REFİK HALİT KARAY’IN DİLİ VE ÜSLÛBU
O, gamlı yüziyle, yine kuyruğu bacaklarının arasında, yanakları yaşlı dinliyordu (s.45 str.19)
1.2.2. BELİRTME SIFATLARIYLA KURULAN SIFAT TAKIMLAR
1.2.2.3. İŞARET SIFATLARIYLA KURULAN SIFAT TAKIMLAR
O final do primeiro capítulo desta pesquisa que versa sobre as vinculações com os outros participantes do Núcleo de Pastoral e da comunidade das Ilhas, em geral foi elaborado, com o objetivo de fazer a ligação com o segundo capitulo.
Nessa história de aproximação e imersão que se deu ao longo de todos esses anos de convívio, criaram-se muitos vínculos que se desenvolveram com o passar dos anos. Mas foi somente a partir dessas conexões individuais, que se tornaram coletivas, é que foi possível realizar este estudo. Nas idas e vindas, nos sucessos e nos insucessos, em toda a energia dispensada, é que se chegou a esse momento, através das experiências do cotidiano.
Os vínculos, estabelecidos ao longo do processo de constituição desse fenômeno, formaram redes de inter-relações internas e externas e nelas circularam as comunicações e as informações que ocorreram nas interações que são fatos
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importantes no conjunto descritivo das situações aqui apresentadas. É a história individual, constituindo a rede coletiva, junto ao núcleo de Pastoral, dos que já passaram e daqueles que ainda estão tendo alguma forma de atuação na Ilha.
Os indivíduos que por esse lugar já circularam, de uma forma ou de outra, deixaram as suas impressões, as suas contribuições, e, nessas circulações, é que foi sendo construído um conjunto de símbolos e referências, uma rede de relação histórica.
Vários vínculos, criados a partir de um ponto de convergência, que é o da prática pastoral, da reflexão e aplicação do Evangelho, se estabeleceram de forma consistente e duradoura, e a coesão se deu justamente pela fé em algo muito maior que é Deus, um Deus muito próximo, que se faz presente nas coisas simples que, muitas vezes, passam despercebidas. Por exemplo, observou-se a solidariedade, estabelecida na coleta dos resíduos por inúmeras famílias que fortaleceram os seus vínculos a partir do trabalho em conjunto.
É nesses vínculos de amizade, parceria e cooperação na construção coletiva de um local melhor para se viver que se percebe a proximidade de Deus, um Deus de todos e não, de alguns.
Em termos de atividade pastoral, houve um período mais intenso em que foram realizados trabalhos diários com esses coletores-urbanos, no intuito de uma maior aproximação e vinculação em relação a eles. Rivière ressalta a questão de o vínculo ser sempre social, conceituando-o da seguinte maneira:
O vínculo é um instrumento em psicologia social que assume uma determinada estrutura e que é manejável operacionalmente. O vínculo é sempre um vínculo social, mesmo sendo com uma só pessoa; através da relação com essa pessoa repete-se uma história de vínculos determinados em um tempo e em espaços determinados. Por essa razão, o vínculo se relaciona posteriormente com a noção de papel, de status e de comunicação.60
Os laços de amizade, trabalho, luta e vivência do Evangelho, de formas diferenciadas, foram construídos a partir do Núcleo de Pastoral, mas, em um único sentido, o da cooperação e solidariedade, mesmo em meio aos conflitos. Foi a partir
desses vínculos que se conseguiu articular esse circular, o circular dos estranhos, inclusive o do pesquisador. Foi essa construção de vínculos individuais e coletivos que possibilitou a interação entre as pessoas, sendo o tempo de convivência definidor das intensidades de relações.
O vincular-se a Deus, a partir do outro, de quem caminha lado a lado, que luta junto, é um desafio que sempre esteve presente nos movimentos do Núcleo de Pastoral, no trabalho com os coletores-urbanos. Não basta discursos e promessas de um mundo melhor depois, da felicidade no além, esse remeter ao futuro essa ideia é tudo o que quer a classe dominante, o de passar a mensagem de não ser possível mudar o presente, ou seja, de acomodar e justificar as injustiças que estão ocorrendo, ou seja, o interesse de se manter uma “Pax Romana”.
No Núcleo de Pastoral, sempre esteve em pauta o vincular-se ao outro para juntos chegarem a Deus, esse outro sofrido, excluído, discriminado e, nesse sentido, levar o Evangelho para o processo de libertação e conscientização das pessoas mais sofridas, definindo o papel do cristão frente ao mundo. Uma vez libertados os excluídos, esses passarão a ser os agentes de outras libertações, e isso significa um vincular para libertar os companheiros do caminho.
A verdadeira liberdade somente se dá quando se está em Deus, e dificuldades inúmeras vão ocorrer para que essa libertação não ocorra, porém, com a fé, é possível suplantá-las. Segundo Gutiérrez, a questão da liberdade pessoal deve ser para todos, e, se é uma liberdade em Deus, é para todos:
A liberdade pessoal deve marcar toda a sociedade. Tampouco se trata de liberdade da maioria, a exigência é garantir a liberdade para todos. No processo de libertação em curso, esse é o grande desafio que enfrentamos na América Latina.61
Durante todos esses anos de idas e vindas à Ilha, constata-se que muitos vínculos se perderam ou mesmo que nem sequer chegaram a se constituídos. Entre os aspectos que foram observados para a perda de certos vínculos foram, principalmente, a tomada de outros caminhos, a mudança para outros locais e os inevitáveis, como a morte e a influência de outras igrejas, que colaboraram para que
vínculos estabelecidos ou mudassem a forma de relacionamento ou cessassem por completo a aproximação com o Núcleo de Pastoral.
Ao longo dos anos, criou-se uma rede de participações, estabelecida a partir da diversidade de laços, que desencadeou processos de formação teórica desses trabalhadores e da comunidade em geral, estruturados através da formação de uma consciência crítica, visando a melhorar a qualidade no trabalho e da infraestrutura.
Hoje, os desencadeamentos das atividades, enquanto potência de transformação, têm influência direta no campo interpretativo e prático. É o sentido do tempo de organização, atuando no espaço das atividades, ligando as conjunções iniciais de constituição das atividades com os desdobramentos atuais. Esses são vínculos convergentes de força histórica, definindo a mudança da própria história.
2 DEUS NA PERIFERIA DO MUNDO: A HERMENÊUTICA DO CONTEXTO
Neste capítulo, foram realizadas a reflexão e a interpretação do contexto histórico e buscado, através de documentos existentes, observações, depoimentos e do próprio relatório de campo, os elementos que possibilitaram o início da construção de uma estratégia para a realização das ações posteriores na Ilha. A partir das fundamentações teóricas, definiu-se o embasamento necessário, a aplicação da hermenêutica do contexto, visando a organizar as novas idas e vindas a campo.
Nesse momento, passa-se a se refletir, à luz da teoria, utilizando a hermenêutica, acerca do fenômeno em estudo, a partir da história de vida real, da produção das pessoas que formaram o Núcleo de Pastoral Católica. Foi estabelecido um ponto convergente em relação de toda esta história construída, que vai definir o momento da práxis. Por meio da hermenêutica, pesquisa-se o sujeito e o objeto e vice-versa. Na linha de pensamento de Soares:
Por isso, Gadamer, retomando Heidegger, nos diz que não é exato pensar em termos da díade sujeito-objeto, quando o tema é a prática hermenêutica: O sujeito está compreendido por aquilo que se estenderá até o objeto, compreendendo-o. Sujeito e objeto participam do mesmo. O sujeito não é apenas ativo, nem o objeto somente passivo: ele é constituído por aquilo que o leva ao objeto e o define em sua objetividade.62
Dentro desse contexto, adjetiva-se o pobre em vários sentidos, fundamentam- se as observações, interpretando as vivências ao longo do processo histórico do fenômeno. São feitas as mediações entre os campos de saberes, do teológico ao antropológico, em uma perspectiva de costura metodológica, tendo no campo hermenêutico o ponto em comum, de ligação. A interpretação dos textos e dos diálogos produziu os pressupostos intrínsecos de entendimento do fenômeno. Segundo Rabuske:
Há um círculo hermenêutico, na forma concreta de círculo antropológico. Isso significa que não há um ponto de partida totalmente sem pressuposto. É sempre o homem concreto, condicionado, que pergunta pela essência do homem. Já trazemos conosco a nós mesmos, a nossa situação, a nossa experiência, o nosso horizonte de compreensão. Esse horizonte não deve ser excluído, pois ele é a condição da pergunta. Mas deve ser refletido, questionado com respeito à base de sua possibilidade.63
É na possibilidade da interpretação que se cria uma situação na qual é possível uma imersão para o estabelecimento de um mecanismo delineado no campo de compreensão do fenômeno aqui estudado. Neste estudo, a busca da aproximação dos acontecimentos reais do passado com o contexto atual é que possibilitou os elementos necessários para a interpretação dos dados. Uma hermenêutica que procura superar a distância no tempo, entre o que ocorreu no passado e as condições do presente. Segundo Ricoer:
Ao propor religar a linguagem simbólica à compreensão de si, penso satisfazer ao desejo mais profundo da hermenêutica. Toda interpretação se propõe a vencer um afastamento, uma distância, entre a época cultural revoluta, à qual pertence o texto, e o próprio intérprete.64
Neste sentido, foram buscados, nos conteúdos estudados, uma interpretação intencional na perspectiva do ver, julgar e agir, um movimento de aproximar as épocas, as idas e vindas do passado longínquo com as idas e vindas mais recentes, relacionadas com o presente. Objetivou-se a ação no agora e na preparação do futuro, o tempo de semeadura que foi realizado para colheita no futuro, como nos ensinou Jesus Cristo.
Em termos hermenêuticos, não existe uma interpretação neutra, não há uma neutralidade, portanto, ou se está com os pobres e, consequentemente com Deus, ou não.
A interpretação tem que visar a uma estratégia, tem que ter uma intencionalidade e um propósito concreto, focados em uma ação, mudança, buscando na história e na interpretação do acontecido a concentração de força para resistência. É, em um primeiro momento, a resistência na fé em Jesus Cristo, e, a
63 RABUSKE, E. A. Antropologia filosófica, p. 17.
partir desta fé, ter forças, para se defender dos ataques cotidianos das estruturas contrarias à libertação dos pobres, a tudo que é contra Deus. A hermenêutica, assim, tem que fundamentar a crítica, desvendando os campos obscuros, nos quais residem os sofrimentos, as dores, as angústias, as discriminações e as exclusões em um sentido de transformação, perspectiva essa que foi utilizada nesta pesquisa, conforme o teólogo Leonardo Boff: “Não basta sensibilizar-se (indignação ética). Importa ver corretamente a realidade num nível estrutural e crítico para poder agir, eficazmente sobre ela num sentido transformador”.65
Com a limitação de documentos e textos teológicos específicos sobre o fenômeno aqui descrito, a hermenêutica do contexto ficou focada em determinados casos, nos diálogos não sistematizados que se estabeleceram ao longo dos anos de convívio ao núcleo de Pastoral da Região das Ilhas de Porto Alegre.