuclear, foi Murdock. Na definição clássica de Murdock (1949) a família é o grupo social caracterizado por residência em comum, cooperação económica e reprodução. Esta definição tem sido sujeita a muitas críticas, principalmente nos últimos anos. Alguns autores, entre eles, Goody (1956), propuseram o conceito de grupo doméstico. Tendo em conta estas divergências teóricas, existe um certo consenso em utilizar e definir estes conceitos. Rivas (2007) distingue entre grupo doméstico, família e família nuclear definindo-os do seguinte modo:
1. Grupo doméstico: grupo de pessoas que convivem numa residência comum,
formando uma unidade de cooperação económica e em cujo seio se educa, se cria os filhos que nascem de seus membros. Pode ser ou não uma associação de parentes.
2. Família: grupo de pessoas vinculadas pelo matrimónio e descendência com
uma residência local comum, adscrito à procriação e cuidado dos filhos.
3. Família nuclear: grupo de parentes formado por um matrimónio monógamo
e os filhos de pelo menos um dos cônjuges sobre os que ambos assumem papéis paterno e materno, estabelecidos todos em convivência numa residência comum e assumindo funções de cuidado e de socialização dos filhos.
Neste estudo, usamos o conceito de família porque, apesar das limitações e das novas formas de estruturas, não deixa de ser o que mais se utiliza na prática. O Instituto Nacional de Estatística define a família como o conjunto de indivíduos que residem no mesmo alojamento e que têm relações de parentesco (de direito e de facto) entre si, podendo ocupar a totalidade ou parte do alojamento. Os empregados domésticos residentes no alojamento são integrados na respectiva família (INE, Census 2001). Sendo a família (Aboim, 2003), enquanto agregado doméstico, o grupo elementar de solidariedade quotidiana que tem como base a co-residência dos indivíduos, geralmente
unidos por grau de parentesco, que partilham o mesmo tecto (critério locacional) e partilham dos recursos e de actividades (critério funcional).
A família constitui-se quando duas pessoas decidem viver em comum debaixo do mesmo tecto com o objectivo de manterem entre si um relacionamento sexual. A maior parte das pessoas constitui família através do casamento. O secretariado das Nações Unidas para o Ano Internacional da Família publicou como funções da família as seguintes34:
a) Estabelecimento de laços emocionais, sociais e económicos entre os esposos.
b) Procriação e relações sexuais entre os esposos. c) Dar nome e ―status‖ especialmente aos filhos.
d) Cuidados básicos dos filhos e, em muitas culturas, dos idosos e dos parentes com incapacidades.
e) Socialização e educação dos filhos e dos pais. f) Protecção dos membros da família.
g) Atenção emocional e descanso dos membros da família. h) Intercâmbio de bens e serviços.
A família, na perspectiva ocidental tradicional, é um grupo social caracterizado por ter origem num casamento; compreender filhos nascidos da mesma união; determinar regras de comportamento em todas as áreas das relações entre todos os seus membros (Pité, 2004). No entanto, os modelos de relação íntima interpessoal vão-se modificando na sociedade moderna (San Román, 2006):
1. A família é agente básico de socialização. Transmite a cultura social da comunidade. Mas a generalização da escola e os meios de comunicação têm diminuído a importância da família.
2. A família constitui uma unidade económica. O sentido do consumo familiar tende a transformar-se em consumos individuais na sociedade moderna. 3. Dá o primeiro “status” e nome. No entanto, conta cada vez mais a
qualificação profissional, as capacidades pessoais.
4. Satisfaz necessidades afectivas. Os membros da família encontram apoio psicológico, compreensão e segurança.
5. A família como recurso último de afectividade mantém modernamente a importância quase exclusiva ante a despersonalização de outras instituições (escola, trabalho).
6. Legitima relações sexuais. Historicamente as relações sexuais não estavam socialmente legitimadas. Na sociedade moderna há desconexão entre o sexual, o afectivo e a procriação.
7. Proporcionar novos membros à sociedade. Modernamente há debates sobre a fecundação artificial, sobre a descendência fora do matrimónio.
8. Dar domicílio. O lugar de referência era a o lar familiar. Na sociedade moderna vive-se num domicílio virtual (correio electrónico, por exemplo). 9. A família relaciona-se com outras. O aumento da mobilidade física e social
tende a diminuir de importância esta função na sociedade moderna. 10. A família é um meio de fazer públicas as relações individuais.
A família desenvolve uma função mediadora entre o indivíduo e a sociedade que é uma função importante na sociedade tradicional e na sociedade moderna. A família continua a ser designada pelo mesmo nome mas, por dentro, os seus fundamentos alteraram-se (Giddens, 2000). A Sociologia, no seu estudo comparativo com as sociedades europeias, permite discutir abertamente acerca das maiores alterações que ocorreram, desde 1970, na Europa ocidental, na família, e também em parte da Europa Central e de Leste. Essas alterações levam à reflexão sobre a família e, em seguida, sobre a demografia, incluindo outros aspectos da imigração e da diversidade cultural (Crouch, 2008).
A família, de facto, tem mudado e isto tem acontecido ao longo dos tempos. Verificam-se, recentemente, várias alterações na família. Uriós (2006, pp. 68-73) cataloga-as em mudanças demográficas, mudanças legais, mudanças socioculturais e outras mudanças.
- Mudanças demográficas: originadas pela mobilidade geográfica, pela descida da natalidade e o aumento da esperança de vida, pela diminuição do número de casamentos ou o seu retardar;
- Mudanças legais: lei da separação e do divórcio; a lei do aborto; o novo direito privilegia a igualdade e a liberdade preconiza um novo universo matrimonial e familiar; a igualdade entre os filhos naturais e os legítimos; liberdade de escolha do regime matrimonial; mais facilidades em obter o divórcio.
- Mudanças socioculturais: a transformação do papel social da mulher; diminuição do tamanho da família; surgimento de novas formas de familiares e de convivência (uniões de facto, famílias monoparentais);
- Outras mudanças: mudanças nas funções familiares. Na Família da actualidade existem conflitos e a desorganização familiar é uma evidência.
Eis algumas razões apontadas por Uriós (2006, pp. 77-85); Ussell (1995, p. 198): 1. Dissolução da família por separação, nulidade, abandono ou divórcio: separação de facto; separação legal; anulação do matrimónio; abandono da família; divórcio;
2. O surgimento de famílias cujos membros vivem juntos sem se separarem, mas mantêm comunicação mínima, contacto ou interacção mútua, faltando o apoio emocional entre si;
3. São frequentes neste tipo de famílias a violência aberta, as disputas, não havendo sinais de comunicação e de afecto. Por convicções religiosas ou sociais ou pelos filhos o divórcio é excluído e a situação não transparece para o exterior;
4. São frequentes as ausências involuntárias por crises externas motivadas pela dissolução da família por morte de um dos cônjuges, situações de prisão, separação da família devido a guerras, catástrofes naturais ou depressão económica ou devido à emigração. Estas situações obrigam a reajustes da família e do cônjuge que continua a viver com os filhos;
5. São frequentes também as falhas funcionais involuntárias ocasionadas pelos efeitos de crises internas dentro da família, como sejam as patologias graves de tipo físico, mental ou emocional;
6. A violência doméstica continua a existir, há maus tratos à mulher e aos filhos, principalmente;
7. Além disso, há desorganização familiar pela orfandade originada com a morte de um dos pais.
As famílias mudaram ao longo dos tempos e nos últimos anos. Estudá-las requer análise cuidadosa e melhor seria em falar em famílias (Anderson, 1986).
1. Fala-se, hoje, de família nuclear (um homem, uma mulher, e os seus filhos biológicos ou adoptados, habitando num agregado familiar comum). A família nuclear, aberta à família alargada, constrói uma rede de comunicação por onde circulam os problemas e as soluções, as dificuldades e os apoios, as críticas fraternais e os elogios afectuosos.
2. A família alargada, com duas ou três gerações, é o espaço de convivência sem egoísmos, sem intromissões. A família alargada não é só a que vive debaixo do mesmo tecto, na mesma casa, porque hoje isso é muito raro ou impossível. A família alargada realiza-se na comunicação, por exemplo, pelo telemóvel e pela internet. É uma realidade virtual ou uma virtualidade bem real. A família ampliada, portanto, consiste na família nuclear mais os parentes directos ou colaterais, havendo uma extensão das relações entre pais e filhos para avós e netos.
Antes da industrialização havia a família alargada. A família consistia num grande número de crianças, mais pais e avós, a viverem juntos, ou muito próximos. A família trabalhava como uma unidade, quer na agricultura, quer na indústria doméstica. O funcionalista americano W. J. Goode (1963), entre outros, argumentou que o efeito da industrialização é decompor esta rede familiar, e substituí-la pela família nuclear. Há várias razões para isso: Primeiro, a sociedade moderna necessita de mão-de-obra preparada para mover-se para onde quer que seja requerido trabalho, e esta mobilidade enfraqueceu os laços de parentesco. Em segundo lugar, o Estado assumiu muitas das funções da família, tais como a educação e a saúde, destruindo assim a utilidade prática da rede familiar. Em terceiro lugar, a industrialização trouxe perspectivas mais elevadas de mobilidade social, e a oportunidade de um membro de família passar para um melhor estrato social e económico do que os seus parentes. Em quarto lugar, a família alargada tinha proporcionado tradicionalmente a continuidade, com os pais a passarem as suas competências e habilidades aos filhos, mas a indústria moderna gera a especialização com uma complexidade de capacidades mutáveis, portanto é menos provável que um
filho siga o caminho do pai. Quando um homem pode sair-se melhor sem os parentes do que com eles, ele tenderá a ignorar estes laços de parentesco (cf. Moore, 2002, p. 44).
3. Ultimamente diz-se que a forma tradicional de família alargada tem sido substituída por uma rede alargada modificada (cf. Moore 2002). A família alargada modificada difere da da unidade clássica pelo facto de não depender da proximidade geográfica entre as famílias nucleares componentes, e não se basear em actividades partilhadas e não ter uma hierarquia de autoridade embutida (Moore, 2002). Enquanto a família alargada clássica envolve barreiras psicológicas contra um afastamento em relação aos parentes e em direcção a um emprego melhor, a família modificada chega mesmo a incentivar a mobilidade. Litwak (1960) demonstra que os laços próximos entre os parentes podem ser mantidos à distância e aponta o telefone e o telemóvel como substitutos do cara - a - cara. O modelo de hoje para uma família da classe média e trabalhadora é o de várias famílias nucleares a cooperarem e a proporcionarem, de diferentes formas, ajuda e apoio. Os recém-casados, por exemplo, são inicialmente ajudados pelos pais e irão devolver esta ajuda quando os pais forem mais velhos. A família alargada moderna depende dos telefones, das novas tecnologias, da Internet, dos automóveis e aviões, para manter o contacto à distância.
A sociedade moderna tem-se transfigurado quanto à forma mais tradicional, assim como nas suas funções, composição, ciclo de vida e nos papéis da mãe e do pai. A transformação que a família tem sofrido despertou o interesse dos pesquisadores: Uma das questões centrais que preocupa os observadores contemporâneos é saber se estamos a assistir à destruição total da família, do matrimónio e do parentesco (Goody, 1998, p.11). Cresce o número de divórcios, de mães solteiras, e nas sociedades contemporâneas, tem crescido também o número dos que constituem família através da
união de facto. Em Portugal, eram 6,9 %, de acordo com os censos de 2001.
Surgem também as famílias monoparentais que compreendem um adulto (pai ou mãe) a viver com o(s) filho(s). Segundo os censos de 2001, eram 11,5% do total de núcleos familiares. Famílias monoparentais são as famílias com a estrutura de pais
únicos. Trata-se de uma variação da família nuclear tradicional devido ao divórcio, óbito, abandono do lar, mãe solteira, ou adopção de crianças por uma só pessoa. As famílias monoparentais podem ser tipificadas do seguinte modo (San Román, 2006):
a) Vinculadas à natalidade (mães solteiras);
b) Vinculadas à relação matrimonial: abandono da família, anulação do matrimónio, separação de facto, separação legal do matrimónio, separação de facto, separação legal, divórcio, viuvez.
c) Vinculadas ao ordenamento jurídico: adopção por solteiros.
d) Vinculadas a situações sociais: hospitalização prolongada, emigração, trabalho do cônjuge em localidades distantes, cumprimento de pena na prisão.
Aparecem, além disso, as novas famílias, as famílias reconstruídas, recompostas ou reconstituídas, que reagrupam pelo menos um membro do casal divorciado com filhos a outro membro também já com filhos de outra relação. As famílias reconstruídas, nos censos de 2001, eram de 2,7% dos casais com filhos. Surgem também as famílias homossexuais a reclamarem legalização em vários países da Europa.
As relações familiares têm sido perturbadas pelo aumento de rupturas matrimoniais e de novas conjugalidades que vieram criar as condições para uma reestruturação das relações, mais aberta, e com maior peso de imprevisibilidade (Fernandes, 2001). Além disso, têm aumentado também os casos problemáticos de isolamento e de abandono que são um campo de intervenção dos agentes sociais (Fernandes, 2001). Para completar este quadro de mudanças, é de recordar as novas técnicas de procriação, chamadas de procriação medicamente assistidas, que perturbam valores, crenças e representações que se julgavam intocáveis. Elas dissociam a sexualidade da reprodução, a concepção da filiação, a filiação biológica dos laços afectivos, a mãe biológica da portadora, dando lugar a muitas inquietações (Costa-Lascoux, 1991).
A família, em Portugal, está também em profunda mudança. As taxas de feminização dos sujeitos activos subiram de forma significativa. A figura da mulher doméstica é cada vez mais limitada (Freire, 2008). Isto tem originado desatenção e desenquadramento educativo dos filhos pois está associado ao fim de uma sociedade
predominantemente rural. Verifica-se a decadência da economia agrária. Em contrapartida, há a modernização dos espaços sociais de consumo, de lazer, a urbanização. A disseminação da cultura toca directamente a acção, a reflexão e a consciência social. Verifica-se uma alteração na família que sofre as consequências da revolução. De facto, há em Portugal uma mudança de mentalidade sobre o controle de natalidade. Essa mudança concretiza-se na desinstitucionalização das relações entre o indivíduo e a família. A existência dos filhos não impede a dissolução da conjugalidade; Aumentam as taxas de divórcios35. Os divórcios subiram de 8,9% em 1980 para 32,6 % em 2001. Aumenta o número das famílias recompostas. Crescem também as famílias monoparentais, e as formas de vida conjugal à margem do casamento. As uniões de facto passaram de 3,9 em 1991 para 6,9 em 2001. As estatísticas demográficas do INE, entre 1996 e 2001, indicam que há um aumento dos casais que partilhavam a residência antes do casamento ou já tinham filhos comuns em 2001 e que aumentam os nascimentos fora do casamento formal (Leandro, 2008). Aboim (2004) acrescenta que, para um certo número de casais, a relação conjugal é anterior ao casamento ou que muitos casais desligam o casamento da conjugalidade e da paternidade.
Atente-se, também, nestes dados: Diminuem os casamentos católicos (72,1 % em 1991 para 62,5 % em 2001). Os matrimónios católicos tiveram uma quebra de 46% na última década. Segundo dados do Anuário Católico de Portugal de 1999 e de 2008 todas as dioceses conheceram um decréscimo de celebrações matrimoniais. Num total de 52401 matrimónios em 1999, as dioceses celebraram 27908 no ano de 2008. A Diocese de Viana do Castelo, na comparação dos dados referentes aos anos de 2001 e 2007, dá uma redução de 349 matrimónios passando dos 1442 para 1093. Caminhamos