3.5.1 Sessão de coleta de dados
A sessão do experimento compreendeu um total de oito passos para cada participante, incluindo o primeiro procedimento anterior à coleta propriamente dita, ou seja, seu agendamento. São eles:
1. agendamento, via correio eletrônico ou telefone, do horário da coleta: devido à quantidade de participantes e em razão da limitação do período em que o rastreador estaria disponível para a coleta em Brasília, criou-se uma agenda on- line, na qual se programavam as coletas tanto dos participantes deste estudo (62)
quanto os da pesquisa de Sekino (2015)28. No ato do agendamento, realizado pelo pesquisador, era solicitado aos participantes que evitassem o uso de maquiagem muito forte e, caso necessário, lavassem a área no entorno dos olhos e limpassem os óculos antes da coleta. Para cada participante, era agendado um período de uma hora. Os participantes levaram aproximadamente de 25 a 45 min para concluir toda a coleta;
2. recepção dos participantes no local da coleta: cada participante era recebido e imediatamente recebia esclarecimentos sobre o projeto. Após a leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice C) pelo participante, o pesquisador lhe questionava se havia alguma dúvida – em caso positivo, ela era sanada e o termo era assinado; em caso negativo, o termo era imediatamente assinado caso participante estivesse de acordo com os termos da pesquisa. Não houve participante que se negasse a assinar o termo;
3. realização do teste de cópia: uma vez esclarecido sobre o projeto de pesquisa, o participante era convidado a se sentar no local da coleta e era instruído a realizar o teste de cópia, tarefa cujo leiaute era idêntico ao da coleta definitiva, com tipos de insumos também idênticos, ou seja, um texto-fonte do tipo narrativo em língua espanhola e duas traduções em língua portuguesa, porém com textos distintos. Imediatamente antes da realização desse teste, porém, era realizada a calibragem do equipamento, que consistia em adequar o sistema de rastreamento aos olhos de cada participante. Nesse processo, cada participante acompanhava com o olhar, em um primeiro momento, bolas amarelas que percorriam cinco pontos da tela, chamados de pontos de calibragem. Dentro das bolas há um ponto preto, para o qual o participante deveria dirigir sua atenção. Em seguida, o processo era repetido com bolas vermelhas. Tal repetição se dava pela necessidade de se realizar a calibragem tanto para o Tobii Studio como para o Translog-II. Por motivos externos ao rastreador (e.g., cansaço, posicionamento do participante diante da tela, sujeira em óculos, maquiagem em demasia, cor e formato dos olhos), a calibragem às vezes precisava ser repetida diversas vezes até que estivesse adequada. Uma vez calibrado, iniciava-se a sessão de cópia. Com esse teste, além de baixar o estresse do participante e familiarizá-lo com a tarefa, era possível aferir a sua capacidade técnica de digitação e a porcentagem
de rastreamento ocular, além de ajustes na distância e altura da cadeira e/ou da tela do rastreador. Concluía-se essa parte com o salvamento dos dados em uma pasta específica nomeada teste de cópia;
4. realização da tarefa de (re)tradução: uma vez realizado o teste de cópia, aferia-se a porcentagem de rastreamento e identificava-se algum erro no procedimento de coleta. Alguns erros tais como a não calibragem em todos os pontos de calibragem eram comuns, problemas resolvidos com ajustes na tela do rastreador (distância e angulação), limpeza de óculos e/ou retirada de excesso de maquiagem e recalibragem. Recalibrava-se o rastreador novamente por duas vezes (para o Tobii e para o Translog-II), e iniciava-se a coleta principal, relativa à (re)tradução. O participante então lia o comando (brief) e, após sua autorização, apareciam a tela com os textos e o espaço para a produção textual. A tarefa terminava quando o participante verbalizava sua conclusão. O pesquisador, então, ativava a tecla stop do Translog-II e salvava os dados em uma pasta específica; o mesmo era feito com os dados do Tobii Studio, cuja gravação era encerrada logo em seguida;
5. aplicação do protocolo verbal livre: terminada a tarefa de (re)tradução, o pesquisador explicava o próximo passo, que consistia na coleta do protocolo verbal livre. Por meio da função replay do Translog Supervisor e com o vídeo do processo de produção textual reproduzido a uma velocidade aumentada em 500%, o participante podia rever o próprio processo de (re)tradução. À medida que ele o revia, ele podia verbalizar livremente seus procedimentos. Em alguns momentos, foi necessária a intervenção do pesquisador para que o protocolo fluísse, por isso foram necessárias perguntas como: o que você estava fazendo neste momento? Todos os protocolos foram gravados em áudio no próprio Tobii Studio, salvos em pasta específica e posteriormente transcritos (Apêndice A). Durante o protocolo o olhar do participante era rastreado;
6. aplicação do protocolo verbal guiado: concluído o protocolo verbal livre, o pesquisador deixava a produção final do participante disponível na tela do computador e iniciava o protocolo guiado, que era gravado pelo próprio Tobii Studio, salvo em uma pasta específica e posteriormente transcrito (Apêndice B). O olhar dos participantes era rastreado em ambos os protocolos;
7. aplicação do questionário (Apêndice D): terminada a sessão de coleta, o participante era instruído a responder o questionário estruturado. Caso desejasse e dispusesse de tempo, ele poderia usar os computadores do próprio laboratório e responder ao questionário, o que não ocorreu; e
8. terminada a sessão, o pesquisador agradecia a participação, comprometia-se a divulgar a pesquisa quando concluída, resguardando o anonimato do participante, e despedia-se dele, colocando-se à sua disposição para quaisquer esclarecimentos posteriores.
A Figura 14 resume os procedimentos individuais realizados na sessão de coleta.
Figura 14 – Fluxograma dos procedimentos individuais da sessão de coleta