• Sonuç bulunamadı

REFİK HALİT KARAY’IN DİLİ VE ÜSLÛBU

O, gamlı yüziyle, yine kuyruğu bacaklarının arasında, yanakları yaşlı dinliyordu (s.45 str.19)

1.2.2. BELİRTME SIFATLARIYLA KURULAN SIFAT TAKIMLAR

1.2.2.4. BELGİSİZ SIFATLARLA KURULAN SIFAT TAKIMLAR

Os pobres, os preferencialmente escolhidos por Deus, vão ocupar um lugar no mundo, vão viver e constituir as suas vidas em um lugar físico e concreto, não no etéreo, no ar, distante. Aliás, no caso deste estudo, vai ser bem perto, e está localizado a 10 minutos do centro de Porto Alegre. O que se pretendeu, neste subcapítulo da pesquisa, focado na região das Ilhas de Porto Alegre, foi refletir sobre o lugar teológico, da presença de Deus e onde deve estar a “intelecção” e o agir teológico, terminologia esta utilizada pelo teólogo, Francisco De Aquino Júnior.68

Observou-se a atuação de Deus de várias formas nesse Lugar, e uma delas foi através do Núcleo de Pastoral. O pobre é visto como lugar teológico, o pobre e a sua pobreza.

O teólogo, Jon Sobrino, aborda a questão da pobreza na perspectiva da sobrevivência do resistir humano frente à adversidade da condição em que vive a maioria dos seres humanos:

68 Cf. AQUINO, F. A teologia como intelecção do reinado de Deus. O método da teologia da libertação segundo Ignacio Ellacuria.

Pobreza, em primeiro lugar, quer dizer a realidade em que vive grandíssima parcela dos seres humanos esmagados sob o peso da vida: sobreviver é a sua maior dificuldade, e a morte lenta um destino mais próximo. Pobreza é, então, dificuldade grave para subsistir como espécie humana [...]69

Esses excluídos, desapropriados dos seus direitos básicos, ao longo da história da humanidade, sempre estiveram presentes em um sentido amplo na definição de pobreza, não se restringindo apenas ao aspecto econômico.

A “história oficial”, contada pelos vencedores e dominadores, excepcionalmente, fez registros dos pobres, como agentes históricos. Mesmo tendo sido “grandes homens” e terem deixado significativas contribuições para a humanidade, foram tratados como sujeitos não importantes para a história e definidos como uma massa sem nome, a exemplo dos escravos, dos colonos, dos índios, das mulheres que, historicamente, foram discriminadas e dominadas pela sociedade machista.

Já os grandes “heróis”, os reis, a nobreza, os pensadores, os cientistas sempre foram tratados individualmente e tendo as suas biografias registradas nas páginas da história, com destaques e publicações, ainda que tenham sido grandes ditadores, déspotas que trouxeram a dor e o sofrimento ao mundo. Os bilhões e bilhões de pobres que viveram ao longo da história ficaram na invisibilidade, uma vez que não detinham propriedades, títulos e riquezas.

Essa forma de situar o pobre, em uma posição de inferioridade, se deu nas mais variadas estruturas de poder, desde o sistema monárquico até a democracia moderna. E um exemplo concreto de exploração do nosso tempo é o do trabalhador, do operário que, desde a Revolução Industrial, vem sendo explorado, sendo também atingido pela pobreza.

Ao fazer uma análise histórica e trazer uma definição conceitual em relação ao processo de exploração desse pobre, do proletário, Karl Marx, em seu livro, O

capital, a partir do materialismo histórico, demonstra as injustiças e a dominação

econômica ao longo da história da humanidade.70 Marx situa o poder na classe dominante, na burguesia, naqueles que, a partir do acúmulo do capital, que se deu

69 SOBRINO, J. A fé em Jesus Cristo: ensaio a partir das vítimas, p. 13.

70 Cf. Karl Marx, o qual faz uma análise profunda da economia e das relações de exploração estabelecidas pela classe dominante (MARX, K. O capital – Critica da economia política. Livro 1 – O processo de produção do capital).

através dos saques, dos roubos nas colônias e na apropriação da mais-valia, acabaram sendo os detentores dos meios de produção. Essa realidade mundial de exploração capitalista, com raras exceções, permanece até os dias de hoje subjugando a grande maioria da população mundial.

Obviamente que Marx não considera e ignora os aspectos divinos, mas coloca a questão do cristianismo e da Igreja na perspectiva de servir às classes dominantes. A sua própria opinião sobre o lumpesinato mostra a sua linha de pensamento, tendo, nesse sentido, uma perspectiva antagônica ao cristianismo.71 As observações feitas por ele, em sua época, não contemplaram um estudo mais profundo da história da Igreja, detendo-se apenas naquele setor da Igreja ligado à nobreza e, posteriormente, à burguesia, em síntese, aos dominadores. Diferentemente do cristianismo que propõe a mudança a partir do amor e da misericórdia, Marx vai propor a mudança a partir da luta de classes, do tensionamento social.

Aqui uma questão importante a ser refletida é a de como mediar essas duas linhas de ação, objetivando a organização dos pobres. É não somente uma transformação a partir da cooperação e da solidariedade, mas também, a geração de um tensionamento no sentido da mudança, através dos preceitos cristãos, que está centrada na luta pela melhoria na qualidade de vida dos pobres, dos coletores- urbanos.

Jesus Cristo vem definir o lugar, o espaço da atuação da Igreja, e toda a sua vida é pautada no amor e na paz, porém as forças dominantes não têm nenhum interesse por um lugar de amor e paz verdadeira, um espaço de liberdade. A única paz que interessa às classes dominantes é aquela que mantém a sua estrutura de dominação. A guerra é um ótimo negócio para a burguesia internacional, com a sua bilionária indústria armamentista, entretanto, desde que atinja somente os países pobres, ficando longe das grandes sedes do capital, como, por exemplo, os eternos conflitos na África.

71 Cf. O Professor Heraldo Campos da UNICAMP, a partir do conceito Marxista, propõe que, “na sociologia Marxista, o lumpesinato é a camada social carente de consciência política, constituída pelos operários que vivem na miséria extrema e por indivíduos direta ou indiretamente desvinculados da produção social e que se dedicam a atividades marginais, como, por exemplo, o roubo e a prostituição” (MOVIMENTO DOS SEM TERRA (MST). Disponível em: <www.mst.org.br/note5475>. (Acesso em: 28 maio 2012).

Nesse “lugar” de pobreza e miséria, é que está a missão de Jesus. Como filho de Deus, deve mudar este mundo cheio de injustiças e discrepâncias. Sobrino assevera, assim, que:

Encarnar-se, para Jesus, não significou situar-se na totalidade da história para corresponder a partir dai à totalidade de Deus; significou, antes, escolher aquele lugar determinado da história que fosse capaz de encaminhá-lo para totalidade de Deus. E este lugar não é outro senão o pobre e o oprimido.72

O Deus está presente nesse lugar teológico, no qual o sofrimento é uma realidade cotidiana, contudo esse pode ser lugar da esperança, da certeza da mudança, da organização da resistência e da luta.